Terminou mais uma eleição histórica no Brasil. Pela primeira vez uma mulher chega à Presidência da República. Com um significativo eleitorado de 135.804.433 pessoas, 105.781.524 foram cumprir seu “dever de cidadania”. Somando votos nulos, brancos e abstenções, 30% votou errado, protestou, não foi ou preferir declarar seu voto em branco. Assim, Dilma resulta eleita com 55.229.355, ou seja, 55,96% dos votos válidos, ou com 40% dos votos do total dos eleitores do Brasil. José Serra conquistou 43.456.857 de votos, ou seja, 44,04% (33% do eleitorado). Isto significa que a nova presidente tem o apoio incondicional de 40% da população e um olhar de expectativa dos outros 60%. Rezamos e torcemos que tenha sucesso em seu governo e ajude a construir o sonho de “Um Brasil para Todos”.

O Arquétipo da Prudência

Pe. João Carlos Almeida [1]

Uma hipótese

Estamos buscando uma matriz de compreensão para o processo de discernimento interno à virtude cardeal da “prudência” conforme encontramos em Santo Tomás: recta ratio agibilium [2] . Parece que esta definição é algo mais do que a delimitação da extensão de um conceito. É antes a expressão de um arquétipo antropológico que nos permite entender o mecanismo pelo qual podemos tomar as decisões corretas nas mais variadas situações. Para confirmar esta hipótese faremos uma comparação dos conceitos tomistas com aquilo que encontramos no diálogo paradigmático entre a Virgem Maria e o Anjo Gabriel, registrado no Evangelho de Lucas [3] . Em seguida testaremos a mesma tese em uma leitura rápida da Encíclica Fides et Ratio [4] , de João Paulo II. Escolhemos estes dois textos por vários motivos. Um deles é que, para testar um arquétipo, é interessante comparar com amostras concretas de textos de diferentes procedências e de antiguidade diversa. Dois mil anos separam os textos que escolhemos. O Gênero literário também é diferente, apesar de uma certa confluência de todas as nossas fontes na filosofia e cultura grega. Seria interessante continuar a pesquisa comparando o arquétipo da prudência descrito por Tomás de Aquino com recortes de outras culturas e religiões. Este é um trabalho que fica por fazer.

Veremos que o arquétipo da prudência é composto de várias peças que “fazem funcionar” o processo de discernimento que permite tomar a decisão correta. Queremos explicitar este mecanismo para entender melhor o lugar específico da prudência.