Mensagem do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

SÃO PAULO, terça-feira, 6 de junho de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos a mensagem do Regional Sul 1 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), divulgada ao final de sua assembleia plenária, dia 1º de julho. O texto fala sobre as eleições deste ano no país.

VOTAR BEM

Os Bispos Católicos do Regional Sul 1, da CNBB (Estado de São Paulo), no cumprimento de sua missão pastoral, oferecem as seguintes orientações aos seus fiéis para a participação consciente e responsável no processo político-eleitoral deste ano:

1. O poder político emana do povo. Votar é um exercício importante de cidadania, por isso, não deixe de participar das eleições e de exercer bem este poder. Lembre-se que seu voto contribui para definir a vida política do País e do nosso Estado.

2. O exercício do poder é um serviço ao povo. Verifique se os candidatos estão comprometidos com as grandes questões que requerem ações decididas dos governantes e legisladores: a superação da pobreza, a promoção de uma economia voltada para a criação de postos de trabalho e melhor distribuição da renda, educação de qualidade para todos, saúde, moradia, saneamento básico, respeito à vida e defesa do meio ambiente.

3. Governar é promover o bem comum. Veja se os candidatos e seus partidos estão comprometidos com a justiça e a solidariedade social, a segurança pública, a superação da violência, a justiça no campo, a dignidade da pessoa, os direitos humanos, a cultura da paz e o respeito pleno pela vida humana desde a concepção até à morte natural. São valores fundamentais irrenunciáveis para o convívio social. Isso também supõe o reconhecimento à legítima posse de bens e à dimensão social da propriedade.

4. O bom governante governa para todos. Observe se os candidatos representam apenas o interesse de um grupo específico ou se pretendem promover políticas que beneficiem a sociedade como um todo, levando em conta, especialmente, as camadas sociais mais frágeis e necessitadas da atenção do Poder público.

5. O homem público deve ter idoneidade moral. Dê seu voto apenas a candidatos com “ficha limpa”, dignos de confiança, capazes de governar com prudência e equidade e de fazer leis boas e justas para o convívio social.

6. Voto não é mercadoria. Fique atento à prática da corrupção eleitoral, ao abuso do poder econômico, à compra de votos e ao uso indevido da máquina administrativa na campanha eleitoral. Fatos como esses devem ser denunciados imediatamente, com testemunhas, às autoridades competentes. Questione também se os candidatos estão dispostos a administrar ou legislar de forma transparente, aceitando mecanismos de controle por parte da sociedade. Candidatos com um histórico de corrupção ou má gestão dos recursos públicos não devem receber nosso apoio nas eleições.

7. Voto consciente não é troca de favores, mas uma escolha livre. Procure conhecer os candidatos, sua história pessoal, suas idéias e as propostas defendidas por eles e os partidos aos quais estão filiados. Vote em candidatos que representem e defendam, depois de eleitos, as convicções que você também defende.

8. A religião pertence à identidade de um povo. Vote em candidatos que respeitem a liberdade de consciência, as convicções religiosas dos cidadãos, seus símbolos religiosos e a livre manifestação de sua fé.

9. A Família é um patrimônio da humanidade e um bem insubstituível para a pessoa. Ajude a promover, com seu voto, a proteção da família contra todas as ameaças à sua missão e identidade natural. A sociedade que descuida da família destrói as próprias bases.

10. Votar é importante, mas ainda não é tudo. Acompanhe, depois das eleições, as ações e decisões políticas e administrativas dos governantes e parlamentares, para cobrar deles a coerência para com as promessas de campanha e apoiar as decisões acertadas.

Aparecida, 29 de junho de 2010

Dom Nelson Westrupp – presidente do CONSER

Dom Benedito Beni dos Santos – vice-presidente

Dom Airton José dos Santos – secretário-geral

Prelados espanhóis e portugueses reunidos em Málaga

MÁLAGA, terça-feira, 6 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Reunidos em Málaga para debater o tema “Igreja e as novas tecnologias de comunicação”, bispos espanhóis e portugueses partilharam suas reflexões e agradeceram pelo que já foi alcançado no que se refere à inserção da Igreja na “cultura digital”.

As Comissões Episcopais de Comunicação Social de Portugal e Espanha, com a presença do presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli, estiveram reunidas entre os dias 28 e 30 de junho na cidade espanhola, ocasião em que analisaram o impacto das novas tecnologias de comunicação na missão pastoral.

Em um comunicado conjunto divulgado ao final do encontro, os bispos iniciam agradecendo a Deus pelos frutos da recente visita apostólica de Bento XVI a Portugal, “em especial seu chamado a uma evangelização mais profunda em nossa sociedade, que tem no âmbito da cultura e da comunicação um de seus desafios mais importantes”.

A ação de graças se estende “à cordial acolhida dos ensinamentos pontifícios, e ao correto tratamento a estes conferido pelos veículos de comunicação”.

Nesta linha, fazem votos para que as anunciadas visitas apostólicas de Bento XVI à Espanha – previstas para novembro deste ano a Santiago, e a Barcelona em agosto de 2011, ocasião da Jornada Mundial da Juventude, “se realizem no mesmo espírito”.

Para atingir o objetivo de fazer com que, segundo as palavras do Papa Paulo VI, a Igreja possa “entrar em diálogo com o mundo em que vive”, para assim “se fazer palavra, se converter em mensagem”, os prelados destacam a importância de “unir esforços com os homens e mulheres que fazem destas novas tecnologias seu meio de vida e de relacionamento pessoal e social”.

Neste contexto, expressam seu “desejo de levar a cabo a missão evangelizadora da Igreja no cenário do mundo digital”, o qual consideram “uma oportunidade”, com a qual devem se envolver com maior profundidade “os sacerdotes, religiosos e leigos, educadores e catequistas, particularmente os mais jovens”, colocando assim, “com criatividade e audácia apostólicas”, as novas tecnologias “a serviço do anúncio de Jesus Cristo”.

“A evangelização da cultura atual – afirmam – essencialmente midiática, passa pela necessária exigência, a qual não basta responder apenas com elogiosas considerações teóricas acerca dos meios de comunicação (…), mas também com projetos e realizações”.

“As novas tecnologias – acrescentam – não apenas oferecem à Igreja grandes vantagens no que se refere a uma melhor gestão pastoral, como também constituem meios privilegiados” para seu ministério, sem que se deixe de valorizar “o encontro pessoal, familiar e comunitário”. “Assim se favorece a comunhão eclesial e se promovem novos modos de relacionamento com todos aqueles que buscam um sentido transcendente para suas vidas, no desejo pela verdade e pela realização do bem”.

Exortam ainda pais e educadores a “guiarem os mais jovens no uso correto das novas tecnologias, particularmente a internet, a fim de que sejam benéficas para a pessoa e a sociedade, favorecendo a busca pela Verdade, pelo Bem e pela Beleza”.

Cientes de que o mundo digital não pode constituir um espaço alheio às responsabilidades éticas e morais, os prelados destacam a necessidade de “se proteger os menores de conteúdos e condutas ofensivos à dignidade humana”.

“Diante da crise econômica atual – concluem -, que tanto afeta os setores mais desfavorecidos da sociedade e cuja origem não reside tão somente em causas econômicas, mas na debilitação dos valores morais, os meios de comunicação são chamados a favorecer a solidariedade, promovendo assim o bem comum”.

121 milhões de católicos a mais no mundo entre 2000 e 2008
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 27 de abril de 2010 (ZENIT.org).- Está sendo apresentado nestes dias o Anuário Estatístico da Igreja, publicado pela Livraria Editora Vaticana, segundo recordou hoje a Sala de Imprensa da Santa Sé.Entre os aspectos recolhidos nesta última edição, com dados de 2008, encontra-se um aumento no número de católicos no mundo, levemente superior ao do resto da população.

“O número de católicos batizados passou de 1 bilhão e 45 milhões no ano 2000 a 1 bilhão e 166 milhões em 2008, (…) com um crescimento em termos percentuais de 11,54, um pouco superior ao crescimento da população mundial, que é de 10,77”, indica o comunicado.

O catolicismo cresce de maneira diferenciada nos diversos continentes. A África é o continente com maiores números, chegando a um incremento de 33,02% entre 2000 e 2008.

No extremo oposto, na Europa, manifesta-se uma situação de prática estabilidade (1,17%), enquanto na Ásia o número de católicos cresce 15,61%; na Oceania, 11,39%; e na América, 10,93%.

Com relação ao número de católicos comparado ao de habitantes, observa-se que na Ásia há 3 católicos por cada 100 habitantes, enquanto na América há 63.

O número de bispos passou de 4.541 em 2000 a 5.002 em 2008, com um aumento relativo superior a 10%.

Neste sentido, conseguiu-se uma “melhor e mais harmônica distribuição de bispos nas realidades continentais”, assim como “um significativo equilíbrio quantitativo entre sacerdotes e bispos, com o passar do tempo”, segundo a Santa Sé.

Por outro lado, o número de sacerdotes aumentou nos últimos 9 anos: de 405.178 em 2000 a 409.166 em 2008.

Segundo sua distribuição, 47,1% dos sacerdotes do mundo está na Europa; 30% na América; 13,2% na Ásia; 8,7% na África; e 1,2% na Oceania.

Da combinação de variáveis demográficas, observa-se o aumento do número de católicos por sacerdote: de 2.579 católicos por sacerdote em 2000 a 2.849 em 2008.

Os diáconos permanentes passaram de 28.000 a 37.000 (uma variação relativa de 33,7%).

Também aumenta o número de seminaristas: de 115.919 em 2007 a 117.024 em 2008. O aumento ocorreu na África (3,6%), Ásia (4,4%) e Oceania (6,5%), enquanto na Europa diminuíram os candidatos ao sacerdócio (menos 4,3%).

O novo número indica que as religiosas professas são hoje 739.067, enquanto em 2000 eram 801.185 (uma diminuição de 7,8% ).

O Anuário 2010 foi apresentado a Bento XVI o último dia 20 de fevereiro (cf. Zenit, 21 de fevereiro de 2010).

A Igreja deve percorrer os caminhos do continente digital
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 27 de abril de 2010 (ZENIT.org).- “Eu vos exorto a percorrer, incentivados pelo valor do Espírito Santo, os caminhos do continente digital”: estas foram as palavras do Papa Bento XVI no último sábado, aos participantes do Congresso Nacional “Testemunhas digitais. Rostos e linguagens na era dacrossmedia“, promovido pela Conferência Episcopal Italiana.”Nossa confiança não está acriticamente depositada em instrumento algum da tecnologia – afirmou o Pontífice. Nossa força está em ser Igreja, comunidade crente, capaz de testemunhar a todos a perene novidade do Ressuscitado, com uma vida que floresce em plenitude na medida em que se abre, entra em relação, doa-se com gratuidade.”

Reconhecendo como as fronteiras da comunicação se ampliaram, o Papa afirma que a rede manifesta “uma vocação aberta, tendencialmente igualitária e pluralista”, mas ao mesmo tempo “abre uma nova brecha” que hoje se chama “brecha digital”.

Isso aumenta também “os perigos da homologação e de controle, de relativismo intelectual e moral, já bem identificáveis na flexão do espírito crítico, na verdade reduzida ao jogo das opiniões, nas múltiplas formas de degrado e de humilhação íntima da pessoa”, uma autêntica “contaminação do espírito”.

Diante disso, os cristãos devem “reconhecer os rostos, superar aquelas dinâmicas coletivas que levam a perder a percepção da profundidade das pessoas, ficando na mera superfície”, e que transformam as pessoas em “corpos sem alma, objetos de troca e de consumo”.

É necessário voltar a contemplar o rosto de cada pessoa, explicou o Papa.

“Os meios de comunicação podem tornar-se fatores de humanização, não só quando, graças ao desenvolvimento tecnológico, oferecem maiores possibilidades de comunicação e informação, mas sobretudo quando estão organizados e orientados à luz de uma imagem da pessoa e do bem comum que respeitam as suas valências universais”, afirmou.

Somente nessas condições “a mudança de época que estamos atravessando pode se mostrar rica e fecunda em novas oportunidades”.

Missão digital

Neste sentido, o Papa sublinhou que a Igreja tem uma importante missão neste campo e que deve adentrar-se “no mar digital, enfrentando a navegação que se abre com a mesma paixão que há dois mil governa a barca da Igreja”.

“Mais do que pelos recursos técnicos – aliás, necessários -, queremos distinguir-nos habitando este universo com um coração crente, que contribua para dar uma alma ao ininterrupto fluxo comunicativo da rede.”

Cada cristão que trabalha nos meios de comunicação, explicou, tem a missão de “abrir o caminho a novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contato humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais”.

É preciso “oferecer aos homens que vivem este tempo digital os sinais necessários para reconhecer o Senhor”, acrescentou o Papa.

Para concluir, incentivou os profissionais da comunicação a cultivar a “paixão pelo ser humano”, para a qual pode colaborar “uma sólida preparação teológica e sobretudo uma profunda e alegre ‘paixão por Deus’, alimentada no contínuo diálogo com o Senhor”.

Não lembro quando estive nesta cidade pela última vez. É possível que tenha sido há mais de dez anos. Morei em Terra Boa, no norte do Paraná, nos anos 1987-1988. Era ainda religioso de votos temporários. Fui formador dos seminaristas de 6ª a 8ª série. Era professor de música, ciências, história e OSPB… os mais “velhos” irão lembrar desta disciplina. Alguns anos mais tarde trabalharia aqui, nas mesmas condições, o hoje Pe. Fábio de Melo. Também ficou dois anos aqui.

Hoje retorno a esta casa para pregar um retiro para os colegas padres desta região. O tema deste retiro é “O amor de Cristo nos impulsiona” (Caritas Chriti urget nos), frase lapidar do Apóstolo Paulo em sua segunda carta à comunidade de Corinto (5,14).

A PTWF descobre duas mensagens do cardeal Pacelli antes da guerra

NOVA YORK, segunda-feira, 5 de julho de 2010 (ZENIT.org) – A Pave the Way Foundation (PTWF) anunciou o descobrimento de documentos vaticanos de grande importância.

Gary Krupp, presidente da Fundação, afirmou que, “ao buscar cumprir nossa missão de encontrar e eliminar os obstáculos não-teológicos entre as religiões, identificamos no pontificado do Papa Pio XII um período que teve um impacto negativo sobre mais de um bilhão de pessoas. A PTWF empreendeu um projeto de recuperação de documentos e possíveis testemunhas oculares para trazer a verdade à luz”.

“Até agora, temos mais de 40 mil páginas de documentos, vídeos de testemunhas oculares e artigos em nosso website (www.ptwf.org) para ajudar os historiadores a investigar este período.”

O historiador e representante da PTWF na Alemanha, Michael Hesemann, visitou regularmente o Arquivo Secreto vaticano aberto recentemente e continua realizando descobertas significativas. Seu último estudo dos documentos originais publicados anteriormente revela ações secretas para salvar milhões de judeus desde 1938, três semanas depois da Noite dos Cristais.

O cardeal Eugenio Pacelli (futuro Papa Pio XII) enviou um telex para as Nunciaturas e para as Delegações Apostólicas e uma carta para 61 arcebispos do mundo católico pedindo 200 mil vistos para “cristãos não-arianos” três semanas depois da Noite dos Cristais. Mandou também outra carta datada de 9 de janeiro de 1939.

Michael Hesemann declara que “o fato de que nesta carta se fale de ‘judeus convertidos’ e ‘cristãos não-arianos’ parece ser uma cobertura. Não se podia estar seguro de que os agentes nazistas não saberiam da iniciativa”.

“Pacelli devia garantir que não iriam fazer uso equivocado de sua propaganda, que não pudessem declarar que ‘a Igreja era um aliado dos judeus'”, acrescentou.

A Concordata de 1933 firmada com a Alemanha garantia que os judeus convertidos teriam sido tratados como cristãos, e utilizariam esta posição legal que a permitiria Pacelli ajudar os ‘católicos não-arianos'”.

Uma prova do fato de que não se estava referindo somente aos ‘judeus convertidos’ é evidente quando Pacelli pede que os arcebispos se preocupem com “garantir seu bem-estar espiritual e de defender seu culto religioso, seus costumes e suas tradições”.

Outro indício de tentativa real das petições do Vaticano deriva das respostas originais dos bispos e dos núncios à petição de Pacelli. Os prelados se referiam frequentemente aos “judeus perseguidos”, não aos “judeus convertidos” ou “católicos não-arianos”.

“Ainda que seja amplamente reconhecida pelos historiadores a intercessão de Pacelli para salvar milhões de ‘judeus convertidos’, muitos baseiam suas conclusões na rápida leitura de cartas e documentos vaticanos”, observa a Pave the Way.

“Dado que muitos dos críticos deste pontificado ainda não aceitaram a direta e provada ameaça nazista contra o Estado Vaticano e a vida do Papa Pio XII, parecem não compreender que era necessário usar subterfúgios, dado que eram enviadas somente diretivas criptografadas ou verbais.”

“Em muitos casos, os historiadores ignoram a linguagem vaticana, que às vezes usa o latim para expressar o significado oculto destas petições.”

“A PTWF continuará difundindo os documentos enquanto for possível, porque tudo o que descobrimos até agora parece indicar que a difundida percepção negativa do Papa Pio XII é errônea”, afirmou Elliot Hershberg, presidente do Conselho de Administração da Pave the Way Foundation.

“Acreditamos também que muitos judeus que conseguiram abandonar a Europa podem não ter nem ideia do fato de que seus vistos e documentos de viagem foram obtidos por meio destes esforços vaticanos.”

O professor Ronald Rychlak, conhecido investigador e autor do livro “Hitler, the War and the Pope”, afirmou que os documentos provam que “os esforços que parecem estar dirigidos em defender somente os judeus convertidos, na realidade defendiam todos os judeus, independentemente do fato de estarem convertidos ou não”.

Para Matteo Luigi Napolitano, professor de História das Relações Internacionais, as instruções de Eugenio Pacelli na carta de 9 de janeiro de 1939 não deixam dúvida sobre as intenções da Santa Sé e do futuro pontífice.

“Não se empenhar em salvar somente os judeus – diz a carta -, mas também sinagogas, centros culturais e tudo o que pertencia à sua fé.”