De passagem falei que estou lendo ENTE ET ESSENTIA de Santo Tomás. Veio um comentário interessante que posto abaixo. Na verdade esta leitura (em latim) é para minha aula de filosofia nesta quarta-feira. Sobre os livros do Professor Lauand, conheço e recomendo, afinal, ele foi o orientador de minha tese de doutorado em educação na USP.

Padre, o Ente e a Essência é dificílimo, se primeiro não ler Aristóteles. Pelo menos, foi a experiência que tive.

Aproveito para recomendar o livro:”Verdade e Conhecimento” de S. Tomás de Aquino – Luiz Jean Lauland e Mario Bruno Sproviero,
Lauand traduziu do latim a Quaestio Disputata de veritate (Questão disputada da verdade). A questão disputada da verdade é anterior à Suma Teológica, mas já esboça elementos que também podemos encontrar na Suma.

Abraço!

4 Comentários

  1. Rafael Teófilo

    Padre,

    Estou muitíssimo longe de ter o conhecimento e o amor que o Professor Fedeli tem pela Santa Igreja.

    Mesmo assim gostaria de fazer-lhe meu desafio.

    Desafio o senhor a reconhecer que há pelo menos um grave erro no Concílio Vaticano II. O texto abaixo mostra claramente esse erro:

    +++++++++++++++++++++++++++++++

    PAPA BENTO XVI CORRIGE O CVII [CONCÍLIO VATICANO II]

    http://servadavirgemmaria.blogspot.com/2009/08/papa-bento-xvi-corrigi-cvii_29.html

    O papa Bento XVI corrigiu o Concílio Vaticano II! Pode parecer incrível, mas em pelo menos um ponto as ambigüidades do Concílio sofreram um duro golpe. O fato passou despercebido aos olhos da maioria das pessoas, mas após uma análise mais acurada não tem como ser negado.

    Pois bem, ensinou o Concílio Vaticano II no número 08 da Lumen Gentium:

    “(…) a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação (destaques meus)”.

    (http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html)

    Ora, isto é um absurdo, pois somente se pode purificar aquilo que está impuro, maculado. Dizer que a Igreja precisa de purificação está errado. Mesmo sem explicitar a expressão “Igreja pecadora”, o concílio deixou entender que Ela o é, pois, repito, somente aquilo que está impuro pode ser purificado. Mas como nós sabemos, na carta aos Efésios São Paulo deixou bem claro que a Igreja foi deixada por Cristo sem mácula alguma, perfeita como o cordeiro santo. Dizer que a Igreja precisa de purificação é muito errado, para não dizer heterodoxo. Dá margem a conclusões que foram muito exploradas pelos inimigos da Igreja nas últimas décadas, que passaram a creditar à Igreja os pecados de seus filhos.

    Pois bem, já no novo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, promulgado há pouco tempo, percebemos que o Papa Bento XVI corrigiu este grave erro ensinado pelo Concílio Vaticano II. Sobre este assunto a questão é tratada da seguinte maneira, no número 165:

    “Em que sentido a Igreja é santa? A Igreja é santa, porque Deus Santíssimo é o seu autor; Cristo entregou-se por ela, para a santificar e fazer dela santificadora; e o Espírito Santo vivifica-a com a caridade. Nela se encontra a plenitude dos meios de salvação. A santidade é a vocação de cada um dos seus membros e o fim de cada uma das suas atividades. A Igreja inclui no seu interior a Virgem Maria e inumeráveis Santos, como modelos e intercessores. A santidade da Igreja é a fonte da santificação dos seus filhos, que, aqui, na terra, se reconhecem todos pecadores, sempre necessitados de conversão e de purificação (destaques meus). (http://www.vatican.va/archive/compendium_ccc/documents/archive_2005_compendium-ccc_po.html)

    Vejam a correção feita pelo Papa Bento XVI: na Lumen Gentium era a Igreja penitente e imperfeita quem busca purificação. Agora a mudança: Bento XVI proclama que são os fiéis pecadores quem tem de purificar-se, e não a Igreja, que para o papa é sempre santa e santificadora. Portanto, somos nós, os filhos da Igreja, os pecadores que precisamos ser purificados.

    Em sua recente viagem tão abençoada ao Brasil, em discurso aos Bispos na Catedral de São Paulo (10/05/07) Bento XVI desmentiu o erro da igreja santa e pecadora lembrando que São Paulo escreveu que a Igreja é santa e incorruptível. Eis as palavras de Bento XVI nesse discurso:

    “Mas tende confiança: a Igreja é santa e incorruptível (cf. Ef 5,27). Dizia Santo Agostinho: “Vacilará a Igreja se vacila o seu fundamento, mas poderá talvez Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos” (Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353.).

    Portanto, é um erro grave dizer e uma contradição delirante ensinar que a Igreja é santa e pecadora. Ela é santa, santificadora e incorruptível.

    Deus seja louvado, porque essa correção é também outro furo no balão do Concílio Vaticano II, provando que este concílio meramente pastoral, que recusou empregar o caráter da infalibilidade, ensinou sim uma doutrina totalmente estranha a doutrina de sempre da Igreja.

    Com essa correção, quem poderá agora dizer que o Concílio Vaticano II não tem erros? Pelo menos um erro ele tem, e este já foi corrigido, o que demonstra a sua falibilidade. Claro que existem outros erros, que também serão corrigidos. Quando? Não o sabemos. Mas agora, com o papa Bento, isto deverá acontecer, ainda que lentamente.

    ++++++++++++++

    Então Padre Joãozinho, há pelos um erro ou não no CVII?

  2. Prezado Pe Joãozinho,
    Salve Maria!

    Se o Sr. deseja prosseguir com os debates com os tradicionalistas, é indispensável a leitura do livro “(A Candeia debaixo do alqueire)” do Pe Álvaro Calderón (Participará das conversações entre a FSSPX e Roma). O livro foi recentemente publicado pela Editora Sétimo Selo (Dos meus amigos, Sidnei e Carlos Nougué: http://www.edsetimoselo.com.br/loja/default.asp). A editora é desconhecida, mas tem bons livros, como:

    A natureza do bem – Santo Agostinho
    Sobre o mal – Santo Tomás de Aquino
    A inocência do Padre Brown – Chesterton
    Sobre os anjos – Santo Tomás de Aquino
    A política em Aristóteles e Santo Tomás de Aquino
    No prelo, eles estão com “As cruzadas” Raimond Lull.

    No endereço:
    http://www.fsspx-sudamerica.org/secciones/magisterio.mp3

    O Sr. poderá ouvir uma Conferência em aúdio do Pe Calderón sobre o tema. Caso aceite ler o livro, talvez depois da leitura, o Sr. possa fazer alguma crítica ao livro, se realmente o Concílio Vaticano II, é uma maravilha, então não poderá abalar-lhe a visão deste, não é mesmo?

    Fique com Deus.

    Abraço

    Segue o prefácio do livro:

    Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
    Breve prefácio do livro “A Candeia Debaixo do Alqueire”

    “PALAVRA DOS EDITORES

    Aristóteles dizia que a precondição para o estabelecimento de uma verdadeira dialética é a consignação prévia de “tópicos”, ou seja: de pontos ou premissas a partir dos quais se torna possível engendrar raciocínios e deles extrair corolários. O τόπος é, literalmente, o lugar do diálogo e da confrontação das próprias idéias com as alheias e/ou contrárias. Na prática, trata-se do método científico por excelência — o que os medievais comprovaram com a sua prolífica arte da disputa (disputatio), cujo ápice se dá na obra de Santo Tomás de Aquino.

    Pois muito bem: a nossa época transformou a palavra “diálogo” numa espécie de fetiche conceitual, ao fazer uso dela sem o mais remoto vestígio do rigoroso método dialético que encontramos nas obras de Sócrates, Platão, Aristóteles e, particularmente, Tomás de Aquino. Hoje — de modo inverso ao que ocorria com o τόπος aristotélico — muitas vezes as premissas, em vez de ser colocadas claramente, são retiradas para não ferir as susceptibilidades do outro “dialogante”. Com isto acaba-se por estabelecer um falso diálogo, na medida em que é varrido, para debaixo do tapete, todo e qualquer tópico presumivelmente incômodo. Um falso diálogo que, a pretexto de buscar a concórdia, deixa de lado a verdade (pois repele todas as precondições para o estabelecimento desta).

    Na obra que ora apresentamos ao leitor brasileiro, o principal teólogo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X – FSSPX na atualidade, Padre Álvaro Calderón, esgrime com o método da disputa: após enumerar, em cada artigo, uma série de objeções às teses defendidas no livro, Calderón apresenta uma resposta magistral e, depois, replica os argumentos em contrário, um a um.

    Acreditamos prestar um grande serviço com a publicação no Brasil desta disputatio do Padre Calderón. Em primeiro lugar, porque a partir dela é possível divisar o cerne das questões que, desde o Concílio Vaticano II, opuseram uma parcela do Catolicismo à onda de novidades que, na prática, acarretou a mudança da liturgia da Missa, do Código de Direito Canônico e do Catecismo; e, na teoria, estabeleceu um pluralismo teológico e doutrinal cujos frutos ninguém (em sã consciência!) pode negar. Em segundo lugar, porque se estabelecem nesta obra os pontos do único diálogo com chances de ser frutuoso: o que tem como objeto formal próprio, tão-somente, a verdade — com a demarcação de todos os problemas prévios sem cuja resolução não é possível ultrapassar os limites da opinião.

    O assunto deste livro é gravíssimo e as conclusões não são de molde a agradar aos paladares adocicados de um ecumenismo falsamente “dialogante”. Mas o próprio Autor, na sua Introdução, agradece de antemão a quem, por caridade, o refutar ou corrigir”.

    http://contraimpugnantes.blogspot.com/2009/06/breve-prefacio-do-livro-candeia-debaixo.html

  3. Maria Inês

    Padre,

    Bom Dia !!

    A primeira liberdade é aquela que nos liberta de nós mesmos.
    Quando conquistamos auto controle, tomamos as rédeas de nossas vidas segundo a lógica do amor e não a lógica da egoísmo.
    A vivência do amor abre os horizontes, porque fazemos coisas que antes pensávamos não ser capazes. Superamos barreiras, ultrapassamos limites jamais pensados. Isso é liberdade.
    A vivência do amor mostra até onde podemos ir, mostra onde está o verdadeiro limite, que não nos tolhe em nada a consciência de sermos livres.
    “Ama e fazes o que queres.” Essa frase de Santo Agostinho pode tornar-se um lema para quem procura viver o Amor que emana de Deus e a Ele retorna, passando pelo nosso coração e nosso agir.
    Para hoje, dia 05 de Setembro:

    ” NA LIBERDADE DOS FILHOS DE DEUS MOMENTO POR MOMENTO ”

    Abraços,
    Apolonio


    Postado por DADO DO AMOR no EDUCAR COM AMOR – ESCOLA FRATERNA

  4. Pe Joãozinho,
    Salve Maria!

    Neste post, proponho-lhe uma “Quodlibeta” sobre a filosofia moderna.

    Considerando-se, por exemplo que, Déscartes antes do seu famoso e falso “Cogito”, não sabia, se estava acordado ou se estava dormindo. E também que Kant, certa vez comia um frango, e lhe puxaram o prato, ao que indagou a pessoa:

    – Por que você fez isso?

    Ao que recebeu como resposta:

    – Se as coisas são incognoscíveis em si, como você pode saber o se estava comendo e o que estava comendo?

    Tendo em vista, estes dois exemplos, que se baseiam exatamente na teoria da incognoscibilidade das coisas (Embora está afirmação seja um conhecimento da coisa em si. Nicolas Derisi, grande tomista argentino), como explicar nestes dois filósofos que não encantam, somente os tradicionalistas, os efeitos da idolatria, conforme se lê no Salmo 113:

    1. Aleluia. Quando Israel saiu do Egito, e a casa de Jacó se apartou de um povo bárbaro,
    2. a terra de Judá tornou-se o santuário do Senhor, e Israel seu reino.
    3. O mar, à vista disso, fugiu, o Jordão volveu atrás.
    4. Os montes saltaram como carneiros; as colinas, como cordeiros.
    5. Que tens, ó mar, para assim fugires? E tu, Jordão, para retrocederes para a tua fonte?
    6. Ó montes, por que saltastes como carneiros, e vós, colinas, como cordeiros?
    7. Ante a face de Deus, treme, ó terra,
    8. por quem o rochedo se mudou em lençol de água, e a pedra em fonte de água viva.
    9. (1) Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória, por amor de vossa misericórdia e fidelidade.
    10. (2) Por que diriam as nações pagãs: Onde está o Deus deles?
    11. (3) Nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.
    12. (4) Quanto a seus ídolos de ouro e prata, são eles simples obras da mão dos homens.
    13. (5) Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver,
    14. (6) têm ouvidos, mas não ouvem, nariz e não podem cheirar.
    15. (7) Têm mãos, mas não apalpam, pés e não podem andar, sua garganta não emite som algum.
    16. (8) Semelhantes a eles sejam os que os fabricam e quantos neles põem sua confiança.
    17. (9) Mas Israel, ao contrário, confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
    18. (10) Aarão confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
    19. (11) Confiam no Senhor os que temem o Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
    20. (12) O Senhor se lembra de nós e nos dará a sua bênção; abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Aarão,
    21. (13) abençoará aos que temem ao Senhor, os pequenos como os grandes.
    22. (14) O Senhor há de vos multiplicar, vós e vossos filhos.
    23. (15) Sede os benditos do Senhor, que fez o céu e a terra.
    24. (16) O céu é o céu do Senhor, mas a terra ele a deu aos filhos de Adão.
    25. (17) Não são os mortos que louvam o Senhor, nem nenhum daqueles que descem aos lugares infernais.
    26. (18) Mas somos nós que bendizemos ao Senhor agora e para sempre.

    Déscartes e Kant, tinham olhos, mas não viam, ouvidos, mas não ouviam, boca, mas não falavam… Como a filosofia destes sujeitos, pode não estar contaminada com a idolatria? Não temos aqui, exatamente o que argumentei em um post anterior, sobre o pagão da antigüidade, é o protó-tipo do homem moderno?

    Fique com Deus.

    Abraços

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