Nesta manhã a Faculdade Dehoniana, juntamente com o Centro Acadêmico DIÁLOGO, abriu a 5ª Semana Filosófica. O tema deste ano é O SER HUMANO: EXISTÊNCIA, DESAFIOS E ALTERNATIVAS. Nosso curso é reconhecido pelo Ministério da Educação e recentemente recebeu conceito 3, o que significa que o reconhecimento está automaticamente renovado. Os alunos organizam esta semana livremente. É um momento de envolvimento de todos para além dos limites, às vezes rígidos, do currículo e das aulas.

2 Comentários

  1. Padre Joãozinho,
    Salve Maria!

    Já reparou a importância da pergunta de Hamlet (Ser ou não ser), para a filosofia?

    A maioria das correntes filosóficas modernas, optam pelo vir-a-ser (O “virtus in medio romano”, lugar errado e na hora errada, sempre) que acabam degenerando-se no próprio não ser. Isto aponta para as filosofia com prazo de validade, quando elas chegam a ser, tem se a prova que ela simplesmente não era o esperado. Então muda-se para outra filosofia e fica-se neste círculo vicioso sem sair da terra, embora o céu continue “Perene”.

    É interessante notar que a idéia de Heidegger (tido por muitos como o maior filósofo do Século passado), segundo a qual, desde os pré-socráticos, “esqueceu-se do ser” e abordou apenas o ente, não se aplica a filosofia de Santo Tomás de Aquino. Li isso no Contra Impugnantes, e quem afirma não são os autores do blog, mas Johannes B. Lotz, discípulo de Heidegger no livro:

    “Martin Heidegger e Santo Tomás de Aquino”

    Onde na sinopse, se lê o seguinte:

    “A obra de Lotz caracteriza-se por duas atitudes, uma que consiste em dizer que Heidegger colocou a questão do Ser de uma forma mais fundamental do que São Tomás de Aquino e outra que consiste em mostrar que a posição heideggeriana se interdiz, pela sobreavaliação do tempo de aceder ao sentido último do Ser, ao Ser subsistente ou Deus. É pois, a pertinência teológica de Heiddegger que é colocada em questão. A originalidade deste estudo está no renovar da problemática escolástica perante a ontologia de Heidegger.
    Mais do que ressuscitar São Tomás de Aquino, sobrepondo-o à filosofia moderna, Lotz ressucita um questionamento fundamental dos antigos perante os modernos. Um livro sereno que nos esclarece sobre a credibilidade filosófica de Heiegger.” http://www.planetanews.com/produto/L/59394/martin-heidegger-e-sao-tomas-de-aquino-johannes-b–lotz.html

    Pelo que afirma Lotz no conteúdo do livro, dúvido que Heidegger colocou a questão do ser de uma forma muito mais fundamental que a de Santo Tomás. Mas é um livro que vale a pena ler. No mesmo artigo do Contra Impugnantes, afirma-se que biografos de Heidegger, registraram que este filósofo no breve período em que esteve na 2ª Guerra Mundial (2 meses), foi chamado a atenção por estar lendo em meio as escaramuças, a Suma Teológica.

    Veja que enquanto os Padres estão interessados em Déscartes, temos um Johannes Lotz analisando Santo Tomás de Aquino e o sobrepondo, a filosofia moderna. Curioso não?

    Recomendo também o livro; ” A filosofia da hora e a filosofia perene” de Mons. Emilio Silva de Castro,que apresenta muito bem o contraste entre as filosofias meramente temporais e a filosofia perene. Nele pode se ler no prefácio:

    “A nova edição deste livro saúda o novo século”. Assim começava Frederico Paulsen o prólogo da quinta edição de sua Ética, mas, em seguida a tão eufórico cumprimento, estampa, melancólico, este testemunho: “O começo do século XIX assinalou-se pelo império das idéias, o começo do século XX assinala-se pelo império da força”.1
    Paulsen escrevia nos anos mais prósperos que desfrutou a Europa e quando a mais irrestrita liberdade política, tanto de palavra como acadêmica, imperava em quase todas as nações. Qual teria sido sua reação se sobrevivera e presenciara as grandes guerras européias e as tremendas convulsões sociais que hoje agitam a tantos povos?
    O que mais surpreende no caso, porém, é a surpresa de Paulsen. Que outra coisa podia ele esperar do magistério que a maioria dos filósofos do século XIX, ele mesmo inclusive, vinha exercendo? Eles abdicaram da verdade. Nosso século chegou ao rompimento definitivo com o caráter dogmático da Revelação e com a filosofia escolástica que se aferrava à existência de verdades absolutas. “A mentalidade histórico-genética do “saeculum historicum” tomou o lugar daquelas instâncias, renunciou à posse de verdades absolutas: “só se dão verdades relativas, não há verdades eternas”.2
    Não querendo admitir nem mesmo a certeza das verdades da fé, afirma que esta “não se apoia em provas ou demonstrações racionais, não vem do entendimento, senão do coração e da vontade”.3
    Na própria obra de cujo prólogo copiamos as primeiras palavras deste escrito, insurge-se Paulsen contra a; manutenção de um sistema educativo que, nascido há séculos num meio intelectual inteiramente diferente, “se acha em muitos pontos em aberta contradição com as realidades e doutrinas mais aceitas em nosso tempo”.4 O que ele visava era a reforma do ensino, precisamente no terreno doutrinário, revisão das doutrinas básicas do Cristianismo: fora o sobrenatural, a Bíblia, os dogmas religiosos e tudo mais estranho ao homem hodierno!
    Essas idéias e princípios não eram algo peculiar a Paulsen. Se, de início, escolhi seu nome, foi porque ele, melhor que qualquer outro, excetuando talvez a Eucken5, reflete a mentalidade reinante na Europa em começos do presente século. À vista de tais princípios e doutrinas, não admira que o Ocidente desorientado derivasse e ainda continue por caminhos de arbitrariedade e violência. Com efeito, se o homem está convicto de que a verdade das coisas é um produto de sua vontade ou do seu entendimento, se não admite que este há de se submeter a uma ordem objetiva do ser, independente da vontade humana, nestas condições sua cosmovisão será apenas imagem, projeção, imaginação subjetiva do mundo, sem a menor garantia de verdade objetiva. Tal subjetivismo é, no fundo, um perfeito ceticismo, ruína de toda verdade. Como poderá edificar-se sobre tal alicerce movediço uma forma de vida estável?
    As nações do Ocidente, e já agora, após as duas grandes Guerras Mundiais, o mundo todo, está passando momentos de trágica ansiedade, os povos vivem desde há bastantes anos em perpétua soçobra, na mais angustiosa incerteza, pois as filosofias dominantes não são de molde a gerar e manter a solidez das instituições e das-relações sociais e contribuir eficazmente para estabelecer a paz na ordem das nações.
    Neste nosso trabalho, que intitulamos: FILOSOFIAS DA HORA e FILOSOFIA PERENE, pretendemos, após uma sucinta exposição das filosofias vigentes em nossos dias, demonstrar a radical ineficácia ou insuficiência da maior parte delas, para responder às autênticas exigências da consciência contemporânea, e dilucidar as possibilidades que se abrem para o bem-estar do mundo nos princípios e doutrinas que integram a chamada filosofia perene.

    1. Friedrich Paulsen, System der Ethik, 5.” ed., Berlin, 1900,
    p. IX.
    2. Em Immanuel Kant, cit. por Josef Donat, em Die Freiheií
    der Wissenschaft, Ein Gang durch das moderne Geistesleben, 2.” ed.,
    Innsbruck, 1912, p. 57-58.
    3. Paulsen, Einleitung in die Philosophie, 32.ª ed., Stuttgart und
    Berlin, 1920, p. 269.
    4. Paulsen, System der Ethik, p* 228.
    5. Rodolfo Eucken, vítima também do agnosticismo e desorientação
    filosófica e religiosa do seu século, não esconde o desalento
    que essa situação lhe produz: “Wir sind am Grundstock unseres
    Lebems und Wessens kre geworden, es hat sich uns inmitten aller
    Aufhellung nach aussen hin der Sintí unseres Daseins verdunkelt,
    wir treiben wehrlos dahin, ohne zu wissen wohin” (o grifo é meu).
    Geistesprobleme und Lebensfragen, Leipzig, 1918, p. 145. Para
    tais dubiedades e angústias Eucken, também como Paulsen e tantos
    outros, não divisa mais remédio que a substituição dos valores tradicionais
    de nossa cultura e a «forma completa do Cristianismo.
    Seus inveterados preconceitos racionalistas anuviavam-lhe a vista e
    lhe impediam verificar que é precisamente o Cristianismo que nos
    oferece perfeita e natural solução para os tremendos problemas da
    nossa origem, natureza e destino eterno.

    O livro pode ser baixado no endereço:

    http://www.4shared.com/get/122292248/95c630ae/Filosofias_da_Hora_e_Filosofia_Perene_-_Emlio_Silva_de_Castro.html

    Existe ainda o livro “Jesus e os filósofos” do Padre Antônio D’Almeida Moraes Júnior que segue a linha do precedente. Pode ser baixado no endereço:

    http://www.4shared.com/get/102200526/c457012d/Jesus_e_os_Filsofos_-_Pe_Cantera.html

    Em alguns capítulos, ele trata do modernismo, abordando diretamente conceitos modernistas e refutando os próprios autores.

    Fique com Deus.

    Abraços

  2. A dehoniana oferece algum curso online? Procurei no site e não achei.

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