Olhos fixos naquele apertado e longo túnel que leva até o coração da terra aonde estavam os mineiros presos a mais de 40 dias. Tempo longo. Um dia já seria demais. Toda a tecnologia e inteligência foi utilizada neste resgate histórico, no deserto do Atacama, no Chile. O que mais me impressionou, porém, foi a coragem do primeiro resgatista que entrou na cápsula para descer até aonde estavam os mineiros soterrados. Uma coisa é ser surpreendido no meio de um dia de trabalho por uma avalanche e ficar preso a quase um quilômetro abaixo da terra. Dezessete dias sem comunicação, é algo somente imaginável para quem passou. Mas coloque-se no lugar de alguém que hoje está jantando com sua mulher e filhos, sabendo que amanhã vai entrar terra abaixo para prestar sua solidariedade e preparar os mineiros para o resgate. Por mais seguros que sejam os procedimentos, aquele homem sabia muito bem que nenhum humano havia testado ainda aqueles equipamentos inventados especialmente para a ocasião. Que valores e convicções motivam este homem a arriscar a própria vida para salvar a dos companheiros? Esta atitude me faz entender melhor o Coração de Jesus que, sendo Deus, não se apegou à sua divindade, mas esvaziou-se de si mesmo e desceu até nós… para resgatar!!! (cf. Filipenses 2,5-11).

Palestra do Pe. Lang na Academia Urbana das Artes de Roma
ROMA, segunda-feira, 11 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – O canto gregoriano é a chave para a renovação da música sacra.

Esta é a conclusão da conferência que o Pe. Uwe Michael Lang, consultor da Secretaria de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, pronunciou na semana passada na Academia Urbana das Belas Artes, em Roma.

Na primeira sessão do ano acadêmico 2010-2011 do seminário superior “As razões da arte”, o Padre Lang explicou que “a carta encíclica Annus qui de 1749 é o pronunciamento papal mais importante sobre a música sacra, antes do motu proprio Tra le sollecitudini de São Pio X em 1903″.

“Nela – explica -, o Papa Bento XVI propõe critérios importantes da música sacra, que são válidos para além dos limites de seu contexto histórico e também em nosso tempo.”

“A encíclica – destacou o Pe. Lang – apresenta o canto simples como normativa para a liturgia romana, enquanto aprova a polifonia não acompanhada e permite também a música orquestral, ainda que com certas condições, no culto divino.”

“Esta foi a postura secular da Igreja Católica e se reflete na Constituição sobre a sagrada liturgia do Concílio Vaticano II, que exalta o canto gregoriano como a música ‘própria’ da liturgia romana.”

“A preeminência do canto – recordou – foi confirmada por Bento XVI em sua exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum Caritatis, de 2007.”

“O valor do canto gregoriano é sua íntima relação com o texto litúrgico, o qual dá forma à música”, indicou.

Annus qui pede explicitamente a integridade e a inteligibilidade dos textos que são cantados na Missa e no ofício divino – disse. Essa preocupação já foi debatida em Trento, mas não foi incluída nos documentos oficiais do concílio.”

E concluiu: “Ainda que a música sacra não possa se limitar exclusivamente ao canto gregoriano, é isso, entretanto, que tem em si as chaves para uma verdadeira renovação da própria música sacra”.