No Capítulo seis, José Knob, outro representante da teologia dogmática, faz a pergunta que já estava latejando no discurso feito até aqui: “como falar de Deus num mundo secular?” Isto lembra o antigo lamento do povo de Deus no exílio: “como podemos cantar a Deus em uma terra estrangeira?” Lembra também a provocação de Gustavo Gutiérrez em sua clássica leitura do Livro de Jó: como “Falar de Deus a partir do sofrimento do pobre”? Nosso discurso precisa ser situado, ou será mera ideologia com frágil tintura religiosa. O método teológico exige engajamento. Mais uma vez a solidariedade aparece, desta vez, como pressuposto metodológico de todo discurso conseqüente. Em estilo tão coloquial quanto profundo o autor lembra alguns princípios irrenunciáveis do discurso religioso, hoje. Transitando entre algumas questões filosóficas pertinentes à reflexão teológica, o autor enfrenta a incômoda pergunta: Deus criou o homem à sua imagem, ou somos nós que recriamos Deus a cada dia segundo a nossa imaginação? O autor ensaia uma lista de argumentos para afirmar que a religião bíblica não é pura projeção da mente humana. Para aprofundar o seu discurso recorre à distinção entre fé e religião. Jesus provoca uma “ruptura” com o sistema religioso de seu tempo e reafirma a fé, expressa na categoria de “reino de Deus”. A verdadeira imagem de Deus é revelada como libertadora. Já não estamos no terreno do deus terrível que pede o sacrifício de Isaac, mas no âmbito do Abbá, revelado por Jesus. O autor conclui de modo moderno e surpreendente: “Abbá é a senha de acesso à experiência religiosa de Jesus.”

10 Comentários

  1. Pe.Joãozinho…

    A algum tempinho já te escrevi e escrevo novamente: O ser humano cria uma imagem de Deus, na minha opinião, não deixando que Ele seja Ele mesmo, acho um tanto perigoso isto! Mas ao mesmo tempo devemos refletir que realmente Deus colocou em nós raciocínio e porque não tomar algumas atitudes em nome d’Ele? O que devemos ter em mente é que sejamos instrumentos e seja Ele a inspiração principal.Acredito que no tempo atual devemos ter Deus como MISERICÓRDIA mesmo, e transmitir esta misericódia a todos lutando para a conversão dos pecadores!! Acredito muito na misercódia. Qdo vc é solidário, vc é misercordioso, e se pensarmos…Deus foi assim o tempo todo, o mundo que estava um tanto deslocado no antigo testamento, é que tinham Deus como um gurreiro. Só então qdo Jesus veio, é que pudemos enxergar a verdadeira personalidade de Deus.

    Abraços

    Cecília Barros

  2. Maria Rita de castro avellar

    sem fazer nenhuma critica ao livro,acho até que vai fazer muita gente rever “SEU NOVOS CONCEITOS CARISMATICOS” INCLUSIVE EU. Em relação ao “DEUS DA MÍDIA”.Acho que a criatividade literária em nome de DEUS tá indo para uma lugar muito distante de onde ele mesmo esta.

    DEUS É PURA SIMPLICIDADE…DEUS NOS QUER VER FELIZ…DEUS É BOM FOI ASSIM QUE EU APRENDI.DEUS NÃO QUER COMERCIO EM SEU NOME.DEUS QUE CARIDADE,SOLIRIEDADE,AMOR AO SEU PRÓXIMO,DA AMOR A QUEM NÃO TEM,DEUS É AMOR COM PERFUME DA MAIS PURA FLOR.NÃO VAMOS ESTRAGAR SUA HISTÓRIA PARA MULTIPLICAR SE NÃO FOR PARA AJUDAR AOS NECESSITADOS.

  3. Renata Prado

    Continuando…

    Como falar de Deus na mídia, num mundo secular?
    Não seria com coerência entre ação e pensamento?
    Não seria com mais testemunhos e menos proselitismo?
    Porque idealizamos tanto nossos “padres modelos”, mesmo sem os conhecer e depois quando temos a abençoada oportunidade de estarmos próximos deles, nos decepcionamos?
    Não seria porque o discurso muita das vezes não confere com as atitudes?
    Não seria porque através da mídia criamos nossos ícones perfeitos, nossos ídolos maravilhosos, nossos super heróis, mesmo sabendo da infantilidade que é crer na existência deles?
    Não seria por causa de nossa carência, que nos provoca cegueira e acabamos por acreditar no ideal e desvalorizamos o que é real e humano?
    Mas de onde vem esta carência, que nos faz depositar no outro, ilustre desconhecido e famoso, todo o suprimento das nossas necessidades?
    Seria nossa incapacidade de nos reconhecermos como iguais, como “humanos demais” tanto quanto estes que se destacaram pelo que pregam e não pelo que testemunham fazer?
    A humanidade seguiu e acreditou em Jesus, apenas pela doçura de suas palavras, apenas pelo poder de Seu olhar ou foi TAMBÉM por suas demonstrações, de que Ele tinha intimidade, com aquilo que saia de Sua boca santa e de Seu olhar demorado voltado aos pequenos?
    Estaríamos todos nós, carentes de exemplos vivos nas nossas vidas imperfeitas, nas nossas rotinas massantes e, por sabermos que, vistos de perto todos parecemos loucos distorcidos, então elegemos modelos idealizados e distantes, para que nosso imaginário os mantenha num lugar sagrado, que iremos persseguir e acreditar, buscando neles a referência de como, quando e onde devemos agir?
    Então, estaria a mídia percebendo estas nossas fragilidades e usando de forma conveniente, homens e mulheres, artistas, políticos, sacerdotes, entre outros, que se encaixem neste perfil de ícones, para nos induzir à seguí-los, através dela, pois é exatamente por ser através dela, que ela (a mídia) obtém seus lucros?
    E se é este o pulo do gato e se já percebemos que estamos sendo usados vulgarmente para conceder ganhos a ela (a mídia), até quando vamos permitir que ela mande em nossas vidas e nos controle através de nossas mais profundas fragilidades?
    Pensemos em retomar as rédeas…
    Renata Prado.

  4. Patricia-SP

    Oi Pe. Joãozinho.

    Fico aqui pensando… como seria se eu pudesse ter vivido no tempo em que Cristo viveu?

    Qual deveria ser a forma de meu sorriso frente a Ele? Sorriso sem graça que deixa as bochechas quentes e vermelhas? Sorriso alegre e ingenuo que me faria saltar brilho aos olhos? Sorriso de medo ou insegurança porque não saberia quem Ele era?

    Será que eu teria vergonha de estar ao lado Dele? Será que eu teria alguma antipatia que me deixasse um tanto quanto com raiva?

    E a voz? Como seria ouvir a voz deste Homem? Grossa e mansa? Grossa e áspera? Grossa e rude? Será que eu teria coragem ou insegurança ao ouvir Sua voz?

    Será que eu o indagaria? Será que eu o Questionaria com perguntas audíveis ou escondidas em pensamento? Será que eu o abraçaria? Correria com Ele? Me afastaria?

    E ao vê-lo? Como será que eu o descreviria? Lindo ou Feio? Sujo ou Limpo? Desarrumado ou Arrumado? Estranho ou Normal?

    Ai passo a mesma pergunta para o meu hj quando me deparo com a palavra. “Estou no meio de Vós, na voz, no olhar, no tocar, etc…do irmão que vive ao teu lado.”

    E quando paro e penso nas sensações que vivo na presença de tantos, reflito… são inúmeros relacionamentos com diferentes sensações de convívio: uns me dão paz, outros atritos, uns motivam coragem, outros me trazem medo, com alguns gargalho, com outros choro, com outros me calo, com outros sou expontânea, com outros me escondo, e assim vai…

    Ai vejo que eu também posso mudar a conduta frente aos mesmos com quem convivo e assim passo a ter coragem frente aqueles que me amedrontavam, passo a sorrir mesmo perto de quem me quer chorando, passo a ser expontânea mesmo que o outro queira eu tímida, calada, e assim tbm vai…

    Onde será mesmo que poço ver Jesus em tudo isso?

    Sabe? Não busco ter razões, nem mesmo ser a dona de alguma forma de verdade… somente tento entender como devo melhor viver para compreendê-lo nos meus tempos atuais… minha vida única tenta aprender isso a cada dia e confeço, não acho nada fácil… hj em dia há muitas mudanças e evoluções, suposições, …

    Patricia-SP

  5. Patricia-SP

    Olá Pe. Joãozinho.

    Completando um pouquinho mais da postagem anterior.

    Deus deve ser muito mais que o sentir descrito por mim logo acima…. deve estar ligado ao processo real do AMAR…

    Amor fraterno, real, concreto de uns para com os outros. Eis o beneficio de Deus sobre a terra.

    Um bem que se espalha, sem palavra, mas nas atitudes…

    Que Deus seja derramado pelos ares motivando as pessoas a realmente trocarem o bem no planeta.

    Patricia-SP

  6. Patricia-SP

    Olá Pe. Joãozinho.

    Completando um pouquinho mais da postagem anterior. Veja antes o Clip aqui postado: http://www.youtube.com/watch?v=oi7fF2Z1XlQ&feature=fvsr

    Pois é… Deus deve ser muito mais que o sentir descrito por mim logo acima…. deve estar ligado ao processo real do AMAR…

    Amor fraterno, real, concreto de uns para com os outros. Eis o beneficio de Deus sobre a terra.

    Um bem que se espalha, sem palavra, mas nas atitudes…

    Que Deus seja derramado pelos ares motivando as pessoas a realmente trocarem o bem no planeta.

    Patricia-SP

  7. Patricia-SP

    Bom dia Pe. Joãozinho.

    Hoje senti a vontade de homenagear: http://www.youtube.com/watch?v=6gSNj-2n4Ac&feature=related

    Agradecer a vc e a tantos amigos que estão por aí espalhando palavras abençoadas para atitudes concretas de vida renovada. Caminhe pela internet e veja. São músicas, poesias, textos, nets, blogs, vídeos, etc… As sementes se frutificando são mais evidentes a cada dia. A sede de ser melhor já está sendo suprida e agora já existe a vontade de manter hidratada a vida fraterna, humana, partilhada,…ésta sede grande já se alivia em muitos que já estão buscando e encontrando suas fontes interioes.

    Vc´s, no processo de educar e orientar, estão aí…postando o bem a ser encontrado.. a alma é linda pois o Criador é lindo e não deixaria por menos o interior de suas criaturas…

    OBRIGADA! Por mais este livro que reune pessoas para orientar, refletir, pensar, questionar, querer mudar e assim vaim…

    Que Deus abenções a todos que se empenham neste lindo processo… Acreditar no futuro é reconhecer que o homem tem muito de bom a oferecer.

    Patricia-SP

  8. Prezado Pe Joãozinho,
    Cristo enviou os apóstolos para falarem a um mundo pagão. Disse-lhes que não se preocupassem com o que haveriam de falar, porque o Espírito Santo, falaria por intermédio deles. Neste caso, devemos nos preocupar em como falar de Deus em um mundo secularizado, ou deixar que o Espírito Santo fale Dele, por nosso intermédio?
    Quanto a provocação de Gustavo Gutierrez, ela carece de uma distinção fundamental, pois a pobreza, em si mesma, não é sinal de garantia da presença de Deus (Ap 13,16). Para falar de Deus, a partir do sofrimento do pobre, temos que considerar, qual é este sofrimento, e principalmente se é ou não é legítimo, pois Cristo também foi pobre, e não sofreu pela sua pobreza. O sofrimento não é intrinsecamente mal, nos provam isto, o próprio povo Judeu, o próprio Jó e nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, não podemos dogmatizar a pobreza, associando-a ao sofrimento. Para considerar deste modo, teríamos como premissa, o hedonismo.

    No caso da teologia da libertação, o sofrimento, esta vinculado a posse de bens materiais que estabelecem a vida digna. Isto explica em parte, porque a pobreza deixou de ser uma virtude, para ser algo intrinsecamente mau: dogmatizaram condições para a dignidade da existência humana, elevando (Como diz Zózimo, o monge Karamazov) o supérfluo ao necessário e o necessário ao desnecessário. Neste caso, o falar de deus a partir do sofrimento do pobre, seria dar testemunho da ausência das bênçãos de mâmon em sua vida. Contudo se considerarmos o “Falar de Deus, a partir daquilo que o pobre faz da graça de Deus, com seus sofrimentos? estaríamos falando de um católico, porque estaríamos falando do próprio Cristo e de toda Cristandade (Inclusive Jô). Interessante não?
    Fique com Deus.

    Respeitosamente,

  9. Sergio Rodrigues

    Padre Joãzinho

    Tenho um jeito muito simples de pensar Deus na sua forma humana.

    Ele é como um grande amigo, tem a cara de um grande amigo, pode ser baixinho, um pouco acima do peso, afinal, deve se utilizar de “fast foods” também. Deve ser daqueles “Caras” que todos querem ter ao seu lado, simpático, solícito, sabe aquele que seu convívio só acrescenta coisas boas em nossas vidas? Pois é Ele, assim que O penso.

    Aquele que nos faz sorrir, rir e gargalhar, que nos emociona tomando atitudes que nos surpreende e nos faz chorar de alegria e às vezes de vergonha.

    É, sim, vergonha, quantas vezes não construímos pensamentos a respeito de nossos amigos que nos afastaram deles, sem que tenhamos dado, ao menos uma chance de uma conversa franca? E quando conseguimos conversar, vimos como estavam erradas nossas suposições. Tenho vergonha, reconheço, peço desculpas e fortaleço esta amizade. Como faço meus pecados.

    Quando se trata de Jesus, a gente toma mais cuidado, mas temos que ser tão íntimos ou ainda mais, que somos com nossos amigos “terráqueos” rsrs.

    Terráqueos? Sim Terráqueos, ou nós julgaremos tão superiores e únicos no universo?

    Deus fez o homem a sua imagem e semelhança? Mas fez o vento a sua imagem e semelhança. Fez as árvores a sua imagem e semelhança, as rochas, as montanhas, as águas, a luz, a escuridão, os planetas e todos os seres que os habitam…

    Afinal, tudo é Deus e Deus em tudo está.

    “Esta presente no menor dos grãos de areia, na mais alta de todas as montanhas” disse o poeta.

    Cultivemos a Fé próxima e acessível a todo povo, tenhamos a simplicidade e inquietude de Jesus e façamos mais cristãos.

  10. Pingback: Sergio Rodrigues

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