Começam minhas aulas de Teologia do Espírito (Pneumatologia). Eis a questão deste início de curso:

Como você avaliaria a “Fome” ou “Surto” do Espírito que constatamos em nossos dias, após um tempo de “silêncio” do Espírito? A força da pentecostalidade de um lado e a rejeição das formas de expressão intitucionalizada da religião mostra que talvez tenha chegado a tal “Era do Espírito”, predita por Joaquim de Fiore. Seria verdade? Igreja e carisma se contrapõem? Por outro lado a Igreja Católica assiste a fenômenos de massa como é o caso da RCC e das expressões religiosas midiáticas que buscam aceitação institucional e popular. Poder e Carisma estão nas duas pontas desta corda. Como você vê tudo isso? As CEBs lutam por seu lugar na ponta do Carisma. Seria incômodo ter RCC e CEBs na mesma ponta? Ou uma das duas pulará para a ponta da Igreja instituição?

No chamado Primeiro mundo já se fala de civilização pós-cristã. A proposta ali é de uma religiosidade totalmente individual ao estilo New Age. Como pensar a ação da “pessoa” do Espírito Santo neste contexto? Ele é mais visto como uma “energia” impessoal e que deve ser dominada pela pessoa por meio de técnicas.

E o que falar do avanço do Islamismo? Ali parece que o “Espírito” é outro. A instituição religiosa avança sobre a consciência individual. Estamos mesmo diante de um mundo paradoxal. Como pensar a presença e atuação do Espírito?

4 Comentários

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  2. Maria Inês

    … eu vi e ouvi 4 adolescentes cristãos católicos contando de sua recente viagem à India para um Congresso, junto a um grupo que seguem Gandhi… juntos 3.000 participaram deste congresso, com aqueles que foram de vários paises ( inclusive 11 do Brasil). Descobriram a felicidade da arte de amar de Jesus do Evangelho…

    Site do Supercongresso: http://www.supercongress2009.in

    Blog: http://www.supercongres2009.blogspot.com

  3. carlos roberto de oliveira

    Sobre este assunto conversávamos com algumas pessoas em nossa faculdade. Partilhei minha perplexidade por ver que o povo brasileiro se submete tão facilmente ao engano e a instrumentalização, como estamos vendo pela mídia agora com o caso da Igreja Universal. Infelizmente isto não ocorre unicamente neste meio pentecostal. Em nome de Deus, do Espírito Santo, guardada as devidas proporções, muitas coisas acontecem também em nosso meio católico. Ao que me respondeu meu interlocutor que não seria de estranhar e que não poderia esperar muito de nossa realidade eclesial atual. Pois se nem com os absurdos da política e da economia que vemos todos os dias e que são coisas que dizem respeito ao concreto, ao prático e ao vivencial nós reagimos. E que até mesmo estamos perdendo a capacidade desta sadia indignação ética. O que esperar então das questões religiosas e teológicas que são muito mais complexas e exigem maior reflexão e fé. Em suma de uma fé inteligente e com maior lucidez para o discernimento. É o que mais falta hoje em nosso país muito dado aos extremos. Evidentemente que o Espírito Santo deve ser sempre visto através da fé e como realmente é como uma pessoa da Trindade não susceptível a nenhuma manipulação e instrumentalização por quem quer que seja. Por isso penso que a teologia tem um papel fundamental neste tempo em que vivemos um surto do Espírito e uma fome de Deus muito grande. Uma das funções primordiais da teologia de nosso tempo no que se refere ao Espírito Santo penso que seria refletir e buscar traduzir a reflexão teológica acerca do Espírito Santo para a prática pastoral de nossa Igreja. Isto sem dúvida é um desafio imenso. Implica em um diálogo respeitoso e honesto com a religiosidade popular tão forte em nosso país e com a multiplicidade de movimentos e grupos que tem sua inspiração carismática no Espírito Santo. Outro desafio importante seria relacionar e manter o diálogo com a Cristología e a Revelação realizada em Cristo com tudo o que ela implica. Penso que não deve haver contradição entre o que o Espírito inspira à Igreja e o Evangelho de Jesus Cristo. Também é necessário um diálogo maior e uma reflexão sobre a Igreja e a pastoral. Sobre a eclesialidade, já que é inconcebível um surto do Espírito Santo que não redunde em maior comunhão eclesial. Por fim penso que este surto do Espírito e a fome de Deus que nosso povo apresenta não deve ser visto como algo negativo, mas como oportunidade de viver a experiência de fé em Deus de uma forma mais significativa e efetiva já que urge repensarmos o que estamos fazendo com nosso planeta e com a humanidade. Oxalá o Espírito Santo possa inspirar a Igreja à não temer a teologia e a não se eximir de sua contribuição efetiva em relação aos maiores desafios que a humanidade hoje enfrenta.

  4. Padre, tentei refletir junto contigo e com a Igreja…

    1-) Como você avaliaria a “Fome” ou “Surto” do Espírito que constatamos em nossos dias, após um tempo de “silêncio” do Espírito?

    Acho que esse suposto “Surto” do Espírito está mais ligado ao advento da modernidade, por ocasião da revolução copernicana, na qual o o homem passa a ser o sujeito das transformações da natureza. Contudo, as mais altas tecnologias não respondem as mais profundas questões existenciais do homem.

    2-) A força da pentecostalidade de um lado e a rejeição das formas de expressão intitucionalizada da religião mostra que talvez tenha chegado a tal “Era do Espírito”, predita por Joaquim de Fiore. Seria verdade?

    Se verificarmos o que o povo acha, constataremos que o povo não tem atração por uma religião, como um catálogo de preceitos. Eles pensam que isso tiraria a sua liberdade de ir e de vir. Então, recorrem a uma teologia da prosperidade, que em certo sentido, permeia a RCC e as Igrejas Protestantes, pois essa Teologia exalta a individualidade, em detrimento da coletividade, o milagre fácil. Como o teólogo jesuíta Libânio disse, há marcas de neo-paganismo nessas tendências.

    3-) Igreja e carisma se contrapõem? Por outro lado a Igreja Católica assiste a fenômenos de massa como é o caso da RCC e das expressões religiosas midiáticas que buscam aceitação institucional e popular. Poder e Carisma estão nas duas pontas desta corda. Como você vê tudo isso? As CEBs lutam por seu lugar na ponta do Carisma. Seria incômodo ter RCC e CEBs na mesma ponta? Ou uma das duas pulará para a ponta da Igreja instituição?

    A história da Igreja nos ensina que os carismas floresceram no jardim da Igreja, sob os cuidados dos Papas. Não se contrapõem, todavia, para que esses movimentos de carismas específicos amadureçam, é preciso que sejam obedientes à Igreja, no sentido de dar tempo ao tempo para que a Igreja possa discernir, corrigir, aperfeiçoar, validar e apontar esse carisma como um caminho de santidade possível. Acho perfeitamente possível RCC e CEB’s atuarem em conjunto, desde que saibam que antes de mais nada, que são católicos por identidade. Cada um no seu específico e ao mesmo tempo, aprendendo com o outro.

    4-) No chamado Primeiro mundo já se fala de civilização pós-cristã. A proposta ali é de uma religiosidade totalmente individual ao estilo New Age. Como pensar a ação da “pessoa” do Espírito Santo neste contexto? Ele é mais visto como uma “energia” impessoal e que deve ser dominada pela pessoa por meio de técnicas.

    Essa civilização pós-cristã é marcada pelas filosofias marxistas, nietchziana e a psicologia freudiana. Um materialismo interdisciplinar acentuado, com o horizonte niilista. A vida é vista sob uma perspectiva físico-química, isto é, beirando à animalidade. A voz que as pessoas mais escutam é a do seu egoísmo. Quase há espaço para uma escuta interior do Espírito, e nem espaço para ficar em silêncio consigo mesmo. Quando há esse espaço, é porque alguma espécie de sofrimento invadiu o coração do indivíduo. Aí pode-se abrir um canal de comunicação entre o Espírito e o indivíduo. E quando esse indivíduo escuta a voz interior, ocasionado pela monção do Espírito, se recorda das palavras do Cristo Senhor, e sente a necessidade de atualizar seus atos no presente da história.

  5. Paulo Vagner Veloso Fonseca

    Gostaria de saber um pouco de história ligada ao despertar Pentecostal nas Igrejas Católica e Protestante:

    1)Depois da Reforma Protestante, já teve início nas Igrejas Protestantes este despestar pentecostal? Quando, historicamente, se percebe este movimento?

    2)Na história da Igreja Católica se registrou , em algum momento, algo que se diga “embrião” do movimento carismático depois da Igreja Primitiva?

    Agradeço e peço sugestão de algum livro de História da Igreja para leigos , como eu, que querem começar a trilhar este caminho de conhecimento.

    Abraço

    Paulo Vagner
    Lavras-MG

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