Esta semana demonstrei que alguns sites “tradicionalistas” utilizam um estilo literário de ataques a idéias e pessoas, que esconde uma lógica muito próxima a dialética marxista. Os comentários a este ensaio foram muito interessantes. Alguém chegou a dizer que Santo Tomás de Aquino utiliza a “dialética da violência” do começo ao fim de sua obra. Mas a pérola mais preciosa da coleção que fica registrada aqui no BLOG veio de um sr. de nome Pedro, que diz:

“Porque não fala que Deus odeia tanto o pecado como o pecador?”

A sorte do autor é que se trata de uma pergunta e não de uma afirmação. Mas no contexto de seu discurso parece que o sr. Pedro acredita mesmo nisso. Se for verdade, estamos diante das bases de um fundamentalismo muito próximo ao do homem-bomba. Esta é a lógica pseudo-religiosa que povoa os notíciários de sangue todos os dias, principalmente em Israel. Atacar um “infiel” é um gesto de santidade e até pode garantir o céu se incluir o “martírio”. Com isso, se afirma o “suicídio santo”. A Igreja Católica não aprova e nunca aprovará este tipo de prática e abomina esta subjacente lógica da violência. A mensagem de Jesus vai exatamente na contra-mão de tudo isso. Quem aceita a afirmação do sr. Pedro já não pode se reconhecer cristão. São Pio X, rogai por nós!

Hoje a Igreja celebra a memória de um papa que é sinônimo de zelo litúrgico. “Pio X, nasceu no dia 2 de Junho do ano 1835, em Riese, no Treviso, norte da Itália. Foi batizado no dia seguinte com o nome de José Melchior. Sua mãe, Margarida Sanson, ficou viúva com dez filhos para criar. Foi ordenado sacerdote aos 23 anos de idade, tendo sido capelão em Tombolo; por outros nove anos, pároco em Salzano; mais nove anos cónego e diretor espiritual em Treviso; nove anos Bispo de Mântua e outros nove anos cardeal-patriarca de Veneza; por último foi Papa durante onze anos (de 1903 a 1914). Seu pontificado foi excepcionalmente fecundo pela organização interna da Igreja. Sua divisa era “Restaurar tudo em Cristo” . Promoveu a renovação litúrgica, reformando a música sacra, propôs aos fieis a comunhão frequente, favoreceu a organização da Cúria e a fundação de um Instituto Bíblico em Roma.” (Fonte: Evangelho Quotidiano – http://evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20090821&id=11589&fd=0).

O pontificado de Pio X seguiu-se ao de Pio IX (o mais longo da história depois do apóstolo Pedro) e de Leão XIII, que foi o iniciador da Doutrina Social da Igreja (Rerum Novarum). São Pio X foi contemporâneo do fundador de minha congregação, Pe. Léon Dehon. Ambos viram dois dramas de perto. O primeiro foi a separação entre Igreja e Estado, na França e depois na Itália. O outro foi os rumores da Primeira Guerra  Mundial. Tempo de turbulências. São Pio IX investiu seus melhores esforços nâ organização da Igreja em seus âmbito interno. Com isso ela teve fôlego para atravessar por tempos de tribulação, auxiliada sempre pelo Santo Espírito. São Pio X, rogai por nós!

Curioso este artigo que confirma o que temos percebido nos debates aqui do BLOG.

AUTOR:

ZUCCHI, Eng Wagner. Apostolado Veritatis Splendor: Carta de Wagner Zucchi sobre a Montfort. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4609. Desde 3/12/2007

 

Não sei como o senhor me conheceu, mas suas informações são exatas: fui da TFP de 1974 a 1982 e da Montfort desde a fundação desta associação até 2002, quando me afastei devido a graves problemas doutrinários e morais desta associação.

Eles não são mais católicos que o próprio catolicismo, se me permite discordar. Eles estão lentamente e, em muitos casos, inconscientemente, deixando de ser católicos, criando uma igreja autocéfala. Eles ainda se dizem submissos à Hierarquia da Igreja, mas repare como eles escolhem nos documentos da Igreja aquilo que lhes convém aceitar e obedecer.


Assim, por exemplo, no Motu Próprio do Papa Bento XVI eles aceitam e até se rejubilam pelo retorno de Missa Tradicional (o que de fato é uma coisa ótima), mas recusam a aceitar que não haja nada de errado com a Missa de Paulo VI, como é dito no mesmo documento. Eles aceitam a criação do Instituto Bom Pastor (IBP) só porque por um raciocínio sofístico pretendem que a criação desse instituto seja um reconhecimento de que há erros no próprio texto do Concílio Vaticano II. Por outro lado, quando o Papa diz que não há outro modo de ser católico a não ser aceitando o Concílio Vaticano II, eles fingem que não é com eles.


Assim de escolha em escolha, a Montfort dá os primeiros passos no caminho de todos os hereges. Não por coincidência, a palavra “herege” significa etimologicamente “escolha”. Lutero dizia, no seu tempo, que a Igreja tinha se corrompido, apontava os escândalos do Papa e da Cúria Romana – muitas vezes verdadeiros – como prova disso; citava Santo Agostinho para mostrar como a Igreja tinha “adulterado” a doutrina da graça – de fato, essa questão foi muito discutida depois de Santo Agostinho; dizia que a doutrina do purgatório era uma invenção medieval – a palavra “purgatório” só começou a ser usada no século XII. Como remédio para as “deturpações” da Igreja Romana , ele recomendava um retorno às Escrituras na forma do “livre exame”. Essas Escrituras, naturalmente interpretadas pelos “bons pastores” seriam a própria voz do Espírito Santo para os cristãos.


Mutatis mutandis é exatamente o que faz a Montfort. Não é pródiga nos seus artigos e nas suas reuniões a arte de difamação do clero? Já leu o senhor as absurdas acusações que o Prof. Fedeli faz a Pio XII no seu estudo sobre o Movimento Litúrgico? E nas reuniões, já lhe falaram da Madre Pasqualina? Sabe o senhor a quem se refere o epíteto “Johnny Walker”? E não diz o site da Montfort que a doutrina do Concílio Vaticano II é “gnose” mal disfarçada? Não se corrompeu o Santo Sacrifício com o gnóstico rito do maçônico Mons. Bugnini? E qual é a solução, para a Montfort? Manter-se fiel à “Tradição”, virar as costas ao Magistério da Igreja, quando este se afasta da “doutrina de sempre”. Não é exatamente o mesmo esquema de Lutero?


Faltou apenas um elemento: os “bons pastores”. Alguém precisa dizer qual é a “doutrina de sempre”, como aplicá-la à situação atual, como separar o joio do trigo nos documentos pontifícios. Terá já a Montfort um “bom Pastor” nesta tarefa? Certamente não tardará a encontrá-lo.


“Há um caminho que parece reto, mas conduz ao fundo do abismo”, diz o livro dos Provérbios. Esse é o “sendero” da Montfort.


Mas porque tantas pessoas são atraídas pela Montfort? Uma pessoa a eles ligada me disse num e-mail: “A Montfort é um feudo”. Obviamente não se trata do sentido etimológico da palavra: uma possessão territorial, nem do sentido de “panela” em que hoje o termo é usado. A expressão designa uma relação entre pessoas: na Montfort existe um suserano e existem vassalos. Ao entrar no movimento a pessoa entrega ao líder sua inteligência, sua fidelidade, seu tempo. Ela deve aceitar os oblíquos raciocínios e as malsãs calúnias do Prof. Fedeli, mesmo percebendo que há algo de torto em tudo isso. Em troca o neófito ganha formação para entender o mundo atual e a proteção da Graça de Deus.

Obviamente é uma troca injusta: o Prof. Fedeli faz uma apropriação indébita da graça. Numa reunião ele chegou a dizer que todas as graças para os membros da Montfort vêm através dele. Também não se diz que só existe a Graça de Deus dentro da Montfort, mas na prática quem sai da associação se corrompe. É claro que existem muitos pecados – e de todos os tipos – dentro da Montfort e muitas virtudes fora (também há virtudes dentro da Montfort e pecados fora) porque as barbacãs da Montfort não são limítrofes da Graça de Deus e nem obstáculo à ação do demônio. Para manter essa ilusão de segurança no feudo é preciso criar falsas prescrições morais que só num grupo fechado podem ser praticadas: começa com a proibição da calça comprida para as mulheres e o senhor não imagina onde vai parar.


A respeito das promessas da Montfort vale bem o antigo provérbio: “nem tudo o que reluz é ouro”.


Já vai grande essa mensagem, por isso termino com minha opinião, como o senhor pediu. Mantenha-se bem fiel à Igreja Católica e ao seu Magistério, que vem do Concílio de Jerusalém até os dias de hoje e, como Nosso Senhor prometeu, durará até o fim do mundo. Reze muito, tenha um bom confessor e seja assíduo aos sacramentos. Jamais falte à Missa, qualquer que seja o rito, desde que aprovado pela Igreja. Na medida do seu tempo procure estudar as Encíclicas recentes, de João Paulo II e de Bento XVI e encontrará aí tesouros de sabedoria e de formação espiritual. Tenha uma imensa confiança em Nossa Senhora.

Quanto à Montfort, basta lembrar o verso de Dante: “non ragioniam di lor, ma guarda e passa”.