SÉTIMA PROMESSA

“As almas tíbias se tornarão fervorosas.”

Tibieza… Esta palavra já caiu quase em desuso. Mas, infelizmente o que ela significa está muito presente no meio de nós. É uma frieza espiritual. Uma falta de motivações mais profundas. Um desinteresse pelas coisas do alto. Normalmente o “tíbio” é um cristão praticante. Vai à missa. Reza. Comunga. Mas não sente o sabor do Pão da Vida. Não sente o afeto de Deus. Está frio.

Existem muitos motivos para se cair na tibieza. Um deles é viver constantemente na beira do abismo. Existem pessoas que fazem a seguinte pergunta: “até onde posso pecar levemente, sem o risco de ir para o inferno?” De pecadinho em pecadinho vamos cavando nossa própria sepultura. É claro que existem os pecados veniais e os pecados mortais. Os veniais seriam buracos em uma estrada que me leva para a cidade no alto da serra. Os mortais seriam a queda de uma barreira que impede totalmente a passagem. Mas se deixarmos a estrada sem reparos a chuva vai acabar aumentando o tamanho dos buracos e um dia acabamos sendo surpreendidos por aquela placa indesejada: trânsito impedido!!!

O fervor espiritual é para quem exercita-se na graça de Deus. O Coração de Jesus é uma “fornalha ardente de caridade” e de misericórdia. Na confissão Deus repara nossos caminhos e nos faz andar com mais determinação, alegria e consolo. Não vamos esquecer que depois do perdão dado ao seu Filho Pródigo, o Pai não economizou na festa. E havia música e danças. O céu deve ser um lugar bastante animado. Por outro lado, o filho mais velho não quis entrar no baile. Ficou lá fora curtindo o seu mau humor e reclamando. Isto é tibieza. É ouvir as músicas de uma festa e não entrar. É saber que alguém está de aniversário e não dar um abraço. É economizar o sorriso, o cuidado, a gentileza. É cultivar o amargor e a indiferença.

Mas a pior tibieza talvez nem seja a do pecador, mas a do indiferente. Existem pessoas que vivem tão próximas de Deus que já nem sentem mais sua presença. É o caso daquele ministro da Eucaristia (ou padre!) que perdeu o gosto pela Eucaristia. Tornou-se um funcionário do Sagrado. Já não consegue se maravilhar com a graça de Deus. Vive num inverno (ou seria inferno?). A tibieza é uma doença espiritual. O remédio é a espiritualidade e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Olhando para a imagem que temos em nossas casas vejo aquele coração pegando fogo e me pergunto: meu coração está quente ou frio? E sinto que o senhor repete para mim a advertência feita na Bíblia: O morno Ele cospe de sua boca (Ap 3,15). O tíbio é alguém morno. Neste novo milênio precisamos de cristãos quentes. Gente com fogo no coração que tenha a coragem de anunciar e defender a Vida, com “renovado ardor missionário”. E não vamos esquecer que este fogo é o mesmo que acendeu os apóstolos no dia de Pentecostes: É o fogo do Espírito Santo. Com este dom do Coração de Jesus não há lugar para a tibieza.

2 Comentários

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  2. olga amorim

    Bom dia padre.
    Sei bem do que o senhor está falando. Durante muito tempo fui este cristão morno, tenho aprendido dia a dia a ser fervorosa. É um caminhar constante , saiba que suas palavras tem aquecido muito meu coração e vem me tornando um ser humano melhor.
    Sua palestra na Canção Nova mostrou o quanto o seu coração de padre está em chamas, continue sempre asssim. Deus o abençoe e que o Sagrado Coração de Jesus seja seu abrigo constante.

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  9. Joel Xavier

    Faleceu hoje, vítima de ataque cardíaco, o Professor Orlando Fedeli.

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