Em seu discurso aos bispos da Itália

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 1º de junho de 2010 (ZENIT.org). – A chave para compreender a crise atual na educação está em constatar que suas raízes residem numa concepção equivocada de autonomia do homem. Assim explicou o Papa Bento XVI aos bispos italianos, aos quais recebeu em audiência, por ocasião de sua 65ª Assembléia Plenária, na última quinta-feira.

O Papa dedicou um extenso discurso ao aprofundamento do tema – quem tem recebido grande atenção em seu pontificado.

Neste sentido, elogiou a o fato da Conferência Episcopal Italiana ter escolhido este tema para seu plano pastoral para os próximos dez anos.

Bento XVI convidou os prelados a irem “até que as raízes dessa emergência, para assim encontrar respostas adequadas a este desafio.”

O Papa apontou para as duas “causas profundas” da crise: em primeiro lugar, “uma falsa noção de autonomia do homem”; em segundo, o ceticismo e o relativismo.

Falsa autonomia

Para a pedagogia moderna, explicou o Papa, “o homem deveria se desenvolver por si mesmo, sem imposições por parte dos demais, aos quais competiria apenas dar suporte a seu auto-desenvolvimento, sem, no entanto, se envolver no processo.”

Esta noção, no entanto, é errônea, pois para a pessoa humana “é essencial o fato de que só logra ser ela própria a partir do outro, o ‘eu’ se converte em si próprio apenas mediante o ‘tu’ e o ‘vós’; é criado para o diálogo, para a comunhão sincrônica e diacrônica”, disse o Papa.

“Por isso, a assim chamada educação ‘antiautoritária’ não é educação, e sim renúncia a educar”, afirmou, destacando aí o ponto chave para abordar a questão: “esta idéia falsa de autonomia do homem como um ‘eu’ completo em si mesmo”.

A respeito da segunda causa – ceticismo e o relativismo – Bento XVI explicou que estas duas atitudes intelectuais estão fundamentadas “na exclusão das fontes que orientam o caminho humano”, a natureza e a Revelação.

A natureza é considerada hoje “como um sistema puramente mecânico”, da qual, enquanto ente, “não pode proceder orientação alguma”. A Revelação se considera como “um momento do processo histórico” e, portanto, relativo, algo “destituído de conteúdo.”

“Assim se calam as duas fontes, a natureza e a revelação, como também a terceira, a história, posto que também a história se converte em um aglomerado de decisões culturais, ocasionais e arbitrárias, que não valem para o presente nem o futuro”, prosseguiu.

Por isso, explicou o Pontífice, é fundamental “restabelecer uma concepção verdadeira da natureza como criação de Deus que nos fala”, e a Revelação, reconhecendo “que o livro da criação, no qual Deus nos dá orientações fundamentais, está decifrado na Revelação (…) aplicado na história cultural e religiosa, não sem erros, mas de maneira substancialmente válida, que continua a se desenvolver e purificar.”

“Em um tempo em que a grande tradição do passado corre o risco de se tornar letra morta, somos chamados a nos aproximar de cada um com disponibilidade sempre renovada, acompanhando no caminho de descoberta e assimilação pessoal da verdade”, destacou.

“Educar nunca foi tarefa fácil, mas não podemos nos resignar: estaríamos desvalorizando o mandato que o próprio Senhor nos confiou, chamando-nos a pastorear com amor seu rebanho”, afirmou o Papa.

Esta “paixão pela educação” deve ser uma “paixão do ‘eu’ pelo ‘tu’, pelo ‘nós’, por Deus, e que não se resume a uma didática, a um conjunto de técnicas nem tampouco na transmissão de princípios áridos”.

Neste sentido, concluiu exortando os bispos presentes a “não perderem a confiança nos jovens”, recorrendo a novos meios e novas linguagens, sem porém adulterar o anúncio cristão.

6 Comentários

  1. Pingback: Pe. Joãozinho, SCJ

  2. Pingback: Pe. Joãozinho, SCJ

  3. BOM DIA PADRE !! SUA BENÇÃO …A CANÇÃO NOVA ESTÁ DE PARABENS ..O SR ESTARÁ ABRILHANTANDO O FIM DE SEMANA POR LÁ !! NÃO VOU SAIR DE CASA POR TI!!!

  4. Pingback: Jorge Donizetti

  5. Pingback: helo costi

  6. Pingback: Twitter Trackbacks for Nova postagem no blog:: Princípios para enfrentar emergência educacional, segundo Bento VXI [cancaonova.com] on Topsy.com

  7. Pingback: Cenira Sarat

  8. Pingback: mioco gomes

  9. Padre Joãozinho a tua benção…desculpa de fazer a pergunta, estou querendo entender sobre evangelho do dia 04/06, referente ao repertório de música da Missa do Sagrado coração…li e reli…gostaria de tua ajuda sobre este evangelho…Obrigada…bjs no coração Admiravel que tenhs!!!

  10. Pingback: Amanda

  11. Pingback: anna

  12. A sua bênção,pe.João Carlos
    Vivenciamos sérios problemas educacionais no país desde às políticas educacionais equivocadas elaboradas pelas autoridades em seu sentido mais amplo até o aspecto doutrinário…
    Educação começa em casa,logo a família é a primeira educadora,
    valores religiosos,respeito ao próximo,às diferenças,enfim se aprende em casa num primeiro momento…a escola complementa…
    A escola não pode e nem deve assumir o papel da família…
    Já dizia o filósofo que do encontro do “eu” com o “tu” forma-se o “nós”,mas saliento que desse encontro a individualidade deve
    ser preservada,somos seres únicos criados por Deus,cada qual com suas aptidões,características,especificidades…
    Respeitar a individualidade é condição primeira para que o processo educativo aconteça e se assim não fosse as escolas seriam extremamente excludentes,o que contraria os princípios básicos educacionais…
    Já dizia o poeta que “novidade em Literatura costuma vir envolta
    em naftalina”…aprende-se com o passado… serve como espelho para que os erros cometidos não se repitam…
    entretanto,o contexto não se repete…
    Hohe,faz-se necessário uma nova forma de se educar…mas para que
    isso realmente tenha eficácia há de ter comprometimento real das autoridades,investimento em todos os níveis…
    A família,voltar a assumir as suas responsabilidades…
    E os profissionais envolvidos,valorizados e respeitados pela sociedade,autoestima elevada,cumprirem a missão confiada por Deus…
    A paz em vossos corações……….

  13. Boa noite…
    Acabei de fazer um comentário…ele “sumiu”…
    O que aconteceu?

    Os comentários não são aprovados em tempo real…
    P. Joãozinho, scj

  14. Fiz um comentário agora…não está aqui…O que aconteceu?
    A paz……………

  15. Boa noite,pe.João Carlos
    Devo ter esquecido de preencher o nome e o e-mail nos comentários acima,que situação…para quem não sabe o número do celular “de cabeça” é normal…
    Os comentários são meus…não sou anônima.
    Uma noite abençoada para todos……….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.