Comunidade política está essencialmente a serviço da sociedade civil, diz arcebispo
BELO HORIZONTE, segunda-feira, 26 de julho de 2010 (ZENIT.org) – As prioridades dos governos e suas instituições “devem ser definidas a partir das necessidades que se patenteiam no tecido da sociedade civil”; nesse sentido, a opção preferencial pelos pobres deve receber atenção determinante da comunidade política.É o que afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo enviado a ZENIT na sexta-feira.

Segundo o arcebispo, a opção preferencial pelos pobres “não pode se dar apenas no âmbito das razões e práticas religiosas como o faz e se deixa permanentemente desafiar a Igreja Católica”.

“Esta opção preferencial pelos pobres tem que ser determinante no horizonte dos governos para definir suas prioridades.”

“Governos, com suas instâncias todas, servidores na sociedade civil têm a enorme tarefa de propor mudanças de estilos de vida que substituam aqueles contrários à natureza e à dignidade do ser humano como a cultura atual alimenta e se deixa fascinar por eles”, afirma.

Para Dom Walmor, “a idolatria do poder, da riqueza e do prazer efêmero precisam ter um forte contraponto na organização social como norma máxima de funcionamento, de tal maneira que nada esteja acima do valor da pessoa”.

Nessa direção – prossegue o arcebispo –, “a consideração dos pobres é determinante na definição de prioridades. Basta levar em conta a sua condição social – ferida que revela a desconsideração de sua dignidade, a falta de moradia, trabalho, oportunidades, educação, saúde”.

“A discussão dos programas de governo apresentados pelos candidatos deve merecer especial atenção de todos nas eleições deste ano”, indica.

Segundo o arcebispo, apesar do “desenvolvimento e aumento de riquezas na sociedade brasileira, a luta contra a pobreza permanece como um desafio”.

Os programas de governo devem ser capazes de enfrentar, “com inteligência e sensibilidade, problemas gravíssimos como o déficit habitacional, a real qualificação da educação, oferecendo oportunidades mais ampliadas, entre outros itens que favoreçam a mudança deste cenário vergonhoso desenhado pelas feições sociais da miséria”.

“A realidade cultural e as condições favoráveis da sociedade civil precisam contar com homens e mulheres que, na comunidade política, definam suas prioridades de governo a partir deste desafio que a condição dos mais pobres está exigindo e urgindo, para associá-los aos que gozam de condições adequadas à dignidade humana”, afirma o arcebispo.

(Alexandre Ribeiro)

Evangelho segundo S. Mateus 13,36-43.

Afastando-se, então, das multidões, Jesus foi para casa. E os seus discípulos, aproximando-se dele, disseram-lhe: «Explica-nos a parábola do joio no campo.» Ele, respondendo, disse-lhes: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem; o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do Reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que a semeou é o diabo; a ceifa é o fim do mundo e os ceifeiros são os anjos. Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, oiça!»