Joel continua perguntando sobre o sentido de uma frase que pronunciei em um programa de TV. Antes da resposta gostaria de lembrar que uma frase sempre deve ser lida em todo o contexto em que foi afirmada. Veja a dúvida do nosso irmão Joel:

Estou fazendo um sincero esforço para entender a explicação que o senhor teve a bondade de fornecer. Vamos lá: Padre João escreveu: “Não é mais pão. É carne e sangue, no sentido bíblico.” Na Eucaristia temos a Carne e o Sangue de Nosso Senhor escondidas sob as aparências (os acidentes) do pão e do vinho. Acredito que quando o senhor diz “É carne e sangue, no sentido bíblico”, está dizendo: é carne e sangue escondidos sob a aparência (os acidentes) do pão e vinho. Correto? Bem, se o raciocínio contido no parágrafo acima estiver correto, não faz sentido dizer que “[A Eucaristia] não é comer carne e beber sangue.” Conforme o senhor mesmo disse – vide lá em cima a última frase transcrita da TV. Permita-me ser ainda mais claro e direto, ainda que correndo o risco de ser repetitivo: entendo que o senhor erra ao afirmar que “[A Eucaristia]não é comer carne e beber sangue” – última frase transcrita. Poderia explicar isso?”

Joel

Se você ouviu com atenção o discurso todo em seu contexto, cheguei a dar um exemplo bastante claro. Jesus não nos deixou na Eucaristia, um pedaço de seu carne. Ao comungarmos, por exemplo, não estamos nos alimentando de um dedo, ou de um braço de Jesus. Não é este o sentido do Sacramento. Comemos sua carne e bebemos o seu sangue VERDADEIRAMENTE. Não é mais pão. Não é mais vinho. Porém, permanecem os acidentes. Se tomar dois litros do sangue de Cristo, vai ficar alcoolizado. Minha afirmação teria sido mais clara se tivesse dito que comer a carne de Cristo na Eucaristia significa participar do seu Corpo Místico. Não é antropofagia, como já ficou claro em nossos debates. É um banquete místico. É memorial do sacrifício de Cristo na Cruz. É comer e bebem a nossa salvação!

7 Comentários

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  2. Vitor ( Vitão )

    A paz Pe.
    O Sr é abençoado pelo teu conhecimento edificador em Cristo.
    Gostaria de receber um e-mail do Sr, para discutirmos um assunto respeitoso ao vocacional da CN e este Jovem de 20 Anos.
    vitorvrg@yahoo.com.br

  3. Tiago Paolini

    Padre, você poderia explicar o significado da palavra “acidente” (no sentido usado na sua explicação)?

  4. Fernando Firmino

    Rev. Pe. Joãozinho,

    Acompanhei os Posts nos últimos dias.

    De minha parte estou convencido de que se tratou apenas de uma pequena “escorregada” de quem fala com espontaneidade em um programa de televisão.

    Nada mais que isso!

    Pelos últimos comentários feitos por V. Rev. fica claro que V. Rev. crê em Cristo presente substancialmente na Hóstia Consagrada (na Sagrada Eucaristia), e que após a transubstanciação restam apenas as aparências de pão e vinho, que consagrados são inteiramente Corpo e Sangue de Cristo.

    Em Mysterium Fidei, o Papa Paulo VI insiste na obrigação que ele próprio tem de repetir aquilo que a Igreja sempre ensinou, para evitar confusão entre os fiéis. Por esta razão ele se obrigava – por assim dizer – a repetir as fórmulas unanimemente utilizadas pelos Santos Padres e documentos oficiais, a saber:

    “Bem sabemos que, entre os que falam e escrevem sobre este Sacrossanto Mistério, alguns há que, a respeito das missas privadas, do dogma da transubstanciação e do culto eucarístico, divulgam opiniões que perturbam o espírito dos féis, provocando notável confusão quanto às verdades da fé, como se fosse lícito, a quem quer que seja, passar em silêncio a doutrina já definida da Igreja ou interpretá-la de tal maneira, que percam o seu valor o significado genuíno das palavras ou o alcance dos conceitos.” (Mysterium Fidei, 10)

    Talvez aqui o dito “escorregão” tenha gerado tanto alvoroço entre os “tradicionalistas”, como assim V. Rev. definiu chamá-los.

    O Papa Paulo VI ainda esclarece que várias eram as investidas doutrinárias contra este Sagrado Sacramento, e que uma delas era a de:

    “insistir tanto sobre o conceito de sinal sacramental, como se o simbolismo que todos, é claro, admitimos na Sagrada Eucaristia, exprimisse, única e simplesmente, o modo da presença de Cristo neste sacramento”(Mysterium Fidei, 11).

    Neste particular, parece-me que reside parte da controvérsia, iniciada no programa de TV (Direção Espiritual), tão largamente mencionado.

    Não me aterei a partes pinçadas de sua fala. Mas no contexto, esta é minha interpretação dos fatos e minha contribuição para o blog de V. Rev.

    Paz e bem!

    Fernando Firmino

  5. Beatriz Lobo

    A Unidade em Cristo

    Joa 17, 21-23
    “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, como nós somos um: eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitamente unidos, e o mundo conheça que tu me enviaste e os amastes como amaste a mim”.

    Entender isso pra mim, não foi muito fácil. Quando via o Sacerdote levantar a Hóstia e consagrá-la, eu pensava:
    – Pronto, agora ele vai dividir o Corpo de Cristo. Que parte irá vir pra mim? Uma atitude de Jesus, um olhar, um dedinho? E eu perguntava como se dá isso meu Deus? Será que recebo aquela parte que necessito neste momento?
    Pode parecer infantil, mas é assim mesmo, através dos questionamentos é que chegamos ao conhecimento. Como uma criança, que tudo pergunta para conhecer e aprender, assim também devemos fazer com o Pai, que não se incomoda nem um pouco com nossas perguntas, e está sempre nos ensinando com paciência e amor.
    A resposta veio primeiro em uma visão. Ele me mostrou pessoas de várias raças e credos, delas saiam um fio de luz para o alto, e quando olhei pra cima vi o Corpo de Cristo, formado por aqueles pontos de luz. Somos como células no Corpo de Cristo, cada um de nós temos uma função nesse corpo, somos um corpo, dentro de um corpo.
    Depois lendo o Catecismo da Igreja Católica (1377), entendi que Cristo está presente em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo. Assim Cristo está presente por inteiro em cada um de nós.
    Deus enviou o Espírito Santo a Cristo, através do batismo, para conduzi-lo em seu ministério (Luc 3, 21-22). E a nós, Deus envia seu Espírito para nos revelar o Cristo que está dentro de nós. O Espírito Santo, através do sopro de Deus, vivifica a Divindade, o Cristo que está em nós. A partir daí saberemos separar o homem terreno e o divino que vive em nós. Uma vez batizados no Espírito, deixamos nossa vida terrena para buscarmos as coisas do alto.
    E continuo a perguntar ao Pai, como? Como buscar as coisas do alto?
    Como Cristãos devemos seguir o que nos ensinou Jesus, buscar o equilíbrio, no que ouvimos no que vemos no que lemos no que falamos. Precisamos ser mais seletivos no dia a dia. Rejeitarmos toda ira, mentiras, invejas, impurezas, idolatria, deixarmos de lado o homem terreno e revestirmos do homem divino, sempre renovado pelo Espírito de Deus. Deixemos que o Espírito Santo nos vista com sentimentos de compaixão, com bondade, humildade, mansidão, paciência. Perdoemos aos nossos irmãos, sempre que tivermos algum motivo, aliviando o peso da falta de perdão. Oremos mais pelo irmão, que nos incomoda de alguma forma. Deixe que o amor de Deus invada nossos corações, e nos torne mais leves. (Col 3, 1-17)
    Obrigada meu Deus por me escutar e falar comigo, através da palavra deixada por seu filho Jesus.
    Glórias e Louvores a Ti meu Deus!

    João 14, 22-27 ,
    Judas (não o Iscariotes) perguntou-lhe: Senhor, como se explica que tu te manifestarás a nós e não ao mundo? Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que me enviou. Eu vos tenho dito estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração”.

    Beatriz Lobo

  6. A Selva
    Santo Afonso Maria de Ligório

    Apresentação

    No dia 19 de junho deste ano, Sua Santidade o Papa Bento XVI inaugurou o Ano Sacerdotal, proclamado na ocasião do 150o aniversário do “nascimento ao Céu” do Cura d’Ars, São João Maria Batista Vianney.

    Nomeando o Cura d´Ars como modelo para todos os sacerdotes e inaugurando o Ano Sacerdotal, fica evidente a preocupação do Papa com a santificação e a formação do clero.

    É obvio que um dos motivos que levou o Papa a inaugurar o Ano Sacerdotal foi a corrupção e a ignorância que assolam o clero. Não é preciso ser uma autoridade (do clero) para perceber como os padres pouco ou nada se conformam com a vida de Nosso Senhor.

    Deus disse ao profeta Malaquias: Labia enim sacerdotis custodient scientiam, et legem requirent ex ore ejus (Mal. II, 7). – Os lábios do sacerdote devem ser os guardas da ciência, e da sua boca receberão os outros a lei.

    Como esse preceito de Deus é tão pouco meditado pelos padres e pelo clero atualmente, e muito menos posto em prática! No lugar de edificarem os fiéis com uma vida perfeita e com pregações claras e abrasadas no amor de Deus preferem fazer shows em estádios lotados e se comportar como homens modernos.

    A Associação Cultural Montfort, neste Ano Sacerdotal, impulsionada pelo desejo de que a Esposa de Cristo tenha servos dignos e santos, coloca à disposição de todos aqueles que constituem o clero católico ou que desejam servir a Cristo escolhendo o sacerdócio como estado de vida, o livro A Selva, de Santo Afonso de Ligório.

    Escrita por um dos maiores santos e doutores da Igreja e dirigida particularmente ao clero e àqueles que desejam fazer parte dele, ela é sem dúvida uma obra fundamental para a compreensão da essência e do valor do sacerdócio, uma fonte segura de recomendações e de meios para alguém se tornar um sacerdote digno e competente, santo e guarda da ciência.

    Queiram Deus e a Sempre Virgem Maria que este nosso pequeno ato produza frutos abundantes na vinha do Senhor.

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=documentos&subsecao=citacoes&artigo=a_selva&lang=bra

  7. Joel Xavier

    Padre, veja se compreendi bem o que o senhor pensa.

    Quando comungamos, recebemos espiritualmente o Corpo de Cristo, mas não o comemos.

    Se alguém não tem fé, ele só recebe pão, mas não recebe realmente o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo. É isso que o senhor quer dizer?

  8. ricardo ferreira

    Padre João, quero aproveitar a oportunidade para duas coisas:
    1ª) Testemunho – Conheço o padre João desde os tempos que era estudante de Teologia em nossa cidade de Taubaté/SP. Desde jovem, sempre foi atuante na missão de propagar a fé por meio de canções, pregações, retiros, na animação da juventude, e até na formação litúrgica e musical dos fiéis. Sempre foi coerente em seus posicionamentos teológicos, espirituais e até políticos. Tem história e competência para se expor nos meios de comunicação. Merece respeito, como já foi dito em outra ocasião, pela sua pessoa, sua história e pelo seu sacerdócio, principalmente, afinal está no Salmo 105/104, 15 (TEB): “Não toqueis nos meus messias, não façais mal aos meus profetas!”
    Dou este testemunho com a maior liberdade, pois não tenho amizade com o padre João, apenas conheço-o e acompanho o seu trabalho.
    2ª) Pergunta – afinal, não é sempre que temos um teólogo com tanta disposição para atender-nos: Padre, sou apenas um fiel leigo em busca de sua salvação. Muitas vezes não me satisfaço com o que ouço e vejo a respeito da fé, creio que tenho que fazer uma experiência para entender o que estão anunciando. Concordo quando se fala que a Eucaristia vai além do Corpo e Sangue de Cristo consagrado no altar, no Pão e no Vinho. Creio na Eucaristia da vida de Nosso Senhor Jesus descrita nos Evangelhos. A Santa Missa retrata bem isto, a meu ver, afinal seria apenas necessário o momento da consagração e comunhão dos fiéis. Creio na missa toda eucarística, quando se é acolhido na casa de oração, no perdão, na partilha da Palavra, na partilha do que se tem nas oferendas, na saudação do abraço aos irmão, quando oramos junto o Pai Nosso, na partilha do Corpo e Sangue e também na despedida, quando o sacerdote nos diz para o Senhor nos acompanhar. Se a missa toda não fosse eucarística, quem não pode comungar naquele dia não precisaria ir à Santa Missa. É a simples visão de um fiel leigo. Este é o sentido ou preciso de um novo conceito? Deus lhe pague pela atenção.

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