Entrevista

Dr. Pe. João Carlos Almeida

Padre Joãozinho, scj

Mestre em Teologia Sistemática pela FAJE – BH, doutor em Teologia pela Faculdade Assunção-SP, doutor em Educação pelas USP, e doutor em Espiritualidade pela Gregoriana (Roma). Professor de Pneumatologia na Faculdade Dehoniana, em Taubaté, SP, aonde exerce o cargo de Diretor Geral.

Por que o nome Renovação?

A Renovação Carismática Católica, como é conhecida no Brasil, pretende um retorno às fontes da fé cristã, conforme sugeriu o Concílio Vaticano II. Uma das características do cristianismo dos primórdios era uma intensa vida carismática. A presença e ação do Espírito Santo era vivida como estatuto fundamental da identidade cristã. O evento de Pentecostes foi configurativo para Igreja da era apostólica. Mesmo após três anos de catequese com Jesus e apesar de terem vivido a experiência da ressurreição, ainda lhes faltava um impulso interior que os levasse enfrentar todos os desafios, inclusive o do martírio. Esta experiência pentecostal é vivida de modo “renovado” na RCC. Esta é sua identidade principal: ser memória de pentecostes para a Igreja e para o mundo.

Podemos dizer que o movimento representa para os seguidores, um novo pentecostes?

Exatamente. Este foi um dos pedidos do Papa João XXIII ao anunciar a abertura do Concílio. Aliás, ele pediu que a Igreja vivesse um novo pentecostes e que fosse uma “Igreja dos pobres”. Poderíamos interpretar que as duas profecias do papa da bondade se realizaram. O novo pentecostes acontece intensamente nos nossos dias e é cuidadosamente cultivado na RCC. A Igreja dos pobres recebeu seu selo latino-americano a partir da Conferência de Medellín e, principalmente, de Puebla, em que ficou clássica a “opção preferencial pelos pobres”. As Comunidades Eclesiais de Base se tornaram um emblema desta cultura da solidariedade para com os pobres. A Teologia da Libertação procurou reler os velhos conteúdos da fé, a partir desta solidariedade com os excluídos. Temos aqui duas correntes carismáticas que formam as feições da Igreja no Brasil nestes últimos quarenta anos: a RCC e as CEBs. Ambas foram cuidadosamente reafirmadas na sua identidade na recente Conferência de Aparecida.

No decorrer da história o sr observa desvios de alguns setores da proposta original da RCC?

Assim como algumas imprecisões da Teologia da Libertação foram indicadas pela Santa Sé, na década de 1980 (e teólogos como Gustavo Gutiérrez tiveram a sabedoria de tornar seu discurso mais preciso), a RCC também tem seus limites. A CNBB procurou indicar alguns deles em um documento normativo de 1994. Os bispos, através do seu Conselho Permanente, reconhecem a identidade e eclesialidade da RCC. Reconhecem ainda os valores para a vida da Igreja como um todo. Reconhecem ainda a liberdade associativa garantida pelo Direito Canônico. Porém, pedem à RCC que também reconheça os valores dos outros grupos eclesiais. Se toda a Igreja aderisse ao estilo da RCC, certamente haveria um empobrecimento. A RCC é um modo de ser Igreja. Não posso concordar com o que já ouvi um pregador carismático dizer: que a RCC deverá se tornar o novo modo de a Igreja ser. Isto é presunção e não respeita a pluralidade típica do Corpo Místico de Cristo. Outro limite é a falta de mais teólogos na RCC. Talvez isso ajudasse a corrigir alguns desvios que acontecem em alguns lugares, como uma excessiva valorização do demônio ou a perda do foco central da fé colocando no centro carismas extraordinários ou “modas” passageiras, como é o caso do “Repouso no Espírito”. Em alguns lugares observa-se também a carência de formação litúrgica. Sobre a crítica que a RCC recebe com freqüência, de que não tem obras sociais, pessoalmente fiz uma pesquisa nacional e fiquei muito admirado com a quantidade de obras de promoção humana sob responsabilidade dos carismáticos. Hoje percebo um crescente envolvimento social dos grupos de oração e da RCC Nacional. O “Ministério de Promoção Humana” atua especificamente neste sentido.

O que se pode entender por ação do Espírito Santo na ótica da Renovação?

A RCC vive a experiência da presença e ação do Espírito na Igreja e em cada cristão. Esta presença não é teórica. Ela habilita por meio dos dons para anunciar a Palavra com poder. O anúncio do kerigma é uma das grandes linhas de ação da RCC. Os carismas dados pelo Espírito são como que ferramentas que tornam possível esta obra para além da pura eloqüência. O Espírito garante uma nova “unção”. Isto se verifica também na oração pessoal e comunitária. Por isso, lá onde a RCC preserva cuidadosamente sua identidade, crescem e se consolidam os Grupos de Oração.

Existe quem afirma que a RCC acaba exercendo uma espécie de monopólio do Espírito Santo. O que o sr. pensa a respeito??

Isto não é possível. O próprio Jesus afirma que o Espírito sopra onde quer (cf. Jo 3,8). Mas uma coisa é certa. Este mesmo Espírito distribui uma diversidade de dons na Igreja. Cada congregação religiosa, por exemplo, tem seu carisma próprio. Nem por isso os jesuítas detém o monopólio da obediência ao Santo Padre, nem os dehonianos são proprietários do Sagrado Coração de Jesus. As congregações, os movimentos e aí incluo a RCC, são memória de um aspecto particular. A Renovação nos lembra diariamente que somos uma Igreja que nasceu do fogo de pentecostes.

A dinâmica da RCC gira em torno dos dons carismáticos citados por São Paulo. Que finalidade tem esses dons?

Os carismas são dados pára a edificação da comunidade. A maioria deles são ordinários e geram a força necessário para que se exerçam os ministérios. Mas não podemos negar que existem alguns carismas também particulares, ou extraordinários. Não são vividos por todo batizado nem são essenciais à salvação. É essencial ter fé, esperança e caridade, que são virtudes teologais. Não é essencial orar ou profetizar em línguas ou praticar a “palavra de ciência” ou mesmo o dom do conselho. O dom de cura existe e é fartamente atestado por testemunhos, mas não é essencial à salvação. Sempre me pergunto se aqueles nove leprosos do evangelho que não voltaram para agradecer foram para o céu.

Mas, atualmente, eles estariam sendo usados como fim ou como meios?

São ferramentas. São garfo e faca. É possível que alguém os utilize como emblema, ou mesmo como finalidade. É absurdo, pois não se comem os garfos. Outra coisa é dizer que a prática dos carismas, ordinários e extraordinários, caracterizam a RCC. Isto é normal. Precisamos respeitar a identidade. Não se pode obrigado toda uma comunidade a rezar em línguas na missa das 9h. Também não se pode colocar regras ou limites para o Espírito. O grande teólogo Yves Congar chegou a falar de um “setor livre”; um espaço eclesial onde o Espírito age independente das decisões da Igreja. Ele não pede ao bispo para suscitar uma nova congregação. Depois a Igreja vai discernir, mas a ação do Espírito é “absolutamente” livre.

Qual tem sido a principal contribuição das comunidades de vida, entre elas, a Canção Nova, que é a maior delas?

As Novas Comunidades são um ramo particular dentro da ampla espiritualidade carismática. Bebem desta fonte, vivem esta dinâmica pentecostal, porém cada uma delas tem seu carisma próprio e suas estruturas. Além da Canção Nova gostaria de citar a Comunidade Shalom, de Fortaleza, que possuem toda uma caminhada de reconhecimento pontifício. Não existe um lugar totalmente apropriado para esta novidade que reúne em seu seio dos três estados de vida. Tudo isso é muito recente. Um dos nossos professores, Pe. Wagner Ferreira da Silva, formador geral da Canção Nova, recentemente defendeu seu doutorado em Roma sobre este tema. Como podemos observar o assunto é complexo e representa uma novidade do Espírito para a Igreja dos nossos dias. Estas comunidades têm ajudado muitos a reatarem seu elo de comunhão com a Igreja. Já não são católicos de qualquer jeito. São católicos praticantes. Há também uma grande contribuição no que se refere aos Meios de Comunicação Social. A Canção Nova é um exemplo vivo disso. Recentemente estive em Portugal e fiquei impressionado com o modo como as pessoas acompanham a Canção Nova por rádio, TV e Internet.

Como sr. analisa a amplitude que a RCC alcançou na Igreja do Brasil?

Diria que a “cultura pentecostal” estava na “Terra de Santa Cruz” como brasa sob as cinzas. A pentecostalidade é uma marca característica do catolicismo popular. Como exemplo, basta citar a Festa do Divino. Quem é este “Divino”? É o Espírito Santo. Quando todos imaginavam que o Catolicismo Popular estava morto ele ressurgiu das cinzas soba diversas formas pentecostais… e não somente católicas. Mas não vamos canonizar apressadamente a cultura pentecostal popular. Há muita superstição e sincretismo. É preciso evangelizar esta cultura popular.

É colocada a existência de um antagonismo entre RCC e Teologia da Libertação. Porque isso ocorre, se ambos cultivam a oração e o trabalho social?

Existe uma diferença entre as duas formas de ser Igreja. Não diria antagonismo. Algumas linhas jornalísticas que primam pela exagerada simplificação costumam insistir neste binômio RCC x TdL. Acho simples demais. Não dá conta da realidade, que é mais complexa.

Como o sr. avalia a resistência e até a oposição de alguns setores da Igreja à RCC?

É saudável para a RCC. Vejo que onde ela recebe críticas, cresce mais consistente. Onde a RCC se torna a referência principal para a Igreja local, alguns problemas logo começam a aparecer. Mas não há dúvida que é doloroso ouvir críticas injustas, infundadas e que são pronunciadas em tom de sarcasmo. Isto não é cristão.

O Papa João Paulo II incentivou movimentos da Igreja como a RCC. Com o fim do pontificado dele como sr. vê a postura de Bento XVI em relação à Renovação?

Tive a oportunidade de participar da recente visita de Bento XVI a Portugal. No dia 13 de maio ele falou brevemente aos bispos daquele país. Um breve trecho de sua fala pode nos dar a idéia clara de como o atual papa se colocar diante do papel dos movimentos na Igreja. Permito-me citar literalmente, pois estas palavras respondem com muita precisão a pergunta feita: “ Confesso-vos a agradável surpresa que tive ao contactar com os movimentos e novas comunidades eclesiais. Observando-os, tive a alegria e a graça de ver como, num momento de fadiga da Igreja, num momento em que se falava de ‘inverno da Igreja’, o Espírito Santo criava uma nova primavera, fazendo despertar nos jovens e adultos a alegria de serem cristãos, de viverem na Igreja que é o Corpo vivo de Cristo. Graças aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conteúdo objetivo da fé, o fluxo vivo da sua tradição comunicam-se persuasivamente e são acolhidos como experiência pessoal, como adesão da liberdade ao evento presente de Cristo. Condição necessária, naturalmente, é que estas novas realidades queiram viver na Igreja comum, embora com espaços de algum modo reservados para a sua vida, de maneira que esta se torne depois fecunda para todos os outros. Os portadores de um carisma particular devem sentir-se fundamentalmente responsáveis pela comunhão, pela fé comum da Igreja e devem submeter-se à guia dos Pastores. São estes que devem garantir a eclesialidade dos movimentos. Os Pastores não são apenas pessoas que ocupam um cargo, mas eles próprios são carismáticos, são responsáveis pela abertura da Igreja à ação do Espírito Santo. Nós, Bispos, no sacramento, somos ungidos pelo Espírito Santo e, por conseguinte, o sacramento garante-nos também a abertura aos seus dons. Assim, por um lado, devemos sentir a responsabilidade de aceitar estes impulsos que são dons para a Igreja e lhe dão nova vitalidade, mas, por outro, devemos também ajudar os movimentos a encontrarem a estrada justa, com correções feitas com compreensão – aquela compreensão espiritual e humana que sabe unir guia, gratidão e uma certa abertura e disponibilidade para aceitar aprender.”

11 Comentários

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  6. Parabéns Padre. Excelente explicação! Com base e fundamento de um verdadeiro conhecedor. Fico feliz de lhe acompanhar e receber informações concretas a respeito de um movimento que gera tanta polêmica por causa dos que não sabem o verdadeiro sentido da RCC. Um grande Abraço,

    Alexandre Oliveira – Banda Adorarte – Paróquia Sagrado Coração de Jesus – Poços de Caldas

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  10. Parabéns excelente entrevista. Quero resaltar que foi com surgimento da RCC que começei a ler a palavra de Deus e começei a conhecer a história da igreja Católica.É uma grande benção a RCC na igreja Católica. Um abraço!

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  14. Padre, qual o endereço desse jornal?

  15. Padre, qual o endereço desse jornal na internet?

  16. Quando eu falei endereço, me refiro o da internet!

  17. Lucas Colferai

    Pe. Joãozinho,

    Parabéns pelas sábias palavras. O quê comentar? Apenas isso: irretocáveis. Qualquer outra coisa seria redundância.

    Grande abraço

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  24. Excelente entrevista.
    “Monopólio do Espírito Santo”? Não acredito que tem gente q fala isso, rs, tem que rir…
    A RCC foi crucial para a volta de muitos católicos à nossa Igreja, para uma vivencia real em Cristo.
    Eu por exemplo.
    Mas eu gosto da RCC e da Igreja tradicional tbém.
    Minha paróquia é super tradicional, e eu gosto mto de frequet-ala do jeito que é.
    Gosto de ir à CN e tbém gosto das missas do meu padre, que são ótimas, e tradicionais.

    Sua benção.

    ps- obrigada pelas orações ao pé de Nossa Senhora, Deus te ilumine.

  25. sábado, 22 de maio de 2010
    RC”C” – A fonte fictícia da juventude

    Pedro Henrique Maitan Pelogia

    Numa entrevista ao Jornal da Opinião de Belo Horizonte, Padre Joãozinho defende a RC”C” e superexalta o movimento arqueo-teológico que pretendeu resgatar as origens perdidas do Cristianismo “original”, quando seguramente São Paulo vendia DVDs de suas pregações, São Pedro comandava as raves da “cristotéca” e o Mago Simão dava show de acrobacias aéreas…

    http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2010/05/17/entrevista-sobre-a-rcc-para-o-jornal-de-opiniao-%E2%80%93-belo-horizonte/

    Destaco aqui os pontos que considerei os mais rocambolescos à luz do meu modesto conhecimento de Fé católica.

    A Renovação Carismática Católica, como é conhecida no Brasil, pretende um retorno às fontes da fé cristã, conforme sugeriu o Concílio Vaticano II.

    Este padre nada mais faz do que endossar a falsa acusação protestante de que a Igreja num certo momento da história deixou de ser conduzida pelo Espírito Santo – mais precisamente após Constantino declarar o cristianismo a religião oficial do Império – e que o aparecimento deste movimento irônicamente advindo do protestantismo veio levar de volta a Igreja ritualista e monárquica às suas “fontes genuínas”. Resta-nos saber se os “carismas” vendidos pela RC”C” são rigorosamente os mesmos carismas conferidos de modo direto pelo Espírito Paráclito às primeiras comunidades cristãs.

    Disse São Nilo Eremita no século V, em Profecia reconhecida pelo magistério da Igreja http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1037188&tid=5316472568433163421&start=1
    , que nos últimos séculos a inteligência dos pastores estaria de tal modo obscurecida que não saberiam distinguir o caminho à direita ou à esquerda. Pois bem: tal premonição parece ter caído como um raio na cabeça doutorada de Padre Joãozinho, que fantasticamente consegue adular a RC”C” e a TL ao mesmo tempo e inacreditávelmente ignorar as diferenças mastodônticas e os fins totalmente dispersos das duas correntes de pensamento que insistem em dizer-se católica, já que hoje tudo tornou-se católico, até mesmo as discotecas. É uma mistura de nausear:

    J.O. Podemos dizer que o movimento representa para os seguidores, um novo pentecostes?

    Pe. Joãozinho: Exatamente. Este foi um dos pedidos do Papa João XXIII ao anunciar a abertura do Concílio. Aliás, ele pediu que a Igreja vivesse um novo pentecostes e que fosse uma “Igreja dos pobres”. Poderíamos interpretar que as duas profecias do papa da bondade se realizaram. O novo pentecostes acontece intensamente nos nossos dias e é cuidadosamente cultivado na RCC.A Igreja dos pobres recebeu seu selo latino-americano a partir da Conferência de Medellín e, principalmente, de Puebla, em que ficou clássica a “opção preferencial pelos pobres”. As Comunidades Eclesiais de Base se tornaram um emblema desta cultura da solidariedade para com os pobres. A Teologia da Libertação procurou reler os velhos conteúdos da fé, a partir desta solidariedade com os excluídos. Temos aqui duas correntes carismáticas que formam as feições da Igreja no Brasil nestes últimos quarenta anos: a RCC e as CEBs. Ambas foram cuidadosamente reafirmadas na sua identidade na recente Conferência de Aparecida.

    Padre Joãozinho refere-se a um “novo pentecostes”, e penso ser a parte menos infeliz de sua entrevista, pois se é NOVO quer dizer que é inédito, e não o Pentecostes que fundou a Santa Igreja Católica.

    Já o Papa João Paulo II, de não tão saudosa memória para os tradicionalistas, havia condenado a Teologia da Libertação e definido este vício teológico como heresia que visa a introdução do comunismo na Fé. Mas a proibição do inesquecível “papa da paz” não é obstáculo para o Padre Joãozinho, que por si mesmo prova que só aceita do Magistério Petrino aquilo que lhe convém, como aliás todo o Clero e Episcopado brasileiro faz. Para o dr. Joãozinho o Papa não pode condenar parte da identidade da Igreja brasileira!

    Os padres da RC”C” que não sabem mais “evangelizar” atuando APENAS COMO padres e sustentam o esfarrapado pretexto de estarem evangelizando melhor sendo cantores, dançarinos, instrumentistas, galãs, surfistas, fazendo do sacerdócio um bico, possuem a conhecida mania tosca de adotarem apelidos diminutivos. Todavia, parece que padre Joãozinho não diminuiu apenas seu nome: diminuiu também a gravidade da crise que assola a Igreja; diminuiu os escândalos que causam a divisão dos católicos e diminuiu a ação do demônio neste caos criado por seus agentes.

    Assim como algumas imprecisões da Teologia da Libertação foram indicadas pela Santa Sé, na década de 1980.

    A Santa Sé não só indicou problemas na Teologia da Libertação, como condenou esta heresia marxistóide na Igreja, coisa que Padre Joãozinho omite aos leitores do Jornal da Opinião.

    Todos os Bispos brasileiros que visitaram o Vaticano ad limina entre 2009 e 2010 ouviram Bento XVI condenar a Teologia da Libertação que, sem sombra de dúvida, é a linha mestra de atuação da infeliz conferência episcopal tupiniquim.

    Para fundamentar o que digo, valho-me dos links da própria firma aonde trabalha o Padre Joãozinho:

    Papa condena TdL e Bispos repercutem: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=274901

    Por muitas vezes e de várias formas o Papa João Paulo II condenou a Teologia da Libertação: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/teologia-da-libertacao/

    Padre Joãozinho faz apologia a uma teologia oficialmente condenada por dois Chefes da Igreja, e ainda tem coragem de querer tirar o cisco do olho dos “cismáticos” tradicionalistas…

    Se toda a Igreja aderisse ao estilo da RCC, certamente haveria um empobrecimento.

    Que calma! Haveria uma debandada geral das ovelhas católicas para o matadouro dos lobos que são as seitas, e se a RC”C” comandasse geral a própria Igreja seria mais uma seita neopentecostal. Indisfarçadamente é este o objetivo da Renovação Carismática, que não leva este nome à toa: os carismas que a Santa Igreja entesourou em 2000 anos não são verdadeiros nem eternos para os modernistas neopentecostais, eles querem RENOVÁ-LOS, para que deixem de ser os carismas exercidos pela multidão de santos que conduziu a Santa Igreja através dos séculos.

    Em alguns lugares [onde se encontra a RC”C”] observa-se também a carência de formação litúrgica.

    Hilário! Dizer tal besteira equivale a um delegado da PF dizer que em alguns lugares do Brasil há consumo e tráfico de drogas!

    Onde se faz presente a RC”C” há abusos e deturpações litúrgicas, além de profanações eucarísticas da mais sacrílega espécie.

    Os carismáticos possuem um dom tão infalível em desmontar a liturgia que o próprio Monsenhor Bugnini duvidaria. Nem mesmo a liturgia compacta, insossa e dessacralizada que o Concílio Vaticano II bolou eles respeitam, fazendo de suas missas e celebrações nada mais que a festa do Rei Jesus, dum protocolo real tão burlesco e vexatório que o mais exótico rei terreno rejeitaria.

    Não pode haver seriedade litúrgica e tão pouco piedade nos meios carismáticos. O centro da Missa e da liturgia deles não é Nosso Senhor Jesus Cristo, mas o cantor, galã ou palestrante que comanda o evento e fala em seu próprio nome.

    A RCC vive a experiência da presença e ação do Espírito na Igreja e em cada cristão.

    Mas se a RC”C” crê que o Espírito Santo é seu garoto-propaganda, por que vive uma EXPERIÊNCIA de Sua Presença?

    A Igreja Católica e Apostólica vive por conhecimento certo e indiscutível a solene certeza da ação do Espírito Santo, e não uma mixa “experiência”, como se duvidasse da ação do mesmo Espírito Santo.

    A RC”C” se dá à experiência dos fiéis: muitos dos que experimentam este veneno morrem espiritualmente e vão sepultar-se na heresia.

    Os carismas dados pelo Espírito são como que ferramentas que tornam possível esta obra para além da pura eloqüência.

    Uma verdade, enfim! Os carismáticos, embora bastante loquazes, não dão muito valor à esse negócio de eloqüência e tampouco à qualidade da mesma: o “dom do blá-blá-blá”, milhares de anos-luz distante da glossolalia praticada no início da Igreja, é a mais consistente prova desta assertiva de padre Joãozinho.

    Os carismáticos não se preocupam muito com a qualidade doutrinal de sua eloquência, mas são generosos na quantidade da fala: a homilia é a parte mais importante da missa carismática, onde o sacerdote brinca de pastor pentecostal e prega até onde a livre inspiração desapegada da doutrina católica lhe der fôlego!

    O grande teólogo Yves Congar chegou a falar de um “setor livre”; um espaço eclesial onde o Espírito age independente das decisões da Igreja. Ele não pede ao bispo para suscitar uma nova congregação. Depois a Igreja vai discernir, mas a ação do Espírito é “absolutamente” livre.

    De outra feita, antes de fechar seu blogue da internet às críticas dos tradicionalistas, padre Joãozinho e seus asseclas nos perguntavam a que bispos estávamos ligados. Já aqui ele se baseia num teólogo ecumenista depressivo condenado por Pio XII (mas perito do Concílio Vaticano II!) para dizer que o Espírito Santo age fora das determinações da Igreja. Poderia dizer ao padre Joãozinho que dom Lefebvre sagrou 4 Bispos sem autorização de João Paulo II por ação independente do Espírito Santo, será que ele aceitaria à luz das idéias do cardeal Congar?

    Existe uma diferença entre as duas formas de ser Igreja [RC”C” e TL]. Não diria antagonismo.

    Diria o quê?

    Disse o Senhor Jesus que todo reino dividido contra si próprio ruiria. Como pode haver duas formas diferentes de “ser Igreja” se a Verdade é uma só e estas formas serem harmônicas entre si?

    Finalmente, perguntado sobre as críticas que a RC”C” recebe, o bom-mocismo declara:

    É saudável para a RCC. Vejo que onde ela recebe críticas, cresce mais consistente.

    Não aprovarei mais comentários [anti-RCC] desta natureza para poupar meus leitores da perda de tempo. O tempo é um dom precioso que Deus nos dá. Perdê-lo é pecado. Se você é adepto destas idéias cismáticas [tradicionalistas], procure seu próprio espaço virtual para divulgar suas idéias. Tenho dito!!! Ui, que medo!!!

    http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/09/07/decisao/
    E fechou-nos seu blogue, aberto somente “às mensagens plenas de doçura”, como versejou o professor Orlando Fedeli, que no magistral Duelo do Subsistit fez o doutor Joãozinho concluir que era tempo de calar e ensacar a viola. Mas Padre Joãozinho não se calou, não aprendeu com a surra retórica que apanhou diante dos internautas e continua repetindo suas besteiras desafinadas com a Fé católica nos meios de comunicação que ele tanto adora.

    Arrematando a entrevista Padre Joãozinho reproduz um discurso de saudação do Papa em Fátima, interpretando-o como uma fala entusiástica do Pontífice em relação à diversidade dos movimentos eclesiais modernos – a palavra “movimentos”, no plural, aparece várias vezes, por isso! Ao olhar de Padre Joãozinho, o Papa está saltitando de felicidade pela diversidade dos movimentos eclesiais, que tanto bem e tão bom serviço presta à Igreja pós-conciliar multitudinista, desesperada em conter os fiéis dentro de seus limites, sem no entanto empregar métodos eficazes para isto.

    Sei que é difícil, mas rezemos por padres assim.

    http://blog.missadesempre.com/2010/05/rcc-fonte-ficticia-da-juventude.html

  26. Sergio Souza

    Apenas algo a dizer para a nossa reflexão…

    Nulla accusatio sine probatione (não há acusação sem prova que a fundamente).

    Deus abençoe a todos!

  27. Caro Sr. João sem sobrenome e filho “espiritual” do Sr. Fedeli,

    Como é fácil encontrar um monfortista. Percebi nas primeiras linha o estilo e o suave veneno.

    Espero que o Sr. Fedeli esteja bem de saúde, pois receio muito o momento de sua morte. Um líder como ele costuma segurar o ímpeto de uma revolução, mas quando morre, seus seguidores, normalmente mais fanáticos, agem descontroladamente. Exemplo? Lutero.

    Tenho medo tbm de que este Sr. e seus seguidores Fedélicos baseados em alguma passagem bíblica, saiam por aí passando ao fio de espada, católicos não monfortistas.

    Apresento dois sites que falam a respeito de Orlando Fedeli.

    http://www.olavodecarvalho.org/textos/fedeli4.htm
    http://luterofedeli.wordpress.com/

    Se a Montfort tem esta hiperdolia pela sabedoria e acumula tanto, pq não faz um esforço de aproximação para ajudar e não para de destilar seu veneno?

    Bom, mas por outros lado é compreensível o fato de estarmos intelectualmente a favor de algo e querer defender o que acreditamos a todo custo. Na minha visão o demônio se aproveita, na verdade, deste ponto: Diante das diversas visões em certas questões, em quem acreditar?

    Fiquem todos com Deus,
    Danilo.

    Fique com Deus,
    Danilo.

  28. Pingback: Danilo Malt Ferreira

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