Tenho grande apreço por este instrumento litúrgico. Cultivei a prática do harmônio em todos os meus anos de seminário. Isto não desqualifica outros tipos de instrumentos musicais que podem ser considerados litúrgicos quando tocados com arte e de acordo com o Rito. Repercuto um comentário que veio hojem com alegria e um pouco de tristeza. Leia você mesmo:

Sou organista “substituto” numa paróquia da cidade vizinha onde moro…
Minha cidade tem 13 (treze) Paróquias, na igreja matriz, existe um harmônio encostado num canto e corroido por cupins, e um órgão eletrônico encostado debaixo da escadaria da torre. Nas demais paróquias, não mais existe o órgão, e olhe o que diz a Sacrossantum Concilium no número 120:
“Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.”
Ah, mas ao invés de existir o órgão, com certeza nas demais paróquias você irá encontrar o espaço para a bateria (e seu som insuportável), bem como tomadas para as guitarras elétricas e inúmeros microfones.
E o interessante, é que a Igreja católica sempre primou em ter o órgão nas celebrações! AGORA É O CONTRÁRIO, AQUI NO BRASIL, QUEM PRIMA PELO CANTO CONGREGACIONAL ACOMPANHADO PELO ÓRGÃO, SÃO AS IGREJAS EVANGÉLICAS. Nas nossas Paróquias, nós encontramos BANDAS!
(Não confundir com as Bandas que se apresentavam no Coreto da cidade!)
Quando viajo para a Europa, eu sempre procuro participar das Missas, pois certamente tem um coro e um órgão na Celebração! E isto não acontece somente nas Catedrais, em Igrejas de cidades menores tive a oportunidade de assistir as Missas Paroquiais solenizadas!
Que magnífico acompanhar a Maîtrise da Notre-Dame de Paris nas celebrações da Missa ou do Ofício Divino! Na Basílica Vaticana, como é emocionante cantar as Antífonas e geralmente a Missa de Angelis (VIII) com o Coro da Capela Sistina e a Schola Cantorum! Como é bom renovar a fé cantando o Credo III, e afirmar “(Credo) Et unam sanctam catholicam et apostolicam Ecclesiam.”
Quando atravesso o Atlântico de volta para o Brasil, com sorte em alguma Missa “ultra-Solene” pode-se encontrar algum órgão acompanhando a Santa Missa. Mas repito: com muita sorte. Já assisti pela televisão cada Celebração em Igrejas importantes do país tendo acompanhamento das “bandas”, dos “conjuntos”, e o pior, com “cantores” desafinados… Degradante…
Bom Pe Joãozinho, o senhor é “esperto”. Tem vários doutorados. O senhor sabe muito bem quem contribuiu para o cenário acima exposto: anos e anos de Teologia da Libertação cantando temas sociais, e agora temos um determinado “movimento” (qual será, não?). O senhor é intelegente, sabe muito bem do que estou falando.
Só me espanta o cinismo da vossa parte em colocar o anúncio acima referido. (Talvez vá o organista titular da Canção Nova, do Padre Marcelo Rossi, do Padre Reginaldo Manzotti, entre outros e outros.)
Quanta tristeza em não poder retribuir ao Senhor, o que nos convida o Salmista (Sl 32,3): COM ARTE SUSTENTAI A LOUVAÇÃO!

PS.: Ah, eu já havia recebido o convite da Hosmil para este evento.

3 Comentários

  1. Sua bênção Pe.!
    Realmente, confesso ao sr. que missas barulhentas não me são muito agradáveis. O ruído atrapalha meu encontro com o sagrado. Prefiro mesmo é uma música suave, que ajuda a silenciar o meu interior. Tenho saudade das missas da infância, onde havia apenas um órgão, ou um violão e uma bela voz afinada… Mas Pe., considero desnecessária a afirmação: “Só me espanta o cinismo da vossa parte em colocar o anúncio acima referido.” Considero desrespeitoso e discordo. Creio que não há cinismo algum de sua parte em divulgar tal evento. Como uma pessoa, que tem a fé renovada em tantas celebrações pela Europa, seja capaz de se dirigir a alguém nesses termos?

  2. “Tenha-se em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos, instrumento musical tradicional e cujo som é capaz de dar às cerimónias do culto um esplendor extraordinário e elevar poderosamente o espírito para Deus.”
    Ah, mas ao invés de existir o órgão, com certeza nas demais paróquias você irá encontrar o espaço para a bateria (e seu som insuportável), bem como tomadas para as guitarras elétricas e inúmeros microfones.

    Quando atravesso o Atlântico de volta para o Brasil, com sorte em alguma Missa “ultra-Solene” pode-se encontrar algum órgão acompanhando a Santa Missa. Mas repito: com muita sorte. Já assisti pela televisão cada Celebração em Igrejas importantes do país tendo acompanhamento das “bandas”, dos “conjuntos”, e o pior, com “cantores” desafinados… Degradante…

    Concordo plenamente!

    Eu sinceramente creio que bateria, guitarra e tudo o quanto vemos em muitas Missas hoje em dia sendo usados pelo ministério de música não são instrumento litúrgicos. Não acho apropriado para a Missa. Creio que tais instrumentos podem ser usados com moderação em outros lugares para algum tipo de apresentação. Por exemplo, se há uma banda Católica, um ministério de música tudo bem. Podem transmitir a Palavra e o amor de DEUS às pessoas, tudo bem, mas tais instrumentos utilizados por esses grupos não são apropriados para a Santa Missa. Eis minha opinião!

    DEUS esteja convosco!

  3. “espaço para a bateria (e seu som insuportável), bem como tomadas para as guitarras elétricas e inúmeros microfones.”
    Talvez o “insuportável” aí seja o volume do som da bateria e das guitarras. O órgão de tubos em um volume muito alto seria “insuportável” também.

    “AQUI NO BRASIL, QUEM PRIMA PELO CANTO CONGREGACIONAL ACOMPANHADO PELO ÓRGÃO, SÃO AS IGREJAS EVANGÉLICAS”
    É mesmo? Órgão de tubos? Ou é aquele teclado eletrônico?

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