Análise feita por Carlos Roberto de Oliveira – Aluno do 3º ano de Teologia da FACULDADE DEHONIANA

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DEIXA A LUZ DO CÉU ENTRAR

Tu anseias eu bem sei a salvação, tens desejo de banir a escuridão. Abre pois de par em par, teu coração e deixa a luz do céu entrar!

Deixa a luz do céu entrar! Deixa a luz do céu entrar! Abre bem as portas do teu coração e deixa a luz do céu entrar!

Cristo a luz do céu, em ti quer habitar, para as trevas do pecado dissipar, teu caminho e coração iluminar. E deixa a luz do céu entrar!

Que alegria andar ao brilho dessa luz, vida eterna e paz no coração produz. Oh! Aceita agora o Salvador Jesus. E deixa a luz do Céu entrar!

A partir da letra desta música trabalharemos a soteriologia da metáfora da Salvação. Conforme o resumo apresentado pelo grupo em sala de aula a salvação é Dom de Deus e tarefa humana que precisa acolher e testemunhar em sua vida a graça recebida.

“Assim, o conceito de Ressurreição faz parte integrante da salvação. Por isso, a virtude da esperança é essencial para a reflexão soteriológica, pois de um lado, a salvação já é um dado de fato, do outro, ainda tem de ser completada. É a famosa antinomia: “já e ainda não”. Nesse processo salvífico estende-se a dimensão do dom e tarefa, ou seja, a salvação é um dom gratuito da parte de Deus e simultaneamente é uma atividade responsável da parte do homem. Assim, a atitude de acolher o dom divino soma-se a um esforço constante para levar uma vida conforme o dom recebido”.(resumo do grupo).

Esta acolhida humana é importante e a música enfatiza este deixar a luz do céu entrar para que a salvação se realize na integralidade de nossa vida. O símbolo da luz apresentado pela música se presta bem a expressar esta realidade. A luz do sol por mais forte que seja não ilumina uma casa sem que nela suas portas e janelas estejam abertas a sua ação. O Evangelho também nos apresenta esta realidade a partir da metáfora da luz:

“Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus. E o julgamento consiste no seguinte: a luz veio ao mundo e as pessoas amaram mais a escuridão do que a luz, porque suas obras eram más”. (Jo 3, 17-19)

A salvação, portanto é obra da iniciativa gratuita de Deus e que é oferecida aos homens por amor. A metáfora da salvação desde o primeiro testamento onde a vemos a partir da experiência salvífica do êxodo do povo de Israel, que apresenta um Deus que ouve, vê e desce para libertar o seu povo. Contudo conta com a participação e a ação de Moisés e do povo, que acolhe esta proposta e empreende o caminho para a terra prometida. Por sua vez em relação ao novo testamento podemos concluir que a salvação conforme o documento da comissão teológica internacional sobre a teologia da redenção como a obra da redenção completa-se “na vida ressuscitada do Salvador, Jesus Cristo”. E que “ Os pecadores são redimidos quando se abrem para a auto-entrega generosa de Deus em Cristo; quando, com a ajuda dessa graça, imitam sua obediência e quando depositam sua esperança de salvação na continuada misericórdia de Deus em seu Filho”. (CTI Nº40)

Em Cristo a Salvação é nos oferecida e não está distante de nosso alcance. a música apresenta esta realidade da salvação que o homem deseja mas que necessita abrir seu  coração para deixar a luz do céu entrar e fazê-la realidade em sua vida.

Sermão sobre «A devoção ao Sagrado Coração» (1885)

Este sermão foi pronunciado na Basílica de Saint-Quentin no dia 12 de junho de 1885, festa do Sagrado Coração de Jesus . Dehon, segundo suas próprias palavras no prefácio do livro “Educação e Ensino segundo o ideal cristão” (1887), o incluiu entre os discursos educacionais porque expressa o espírito que pretende fazer reinar na sua obra de educação . É imenso o valor simbólico desse sermão, colocado como conclusão de seu primeiro livro. Dehon propõe uma espiritualidade educacional reparadora. Educar, para ele, é restaurar o Coração de Cristo em cada jovem. Esta é a contribuição típica da educação cristã, que defendeu sob os mais diversos pontos de vista em cada um de seus discursos anteriores. No final de sua obra de apologia, Dehon explicita sua chave de leitura educacional «discursando» sobre o Coração de Jesus. Sua obra educacional, que começou com um discurso de Pedagogia, termina com um «discurso» de Espiritualidade.

Inicia com o texto de Levítico 6,12: «O fogo queimará sempre sobre o altar e o sacerdote o alimentará» . Ele entende que, mais importante do que manter o fogo ou fazer os sacrifícios, era «o culto de amor que representava esse fogo e que devia elevar-se da terra até o céu, já na antiga lei, muito mais agora, sob a lei do Evangelho» . Portanto, todo culto na terra tem seu ponto culminante em Nosso Senhor, que é o pontífice por excelência e ao mesmo tempo altar principal e vítima perfeita.

O fogo sagrado do templo representava principalmente o culto de amor rendido por Nosso Senhor ao seu Pai, o fogo do Sagrado Coração de Jesus, mas ele representava também o amor e a imolação de nossos corações, o culto de amor da nova lei, segundo a qual Deus quer ser adorado em espírito e verdade. Este fogo espiritual de amor e da imolação que deve arder sem parar no altar de nossos corações, deve ser mantido pelo sacerdócio da nova lei, mas este sacerdócio tem por cabeça o próprio Nosso Senhor .

Dehon observa que Jesus encontrou este fogo quase apagado sobre a terra, por causa do pecado. Ele o reacendeu pelo dom de si mesmo, mediante as graças da Encarnação, Redenção e Eucaristia. Deixou à Igreja os meios para manter este fogo aceso: a graça, os sacramentos e a Palavra de Deus. Quando é necessário, Ele, por meios extraordinários suscitados pelo Espírito Santo, permite fatos providenciais ou milagres que «arrastam» os corações. Segundo Dehon, é isto que Deus tem feito ultimamente pela devoção ao Sagrado Coração de Jesus. É uma graça para o tempo presente; um dom para a França e, de um modo especial, para a diocese de Soissons-Laon e para a cidade de Saint-Quentin.

Dehon revê as fontes históricas da espiritualidade e da devoção ao Coração de Jesus, sempre partindo desse referencial bíblico, mas descrevendo em detalhes os modos como este «fogo sagrado» foi sendo manifestado na história, desde a figura do Bom Pastor dos primeiros cristãos, passando pelas promessas à Margarida Maria, pelas palavras de Pio IX e Leão XIII, pela Basílica de Montmartre e por detalhes históricos que evidenciam as graças do Coração de Jesus na diocese de Soissons-Laon e na cidade de Saint-Quentin. A certeza é sempre a mesma: «Mon Cœur régnera malgré ses ennemis» . Desse modo, Dehon termina seu primeiro livro, assumindo como emblema o reinado do Coração de Jesus nas «almas e nas sociedades». Estas «almas», as encontrou na pessoa de cada aluno. Uma destas «sociedades» era, com certeza, o Colégio São João.

Sempre fico impressionado com a imagem do Sagrado Coração de Jesus, coroado de espinhos e pegando fogo. Várias imagens bíblicas me vêm à mente. Uma delas é a experiência de Moisés diante da Sarça Ardente. Aquele arbusto pegando fogo mudou o  rumo da história. Um assassino medroso e foragido é atraído pela curiosidade, tira as sandálias e reveste-se de uma nova mentalidade. O fogo da sarça passa a arder em seu coração e ele se torna o grande líder que guiaria o povo de Deus da libertação do Egito até a terra da promessa. No evangelho de hoje Jesus fala deste “fogo”.

Evangelho segundo S. Lucas 12,49-53.

«Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um baptismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.»

Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

Catecismo da Igreja Católica
§§ 696, 728-720

«Eu vim lançar fogo sobre a terra»

Os símbolos do Espírito Santo: O fogo. Enquanto a água significava o nascimento e a fecundidade da vida dada no Espírito Santo, o fogo simboliza a energia transformadora dos actos do Espírito Santo. O profeta Elias, que «apareceu como um fogo e cuja palavra queimava como um facho ardente» (Sir 48, 1), pela sua oração faz descer o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo, que transforma aquilo em que toca. João Baptista, que «irá à frente do Senhor com o espírito e a força de Elias» (Lc 1, 17), anuncia Cristo como Aquele que «há-de baptizar no Espírito Santo e no fogo» (Lc 3, 16), aquele Espírito do qual Jesus dirá: «Eu vim lançar fogo sobre a terra e só quero que ele se tenha ateado!» (Lc 12, 49). É sob a forma de línguas, «uma espécie de línguas de fogo», que o Espírito Santo repousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si (Act 2, 3-4). A tradição espiritual reterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da acção do Espírito Santo. «Não apagueis o Espírito!» (1 Ts 5, 19). […]

Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela Sua morte e ressurreição. […] Só quando chega a hora em que vai ser glorificado, é que Jesus promete a vinda do Espírito Santo, pois a Sua morte e ressurreição serão o cumprimento da promessa feita aos antepassados (Jo 14, 16-17, 26). O Espírito da verdade, o outro Paráclito, será dado pelo Pai a pedido de Jesus; será enviado pelo Pai em nome de Jesus; Jesus O enviará de junto do Pai, porque do Pai procede. […]

Chega, por fim, a «hora de Jesus» (Jo 13, 1): Jesus entrega o Seu espírito nas mãos do Pai (Jo 19, 30) no momento em que, pela Sua morte vence a morte, de tal modo que, «ressuscitado dos mortos pela glória do Pai» (Rm 6, 4), logo dá o Espírito Santo, que «sopra» sobre os discípulos (Jo 20, 22). A partir dessa «hora», a missão de Cristo e do Espírito torna-se a missão da Igreja: «Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós» (Jo 20, 21).