No Capítulo dois, Augusto César Pereira, sacerdote e jornalista, ensaia um início de resposta lançando um olhar cético sobre a grande mídia como um espaço que costuma mutilar as profecias e impedir a voz da libertação de ecoar livremente. Seu artigo “Mídia e Profetismo” procura as razões deste fenômeno de exclusão.  Segundo este autor, a mídia é uma aliada natural dos projetos de dominação. Os profetas, ao contrário, batem de frente com os interesses dos donos do poder. Para ganhar espaço teriam que condicionar o seu discurso aos interesses dos patrocinadores e dos telespectadores. Esta dinâmica vicia a mensagem e torna a grande mídia extremamente limitada na isenção e capacidade de comunicar a verdade coerente com o Evangelho. A mídia seria prisioneira do mundo das aparências.  Mas nem tudo é ceticismo. Para o autor existe esperança nos laços comunicativos tecidos em cada pequena comunidade onde se faz e vive a “opção preferencial pelos pobres e pelos jovens”. Outro mundo e outra forma de fazer comunicação são possíveis.

5 Comentários

  1. Renata Prado

    Continuando…
    E porque não dizer que independentemente do que entendemos por mídia de massa (rádio, televisão, internet, por exemplo), o que está estragado entre a mídia e a religião, são as relações humanas, que visão a conveniência e não a verdade?
    E porque não dizer, que se a igreja percebe a ação barganhadora da mídia, que defende interesses e conveniências e que disputa poderes, sabendo que isso deteriora o princípio fundamental da fé, de disseminar A VERDADE, porque não investe em outros meios mais diretos, como por exemplo qualificando melhor seus sacerdotes para que estes façam da atuação nas suas comunidades, espaços de testemunhos que sejam verdadeiros shows em menor escala, privilegiando a pureza doutrinária, passando-a de boca-a-boca ou invés de ser permissiva quanto ás excessivas exposições?
    E porque esta igreja não se posiciona de forma clara, definida e incisiva, de que os meios de mídia em massa, poderão ser usados apenas se houver um comprometimento das duas partes, mídia e sacerdotes, em não fazerem da fé uma moeda de sensacionalismo? E se as mídias não concordassem com isso, então mais uma vez, que o show de evangelizar se definisse então pelo parcial anonimato, até porque, mesmo aquilo que não aparece na televisão, nem no rádio, nem na internet, ainda que demore mais para atingir grandes massas, pode sim, atingí-las, porque na propaganda boca-a-boca, todo mundo comentaria em suas comunidades sobre as maravilhas professadas na missão pelo padre daquela paróquia e ele se tornaria famoso naquele lugar, mas dividiria esta fama com todos os outros padre, de todas as outras paróquias, em todos os outros lugares do mundo, pois a palavra de fé deles então não seria uma só, espalhada aos quatro cantos do planeta?
    Quem foi que determinou a necessidade da mídia na propagação da fé, do religioso? Foi Deus ou foram os homens?
    Afinal a igreja não poderia ter se recusado a aceitar o convite da mídia e ter dito aos seus padres que usassem a criatividade para evangelizar de outra forma?
    Lembro que eu sou a favor da exposição na mídia para evangelização e torço para que nossos sacredotes tenham maturidade espiritual e humana para lidarem com isso ou que então tenham humildade bastante para buscarem ajuda na terapia!rs
    Mas não deixo de questionar ao mesmo tempo, a REAL NECESSIDADE de fazer das mídias uma lugar comum, enquanto algumas paróquias ficam muitas vezes, à devira.
    Renata Prado.

  2. Prezado Pe Joãozinho,
    a questão da profecia é também muito complexa. O conceito de profecia da Teologia da Libertação, é uma corrupção do conceito de profecia, tanto do AT, como do NT. Os profetas do AT denunciavam os pecados do povo, eles não batiam de frente com interesses dos donos do poder. Na concepção de profecia da teologia da libertação, o povo e os pobres são santos, eles não têm pecado. Neste caso, o pecado está exatamente nas estruturas de poder, que são consideradas intrinsecamente más, quando na verdade, não podem ser consideradas desta forma. Porque os pecados da estrutura de poder, são a auto-projeção dos pecados do homem ,do próprio povo e dos pobres.
    Seria impossível para Gandhi, conseguir de seu povo a não violência, se apresentasse os pecados dos ingleses, mas como apresentou o pecado dos indianos, esta não violência, tornou-se plenamente possível.
    Ademais, o tema das profecias, não são desprezados pela mídia. Muito pelo contrário, eles são constantemente explorados, sem que aja prejuízos para a profecia. Basta-se ver o sucesso dos programas que apresentam os segredos de Fátima e os muito poucos que apresentaram, a profecia de São Malaquias. A questão é que o povo, que tem algum conhecimento, descarta as profecias da teologia da libertação, pois são puramente marxistas, Deus não está presente, apenas o humano.
    A profecia no NT, não tem o mesmo sentido do AT, pois se no segundo, muitas vezes o povo dependia da palavra profética para a libertação, está já não é mais nossa realidade: fomos libertos em Cristo, e a partir dele, a profecia tem o sentido de confirmação na fé: A lei e os profetas, tiveram a palavra, até João…
    Fique com Deus.
    Abraço

  3. Elaine Mendes

    “Os profetas, ao contrário, batem de frente com os interesses dos donos do poder. Para ganhar espaço teriam que condicionar o seu discurso aos interesses dos patrocinadores e dos telespectadores”.

    Essa parte me chamou a atenção, pois segundo ela parece-me que o comunicador ou sua mensagem é apreciada neste meio quando não atinge diretamente os interesses de patrocinadores e telespectadores que estão num esquema de dominação. Este sempre baterá de frente ao profetismo e por isso nunca darão a devida cobertura.

    Percebo que é um pouco o que ocorre com o discurso católico, geralmente quando chega aos grandes meios de comunicação está sempre num contexto averso a sua mensagem e por isso já há um pré-julgamento durante a divulgação da matéria. Isso é evidente quando se fala da posição da Igreja com relação ao uso ou não do preservativo.

    Também segundo esse artigo se algum artista católico tem alguma entrada nos meios seculares é porque fez alguma concessão indevida, pois se são programas líderes de audiência é porque aderem ao esquema de dominação que por si só é averso ao profetismo.

    Não posso deixar de falar do Pe. Fábio de Melo. Ele está tendo uma rara oportunidade de falar de sua fé em programas inusitados (Programa do Jô, Faustão, Xuxa, Raul Gil, Hebe, Toda Sexta e Programa Silvio Santos). Nestes programas ele teve a oportunidade de falar sobre o seu sacerdócio e tudo que isso implica: celibato, Jesus Cristo e evangelização. Obviamente nem sempre ele consegue falar tudo que ele gostaria, pois alguns programas apelam para sua aparência e seu êxito com venda de CDs e por isso o tratam como objeto de entretenimento, vide o Programa Silvio Santos. Mas, ao ler o que esse capítulo pretende expor, imagino que o Pe. Fábio só está tendo abertura nestes meios por causa do alta venda de Cds e por seu discurso. Ou seja, de que há aspectos no trabalho do Pe. Fábio que atende ao esquema de dominação: geração de lucros e discurso demagógico.

    Na minha visão pode ser que essa seja a primeira impressão que fica nas pessoas quando não conhecem o verdadeiro trabalho do Pe. Fábio. Me lembro muitos pensarem que ele era cria da Globo e que seu trabalho se resumisse à cantar sendo então um falso sacerdote. Porém, graças a abertura de alguns programas ele está tendo a oportunidade de revelar quem ele realmente é e por isso, alguns passaram a respeitá-lo. Daí a pergunta: essa abertura que o padre está tendo de falar seria também algo que atende ao esquema de dominação? Vejo que não. De alguma forma os responsáveis pelos programas que ele teve mais oportunidade de falar foram tocados por sua mensagem e desejam que eles também sejam um veículo de uma mensagem profética. Quando o Pe. Fábio foi ao Faustão ele fez questão de dizer que antes havia se reunido com o Fausto Silva em sua casa e certamente foi nesta conversa que o apresentador teve consciência que deveria dar abertura para ele falar e mostrar seu conteúdo. Obviamente, este apresentador deveria ter tido o receio de apresentar alguém que poderia ferir aqueles que não eram católicos e nem acreditam em Deus mas assistem ao seu programa. Como este apresentador viu a qualidade do discurso do Pe. Fábio logo o deixou praticamente conduzir o programa e muitos dizem que foi o entrevistado que mais falou no seu programa. Obviamente não serão todas as emissoras que o padre terá oportunidade de falar. Até hoje ele não foi convidado em nenhum programa da Record. É natural, a Record é a emissora do Marcedo, fundador da IURD, que ataca diretamente a Igreja Católica e a Rede Globo por disputa de audiência.

    Então, se a mensagem católica tiver abertura nos meios de comunicação seculares isto se deve a algum aspecto que seja agradável ao esquema de dominação e ao mesmo tempo tenha alguma correspondência com o pensamento de quem comanda os programas. Se os interesses desses apresentadores são honestos ou não, só o tempo dirá.

    Sua benção

  4. Elaine Mendes

    Venho complementar meu comentário.

    Talvez na mídia secular não haja abertura para uma mensagem essencialmente católica, baseada nos dogmas da Igreja, por isso seja necessário veículos católicos que expõem a ortodoxia. Por isso, mensagens ecumênicas, que dão ênfase ao que é comum nas religiões, especialmente entre a doutrina católica e a protestante neopentecostal, seja mais aceita nos meios seculares. Nisto reconheço que o Padre Fábio é mestre. Não é à toa que nos seus shows participam muitos evangélicos, espíritas e agnósticos. Agora, para quem quer ouvir uma mensagem mais dogmática, que exponha o valor dos sacramentos e ritos católicos, não tem jeito, só mesmo através dos veículos católicos. Se a mensagem dogmática tem mais profetismo que a mensagem ecumênica, eu já não sei. Acho que depende do público que se está querendo atingir. São João Batista é uma boa referência, ele denunciava o adultério de rei judeu, mas não dos pagãos. Sendo pagãos, falar o quê? Ainda não havia um Estado baseado em direitos universais. No entanto, ele não deixava de ser profético ao aconselhar os soldados romanos a não excederem nas suas ações.

    Sua benção.

  5. Boa noite, padre Joãozinho
    Estou postando hoje mais do que o normal, pois é o meu único dia de folga…
    Mostrei as postagens A MINHA IRMÃ e os comentários…
    Achou muito interessante e polêmico os posts,discordou de várias afirmações e dos comentários.
    Me disse que havia se lembrado de um filme “Mentes que brilham” e ao ler os comentários fez um trocadilho “Mentes que dormem”.
    Entretanto se recusou a comentar.
    Não entendi, afinal gostava de entrar aqui… Fui procurar os posts mais antigos e entendi o motivo, andou polemizando por aqui… Sim, a Luciana é minha irmã…
    Mas não se preocupe, não irei defendê-la, aliás detesta que alguém faça isso.
    Eu vou expressar a minha humilde opinião,embora seja da área das exatas.
    Mesmo não sendo entendida, acho que resumir a salvação e o evangelho aos pobres e miseráveis seria um processo religioso de exclusão, não?
    Segundo, a grande mídia é meio de entretenimento e comercial.Não tem compromisso com evangelização, afinal não é função deles.
    E pensar que darão espaço sem retorno é ingenuidade, a não ser que se comprem horários nas tvs que vendem.
    Aliás, por que a CNBB não faz isso? O RR Soares faz na Bandeirantes… Aí, sim aconteceiria o que esse dois estão propondo, fora isso é ilusão…
    Já comentei em outro post e vou repetir, há pessoas com síndrome de padre Fábio, acaso é só ele que trabalha na mídia?
    Vamos parar com essa neurose, gente. Para mim quem muito insiste nessa tecla quer na verdade determinar o que o padre deve fazer. Que tal cada macaco no seu galho?
    Eu por exemplo, discordo de como o pe. Marcelo evangeliza, não por ele ter programa na rádio Globo, aliás acho ótimo, mas pelo conteúdo, acho fraco. E o que faço? Não escuto nem assisto.
    Acho que quem está discordando do trabalho de sacerdotes que trabalham com a mídia deveria procurar o da paróquia…
    Boa noite.

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