No coração do Ano Litúrgico temos a Páscoa Semanal, celebrada no Domingo. Hoje é o dia em que tenho duas aulas no Primeiro ano de Teologia, sobre o significado do Domingo Cristão. Hoje vivemos um paradoxo. De um lado o mundo consumista quer matar o domingo como dia de repouso e celebração. por outro lado o desenvolvimento deveria ser capaz de permitir que a humanidade trabalhasse de segunda a quinta e repousasse nos dias sagrados das três grandes religiões: sexta-feita para os Muçulmanos, sábado para os Judeus e domingo para os cristãos. Mas, ao contrário, parece que trabalhamos cada vez de modo mais ininterrupto. Afinal, a máquina é para o homem ou o homem para a máquina?

6 Comentários

  1. Em um contexto de grande industrialização, globalização, o homem não se sente totalmente satisfeito com as técnicas mais avançadas, pois elas não respondem as questões existenciais mais profundas do ser humano. Isso sem contar aqueles que estão privados de tais avanços, que criam novas espécies de analfabetismos, como o digital e o tecnológico. O Papa Bento XVI fala que vivemos em uma ditadura da técnica, tudo tende a ser altamente mecanizado e informatizado. A tecnologia não é nem boa e nem má em si mesma, dependerá sempre de quem está no controle dela. Paradoxalmente, quem acaba por estar no controle é a própria tecnologia, eleita pelo homem contemporâneo a solução de todos os problemas da humanidade. Ironicamente, essa tecnologia, acaba se voltando contra o próprio homem. A necessidade de tudo informatizar e mecanizar acaba gerando múltiplas exclusões de demanda humana no mercado. Se a revolução copernicana foi caracterizada pela supremacia do sujeito em relação ao seu objeto, hoje ocorre a olhos vistos a revolução tecnológica, na qual a tecnologia desenvolvida pelo homem assume o lugar do sujeito e o homem passa a ser seu objeto. Muito pertinente e oportuna é a tese de Adorno e Horkheimer na qual o Mito se transforma em esclarecimento e o esclarecimento se volta ao mito. Quando o se tenta desmitologizar a natureza, essa forma de esclarecer acaba por se tornar mito novamente, grosso modo. A contemporaneidade tem se pautado muito nesses aspectos.

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  3. Padre Joazinho,
    A sua bênção. Acredito que na verdade o homem de hoje se transformou em uma máquina. Somos mensurados a todo tempo por quanto produzimos, qual a lucratividade geramos para a empresa que trabalhamos, qual nosso nível de comprometimento. Com isso, cedemos ao sagrado e nos enveredamos na produção. O homem máquina obedece aos comandos da materialidade, da competição , do compromisso com o ter e abandona quase que por completo o momentos sagrados com Deus. Já ouvi comparações na empresa onde trabalho: “Fulano é como um trator”… E assim, tomados pela perspectiva de produzir mais, deixamos de lado nossa vida familiar, nossos lazeres, nossa comunhão com Deus para virar esse trator , ser mecanizado, automatizado e observamos apenas os comandos de linhas produtivas. Hoje o homem é uma máquina de pensar, de escrever, de produzir. Despreza-se o humano que sente, que chora , que sente falta de Deus, pois esse humano é limitado para os padrões econômicos atuais. E isso é degradante. Nenhuma política de RH ou de qualidade de vida das empresas , por mais que saibamos que existam, conseguem transformar operários máquinas em seres capazes de alcançar a felicidade. E a felicidade não está no que produzo mecanicamente, mas na liberdade do equilibrio… Assim eu penso!

  4. Bom dia Pe.!
    Boa pergunta.O trabalho é tanto que é cronometrado até o momento do seu almoço,(sem descanso)a pessoa mal pode ir ao banheiro,a pessoa não tem o direito nem de adoecer com certeza entrará na lista do próximo demitido.
    Vc não pode atrasar(eventualmente) 3 minutinhos por causa de um problema no ônibus, ou no seu carro….
    Já aconteceu eu almoçar em pé e chegou uma pessoa tive que parar e ir atender….
    Deus tenha misericórdia desse processo trabalhistas(desumano)!
    Um abraço fraterno
    ANA VALESKA

  5. José Carlos Penha

    Boa tarde, Pe. Joãozinho.

    A dedicação do homem ao trabalho é diretamente proporcional à evolução tecnológica. Infelizmente! Hoje, com internet, celular e demais tecnologias, houve a evolução de conceitos como “home office” (trabalhar em casa) e disponibilidade 100% do tempo para a empresa.

    É muito comum a empresa entregar um celular e um notebook para o funcionário e aí obrigá-lo a ficar conectado 100% do tempo. Não existe mais descanso. A lei reconhece o chamado DSR – descanso semanal remunerado – mas este conceito precisa ser revisto pelos nossos legisladores, pois ele é anterior aos avanços tecnológicos.

    Por um lado, vem o homem de RH – Recursos Humanos – falar em termos bonitos como qualidade de vida. Mas como ter qualidade de vida vivendo sob tensão 24 horas por dia? Sim, eu digo 24 horas por dia, pois há trabalhadores que dormem com o celular ligado debaixo do travesseiro, pois podem receber uma ligação do chefe maníaco por serviço a qualquer hora da noite.

    Uma outra condição que agrava tudo isso é a globalização. Quem trabalha ou trabalhou numa multinacional sabe como isso funciona. Imagine quem trabalha numa filial de uma multinacional japonesa. Na hora que deveria estar dormindo aqui, a matriz está trabalhando lá no Japão. Então, é um tal de e-mail e ligações telefônicas de lá para cá, solicitando informações.

    Entendo que a globalização aliada à integração das telecomunicações com a informática acabou tirando o descanso de muitas pessoas. O mundo ficou muito pequeno.

    Há ainda outros fatores. O ambiente consumista da civilização pós-moderna inspira desejos e necessidades nas pessoas. A obsolescência tecnológica dos bens que deveriam ser duráveis é muito rápida. A propaganda consumista impele o homem para as compras, e nem sempre o orçamento familiar é suficiente, daí a necessidade de trabalho extraordinário, bicos e segundo emprego para muitas pessoas. Tudo isso sacrifica as horas de lazer e descanso.

    Por fim, mas sem esgotar o assunto, lembro que o ambiente predominante nas empresas é de competição, com avaliações de desempenho, metas a serem batidas, bônus e remuneração variável. Os níveis cada vez mais sofisticados de produtividade e qualidade levam o trabalhador a estender a sua jornada de trabalho, muitas vezes sem a devida remuneração. O salário por si só não é suficiente para satisfazer todas as necessidades básicas do homem.

    Abraço fraterno.

    José Carlos Penha

  6. Somos reféns da tecnologia com toda certeza. Sou servidora pública federal e vislumbro a escravidão dos nossos serviços em massa à informatização…é o preço da desburocratização, nem sempre perceptível pelos usuários, que pagamos…
    Padre já reparou como somos escravos do celular e da internet, mesmo fora de nossas funções profissionais? Pelo menos, falo por mim!E é engraçado, porque não sou tão jovem, não nasci na era do computador…meu primeiro contato foi no primeiro ano da faculdade,mas me sinto completamente envolvida…minhas fotos estão na máquina, as contas são pagas via internet, são as compras on-line…nem me dou ao luxo de recorrer ao aurélio…”joa no google”…
    Agora…não dá pra negar que a acessibilidade a cursos via internet ou via satélite, aos geograficamente distantes dos grandes centros, é proveitosa. Imagine a democracia à informação que uma aula transmitida via satélite gera!

  7. Será que a solução não seria os empregados passarem a ser também donos das empresas (e, portanto, das suas máquinas)? Crédito para compra de ações das empresas onde trabalham e reformulação das regras que regem o mercado de ações?

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