Estamos às portas de uma importante eleição presidencial. Para alguns os ânimos estão apaixonados e a escolha feita turva a razão. Não me parece muito razoável para manter uma reflexão de nível. Vamos tentar ponderar, do nosso limitado ponto de vista, as semelhanças e diferenças entre José Serra (JS) e Dilma Rousseff (DR). Fazemos isso estimulados pela mensagem do Papa Bento XVI aos bispos brasileiros, neste dia 28.10.2010. O Santo Padre afirmou que a participação dos padres e bispos na política é “mediata” e a dos leigos é “imediata”. Sintético e genial. Cabe ao clero formar as consciências, ajudar a refletir e cuidar das coisas da Igreja. Cabe aos leigos e leigas militar na política e cuidar das coisas da família e da sociedade. Portanto, mesmo já tendo escolhido em quem vou votar (meu direito enquanto cidadão), esta opção não está em pauta neste artigo.

JS pensa do global para o pessoal. Sempre vê a partir do macro para chegar ao micro. Tem uma estrutura de pensamento claramente dedutiva. DR tem pensamento de matriz indutiva. Normalmente parte do real para o ideal, do micro para o macro, da pessoa para a sociedade, do fato para a norma. JS é signatário da visão de Estado praticada desde o governo FHC, que acredita no setor privado e tende a enxugar a máquina do governo. DR acredita em um Estado forte, com um Governo que atue e monitore atentamente o setor privado. JS inclina-se a promover o setor produtivo e empreendedor. DF faz a opção preferencial pelos que trabalham e consomem. JS tem uma poesia agradável aos ouvidos da classe média. DF fala o português das classes populares. Incomoda o fato de nenhum dos dois candidatos terem explicitado por escrito clara e detalhadamente seu projeto de governo. Ambos se apresentam como administradores compentes para o Brasil. São igualmente frágeis no carisma. Têm claras dificuldades diplomáticas. JS normalmente conjuga o verbo na primeira pessoa do singular. É personalista. Se eleito, fará um governo à sua imagem e semelhança. Tem dificuldades de referir-se ao próprio partido. Pensa que é o sol. DR parece orientada para sistematicamente conjugar o verbo na primeira pessoa do plural. Apresenta-se como representante de um governo que tem aprovação popular, especialmente do presidente Lula. Mas vez por outra trai esta orientação mostrando-se tão personalista quanto JS. Eleitos, certamente governarão com personalidade. Ambos terão o desafio de domar seus ávidos partidos. Até o momento PT e PSDB, por motivos diferentes, brincam de esconde-esconde. Ninguém viu José Dirceu… Ninguém viu FHC.

Algumas pessoas dizem que estamos diante de dois candidatos muito parecidos. Engano. São muito diferentes. José Serra (JS) tem mostrado uma ênfase na economia, enquanto Dilma Rousseff (DR) tem insistido na questão social como eixo transversal de seu modo de pensar a vida. Ultimamente veio para o centro do debate a questão da vida, emblematizada pela descriminalização do aborto. Até o papa se pronunciou. A questão é fundamental e irrenunciável, mas não me parece que possa servir de critério para escolher ou excluir um dos candidatos. Aberta ou veladamente os dois se inclinam pela descriminalização. Infelizmente. Um já fez no passado; outra sabe que seu governo já faz no presente… e fará!

Vamos para as urnas… e que vença: O BRASIL!

Arcebispo espera que eleitores adiem um pouco a viagem no feriado
BELO HORIZONTE, sexta-feira, 29 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – O arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, incentivou os católicos a comparecerem às urnas neste domingo, no segundo turno das Eleições no Brasil.O arcebispo afirma – em artigo divulgado nesta sexta-feira à imprensa – que o segundo turno “deve ressoar como convocação peremptória ao cidadão para que este indispensável exercício de cidadania influencie na definição de rumos, horizontes e metas na vida da sociedade brasileira”.

Dom Walmor recorda que “é indispensável que a consciência cidadã motive o compromisso do comparecimento às urnas”.

O prelado assinalou o risco do feriado – em muitos Estados brasileiros não se trabalha desde o sábado até a terça-feira – tornar-se um impedimento, inviabilizando a presença nas urnas.

Para aqueles que desejam viajar, o arcebispo destaca que o lazer merecido não pode “relativizar a seriedade deste momento decisivo de ida às urnas”.

“Adiar, por horas ou por um dia, um plano de viagem ou de lazer é mais do que necessário e justificável. Este apelo precisa encontrar lugar no coração de cada um e se tornar força de motivação e convencimento para tantos outros.”

“Em jogo está o destino e o futuro da sociedade. Quem tem fé sabe o quanto seus valores iluminam o compromisso do voto. Sabe também que esse ato não pode ser substituído por outra pessoa, para além do fato de ser obrigatório por força da legislação”, afirma.

Segundo o arcebispo, votar não é “um simples compromisso partidário ou um ato qualquer de apertar a tecla confirma”.

“Nas mãos de cada cidadão está um pouco do muito que pode fazer grande diferença nos dias que vão se suceder ao longo do quadriênio 2011-2014. O projeto de sociedade que vai se discutir, implantar e avançar dependerá, decisivamente, do candidato eleito.”

Nesse contexto – prossegue Dom Walmor – está “o grande discernimento para escolher adequadamente”.

“É preciso, então, iluminar os nomes dos candidatos com valores que dão sustentabilidade à cidadania e com as exigências do compromisso social e político com a vida do povo, particularmente dos mais pobres.”

A Igreja Católica continua – afirma o arcebispo –, “serenamente, na sua posição de orientar nesse horizonte e de indicar esse caminho, sem se confundir com posturas que são até interpretadas como resultado de enfraquecimentos ou divisões”.

“Nesta serenidade e clarividência, a Igreja motiva a todos a irem às urnas com a certeza de que o Brasil precisa continuar avançando no caminho do respeito à vida por um desenvolvimento social integral”, destaca.

(Alexandre Ribeiro)