Assisto em tempo real o depoimento de Lina Vieira na Comissão de Justiça do Senado. Fico impressionado com o modo agressivo e ansioso como o Senador Aloizio Mercadante faz suas perguntas. Nunca imaginei que um representante do Partidos dos Trabalhadores se dedicasse de modo tão enfático a defender um filho de José Sarney. Impressiona também a calma desta senhora Lina. O Deputado Aloízio perde claramente a serenidade. Fica vermelho e até um pouso deseducado, alterando a voz. Interrompe a entrevistada. A senhora Lina repete as mesmas coisas com uma paciência digna de nota. O PT a cada dia nega mais seu passado combativo.

Um pouco mais calmo, em tempo posterior, o senador Mercadante tenta explicar o inexplicável. Diz que estava falando no meio do barulho. Começa um debate freudiano entre Mercadante e Tasso. Mas é isso que esperamos do Senado? Melhor desligar a TV e voltar ao meu trabalho na faculdade.

Recebi interessante comentário do Rodrigo:

Por que precisamos de Teologia da Libertação para lembrar do nosso compromisso com os mais pobres? Já não basta o exemplo de Jesus Cristo e de vários santos?
Eu particularmente nunca vi uma TL sem influência do marxismo, o próprio Gustavo Gutierrez diz que é impossível compreender a história sem a luta de classes.
Para mim a TL de influência marxista é um câncer e como todo câncer tem que ser eliminado para não se espalhar, assim como toda heresia, mas essa é muito grave, é fruto de uma perturbação do espírito humano, como não ser tentado a sentir ódio do irmão mais rico se a história deve ser compreendida através da exploração dos pobres pelos opressores poderosos? Perdoe-me mas não foi isso que Cristo nos ensinou.

De fato, Rodrigo, esta era a posição de Gustavo Gutiérrez até o final da década de 1970. Porém na década de 1980 ele fez uma interessante releitura e reescreveu todo um capítulo do seu clássico TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO. Em 1971 aparecia um capítulo com o título FÉ CRISTÃ E LUTA DE CLASSES. Na edição de 1989 este capítulo, reescrito, aparece sob o título FÉ CRISTÃ E CONFLITO SOCIAL. A lógica dialética da analise marxista foi retirada, pois realmente não precisamos mais do que o Evangelho para fazer a opção preferencial pelos pobres. Concorda?

Alguns pseudo-apologetas que escrevem aqui não têm outra postura senão rapidamente defender ou atacar. O sábio não tem pressa. É ponderado. Considera. Reflete. Estuda. Pergunta. Não lança juízos precipitados.

Começam minhas aulas de Teologia do Espírito (Pneumatologia). Eis a questão deste início de curso:

Como você avaliaria a “Fome” ou “Surto” do Espírito que constatamos em nossos dias, após um tempo de “silêncio” do Espírito? A força da pentecostalidade de um lado e a rejeição das formas de expressão intitucionalizada da religião mostra que talvez tenha chegado a tal “Era do Espírito”, predita por Joaquim de Fiore. Seria verdade? Igreja e carisma se contrapõem? Por outro lado a Igreja Católica assiste a fenômenos de massa como é o caso da RCC e das expressões religiosas midiáticas que buscam aceitação institucional e popular. Poder e Carisma estão nas duas pontas desta corda. Como você vê tudo isso? As CEBs lutam por seu lugar na ponta do Carisma. Seria incômodo ter RCC e CEBs na mesma ponta? Ou uma das duas pulará para a ponta da Igreja instituição?

No chamado Primeiro mundo já se fala de civilização pós-cristã. A proposta ali é de uma religiosidade totalmente individual ao estilo New Age. Como pensar a ação da “pessoa” do Espírito Santo neste contexto? Ele é mais visto como uma “energia” impessoal e que deve ser dominada pela pessoa por meio de técnicas.

E o que falar do avanço do Islamismo? Ali parece que o “Espírito” é outro. A instituição religiosa avança sobre a consciência individual. Estamos mesmo diante de um mundo paradoxal. Como pensar a presença e atuação do Espírito?

Raramente posto neste espaço minha defesa diante de alguns ataques pessoais. Normalmente vêm de pessoas sem tempero, ou seja, sem temperança, que  não sabem manter o nível de uma reflexão sem exaltar-se e partir para a agressão pessoal. Podemos fazer todo tipo de crítica, deste que sejamos capazes de manter a caridade. Como dizia Santo Agostinho: a Verdade na latitude da Caridade. O papa Bento XVI retoma este binômio em seus escritos recentes, principalmente a Caritas in Veritatem.

Veja o comentário deste irmão (que fala e se identifica):

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Bom dia, Pe. Joãozinho.
A divergência de idéias é salutar e edificante quando tratada com respeito mútuo e dentro de uma ética maior que é a ética da caridade.
Fico muito triste com a falta de respeito que muitas pessoas têm contra o senhor. Acima de tudo, essas pessoas deveriam se lembrar de que o senhor é um padre ordenado, membro do clero e, portanto, em comunhão com o Papa, bispos e presbíteros da nossa amada Igreja Católica Apostólica Romana.
Essas pessoas deveriam, também, no mínimo, ter respeito pela pessoa humana João Carlos de Almeida, como Cristo nos ensinou. Deveriam, finalmente, respeitar os seus anos de estudo como licenciado em filosofia, bacharel, mestre doutor em teologia, além de outros estudos e títulos que o senhor possui.
Lembro que todos esses estudos não foram à revelia da Santa Madre Igreja, pelo contrário, foram cursos patrocinados por ela. Assim, não há sentido em se falar em heresia, pois nada há de errado em suas idéias e pensamentos. Acredito que falta a esses críticos uma análise mais acurada, à luz da caridade, de seus escritos, e não uma interpretação fundamentalista.
O fundamentalismo é um desserviço à nossa Igreja e à humanidade como um todo. Basta ver quantos conflitos e guerras existem pelo mundo por causa do fundamentalismo.
Assim, Pe. Joãozinho, fico muito chocado como certas pessoas se dirigem ao senhor. Não o conheço pessoalmente, mas aprendi a admirá-lo pela sua contribuição à nossa Igreja.
Conte com o meu apoio e solidariedade.
Abraço fraterno,
José Carlos Penha
52 anos, Agente de Pastoral