Este final de semana prego retiro para um grupo de MINISTROS DA EUCARISTIA da Paróquia São Judas, em São Paulo. Ao preparar este retiro fui me dando conta de que em outubro de 2004 o Papa João Paulo II abriu um ANO EUCARÍSTICO. Deveria concluir em outubro de 2005, mas o papa faleceu em abril de 2005, portanto, em pleno Ano Eucarístico. Selecionei alguns trechos da Carta Apostólica MANE NOBISCUM DOMINE (Fica conosco, Senhor), que marcou a abertura do ANO EUCARÍSTICO:

CARTA APOSTÓLICA “MANE NOBISCUM DOMINE” PARA O ANO DA EUCARISTIA

OUTUBRO 2004–OUTUBRO 2005     – – –        JOÃO PAULO II – (* 18.05.1920 02.04.2005)

A PALAVRA SE FEZ CARNE

1. «Fica conosco, Senhor, pois a noite vai caindo» (cf. Lc 24,29). Foi este o instante convite que os dois discípulos, diretos a Emaús na tarde do próprio dia da ressurreição, dirigiram ao Viajante que se lhes tinha juntado no caminho. Carregados de tristes pensamentos, não imaginavam que aquele desconhecido fosse precisamente o seu Mestre, já ressuscitado. Mas sentiam «arder» o seu íntimo (cf. Lc 24,32), quando Ele lhes falava, «explicando» as Escrituras. A luz da Palavra ia dissipando a dureza do seu coração e «abria-lhes os olhos» (cf. Lc 24, 31). Por entre as sombras do dia que findava e a obscuridade que pairava na alma, aquele Viajante era um raio de luz que fazia despertar a esperança e abria os seus ânimos ao desejo da luz plena. «Fica conosco» — suplicaram. E Ele aceitou. Pouco depois o rosto de Jesus teria desaparecido, mas o Mestre «permaneceria» sob o véu do «pão partido», à vista do qual se abriram os olhos deles.

12. A Eucaristia é luz antes de tudo porque, em cada Missa, a liturgia da Palavra de Deus precede a liturgia Eucarística, na unidade das duas «mesas» — a da Palavra e a do Pão. Esta continuidade transparece já no discurso eucarístico do Evangelho de João, quando o anúncio de Jesus passa da apresentação fundamental do seu mistério à ilustração da dimensão eucarística propriamente dita: «A minha carne é, em verdade, uma comida e o meu sangue é, em verdade, uma bebida» (Jo 6,55). Sabemos que foi esta dimensão que fez entrar em crise grande parte dos ouvintes, induzindo Pedro a fazer-se porta-voz da fé dos outros Apóstolos e da Igreja de todos os tempos: «Senhor, para quem havemos nós de ir? “Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6,68). Na narração dos discípulos de Emaús, o próprio Cristo intervém para mostrar, «começando por Moisés e seguindo por todos os profetas», como «todas as Escrituras» conduzem ao mistério da sua pessoa (cf. Lc 24,27). As suas palavras fazem «arder» os corações dos discípulos, tiram-nos da obscuridade da tristeza e do desânimo, suscitam neles o desejo de permanecer com Ele: «Fica conosco, Senhor» (cf. Lc 24,29).

 

E HABITOU ENTRE NÓS

14. É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da «fração do pão». Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais «falam». A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente.

15. Não há dúvida que a dimensão mais saliente da Eucaristia é a de banquete. A Eucaristia nasceu, na noite de Quinta-feira Santa, no contexto da ceia pascal. Traz, por conseguinte, inscrito na sua estrutura o sentido da comensalidade (mesma mesa): «Tomai, comei… Tomou, em seguida, um cálice e… o entregou dizendo: Bebei dele todos…» (Mt 26,26.27). Este aspecto exprime bem a relação de comunhão que Deus quer estabelecer conosco e que nós mesmos devemos fazer crescer uns com os outros. Todavia não se pode esquecer que o banquete eucarístico tem também um sentido primária e profundamente sacrifical. Nele, Cristo torna presente para nós o sacrifício realizado uma vez por todas no Gólgota. Embora aí presente como ressuscitado, Ele traz os sinais da sua paixão, da qual cada Santa Missa é «memorial», como a liturgia nos recorda com a aclamação depois da consagração: «Anunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurreição…». Ao mesmo tempo que atualiza o passado, a Eucaristia projeta-nos para o futuro da última vinda de Cristo, no final da história. Este aspecto escatológico dá ao sacramento eucarístico um dinamismo cativante, que imprime ao caminho cristão o passo da esperança.

 

ENTRE NÓS ESTÁ

16. Todas estas dimensões da Eucaristia se encontram num aspecto que, mais do que qualquer outro, põe à prova a nossa fé: é o mistério da presença «real». Com toda a tradição da Igreja, acreditamos que, sob as espécies eucarísticas, está realmente presente Jesus. Uma presença — como eficazmente explicou o Papa Paulo VI — que se diz «real», não por exclusão como se as outras formas de presença não fossem reais, mas por antonomásia enquanto, por ela, Se torna substancialmente presente Cristo completo na realidade do seu corpo e do seu sangue. Por isso a fé pede-nos para estarmos diante da Eucaristia com a consciência de que estamos na presença do próprio Cristo. É precisamente a sua presença que dá às outras dimensões — de banquete, memorial da Páscoa, antecipação escatológica — um significado que ultrapassa, e muito, o de puro simbolismo. A Eucaristia é mistério de presença, mediante o qual se realiza de modo excelso a promessa que Jesus fez de ficar conosco até ao fim do mundo.

28. Há ainda um ponto para o qual queria chamar a atenção, porque sobre ele se joga em medida notável a autenticidade da participação na Eucaristia, celebrada na comunidade: é o impulso que esta aí recebe para um compromisso real na edificação duma sociedade mais equitativa e fraterna. Na Eucaristia, o nosso Deus manifestou a forma extrema do amor, invertendo todos os critérios de domínio que muitas vezes regem as relações humanas e afirmando de modo radical o critério do serviço: «Se alguém quiser ser o primeiro, há-de ser o último de todos e o servo de todos» (Mc 9,35). Não é por acaso que, no Evangelho de João, se encontra, não a narração da instituição eucarística, mas a do «lava-pés» (cf. Jo 13,1-20): inclinando-Se a lavar os pés dos seus discípulos, Jesus explica de forma clara o sentido da Eucaristia. S. Paulo, por sua vez, reafirma vigorosamente que não é lícita uma celebração eucarística onde não resplandeça a caridade testemunhada pela partilha concreta com os mais pobres (cf. 1Cor 11,17-22.27-34).

8 Comentários

  1. Que Deus o abençoe padre Joãozinho, a paz
    Renata
    Radio Beatitudes.com

  2. Simone Teixeira

    Pe. Joãozinho,

    Esse texto eu salvei para ler, reler e saborear com calma…
    Aliás, uma das coisas boas que descobri é que as palavras saber e sabor têm a mesma origem e que só aprendemos aquilo que conseguimos saborear…
    Obrigada pela partilha! Lamento por não poder participar de seus cursos, mas ainda tenho esperança de recuperar a saúde e poder me aprofundar em assuntos que me interessam. Sonho até em fazer uma nova faculdade que tenha mais a ver comigo.
    Peço sua ajuda e suas preces pela situação que estou vivendo.

  3. Simone Teixeira

    Pe. Joãozinho, não posso dizer que rezei especificamente por esse encontro, mas estou oferecendo a Jesus todo sofrimento do dia de hoje e lembrando de vocês…
    Acho que esse 19 de setembro foi um dos poucos, senão o único dia em que você não postou nada no Blog e nem aprovou comentários… Espero que isto seja sinal de um retiro proveitoso em que o tempo passou depressa demais!
    Grande abraço e, se puder, entre em contato comigo. Preciso muito falar com você!
    Grande abraço,

    Simone.

  4. luizinete andrade

    padre,

    agradeço a Deus por ter encontrado a cancao nova.
    Peço oraçao pra mim e meu filho Luã.

    sua benção.

    luizinete

  5. Domingos de Oliveira

    Instrução Redemptionis Sacramentum.

    Sobre algumas coisas que se devem observar e evitar acerca da Santíssima Eucaristia

    CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO E A DISCIPLINA DOS SACRAMENTOS

    1. O MINISTRO EXTRAORDINÁRIO DA SAGRADA COMUNHÃO

    [154.] Como já se tem lembrado, «só o sacerdote validamente ordenado é o ministro capaz de gerar o sacramento da Eucaristia, atuando in persona Christi».[254] Pois o nome de «ministro da Eucaristia» só se refere, propriamente, ao sacerdote. Também, em razão da sagrada Ordenação, os ministros ordinários da sagrada Comunhão são: o Bispo, o presbítero e o diácono,[255] aos que correspondem, portanto, administrar a sagrada Comunhão aos fiéis leigos, na celebração da santa Missa. Desta forma se manifesta adequada e plenamente sua tarefa ministerial na Igreja, e se realiza o sinal do sacramento.

    [155.] Além dos ministros ordinários, está o acólito instituído ritualmente, como ministro extraordinário da sagrada Comunhão, inclusive fora da celebração da Missa. Todavia, só o aconselham em razões de verdadeira necessidade, conforme às normas do direito,[256] o Bispo diocesano pode delegar também outro fiel leigo como ministro extraordinário, quer seja por um momento, quer seja por um tempo determinado, recebida na maneira devida a benção. Sem dúvida, este ato de designação não tem necessariamente uma forma litúrgica, nem de modo algum e lugar, possa-se imitar a sagrada Ordenação. Só em casos especiais e imprevistos, o sacerdote que preside a celebração eucarística pode dar um permissão ad actum.[257]

    [156.] Neste ministério, entendendo-se conforme o seu nome em sentido estrito, o ministro é um extraordinário da sagrada Comunhão, jamais um «ministro especial da sagrada Comunhão», nem «ministro extraordinário da Eucaristia», nem «ministro especial da Eucaristia»; com o uso destes nomes, amplia-se indevida e impropriamente o seu significado.

    [157.] Se habitualmente há número suficiente de ministros sagrados também para a distribuição da sagrada Comunhão, não se podem designar ministros extraordinários da sagrada Comunhão. Em tais circunstâncias, os que têm sido designados para este ministério, não o exerçam. Reprove-se o costume daqueles sacerdotes que, apesar de estar presentes na celebração, abstém-se de distribuir a Comunhão, delegando esta tarefa a leigos.[258]

    [158.] O ministro extraordinário da sagrada Comunhão poderá administrar a Comunhão somente na ausência do sacerdote ou diácono, quando o sacerdote está impedido por enfermidade, idade avançada, ou por outra verdadeira causa, ou quando é tão grande o número dos fiéis que se reúnem à Comunhão, que a celebração da Missa se prolongaria demasiado.[259] Por isso, deve-se entender que uma breve prolongação seria uma causa absolutamente suportável, de acordo com a cultura e os costumes próprios do lugar.

    [159.] Ao ministro extraordinário da sagrada Comunhão nunca lhe está permitido delegar nenhum outro para administrar a Eucaristia, como, por exemplo, os pais, o esposo ou filho do enfermo que vai a comungar.

    [160.] O Bispo diocesano examine de novo a praxe nesta matéria durante os últimos anos e, se for conveniente, corrija-a ou a determine com maior clareza. Onde, por uma verdadeira necessidade, haja difundido a designação deste tipo de ministros extraordinários, é de responsabilidade do Bispo diocesano, tendo presente a tradição da Igreja, dar as diretrizes particulares que estabeleçam o exercício desta tarefa, de acordo com as normas do direito.

  6. Domingos de Oliveira

    Portanto,caro padre João,não existe “ministros da Eucaristia”,leigos.

  7. Éliton Mota Waltrick

    Gostei muito deste artigo, Que a palavra de Deus nos ilumine sempre

    Amém

  8. pythagoras soares lopes

    Prque então foi criado o Ministerio da Sagrada comunhão? MESC.
    Atenciosamente, agradece, Pythágoras – Paz e bem.

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