Esta parecia uma questão superada há vinte séculos, mas não é. Hoje vemos um mundo cada vez menos descristianizado. Precisamos dar as razões de nossa esperança. Veja este texto do bispo Atenágoras de Atenas, do século II:

“Quem, em plena razão, poderia dizer que, sendo assim, somos assassinos? Não é possível saciar-se de carne humana, se antes não matamos alguém. Se eles mentem quanto ao primeiro ponto, mentem também quanto ao segundo. Com efeito, se lhes é perguntado se viram o que dizem, não existe ninguém tão sem-vergonha que diga ter visto. Entretanto, temos escravos, alguns mais outros menos, para os quais não é possível ocultarnos. No entanto, nenhum deles chegou a caluniar-nos com semelhantes coisas. De fato, os que sabem que não suportamos ver uma execução com justiça, como vão nos acusar de matar e comer homens? Quem de vós não se entusiasma em ver os espetáculos de gladiadores ou de feras, principalmente os que são organizados por vós? Nós, porém, que consideramos que ver matar está próximo do próprio matar, nos abstemos de tais espetáculos. Portanto, como podemos matar os que não queremos sequer ver para não contrair mancha ou impureza em nós? Afirmamos que as mulheres que tentam o aborto cometem homicídio e terão que dar contas a Deus por ele 4; então, por que iríamos matar alguém? Não se pode pensar que aquele que a mulher leva no ventre é um ser vivente e objeto, conseqüentemente, da providência de Deus e em seguida matar aquele que já tem anos de vida; não expor o nascido, crendo que expor os filhos equivale a matá-los, e tirar a vida ao que já foi criado. Não! Nós somos em tudo e sempre iguais e concordes com nós mesmos, pois servimos à razão e não a violentamos.”  (nº 35 – Tradução: Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin; Fonte: Padres Apostólicos, Volume I, Coleção Patrística. Ed. Paulus)

1 comentário

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  2. Joel Xavier

    “Minha carne é verdadeira comida e meu sangue verdadeira bebida.” (S. João, VI, 56)

    Os católicos são antropófagos? O texto abaixo responde muitíssimo bem a essa questão:

    “Nós não somos antropófagos, apesar de comungarmos a carne e o sangue de Cristo. Pois, como nos lembrou um bom padre, a antropofagia é a destruição de uma pessoa pela alimentação. Ora, nós não destruímos o corpo nem o sangue de Nosso Senhor. Seu corpo é impassível, pois é aquele mesmo que está no Céu à direita de Deus Pai. Se esses padres não fossem tão duros de coração e estudassem o catecismo, poderiam perceber que não destruímos o Corpo do Senhor, pois Esse deixa de estar presente quando as espécies eucarísticas (as aparências de pão e vinho) sofrem corrupção. É absolutamente distinto da antropofagia. É profundamente distinto.

    Mas é natural que tais idéias surjam e sejam aceitas por aqueles que acham duro crer na Sabedoria Encarnada. Embora, esta não seja dura, mas plena de doçura em seu semblante e em suas palavras, como nos lembra São Luis Maria Grignion de Montfort.”

    http://www.montfort.org.br/index.php?secao=veritas&subsecao=igreja&artigo=fabio-de-melo-montfort&lang=bra

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