No Capítulo quatro, Maria Antônia Marques, doutora em Bíblia e atuante no Centro Bíblico Verbo, muda o campo da análise das ciências da comunicação para a ciência bíblica. Utilizando um método histórico-crítico, procura as raízes do texto do Gênesis 1, onde encontramos a afirmação de que Deus criou o humano à sua imagem e semelhança. Esta canção sacerdotal, elaborada no exílio da Babilônia, funcionou como uma espécie de hino subversivo de resistência e garantia da identidade de um povo oprimido por uma nação estrangeira. Reconhecer Deus como aquele que é solidário com seu povo é redescobrir a própria identidade. Deus cria no plural: “façamos”; o ser humano também só encontra sua verdade na pluralidade; ninguém é feliz sozinho; mulher e homem se complementam para formar a imagem e semelhança de Deus. Isto dá o que pensar no mundo individualista em que vivemos. Nossa identidade completa só se realiza na relacionalidade. Poderíamos dizer que “somos solidariedade”. Este estudo bíblico é um recuo necessário para poder pensar que tipo de imagem e semelhança devemos projetar de Deus e do humano na mídia. “O ser humano é chamado a reconhecer sua relação de interdependência com todo o planeta e sua necessidade de manter uma atitude permanente de preservação da vida”, conclui Maria Antônia Marques.

9 Comentários

  1. Oi padre!!

    Realmente é pura reflexão o que este texto nos traz, e também nos leva a compreender que o nosso mundo não é aquilo que Deus sonhou para nós!! Ele criou o homem a sua imagem e semelhança e plantou solidariedade em nossoss corações, mas, infelizmente o que se vê é uma série de competiçoes e rivalidades, onde a auto suficiência, tira toda a identidade da relação do homem com Deus. É interessante este texto, devemos pensar em como agimos, ainda que sejamos instrumentos Divinos, pois embora sejamos instrumentos, naõ chegamos ao tópico da perfeição!!Por isso é bom cada um fazer sempre uma auto-análise…

    Obrigada Pe. Joãozinho por nos fazer sempre refletir…seja sempre luz.

    A sorte é que Deus é misericórdia

    Abraços

    Cecília Barros

  2. Renata Prado

    Continuando…
    A prévia do capítulo 5 e 6 me fizeram pensar na relação real entre a mídia, o povo e a igreja.
    Eu penso que esta relação passou por algumas transformações externas de interatividade, de reflexões, de convites aos questionamentos, mas ao mesmo tempo usando recursos que são limitadores, ou seja, a ordem dos “tratores” (rsrs) eu não sei se seria esta, mas o “viaduto” fica construido assim: alguém tem uma percepção do que o povo quer, então produz ou vai buscar tudo aquilo que possa estar relacionado ao tema e apresenta, aí outro alguém sinaliza que aquele tema não é a expressão da demanda da maioria, então outro alguém busca outra demanda para apresentar, mas alguém sempre percebe alguma outra demanda porque nunca há consenso totalitário nessas demandas, então começam as disputas de espaços e de importâncias para tais apresentações de tais demandas, então mais um alguém muito diplomático sai com uma idéia de consultar o alvo, seu público, mas traz essa consultoria, num nível limitado de opções, que na verdade reflete apenas as mesmas demandas que já estão sendo apresentadas, ou seja, são a mesma coisa mas disfarçadas de coisas novas!
    Daí fico pensando, porque será que o ibope do mau é tão mais vigoroso e rentável, do que o ibope do bem?
    Quem afinal determinou, que na relação de todos nós com a mídia, nós somos e temos mesmo que ser passivos?
    Afinal na mão de quem está o controle remoto? De Adão ou de Deus?
    Ou será que está nas mãos da mídia?
    Existe algo que se chama escolha.
    Qual a escolha que estamos fazendo? Para quem estamos escolhendo dar nosso ibope?
    Mas será que estamos verdadeiramente escolhendo?
    Será que temos real posse do nosso poder de decidir o que ver, o que ouvir, o que acatar?
    Será que temos a real noção do poder que temos nas mãos?
    Como será que a mídia se comportaria se de repente, todos desligassem a TV cada vez que a morte, a desgraça alheia, o sensacionalismo, entrassem no ar?
    A quem pertence a responsabilidade de avaliar o conteúdo e de escolher direta ou indiretamente o que quer ver, ouvir, ler na mídia?
    Façam sua escolhas! Eu não as faço, como quem faz apostas e fica vendida à própria sorte. Eu sei o que quero, o que aprovo, o que acato. E vocês?
    Renata Prado.

  3. Renata Prado

    só para corrigir, são itens 5 e 6 e não capítulos…kkk…desculpe-me!

    Renata Prado.

  4. As verdades mais profundas são tão simples.
    “Ninguém é feliz sozinho”.
    Really.

    Sua benção

  5. Prezado Pe Joãozinho,

    a citação de Doutores bíblicos, exegetas e a própria menção do método histórico-crítico, lembram me o livro de Mons. Francesco Spadafora “O triunfo do modernismo na exegese católica” (O livro é disponibilizado pela Permanência http://www.permanencia.org.br/Livrodigital/spadafora.htm). O sentido dado as escrituras, pelo Pais da Igreja, não podem ser substituídos pelo método histórico-crítico, sem cair-se em erro.

    O argumento extraído pelo método histórico-crítico, pela Doutora Maria Antônia Marques, é fraco, não resiste a uma investigação mais aprofundada. Não basta saber que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, para se compor um “hino subversivo”, também é necessário saber, quem, e o que é Deus e a plena resposta para isto, se dá exatamente pela encarnação do Verbo. Logo, saber-se criado a imagem e semelhança de Deus, excluí, por exemplo, o culto ao Imperador, mas não era suficiente para um “hino subversivo.”Porque os judeus em Babilônia, estavam sob o magistério da lei e dos profetas. Portanto, tinham algum conhecimento de Deus, mas era um conhecimento prefigurativo que se realizaria em Cristo. Não se pode falar em imagem e semelhança de Deus, no exílio em Babilônia da mesma forma em que se fala nesta imagem, após o advento de Cristo.

    O cativeiro em Babilônia, não traz a mente à lembrança de textos, mas a atividade dos profetas. Todas as pessoas não possuíam Torá’s, estás ficavam na Sinagoga. O fato de terem escrito livros no exílio em Babilônia, deve-se ao temor de ver a cultura judaica subtraída e substituída, pela cultura babilônica. Em um primeiro momento, não se trata de um registro ordenado a subversão. Mas primeiramente, a uma falta de fé, naquele que até então tinha mantido intacta a cultura judaica, não só no cativeiro em Babilônia, mas no próprio cativeiro no Egito. Padre Júlio Meinvielli, no livro “Da Cabala ao progressismo”, aborda o problema da tradição judaica e da cabbala que começou a ter força, exatamente após o registro escrito da tradição oral judaica, no cativeiro em babilônia.
    O que chama a atenção no período do cativeiro, não é o registro escrito da tradição judaica, mas a própria atividade profética. Sobretudo, o magistério do profeta Jeremias, que profetizou o exílio na Babilônia e foi perseguido pelos seus pares, por conta desta profecia. Na obra de Jeremias, o exílio, é apresentado, como um castigo de Deus, pelo povo ter afastado seu coração do único Dele. Não dá para acreditar que os judeus, eram capazes de encontrar a imagem e semelhança de Deus na Bíblia, e não a encontravam nos profetas (como Jeremias).

    Temos ainda deste período, a obra do profeta Daniel. Onde não se pode ver nenhum comportamento subversivo, a não ser que, se considerem os pontos na cultura babilônica em discordância, há pontos culturais judaicos. Onde ele se manteve firme em sua fé, e na cultura de seus pais. Mesmo assim, Daniel sempre se comportou de acordo com a dignidade de Profeta, não como um subversivo que na verdade, eram os babilônios. Além de Daniel, existe a figura de ninguém menos do que o grande Profeta Ezequiel

    Quanto a singularidade e a pluralidade, o sr. me lembrou do Sermão; “A verdade e o número” (http://emdefesadelefebvre.blogspot.com/2009/05/santo-atanasio-um-grande-exemplo-para.html) de Santo Atanásio. Vemos na própria atividade profética, não a pluralidade, mas a singularidade, como também o observamos na multidão de mártires católicos, não a pluralidade da verdade, mas sua singularidade. O próprio Cristo, em vários dos seus momentos finais, esteve só (Vide Getsemâni). Então a questão da singularidade e da pluralidade, é algo bastante complexo, para que se dizer que “a verdade se realiza na pluralidade”, pois se fosse assim, não seria o conhecimento da verdade, que nos libertaria, mas o conhecimento das verdades. Mas a palavra é dita no singular, não no plural…

    O fato importante é que nossa identidade se completa entre a relação de nossa individualidade com nosso próximo, pois não diz o mandamento: “Ama teu próximo, como a ti mesmo” ?

    Na conclusão da doutora, gostaria que o Sr. nos explicasse, como conciliar o chamado batismal, ao chamado humano, onde ela encerra sua perspectiva. Existe uma distinção ontológica, entre o ser humano e os filhos de Deus. Os primeiros são criaturas e tem sua origem no nada, enquanto os segundos, foram adotados e tem sua origem em Deus. Em uma conclusão teológica católica, eu esperava exatamente o chamado aos filhos de Deus, para reconhecerem a dependência que temos de Deus, não uma relação de interdependência com todo o planeta. Isto, não seria, panenteísmo?

    Fique com Deus.

    Abraço

  6. Boa noite, padre Joãozinho
    Discordo dessa doutora. Obviamente o sr. postou fragmentos, mas esa questão da unidade é muito ampla, envolveria até os consagrados celibatários.
    Ninguém é feliz sozinho? Necessita-se de relacionalidade?
    Então como ficariam a função dos padres e freiras que não engajam nas causas sociais que necessitam da relacionalidade e solidariedade?
    Então, a igreja deveria repensar a ua postura de 2000 anos…

  7. Elaine Mendes

    Fico pensando na imagem de Deus a partir do Antigo Testamento. Parece-me que os protestantes neopentecostais são mais apegados ao Deus do Antigo Testamento. Geralmente, exibem filmes dos patriarcas judeus ou então histórias como a da Rainha Ester, a Record já está produzindo um especial. Praticamente só as emissoras católicas falam de São Paulo, São Pedro etc. Já filmes sobre Jesus ambos as emissoras exibem e é só.

    Então, parece-me que as tvs católicas evitam falar de Deus a partir do Antigo Testamento, por quê? Segundo este capítulo a própria história do Genese já era um hino subversivo. Revelava-se um Deus semelhante ao ser humano já no primeiro livro da bíblia, então, porque as Tvs católicas evitem falar do Antigo Testamento? Sinceramente, para mim, as histórias daqueles que vieram após Jesus e seguiram radicalmente seu caminho são muito mais ricas do que as dos patriarcas. Sim, podemos aprender muito com a história de José, Moisés e David, porém confesso me identificar mais com as histórias dos santos: São Francisco de Assis, Sto Antonio etc. Para mim é mais fácil ver a semelhança de Deus com o homem a partir dos que conseguiram ser Jesus no seu contexto histórico. Agora se a semelhança entre Deus e o ser humano é mais evidente na sua relação de interpedendência entre o humano e todo o planeta e junto a isso ter a atitude de permanente de defesa da vida, só lendo o capítulo para entender, pois os povos pagãos já conheciam essa interdependencia, tanto que chegaram a criar deuses a partir das forças da natureza.
    Sua benção

  8. Há uma falsa dicotomia entre individualismo e coletivismo presente no texto, como se a mera oposição ao individualismo conduzisse necessariamente a uma verdade. Nem sempre o contrário de algo que criticamos é a verdade, no caso presente, não podemos louvar o individualismo reinante nos dias de hoje, mas tampouco pregar que o cristianismo só se realiza na pluralidade, há uma relação de complementaridade que é bem complexa, tanto a relação com o próximo como a nossa relação individual com Deus é importante.

  9. Padre Joãozinho, o admiro muito pela sua espontaniedade e a forma de comunicar-se, acho o senhor muito interativo, consegui ser sua seguidora agora, no twitter, fiquei deslumbrada, porém não consigo mandar mensagens
    A PAZ DO SENHOR!!!!!!!!!!!!!!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.