Posto aqui a resposta do aluno  Lúcio Marcos Cesquin Ferreira sobre as críticas que a RCC ouve. Esta resposta foi postada no ambiente Moodle, interno da Faculdade Dehoniana. Como o debate foi público, via Twitter, posto ao menos uma resposta aqui:

Foi-nos dada, afortunadamente, a possibilidade de expressar nossa opinião particular a respeito da RCC. Lendo as 50 críticas do texto fornecido, e, mais que isso, tendo pertencido a ela antes de ingressar no Seminário (razão pela qual suponho ter experiência para discursar sobre, e não permanecer apenas no argumento especulativo), teço minhas seguintes considerações: é um movimento que deve ser tratado com caridade e coerência, já que, dele, fazem parte milhões de fieis no mundo inteiro. Não podemos ser reducionistas e só enxergar o que nos convém, simplesmente por “não irmos com a cara” do referido. Há coisas boas. Trouxe a muitos católicos elementos de perseverança e conforto. É como uma parte de um corpo, que forma o todo. Esse todo, poderíamos dizer que é a Igreja, da qual pode participar qualquer ser humano, sem distinção de nacionalidade, cor e língua. Penso, ainda, que devemos acolher indistintamente, sem preconceitos ou exclusivismos. Todavia, e isso afirmo pelo que tenho visto no decorrer de anos de caminhada cristã, há abusos que não deveriam deixar de ser considerados em uma análise mais profunda. Se, por um lado, é nosso direito pertencermos a essa grande “família católica”, é preciso ter consciência de que tudo o que vá contra a Instituição, inclusive a terrível prática de excluir e condenar, sobretudo arbitrariamente (como ocorre, tantas vezes, contra a própria RCC), deva ser corrigido. Ora, se pertenço a uma Instituição, tenho a intenção de cooperar com Ela, e esse deve ser o intuito da RCC. O então Cardeal Ratzinger, na minha opinião, o maior teólogo dos séculos XX e XXI, afirma: Certamente … trata-se de uma esperança, de um positivo sinal dos tempos, de um dom de Deus para a nossa época. É a redescoberta da alegria e da riqueza da oração contra a teoria e práxis sempre mais enrijecidas e ressecadas no tradicionalismo secularizado. Eu mesmo constatei pessoalmente a sua eficácia: em Munique, algumas boas vocações ao sacerdócio vieram-me do movimento. Como em todas as realidades entregues ao homem, dizia eu, também esta é exposta a equívocos, a mal-entendidos e a exageros. O perigo, porém, seria ver apenas os riscos, e não o dom que nos é oferecido pelo Espírito. A necessária cautela não muda, portanto, o juízo positivo do conjunto.” (cf. em http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2007/07/26/palavras-do-papa-bento-xvi-sobre-a-sobre-a-renovacao-carismatica-catolica, texto em itálico por mim). Portanto, todo exagero que vá contra a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério, deve ser caritativamente, penso, alertado e corrigido; mas, todos os benefícios que o Movimento traz à Igreja devem ser, igualmente, ressaltados e incentivados, buscando-se a Unidade e não a divisão, como parece que muitos querem e incentivam, propiciando um perigo condenável e, na minha opinião, repudiável de cisma, ao invés de trabalharmos em conjunto, respeitando-se uma opinião que, talvez, possa ser diversificada da nossa.

13 Comentários

  1. Essa resposta evidencia exatamente a diferença de uma pessoa que estuda, sabe o que dizer e tem mente de coração aberto a ação de Deus, que sem dúvida alguma, vai além de toda e qualquer barreira ou muro construído entre os movimentos que vemos hoje na igreja.

    Abraço!

  2. OLHA ADOREI A MATURIDADE NA RESP DO SEU ALUNO.
    FAÇO DELE MINHAS PALAVRAS TBM!!!! DISCUSSÃO É SEMPRE MOTIVO PARA REFLEXAO!
    PARABENS PELA INICIATIVA!!!

    VIVIAN RICCI

    SAO CAETANO SUL – SP

  3. Padre Joãozinho,
    Muito coerente!!!Concordo em número,gênero e grau!!Afinal como pregar unidade se dentro de nossa própria casa estamos divididos em facções…existem “Cultos” para todos os gostos:os mais calmos,os mais animados,os silenciosos…E tudo leva a DEUS,que é PAI e paciente até com os exageros!!!!!!!!
    Symoni
    @symoniflorentRN

  4. Concordo plenamente com o Lúcio. A RCC não é lixo e não pode ser transformar em luxo!
    Tem seu valor e excessos, como todos os outros movimentos.

  5. Aluno nota 10!
    Muito oportuna a colocação da posição do Papa sobre o assunto.

  6. Eu acho que não deveríamos criar divisões dentro da Igreja. A RCC não é uma Igreja. Ela é um movimento da Igreja. Ela pertence à Igreja. É fato que existem exageros. Eu mesmo tenho presenciado alguns, porém, a exaltação ao Espirito Santo, o louvor a Deus, só nos garante bençãos e mais bençãos. Não devemos esquecer que quem divide é o diabo. Deus não tolera divisões. Se a RCC é um movimento de Deus, quem somos nós para combatê-la. Se não é um movimento de Deus, Ele mesmo fará com que se acabe! Mas não esqueça: os milagres estão acontecendo! O Espirito está agindo. Pense nisso!

  7. Pingback: Porquito

  8. Luciana Rigotto

    Não sou carismática e por muitas vezes confesso ter criticado este movimento. Criticado sem conhecer, fazendo meu “pré-julgamento”. Hoje, trabalhando em uma Paróquia como secretária, estou intimamente ligada às Pastorais, Movimentos e Ordens. Obrigatoriamente precisei me inteirar de todas as “funções” exercidas por cada um deles, inclusive a RCC. Concluo que, apesar de ainda ter minhas restrições quanto a um ponto ou outro deste movimento, percebo que a comunidade cresce e persevera, se dinamiza e acolhe os fiéis através da RCC. É inegável a sua contribuição, a sua parcela na construção do Reino de Deus. Agora, é inegável, também, se tratar de um movimento cristão de “vida própria”, que muitas vezes se contrapõe aos interesses da Igreja ou do padre, gerando atritos e controvérsias. Isso acontece em minha Paróquia e tenho certeza que em muitas outras. Mas, como em tudo na vida, o diálogo e o bom senso devem prevalecer e estabelecer laços e união. Nunca proibições radicais e sistemáticas, sem fundamento sólido. Dá para caminhar sim, RCC e Paróquia, Paróquia e RCC. Depende da disponibilidade dos acordos.

  9. Prudente e sábia a resposta de seu aluno, Pe.Joãozinho. Sou participante do movimento e durante muito tempo me sentia clandestina e até excluída por conta de preconceitos e perseguições sofridas por pertencer ao mesmo. Hoje nada disso mais importa, sou consciente de minha missão de batizada.Como diz o Evangelho de hoje; “serva inútil, não faço mais do que minha obrigação” :-)

    No mais, só acrescento, se é para podarmos exageros, vale também para os católicos sasionais (apenas de missas de 15 anos, 7ºdia,etc), para os “ecumênicos” incautos e demais membros.

    A caridade é o termômetro de tudo.

    Parabéns pelo blog. Virginia Diniz

  10. Sergio Souza

    Há motivos para se apoiar a RCC?

    Amo a RCC, participo de Grupos de Oração, vou aos Eventos, mas não sou ligado a estrutura formal da RCC.

    Como bem o padre Joãozinho frisou: “A RCC certamente não é uma sociedade perfeita e deve ser submetida a críticas e suspeitas que promovam a necessária e salutar correção fraterna, todavia, excluí-la pastoralmente da Igreja institucional é uma atitude no mínimo ímpia, senão contrária à unidade da Igreja e, além disso, pouco inteligente”.

    Contudo fico triste com os rumos que a RCC vem tomando, pelo menos no âmbito local. Há uma exagerada valorização da palavra “liderança”. Tudo são as “lideranças”. E ao se engajar em algum Ministério, você fica obrigado a dar preferência ao calendário e estrutura da RCC, até mesmo para justificar a existência dessas lideranças. Muitos coordenadores de setor têm essa visão. E os setores têm prioridade frente aos trabalhos paroquiais. Na prática, esses setores estão virando “paróquias” paralelas!

    Trago aqui, saudosas palavras do padre Léo: “Não olhe para trás, não se detenha na planície. Os grupos de oração estão morrendo, porque não se reza mais. A renovação carismática não precisa de lideres, quem precisa de líder é o PT, PSDB, CUT, MST. A palavra íder, não existe na Bíblia. Lider é sinonimo de encardido, a renovação precisa de servos”.

    A RCC é importante na vida da Igreja. Acho linda a frase: “Celebrando Pentecostes”. Por isso, a RCC precisa voltar ao primeiro amor. Precisa não se fechar em setores, coordenações diocesanas ou EPA’s, colocando-as como prioridade em detrimento às nossas paróquias.

    Enfim, a RCC tem um propósito maravilhoso dentro da Igreja. Rezo por isso!

    • Ana Codognoto

      concordo plenamente com vc Sergio souza , e acrescento mais tem muitos que só querem o poder dentro da rcc, chegam a dizer que vc não pode fazer mais nada na paroquia e sim somente na rcc ,. Nao pode ser Ministro da Sagrada Comunhão , não pode ser Catequista e outras coisas mais eu acho um absurdo isto nao e de Deus isto..

  11. Pe. boa noite!
    Nossa os dois últimos posts uma bênção para nossas dúvidas, ainda vou ler pois estou sem tempo.Como sempre gosto de salvar pra mim é um estudo.Depois vou ler devagar
    Meu abraço fraterno

  12. O que dizer,

    Sobre o texto ?

    A não ser …

    Parabenizar !!!

    Sizenando – presentepravoce

  13. Pingback: Debate sobre a RCC. « O Espírito Repousará Sobre Ti…

  14. Nivaldo Ramos

    Não vou chamar essa situação de divisão, seria isso que gostariam de ouvir a respeito da igreja catolica.
    o que nos falta e ouvir e acolher um ao outro, segundo sua missão dentro da Igreja. eu sou coordenador de setor em minha cidade, e participo de reunioes setorias que os padres desse setor estao presentes. temos avancado. vejo que para nos amar primeiro precisamos conviver com nossas diferencas. na virgilia de pentencoste realizada pela RCC no setor teve a permissao do paroco da igreja porque ele confiou no trabalho que vem realizado os grupos de oracao de sua paroquia. ele nos acompanhou ate um certo horario e foi dormir e que no ano de 2010 ele gostaria de nos dar algumas ideias para virgilia do ano. o padre e reitor. precisamos sim estar interagindo nas programacoes de nossas paroquias sem um grupo de oração atuante se ja fazemos isso em nossa diocese e fazer com que todos percebam que somos parte integrante da igreja. gostaria de falar da escola permanente da RCC. ministerio que faço parte, e os documentos que usamos na formacao mensal para servos temos como base os documentos da Igreja. teria muito mas pra partilhar deixo como ultimas palavras deste. precisamos ouvir um ao outro e caminha na graca de Deus. como fala a propria canção nova “juntos somos Mas”
    fiquem com a benção da sagrada familia. Jesus, Maria e Jose.
    amem

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