Nos debates teológicos aqui do BLOG, ultimamente avançamos e tornamos mais claras as posições. Os meus debatedores (opositores) aos poucos foram admitindo que tê dificuldades de aceitar o Concílio Vaticano II em sua integralidade. Não é spo questão de desqualifica-lo como dogmático. Um Concílio Pastoral é sempre um Concílio. Magistério é Magistério. Não se pode desqualificar. Podemos em outro momento debater o significado de infalibilidade. Não são apenas as definições ex cathedra que são obrigatórias ao cristão.

Bem… agora chegamos a uma das definições fundamentais do CVII: o conveito de Igreja como sacramento. Estamos na raiz dos conceitos conciliares. Agradeço ao Joel por sua clara posição a respeito, que com certeza nos ajudará a avançar:

A Definição de Igreja do Vaticano II

“[…] a Igreja é em Cristo como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano […]” (Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 1).

Nessa estranha “definição” de Igreja, bem diferente da definição tradicional, devemos notar três pontos essenciais:

a) A igreja seria como que “sacramento”.

b) da íntima união com Deus.

c) da unidade de todo gênero humano.

Afirmei, como Ratzinger afirmara, referindo-se a Romano Guardini, que esse é um novo conceito de igreja, desconhecido na doutrina católica, até o Vaticano II.

Com efeito, o Cardeal Ratzinger confessou que

“Quando no mês de Março do ano 1963 apareceu pela primeira vez o texto de um esquema oficial da correspondente comissão conciliar a palavra sacramentum para designar a Igreja, alguns padres conciliares se mostraram surpresos”(Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria de los Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 49).

Essa maneira de designar a Igreja era nova. Até então não se conhecia essa expressão. Daí, a “surpresa” dos Padres Conciliares.

Foi o modernista Padre Henri de Lubac que na década de trinta começou a designar a Igreja como sacramento (Cfr. Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria de los Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 55).

Ela fora admitida por teólogos alemães sem nenhuma restrição, e aprovada pela Conferência dos Bispos Alemães, em Munich, em 1962. No documento proposto para ser aprovado no Vaticano II, o redator do esquema, o belga Padre Philips, acrescentou um prudente “como que” para temperar o escândalo dos Padres Conciliares (Cfr. Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria de los Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 50. O sublinhado é meu).

Essas precauções reconheciam que a linguagem utilizada “não era a da terminologia habitual” (Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria de los Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 50).

a) A Igreja “como que” sacramento

Com efeito, era, e é, muito de estranhar a afirmação de que a Igreja é “como que” “sacramento”.

Numa definição qualquer — e muito mais numa definição teológica, emitida por um Concílio, ainda que meramente pastoral — não se coloca um “como que”.

O “como que” é vagamente comparativo, e não cabe nunca numa definição, que deve ser terminologicamente exata.

Definição não é comparação.

Definir é dar um conceito preciso de algo, distinguindo-o claramente das demais coisas. Definir é estabelecer fins, limites, distinção. Isso é oposto do comparar, que busca as afinidades, as semelhanças, as analogias entre as coisas.

Definir e comparar seguem duas vias opostas.

Esse “como que” deixou os católicos metidos numa bruma quanto ao que é, de fato, a Igreja Católica. E, aproveitando-se dessa bruma, ou cortina de fumaça, foi possível introduzir entre os fiéis uma noção difusa de Igreja na qual cabiam, protestantes, cismáticos orientais, maometanos, judeus, budistas, etc. E nesse etc. é capaz de entrar até, introduzida por certos teólogos avançados, a “igreja” luciferina.

Essa definição brumosa de Igreja, adotada pelo Vaticano II, foi uma das brechas que permitiu penetrar na Igreja a famosa “fumaça de satanás” de que falou o próprio Paulo VI.

TEXTO COMPLETO: http://www.montfort.org.br/ind…..p;lang=bra

11 Comentários

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  3. Joel Xavier

    Extraí do texto acima proposto o conceito ortodoxo de Igreja. Creio que vale a pena, mais uma vez, postá-lo aqui.

    (Reparem como o Magistério Ordinário do Concílio Vaticano II tenta expandir esse conceito)

    “A Igreja já fora definida por São Roberto Belarmino como:

    “Uma única sociedade visível de crentes unidos por uma mesma fé, pelos mesmos sacramentos e pela mesma submissão a uma hierarquia” (São Roberto Belarmino, De Ecclesia, III, 2).

    Outra definição clássica de Igreja nos diz que

    “A Igreja é uma sociedade visível composta pelos homens que receberam o Batismo e que, unidos entre si pela profissão de uma mesma fé, e o laço de uma mútua comunhão, tendem ao mesmo fim espiritual sob a autoridade do Pontífice Romano e dos Bispos em comunhão com ele” (Cardeal Gasparri, Catecismo Católico, questão 133, Juvisy, 1932, apud Charles Journet, L´Église du Verbe Incarné, Desclée de Brouwer, 1951-1952, p. 581).”

  4. Joel Xavier

    Opss! Outra imprecisão de minha parte!

    Eu disse erroneamente: (Reparem como o Magistério Ordinário do Concílio Vaticano II tenta expandir esse conceito)

    O correto é: (Reparem como o Magistério Ordinário do Concílio Vaticano II tenta ALTERAR esse conceito).

    Para ficar ainda mais claro, vou me socorrer de um trecho do texto de Orlando Fedeli:

    “Afirmei, como Ratzinger afirmara, referindo-se a Romano Guardini, que esse é um novo conceito de igreja, desconhecido na doutrina católica, até o Vaticano II.”

  5. Padre Joãozinho,
    Salve Maria!

    Não sei se chegamos exatamente ao ponto. Anteriormente no texto que o Sr. citou, se lê:

    “A Igreja é, ao mesmo tempo, «sinal e instrumento» da plena realização desta unidade, que ainda há-de vir.”

    Isto quer dizer que a Igreja não é una, pois sua unidade ainda esta porvir. Na ausência do atributo UNA, não é possível considerá-la, como um corpo. Uma vez que ainda esta em formação, ainda não é, está para ser… Como também a substituição do ensinamento católico dogmático, pelo evolucionista ecumênico, é um atentado ao atributo Católico definido por São Vicente de Lérins. Ao atributo Santa, adicionou-se o atributo pecadora (o que dá a entender a adoção da Sola Fides Protestante, até porque, ecumenismo, diálog inter-religioso e cultural, tem maior importância do que as boas obras para a salvação. Não falam mais delas…). Quanto ao atributo apostólica, é apostólica a Igreja que se aggiorna ao mundo, quando os Apóstolos são contrários ao mundo (Dom Pestana em entrevista, diz que os Padres que não mantém relações com o mundo, não apresentam os mesmos problemas dos Padres mundanos)? É romana a Igreja onde as Conferências Episcopais, não obedecem ao Bispo de Roma? Além disso, considerar a Igreja como sacramento, é algo no mínimo complicado. Porque não recebemos a Igreja, como recebemos os demais sacramentos, nós somos membros da Igreja, o que é ontologicamente diferente.

    Talvez o Sr. queira nos explicar, porque os documentos da Santa Sé, não falam mais dos novíssimos. Fala-se mais em linguagem técnica científica do que dos dons do Espírito Santo e as virtudes cristãs. Não lhe parece estranho que a Igreja viva a quarenta anos em uma crise sem precedentes em sua história, e não tenhamos uma análise desta crise, ao nível das análises sociológicas, como por exemplo, a da Caritas in Veritate? Não é a Igreja a luz do mundo?

    Fique com Deus.

    Abraço

  6. Padre Joãozinho, o que o Sr. tem a nos dizer sobre a Anáfora de Addai e Mari?

    Veja:

    UM DOCUMENTO “ECUMÊNICO” QUE MODIFICA A DOUTRINA

    RELATIVA À VALIDADE DA SANTA MISSA

    O DOCUMENTO SOBRE A ANÁFORA DE ADDAI E MARI

    O fato

    Em 26 de outubro de 2001 L’Osservatore Romano publicou um documento do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos que ditava «orientações para a admissão à eucaristia no seio da igreja caldéia [católica] e da igreja assíria do Oriente [nestoriana e cismática]»(1).

    O documento diz responder a uma petição motivada pelo fato de que «numero­sos fiéis caldeus e assírios se acham em uma situação de necessidade pastoral quanto à administração dos sacramentos. Mas a Igreja Católica não podia atender à solicitação — segue dizendo o documento — sem antes haver resolvido a questão principal a seu ver, a saber: o problema [sic] da validade da eucaristia celebrada com a anáfora [cânon] de Addai e Mari, uma das três anáforas usadas tradicionalmente na igreja assíria do Oriente».

    “Problema” este de não pouca importância, dado que, segundo nos informa o documento em questão, «a anáfora de Addai e Mari [chamada também “dos Apóstolos”] é singular porque, desde um tempo imemorial, ela é utilizada sem o relato da instituição», presente, em contrapartida, nas outras duas anáforas nestorianas.

    Um problema inexistente

    Apressemo-nos a declarar que o dito “problema” absolutamente não existe, e que, em qualquer caso, se trata de um problema já resolvido.

    O problema não existe, pois é patente que uma anáfora, quer dizer, um cânon, não serve para nada se carece das palavras consecratórias (“Este é o meu corpo”, “Este é o meu sangue”): não há missa sem consagração (cf. Denzinger B.; n. 1640).

    Trata-se de um problema já resolvido, porque os caldeus que se reuniram a Roma já o solucionaram: para eles ou «se supre a esta gravíssima lacuna utilizando o texto de uma das outras duas anáforas», nas quais, sim, figuram as palavras consecratórias (v. Enciclopedia Cattolica, verbete caldei), ou se insere na anáfora de Addai e Mari a fórmula da consagração.

    Um giro de cento e oitenta graus

    A dita solução, porém, tão elementar quanto óbvia, foi impugnada de fato pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, pois o documento dado a conhecer por L’Osservatore Romano argúi deste modo: «Visto que a Igreja Católica considera [sic!; trata-se de mera opinião?] que as palavras da instituição eucarística são parte constitutiva e, portanto, indispensável da anáfora ou prece eucarística, [a Igreja Católica] estudou longa e pormenorizadamente a anáfora de Addai e Mari de um ponto de vista histórico, litúrgico e teológico, e por fim, em 17 de janeiro de 2001, a Congregação para a Doutrina da Fé chegou à conclusão de que pode considerar-se válida a dita anáfora».

    Em poucas palavras: a “Igreja Católica” chegou, segundo parece, a uma conclusão diametralmente oposta à que havia chegado no passado, e isso graças a que “estudou longa e pormenorizadamente” uma anáfora “de um ponto de vista histórico, litúrgico e teológico”. Mas vejamos os “argumentos” em que se funda tal giro de cento e oitenta graus.

    “Antiga”, sim, mas não forçosamente “íntegra”

    Assegura o documento que nos ocupa que «a conclusão a que se chegou se baseia em três argumentos principais.

    Em primeiro lugar, a anáfora de Addai e Mari é uma das mais antigas, pois remonta às origens da Igreja. Compôs-se e empregou com o propósito manifesto de celebrar a eucaristia em continuidade plena com a última ceia e segundo a mente da Igreja. Sua validade não se impugnou nunca oficialmente nem no Oriente nem no Ocidente».

    Comecemos pela antigüidade:

    Não há dúvida de que a anáfora de Addai e Mari é uma das mais antigas e de que remonta às origens da Igreja. Mas, pelo contrário, é demasiado duvidoso que tenha chegado íntegra até nós, tal qual era na antigüidade, nos primeiros tempos da Igreja; ou melhor: é certo que assim não ocorreu, conquanto ainda se discuta sobre quando, como e por que desapareceu da anáfora a fórmula consecratória: por erro dos copistas?; porque o oficiante a recitava de cor?; por reflexo da controvérsia sobre a epiclese, à qual os nestorianos atribuem a eficácia consecratória em vez de atribuí-la às palavras da instituição? O problema continua sem solução devido à ausência de documentos decisivos (vide Dictionnaire de Théologie catholique, verbete Nestorienne / l’ Église, col. 310).

    Idêntica incerteza reina quanto à data em que desapareceu desse rito a fórmula consecratória: alguns a põem em torno do século XV; outros, em tempos mais remotos (cf. a obra Eucarestia, de A. Piolanti, ed. 1957, pp. 514-516, e A. Raes Le récit de la institution eucharistique dans l’anaphore chaldéenne et malabare des Apôtres).

    A lição das “antigüidades” sem viço

    Passemos agora a outro tema, mas sublinhemos antes que também outras anáforas, entre “as mais antigas” e usadas ainda hoje por comunidades cismáticas orientais, apresentam a mesma falta de viço, ora por carecer de fato da fórmula consecratória, ora por contê-la mutilada (vide Dictionnaire de Théologie Catholique, t. XII/ 2º; verbete Orientale / Messe, col. 1452 ss.).

    Uma “antiguidade” que nos chegou tão sem viço não atesta, de modo algum, a validade de tais anáforas, mas tão-só os danos substanciais infligidos pelo cisma às comunidades orientais, danos que afetaram até a validade do santo sacrifício do altar. Dizem muito a este respeito aquelas palavras de Dom Cabrol: «Mas o fato mais extraordinário com relação ao relato da instituição nas anáforas orientais é que, conquanto sem modificar seu sentido, algumas liturgias amplificam e mudam as palavras de Nosso Senhor, cuja importância no sacramento eucarístico conhecemos, enquanto outras o fazem de tal modo, que se pode duvidar até da validade da fórmula; outras, ainda, simplesmente as omitem! [Precisamente, é este o caso da anáfora de Addai e Mari]. Com isso se percebe claramente, do ponto de vista dogmático, a necessidade de um magistério que se exerça sobre as liturgias, bem como o dano derivado de deixar entregues à fantasia fórmulas de tanta importância. Deste ponto de vista, já o dissemos, o Ocidente oferece [em contrapartida] uma uniformidade quase completa» (Dictionnaire d’archéologie et de liturgie, t. 1, 2ª parte, col. 1914, Paris, 1907).

    A intenção não basta

    Igualmente, não pomos em dúvida que a anáfora de Addai e Mari «se compôs e empregou com o propósito manifesto de celebrar a eucaristia […] segundo a mente da Igreja», como afirma o documento; mas perguntamos: quando a Igreja ensinou que basta a intenção para tornar válidos os sacramentos? O que a Igreja sempre ensinou, pelo contrário, é que para a validade dos sacramentos requerem-se também, além da intenção de fazer o que faz a Igreja, a matéria e a forma (ou fórmula), e que, «se falta um desses elementos, não se realiza o sacramento» (Concílio de Florença, Denz. S., n. 1312). Na anáfora de Addai e Mari falta a forma da eucaristia, constituída pelas palavras com que Cristo a instituiu; daí que não haja missa se a empregam. Mas para dar-se conta de algo tão evidente não era necessário estudar “longa e pormenorizadamente”: bastava simplesmente que os “eruditos” [investigadores] da Congregação para a Fé recordassem o Catecismo de São Pio X, que devem de ter estudado na infância.

    Uma afirmação insustentável

    A validade da referida anáfora, segue dizendo o documento, «não se impugnou nunca no Oriente nem no Ocidente».

    Isso é compreensível para o Oriente, visto quão deterioradas estão as liturgias e as teologias das diversas seitas orientais: em nome de quê preocupar-se com a ausência da fórmula consecratória quando o comum no Oriente é que se atribua a eficácia consecratória principalmente à epiclese ou invocação do Espírito Santo?

    Para o Ocidente, em contrapartida, não vale a asserção do documento: a mera inserção na anáfora de Addai e Mari, pelos caldeus reunidos a Roma, da fórmula consecratória constitui condenação oficial dessa mesma anáfora privada das palavras da consagração, tal e qual se usa hoje entre os cismáticos assírios. Por isso não se pode sustentar que a validade da dita anáfora sem a fórmula consecratória “não se impugnou nunca oficialmente” no Ocidente, nem, muito menos, que para impugná-la faltam as impugnações “oficiais”, como se para tal não bastasse a simples fé católica, que ensina serem as palavras do Senhor «a forma verdadeira e única do sacramento da eucaristia» (v. Eucarestia, cit., p. 438): «A forma da eucaristia são as palavras com que o Senhor consagrou este sacramento, pois o sacerdote consagra este sacramento falando em nome de Cristo» (Concílio de Florença, Decreto para os armênios, Denzinger 698).

    Um segundo “argumento” que não prova nada

    E eis o segundo “argumento” aduzido pelo documento:

    «Em segundo lugar, a Igreja Católica reconhece a igreja assíria do Oriente [nestoriana e cismática] como autêntica igreja particular [sic] fundada na fé ortodoxa [sic] e na sucessão apostólica [sic]. A igreja assíria do Oriente preservou também a fé plena eucarística não só na presença de Nosso Senhor sob as espécies de pão e vinho, mas ademais no caráter sacrifical da eucaristia. Daí que na igreja assíria do Oriente, conquanto não goze esta de comunhão plena [sic] com a Igreja Católica, se achem “verdadeiros sacramentos em virtude da sucessão apostólica, sobretudo o sacerdócio e a eucaristia” (Unitatis Redintegratio, nº 15)».

    Condensam-se no parágrafo anterior todas os desvios eclesiológicos da “doutrina ecumênica” a respeito da doutrina constante da Igreja: promove-se uma seita cismática ao plano de “autêntica igreja particular”, e declara-se que uma seita nestoriana é “fundada na fé ortodoxa” (a Declaração comum cristológica, a que faz referência o documento, resolveu, segundo se admite, nada menos que «o problema dogmático principal», mas não todos os problemas dogmáticos); reconhece-se a “sucessão apostólica” como alicerce de uma seita que não tem continuidade doutrinal com os Apóstolos nem jurisdição legítima, dado que esta «vem aos bispos unicamente através do Romano Pontífice» (Pio XII, Ad Apostolorum Principia); declara-se que dispõe de “verdadeiros sacramentos” uma seita em que dois sacramentos de instituição divina foram substituídos por dois “sacramentos” de instituição humana, e cuja eucaristia carece de validade por causa de um cânon privado do essencial (vide Dict. de Th. Cath., verbete Nestorienne / l’Eglise).

    Para todos estes pontos remetemos à extensa refutação publicada em sì sì no no (nº 105 e 106 de março e abril de 2001, edição espanhola – cujo primeiro artigo corresponde à edição portuguesa nº 100 de agosto de 2001, pp. 5 a 10), a propósito da Declaração Dominus Iesus. Aqui nos importa agora fazer notar que, semelhantemente ao primeiro, tampouco este segundo “argumento” prova absolutamente nada a favor da validade do rito celebrado com a anáfora mutilada de Addai e Mari.

    É duvidoso e ainda controverso que a “igreja assíria do Oriente” tenha “preservado a fé plena eucarística na presença de Nosso Senhor sob as espécies de pão e vinho”, razão por que para resolver uma questão que divide os investigadores dignos desse nome (v. Eucarestia, cit., de A. Piolanti, pp. 512-513, com as notas correspondentes) não basta escolher, de maneira tão simplista, a tese mais cômoda para o “ecumenismo”. Seja como for, é certo que os cismáticos assírios negam a transubstanciação, à imitação de Nestório (a cuja reabilitação se declara favorável Walter Kasper em Gesù il Cristo, o mesmo Kasper que, veja-se que casualidade, é o presidente atual do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos). E, ainda que fosse verdade que os assírios cressem que a eucaristia constitui um sacrifício verdadeiro que renova de maneira incruenta o sacrifício da cruz, não o seria menos que, na prática, tal fé “carece de objeto” durante aquela parte do ano, a mais larga por certo, em que sua liturgia prescreve o uso da anáfora mutilada de Addai e Mari. Com efeito, a mera fé, por mais “plena” que seja, na presença real e no caráter sacrifical da eucaristia não basta para produzir o sacramento da eucaristia quando no rito falte a fórmula da consagração. Na própria Igreja Católica não há missa quando um sacerdote omite a fórmula da consagração, não há eucaristia válida, nem basta para tal que haja a fé realmente “plena” que a Igreja Católica professa na presença real e no caráter sacrifical da eucaristia.

    Um “argumento” no qual nem sequer crê o mesmo documento

    Terceiro argumento do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos: «Por fim, as palavras da instituição eucarística estão presentes de fato na anáfora de Addai e Mari, não de modo coerente e ad litteram, mas de maneira eucológica e disseminada; quer dizer: vão insertas em preces sucessivas de ação de graças, louvor e intercessão».

    Seria fácil apresentar o texto completo da anáfora de Addai e Mari, tomando-o de várias fontes, mas não é necessário, a partir do momento em que no artigo Admissão à eucaristia em situação de necessidade pastoral, que acompanha o documento com «o objetivo de esclarecer o contexto, o conteúdo e a aplicação prática de tal disposição», o próprio Osservatore Romano nos oferece as “orações sucessivas” em cujo seio deveria figurar, conquanto de fato brilhe por sua ausência, a fórmula da consagração, orações nas quais, segundo a Congregação para a Fé, “estão presentes de fato”, se bem que “disseminadas”, as “palavras da instituição eucarística” de maneira que constituem um «quase-relato [sic] da instituição eucarística». Aqui vão as preces em questão:

    — «Tu, Senhor meu, por tuas muitas e inefáveis misericórdias, lembra-te com complacência de todos os padres retos e justos que acharam graça perante teus olhos, na memória do corpo e sangue de teu Cristo, que te oferecemos no altar puro e santo, como nos ensinaste»;

    — «Conheçam-te todos os habitantes da terra […] e também nós, meu Senhor, teus pequenos servos, fracos e míseros, que nos achamos reunidos em tua presença, recebemos de ti por tradição o exemplo que nos deste, alegrando-nos, glorificando, exaltando, recordando e celebrando este mistério grande e terrível da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo»;

    — «Venha teu Espírito Santo, meu Senhor, e repouse nesta oferenda de teus servos bendizendo-a e santificando-a, para que nos traga, Senhor meu, a remissão das dívidas, o perdão dos pecados, uma grande esperança de ressuscitar da morte e a vida nova no reino dos céus, em companhia de todos os que acharam graça a teus olhos ao celebrar este mistério grande e terrível da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo».

    As ditas preces pressupõem claramente a consagração e atestam, portanto, que esta figurava outrora na anáfora de Addai e Mari, mas por mais que o leitor as leia e releia, como fizemos nós, não encontrará nelas, nem sequer “disseminadas”, as palavras da consagração: “Este é o meu corpo”; “Este é o meu sangue”. Por isso não se compreende que o artigo de L’Osservatore Romano chegue a esta conclusão: «Desta maneira, as palavras da instituição não faltam [sic!] na anáfora de Addai e Mari, mas as menciona explicitamente [sic] conquanto estejam disseminadas [?] pelas passagens mais importantes da anáfora».

    Porventura devemos achar nesta anáfora o que não há, só porque assim o quer o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos? Certamente não. A fé e a obediência não exigem renunciar à reta razão. Os fatos são fatos, e a honestidade intelectual requer que o pensamento se conforme à realidade (apesar dos “neoteólogos”, os quais pretendem antes adaptar a seu próprio pensamento a realidade e a razão dos demais).

    Por outro lado, o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos mostra que não crê nem pouco nem muito em suas próprias afirmações, dado que recomenda o seguinte no nº 3 do mesmo documento: «quando os fiéis caldeus [católicos] participarem em uma celebração assíria [nestoriana e cismática] da santa eucaristia, inste-se à vera [sic] o ministro assírio a introduzir as palavras da instituição na anáfora de Addai e Mari». E por que diabos se haveria que instar a isso “à vera” se não fosse porque «o rito nestoriano se serve para a eucaristia, comumente, de uma anáfora que carece do essencial»? (v. Dict. de Th. Cath., verbete Orientale / Messe, col. 1459). Assim, pois, nem sequer a Congregação para a Fé nem o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos crêem, a despeito da fé “plena” da Igreja Católica, que o rito romano sem a fórmula da consagração seja suficiente para celebrar validamente a santa missa, ainda que se trate do Pange Lingua com seu “quase-relato” da instituição eucarística.

    Documento vergonhoso

    Com este documento “ecumênico” se autoriza e estimula os fiéis católicos a participar ativamente em atos cultuais de hereges e cismáticos (communicatio in sacris), conquanto o proíba o direito divino natural e positivo: haereticum hominem devita [ao herege evita-o] (Tit 3, 10). Por respeito ao dito direito divino, a Igreja nunca admitiu casos de “necessidade” neste campo: veja-se o código de Direito Canônico pio-beneditino, cân. 1258 § 1, e o Decreto do Santo Oficio de 7 de agosto de 1704, o qual precisa que «um católico não deve assistir à missa de um sacerdote herege ou cismático, ainda no caso de que, urgindo o preceito dos dias festivos, tenha de ficar sem missa para assistir» (Enciclopedia Cattolica, verbete Comunicazione nelle cose sacre, col. 118).

    Ademais, com este documento “ecumênico” se autoriza os fiéis, conquanto se careça de poder para dar-lhes tal permissão, a que violem o direito divino participando em uma “missa” só de nome, por carecer da fórmula consecratória, de modo que se torna irrisória a afirmação segundo a qual assim «os fiéis caldeus católicos […] podem receber a santa comunhão [?] em uma celebração assíria da santa eucaristia» (L’Osservatore Romano cit., Admissão à eucaristia…, artigo ilustrativo cit.).

    Para rematar, o referido documento dá permissão, em razão de sua reciprocidade, à “intercomunhão” com hereges e cismáticos, vedada até agora, ao menos oficialmente. Com efeito, também aos “assírios” autorizam-nos a receber a santa comunhão (mas esta real), em caso de necessidade, em uma celebração “caldéia”, quer dizer, católica.

    Não cremos errar ao dizer que este documento cobrirá de perpétua vergonha a história da Congregação para a Fé, e que servirá para demonstrar que o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos promove, em verdade, a unidade dos cristãos com os hereges e cismáticos na «ruína comum» (Pio XII, Humani Generis).

    Iulianus
    Nota do tradutor:

    (1) No que diz respeito à liturgia da igreja caldéia, «esta liturgia está em uso entre os cristãos da Mesopotâmia, Pérsia e Malabar, e vem da liturgia primitiva, em uma forma especial do oriente sírio. Seu antigo centro foi Edessa.

    Esta parte da Igreja caiu no nestorianismo no século V. Muitos de seus membros continuam sendo nestorianos, enquanto outros, desde 1551, se tornaram católicos. A estes se chama caldeus na Mesopotâmia e na Pérsia, e malabarenses na costa de Malabar, na Índia. Tanto os católicos como os dissidentes deste rito seguem a antiga liturgia dos Santos Addai e Mari. Todos, menos os de Malabar, usam duas anáforas nos domingos e dias de festa, desde o Advento até o Domingo de Ramos e em outros cinco dias do ano» (J. B. Carol e outros, Mariologia, Madrid: B. A. C., 1964, p. 229). Naturalmente, os católicos caldeus usam a liturgia de Addai e Mari uma vez completada, como se viu no artigo.

    (Revista Sim Sim Não Não, no. 110)

  7. Segue a parte da Exortação Apostólica Pós-Sinodal SACRAMENTUM CARITATIS, na qual o Santo Padre o Papa Bento XVI, perito no Concílio Vaticano II, explica o significado da Igreja como sacramento universal de salvação

    Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_exhortations/documents/hf_ben-xvi_exh_20070222_sacramentum-caritatis_po.html

    Sacramentalidade da Igreja

    16. O Concílio Vaticano II lembrou que « os restantes sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e obras de apostolado, estão vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo: assim são eles convidados e levados a oferecer, juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e todas as coisas criadas ».(41) Esta relação íntima da Eucaristia com os demais sacramentos e com a existência cristã compreende-se, na sua raiz, quando se contempla o mistério da própria Igreja como sacramento.(42) A este respeito, o referido Concílio afirmou que « a Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano ».(43) Ela, enquanto « povo — como diz São Cipriano — reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo »,(44) é sacramento da comunhão trinitária.

    O facto de a Igreja ser « universal sacramento da salvação »(45) mostra que a « economia » sacramental determina, em última análise, o modo como Jesus Cristo único Salvador, por meio do Espírito, alcança a nossa vida na especificidade das suas circunstâncias. A Igreja recebe-se e simultaneamente exprime-se nos sete sacramentos, pelos quais a graça de Deus influencia concretamente a existência dos fiéis para que toda a sua vida, redimida por Cristo, se torne culto agradável a Deus.

  8. Segue uma seleção de documentos que ajudam a aprofundar a questão.

    “Apoiada na Sagrada Escritura e na tradição, ensina (o Concílio) que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único Mediador e o caminho da salvação é CRISTO, que se nos torna presente no Seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do batismo (Mc. 16,16; Jo. 3,5), ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo como por uma porta. Por isso, não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus, através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disto não quiserem nela entrar ou nela preservar”. (Constituição dogmática “Lunem Gentium” (14a))

    “A Igreja foi fundada no tempo por CRISTO Redentor”. (“Gaudium et spes” (40 b))

    “O CRISTO Senhor fundou uma só e única Igreja”. (“Untatis Redint gratio” (1a))

    “Ele fundou sua Igreja como o Sacramento da salvação”. (“Adgentes” (5a))

    “(…) Jesus aponta Sua Igreja como caminho normativo. Não fica, pois, à discrição do homem o aceita-la ou não, sem conseqüências”. (Puebla – 1979)

    “De nossa análise consta que a autêntica Igreja não pode ser entendida como uma utopia que visaria atingir todas as “Comunidades” hoje divididas e separadas. A verdadeira Igreja, bem como sua unidade, não são exclusivamente uma realidade futura. Elas já se encontram na Igreja Católica, na qual está realmente presente a Igreja de CRISTO”. (Pontifícia Comissão Teologia Internacional – 1984)

    “Não se salva, contudo, embora incorporada à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja com o corpo, mas não com o coração. (…) Se a Ela (os batizados) não correspondem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade”. (Lúmen Gentium, nº 14)

  9. O Papa Leão X, que guiou a Igreja na época da Renascença, que excomungou Martinho Lutero por suas 95 teses contrárias à Igreja, condena a atitude de quem quer minar ou rechaçar quaisquer concílios aprovados pela Igreja.

    O Papa Leão X condenou: “Um meio foi dado a nós para enfraquecer a autoridade de Concílios, para contradizer seus atos livremente, julgar seus decretos e corajosamente confessar tudo o que pareça verdade, seja o que for que tenha sido aprovado ou desaprovado por qualquer Concílio” (SS. PAPA LEÃO X, Bula Exsurge Domine, erro condenado nº 29).

  10. Maria Inês

    Padre,

    Trago alguns escritos…
    A palavra que me inpirou a copiar este texto foi:”Fiéis à vontade de Deus do momento presente”

    A grande atração

    Eis a grande atração
    do tempo moderno;
    atingir a mais alta contemplação
    e manter-se misturado com todos,
    ombro a ombro.

    Diria mais:
    perder-se no meio da multidão,
    para impregná-la do divino,
    como se ensopa
    um naco de pão no vinho.

    Diria mais:
    partícipes dos desígnios de Deus
    sobre a humanidade,
    traçar sobre a multidão recamos de luz
    e, ao mesmo tempo, dividir com o próximo
    a injúria, a fome, os golpes, as alegrias fugazes.

    Porque a atração do nosso, como de todos os tempos,
    é o que de mais humano e mais divino
    se possa pensar: Jesus e Maria:
    o Verbo de Deus, filho de um carpinteiro;
    a Sede da Sabedoria, mãe de família.

    Deus redescoberto como Amor

    Deus é amor, Deus é Pai!

    O nosso coração se abre e se eleva,
    Se une Àquele que o ama, que pensa em tudo,
    que conta até mesmo os cabelos da cabeça.

    As circunstâncias alegres e dolorosas
    adquirem um novíssimo significado:
    tudo é previsto e desejado pelo amor de Deus.

    Nada mais pode causar-nos medo.

    Invade-nos uma esperança, uma força, uma segurança nunca experimentada,
    sentindo o Amor daquele que acompanha com a sua providência
    tanto a grande história como a pequena história de cada um.

    É um dom de Deus que nos faz gritar:
    Nós acreditamos no amor.

    O sim a Deus

    Annemarie BaumgartenComo responder com o amor ao Amor de Deus?
    Na nossa mente se fixou a frase:
    Não quem diz: Senhor, Senhor
    entrará no Reino dos Céus,
    mas aquele que faz a vontade do meu Pai… (Mt 7,21)

    Portanto fazer a vontade de Deus é amar Deus.
    Não significa resignação,
    como muitas vezes se entende,
    mas a maior aventura divina
    que pode acontecer a uma pessoa:
    a de seguir não a própria vontade mesquinha,
    não os próprios projetos limitados,
    mas Deus.
    Realizar o desígnio que Ele tem para cada um de seus filhos:
    um desígnio divino, inimaginável, riquíssimo.
    A vontade de Deus é a pérola preciosa.

    É a descoberta de um caminho de santidade feito para todos:
    Todos a podem viver, em qualquer lugar, situação, vocação.

    É o bilhete de ingresso das multidões à santidade.

    (dos escritos de Chiara Lubich)* fundadora do Movimento dos Focolares – “Obra de Maria”

  11. Ricardo,a palavra de Leão X, é válida para Concílios Dogmáticos. O Vaticano II, segundo o Cardeal Ratzinger (Hoje Bento XVI), foi muito mais modesto:

    “A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).

  12. Caro Gederson, Leão X está falando de Concílios e não está fazendo distinção.

  13. Eis que atualizo meu calendário da Associação do Sagrado Coração de Jesus:Santo do Mês de Sentembro:
    São Luis Maria Grignion de Montfort: foi o grande apóstolo da devoção mariana. E, ao mesmo tempo, foi também grande apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
    Missionário popular nas regiões ocidentais da França, este Santo utilizava muito o recurso da POESIA e do CANTO para fixar as verdades que pregava e, ao mesmo tempo, estimular a piedade.
    Passou para a História da piedade católica como o Santo da escravidão de amor a Maria Santíssima. Para ele essa escravidão de amor é o caminho mais rápido e seguro para ir até o Coração de seu Divino Filho. Faleceu em 1716.
    São Luis Maria Grignion de Montfort rogai por nós!

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