DÉCIMA SEGUNDA PROMESSA – A GRANDE PROMESSA

“O amor todo-poderoso do meu coração concederá a graça da perseverança final a todos os que comungarem na 1ª Sexta-feira do mês, por nove meses seguidos.”

Chegamos à ultima promessa desta coleção inspirada a Santa Margarida Maria. Certamente haveriam muitas outras promessas. Para descobrí-las bastaria folhear as páginas das Bíblia ou da História. Como não lembrar a promessa feita ao Profeta Ezequiel: “Eis que vos darei um novo coração”( ). Ao longo do seu caminho Jesus prometeu vida em plenitude, o Pão que alimenta a alma, a Agua Viva, a cura do corpo e do coração, a justiça, a fraternidade, o perdão… daria assunto para mais alguns livros.

A décima segunda promessa é também conhecida como “A Grande Promessa”. Muitos até ignoram as outras onze. Seria no mínimo imprudente falar desta promessa sem ter falado das outras. É mais ou menos como entrar no meio de uma conversa. Corremos o risco de entender tudo errado, ou de modo incompleto. Assim muitas pessoas ao tomarem conhecimento da “grande promessa” a entendem de modo mágico, mecânico e automático. Não é nada disso. Esta promessa é uma pedagogia de conversão. É uma escola de salvação. É um exercício eficaz de mudança radical de vida.

Dito isso, então vejamos o texto completo da promessa inspirada à Santa Margarida Maria: “Eu te prometo, na excessiva misericórdia de meu Coração, que meu amor onipotente concederá a todos os que comungarem durante nove primeiras sextas-feiras do mês seguidas a graça da penitência final: não hão de morrer em minha desgraça, nem sem receber os sacramentos, servindo-lhes meu Coração de asilo seguro naquela última hora”. Esta promessa foi feita numa sexta-feira de maio de 1688 durante a comunhão, na missa. A graça prometida é a mesma que pedimos cada vez que rezamos a ave-maria: rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Sabemos que é uma graça muito grande receber o sacramento da unção dos enfermos nos momentos finais da vida. Tenho acompanhado algumas pessoas neste momento. Posso testemunhar que a certeza do céu transforma toda dor em alegria.

Os devotos do Coração de Jesus têm esta garantia. Não morrerão sem o auxílio da misericórdia divina. Como será este auxílio não podemos prever. Deus tem seus caminhos. Ordinariamente deveria ser o sacramento da unção dos enfermos e talvez até de uma boa confissão. Mas e no caso de uma morte inesperada? E era um grande devoto do Coração de Jesus. Tinha feito as nove sextas-feiras. O Senhor saberá muito bem como cumprir sua promessa. É claro que este auxílio final não anula a nossa liberdade. Na hora H podemos dizer sim, ou não. A promessa não elimina o nosso livre arbítrio. Mas podemos ter a certeza de que haverá um olhar fixo em nossos olhos dizendo: deixa teus pecados e vem! Só teremos que dar este último passo. É claro que se não nos exercitamos neste caminho durante toda a vida, na hora final podem faltar forças. O atleta vitorioso se constrói no exercício cotidiano, escondido e perseverante.

É neste sentido que as condições da grande promessa na verdade são um exercício de conversão. O devoto deverá comungar durante nove primeiras sextas-feiras seguidas. Se faltar uma deverá começar novamente. Não bastam oito nem precisam ser dez. A comunhão deve ser feita em estado de graça. Para isso será útil fazer uma boa confissão antes de comungar. Deveremos receber a Eucaristia com a intenção de cumprir a novena e de honrar o Sagrado Coração de Jesus. Uma última condição importante é o propósito de perseverar. Se alguém pensasse assim: – “Vou fazer as nove primeiras sextas-feiras, depois posso pecar a vontade”. Naturalmente esta novena seria inválida.

Existem pessoas que se afastaram da Eucaristia. Vão de vez em quando a missa. Já não conseguem se sentir membros da comunidade. Talvez nem saibam nome do padre da paróquia. Olham ao seu redor na igreja e não reconhecem ninguém. São os tais “católicos não praticantes”. E como existem destes católicos por aí!!! É gente que só entra na igreja carregado: no dia do batismo, nos braços da madrinha ou da mãe; no dia do casamento, levada pelo pai; no dia da morte… carregado pelos amigos. Como mudar esta situação? Não basta ir de vez enquando na igreja. Não é suficiente rezar de joelhos ao pé da cama. Um livro não vai ser o bastante. É preciso um exercício constante. Por isso o Coração de Jesus nos pede nove meses de intensa vida eucarística. É justamente o tempo que leva para uma criança nascer. Será o tempo necessário para nascer em você um homem novo, uma mulher renovada. Somos todos atletas em preparação para a grande Olimpíada do Reino, onde a medalha de ouro é a salvação. Nove meses é o tempo mínimo de exercício para recuperar a forma.

Sabe, estou lembrando agora do conselho de minha médica. Apareci por lá com o colesterol um pouco elevado. Ela me disse que preciso abandonar a vida sedentária e começar a fazer caminhadas diárias de pelo menos 40 minutos. Tentei argumentar dizendo que tinha um livro muito interessante para escrever, e caminhando poderia perder algum tempo. Ela me olhou profundamente e disse: – “Padre, quantos livros o senhor ainda pretende escrever em sua vida?” Respondi imediatamente: “Muitos, tenho muitas idéias”. Então ela encerrou a conversa: – “Então comece a caminhar…” Entendi a mensagem. Por isso quero fazer um trato com você que termina a leitura destas páginas. Nem vou escrever a conclusão. Vou caminhar. E você vai procurar um padre, fazer sua confissão e começar as nove sextas-feiras. Nos encontramos no céu!.

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