Tenho recebido esta pergunta com frequência aqui no BLOG e no TWITTER. Nestas vésperas da eleição os ânimos esquentam e a militância fica mais ativa. Esta semana minha caixa postal ficou repleta de propaganda de políticos, muitas delas com o apoio explícito de padres a candidatos. Os padres não são a-políticos. Devem educar o povo na consciência cidadã. Podem promover debates, indicar características importantes neste ou naquele candidato, apontar fragilidades. Mas a decisão pelo voto é sempre do eleitor. Nenhum padre pode dizer: vote neste… ou vote naquele(a). Numa das propagandas que recebi um padre dizia: “Católico vota em católico! Vamos ajudar (nome do candidato), nós cremos e não temos dúvida de que essa é a vontade de Deus”. Não acreditei que estava lendo isso. Li de novo. Há dezenas de problemas nesta afirmação. Mas a pior de todas é afirmar que é da “vontade de Deus” que se vote em um determinado candidato. Passou raspando (para ser suave) do mandamento: “Não tomar o Santo nome de Deus em vão”.

Em 2008 um sacerdote do clero de Taubaté apoiou um candidato na Televisão, gravando programa eleitoral. O bispo, Dom Carmo, na ocasião, reagiu imediatamente com a seguinte nota:

NOTA DA DIOCESE DE TAUBATÉ – POR OCASIÃO DA MANIFESTAÇÃO PÚBLICA DO REVMO. PADRE xxx EM APOIO AO CANDIDATO xxx”

A Igreja presente na Diocese de Taubaté vem, através desta, reforçar a proibição de que os sacerdotes manifestem apoio a qualquer candidato nos municípios que compõem a sua abrangência territorial, visto não ser esta atitude condizente com a missão dos clérigos (cf. Código de Direito Canônico, Cân. 287).

O depoimento do Revmo. Padre xxx, veiculado no horário político do dia 29 de Setembro de 2008, manifestando publicamente seu apoio ao candidato xxx, não caracteriza a posição assumida pela Diocese de Taubaté.

O referido sacerdote, com o ato realizado, desobedeceu às Normas Diocesanas, tendo sido por isso repreendido pelo Revmo. Sr. Bispo Diocesano conforme as normas do Direito (cf. Código de Direito Canônico, Cân. 1339).

Dada e passada na Cúria Diocesana de Taubaté, aos 30 de setembro de 2008.

E eu, Chanceler do Bispado, o subscrevi. Mons. Irineu Batista da Silva.

Para auxiliar o seu juízo copiei aqui o referido cânone, com o comentário que aparece na edição em português, publicada por Edições Loyola (clique para ver a imagem maior):

De fato este cânon não se refere ao eventual apoio que um sacerdote resolva manifestar a favor de um candidato. Fala somente que um sacerdote não deve se candidatar a cargo político a menos que a liberdade religiosa ou o bem comum estejam em risco. Seria algo a se pensar, pois temos diversos padres candidatos. Mas o foco da nossa reflexão aqui é outro. Somente lato sensu se pode concluir deste dispositivo legal que um sacerdote está “proibido” de apoiar publicamente uma candidatura.

Este artigo continua com a sua pesquisa. Você conhece alguma outra orientação oficial da Santa Sé que permite ou proíbe este tipo de atitude? Ajude-nos a refletir postando seu comentário com a devida fundamentação.

A CNBB lançou uma nota orientando os católicos sobre o atual momento político:

DECLARAÇÃO SOBRE O MOMENTO POLÍTICO NACIONAL

Nós, Bispos Católicos do Brasil, reunidos em Brasília, de 4 a 13 de maio de 2010, para a 48ª Assembléia Geral da CNBB, temos diante de nós a realidade do Povo Brasileiro, de cujas lutas e esperanças participamos. Os 50 anos da inauguração de Brasília e as eleições gerais do próximo mês de outubro nos proporcionam a oportunidade de refletir sobre a trajetória do País. A realização da nossa Assembléia Geral em Brasília, no ano do jubileu de ouro da cidade e da Arquidiocese, quer expressar o apreço pelo que significou para a nação a construção da Capital do País em pleno planalto central. O Jubileu de Ouro de Brasília, no entanto, precisa se transformar em oportunidade para que a Capital recupere o seu simbolismo original e se torne de fato fonte de inspiração para os sonhos de um País justo, integrado, desenvolvido e ecologicamente sustentável, que todos queremos. “O desenvolvimento é impossível sem homens retos, sem operadores econômicos e homens políticos que sintam intensamente em suas consciências o apelo do bem comum. São necessárias tanto a preparação profissional como a coerência moral” (Bento XVI, Caritas in Veritate, 71).

A celebração do Congresso Eucarístico Nacional em Brasília quer, igualmente, ser sinal deste anseio de País justo e fraterno, para cuja realização a Igreja Católica procura dar sua contribuição pelo testemunho dos valores humanos e cristãos que o Evangelho nos ensina. Seu lema “Fica conosco, Senhor” atesta a importância da presença do Deus da vida e da partilha em todos os momentos, também naqueles do exercício da cidadania.

O Brasil está vivendo um momento importante, por seu crescimento interno e pelo lugar de destaque que vem merecendo no cenário internacional. Isso aumenta sua responsabilidade no relacionamento com as outras nações e na superação progressiva de suas desigualdades sociais, produzidas pela iníqua distribuição da renda, que ainda persiste. Preocupam-nos os grandes projetos, sobretudo na Amazônia, sem levar devidamente em conta suas consequências sociais e ambientais.

Permanece o desafio de uma autêntica reforma agrária acompanhada de política agrícola que contemple especialmente os pequenos produtores rurais, como fator de equilíbrio social. A Igreja, comprometida de modo inequívoco com a defesa da dignidade e dos Direitos Humanos, apóia as iniciativas que procuram garanti-los para todos. Todavia, denuncia distorções inaceitáveis presentes em alguns itens do PNDH-3.

Destacamos a importância do projeto de lei denominado “Ficha Limpa”, de iniciativa popular, em votação nestes dias no Congresso Nacional, como exemplo de participação popular para o aprimoramento da democracia, como já ocorrera com a aprovação da Lei 9840, contra a corrupção eleitoral, cuja aplicação requer contínua e atenta vigilância de todos, para que não continue a praga da compra e venda de votos. Esperamos que seja um instrumento a mais para sanar o grave problema da corrupção na vida política brasileira.

Permanecem oportunas as palavras de João Paulo II: “A Igreja encara com simpatia o sistema da Democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade de escolher e controlar os próprios governantes (…) ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou de objetivos ideológicos” (Centesimus Annus, 46) .

Urge uma profunda reforma política, iluminada por critérios éticos, com a participação das diversas instâncias da sociedade civil organizada, fortalecendo a democracia direta com a indispensável regulamentação do Art. 14 da Constituição Federal, relativo a plebiscito, referendo e iniciativa popular de lei. A Reforma Política “precisa atingir o âmago da estrutura do poder e a forma de exercê-lo, tendo como critério básico inspirador, a participação popular. Trata-se de reaproximar o poder e colocá-lo ao alcance da influência viável e eficaz da cidadania” (Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática, Documentos da CNBB 91, 101).

A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular. Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 11 de maio de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha – Arcebispo de Mariana – Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira – Arcebispo de Manaus – Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – Secretário-Geral da CNBB

Violência no contexto do confronto entre policiais e grupos de traficantes nas favelas
ROMA, segunda-feira, 29 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – Bento XVI expressou sua solidariedade à Igreja e à população do Rio de Janeiro, diante do quadro de violência que assolou a cidade nos últimos dias, quando forças policiais e do exército enfrentaram grupos de traficantes em comunidades pobres.Segundo informa a arquidiocese do Rio, na manhã desse domingo, o arcebispo Dom Orani João Tempesta recebeu um fax do núncio apostólico, Dom Lourenzo Baldisseri, transmitindo a solidariedade do Papa.

O Santo Padre afirma que segue “com profunda mágoa os graves enfrentamentos e as violências destes dias no Rio de Janeiro, particularmente na comunidade ‘Vila Cruzeiro’”.

O Papa assegura “a sua oração pelos mortos, como também pelas suas famílias, e pede aos responsáveis que ponham fim às desordens, enquanto os encoraja restabelecerem o respeito da Lei e do Bem Comum”.

O arcebispo do Rio de Janeiro afirmou a Radio Vaticano nesta segunda-feira que a cidade acolheu com agradecimento às palavras de apoio do Papa.

Segundo Dom Orani, agora que as forças de segurança ocuparam duas áreas difíceis e que antes eram dominadas pelo narcotráfico – Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão – a situação é mais tranquila.

O arcebispo afirmou que Igreja está próxima das pessoas que sofrem pela violência nessas regiões pobres. “Há padres e comunidades da Igreja que trabalham sempre pela evangelização. A Igreja é muito presente e próxima do povo”, disse.

Nesses dias de violência no Rio, em que a polícia e o exército avançam sobre territórios dominados por grupos de traficantes, ao menos 40 pessoas morreram nos confrontos, e 181 veículos foram queimados.

Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

SÃO PAULO, quinta-feira, 25 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – I do Advento (Ano A) Is. 2, 1-5; Rm 13, 11-14; Mt 24, 37-44 – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes – São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontifício Ateneo Santo Anselmo (Roma),  Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assume os comentários à liturgia dominical a partir de hoje, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.

* * *

I Domingo do Advento – Ano A

Leituras: Is. 2,1-5; Rm 13, 11-14; Mt 24, 37 – 44

“Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor!” (Is 2,5).

“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!” (Rm 13 14).

“Ficai atentos! Porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mt 24,42)

Três gritos de amor e de admoestação saídos do coração do Senhor e ecoados com paixão pela Igreja nossa Mãe. Estas admoestações são para chamar nossa atenção, muitas vezes tomada pela aparente normalidade dos acontecimentos, tal como ocorreu aos concidadãos de Noé; elas se colocam para despertar as consciências atordoadas e adormecidas pelas coisas passageiras e superficiais, para nos estimular a nos renovarmos radicalmente, assumindo sempre mais a maneira de sentir, julgar e atuar do próprio Jesus na sua relação filial com o Pai e para conosco. Revestir-se de Cristo, segundo a eficaz expressão do Apóstolo, indica o processo da nossa progressiva identificação interior com Ele. Este processo, iniciado no batismo, quando nos foi entregue o símbolo da veste branca, vai se desenvolvendo até culminar na entrada, com o próprio Cristo, na festa do reino de Deus (Ap 7,9).

Os últimos domingos do ano litúrgico – que acabou de chegar à sua conclusão com a grande celebração do Senhor Jesus, Rei e juiz do universo – alimentaram a nossa esperança mostrando que para o Senhor está orientada não somente a grande história da família humana e da criação, mas também o caminho pessoal cotidiano de cada um, vivenciado na fé como seu discípulo e discípula.

A palavra deste primeiro domingo nos diz que o nosso “hoje” é também o “hoje” de Deus, aberto por ele em vista do futuro de novas possibilidades de vida e de relações: “Vinde, todos da casa de Jacó, e deixemos nos guiar pela luz do Senhor”. Nele também o mundo do homem e da mulher de hoje se torna a casa onde pessoas, povos, raças e religiões diferentes podem encontrar novamente o lugar da recíproca reconciliação e acolhida. Nele nossa vida de cada dia se torna a porta na qual ele fica batendo, para ser reconhecido, acolhido e assim partilhar com ele a mesa da amizade e da intimidade (Ap 3,20). Casa do homem e de Deus. É preciso estar atentos! Qualquer situação e momento pode ser a ocasião certa e a situação oportuna para receber sua visita, ouvir sua palavra, gozar da sua presença íntima e transformadora.

“Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé”. O caminho da fé é um processo dinâmico, sempre mais abrangente e capaz de unificar nossa existência pela forca interior do mesmo Espírito do Senhor. É uma verdadeira passagem das trevas do pecado e da preguiça espiritual para a luz e a fecundidade de uma vida nova. “A noite já vai adiantada, o dia vem chegando: despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz”.

O ano litúrgico, com sua constante referência à páscoa do Senhor, e através da linguagem própria de cada uma das suas etapas, alimenta a vida espiritual da Igreja e de cada cristão. É a partir desta intrínseca relação com o Cristo morto e ressuscitado através do ano litúrgico que devem encontrar a própria orientação e o próprio sentido toda iniciativa pastoral e toda forma de piedade comunitária e pessoal, como ensina o Concílio Vaticano II (SC 12,13,105) e como destaca o Papa Bento XVI na Exortação Apostólica recém publicada Verbum Domini – A Palavra do Senhor (n.52).

O Advento marca o início do novo Ano litúrgico. Mas este inicia a partir das alturas onde chegou o fim do precedente: o cumprimento de toda história da salvação e a glória do Senhor. Com o primeiro domingo, iniciamos um novo caminho de louvor e de agradecimento ao Pai, por Jesus Cristo morto e ressuscitado, fonte inesgotável de vida nova no Espírito Santo. Um caminho de profunda renovação, quase de novo nascimento pela força do Espírito, até chegar à maturidade da vida espiritual de homens e mulheres tornados adultos em Cristo.

Este dom do amor gratuito e salvador de Deus, que costumamos chamar com a venerável tradição cristã de “Mistério Pascal”, constitui o centro irradiante da história da salvação e por isso também do ano litúrgico, continuando a alimentar de domingo a domingo a vida da Igreja e a marcar o caminho de constante renovação de cada fiel. Assim a liturgia, através da íntima união entre a Palavra e a Eucaristia, como afirma a constituição Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, “é a primeira e necessária fonte da qual os fiéis atingem o espírito verdadeiramente cristão” (SC 14). É o dom que a Igreja pede ao Pai na oração depois da comunhão deste primeiro domingo de Advento: “A participação nos vossos mistérios nos ajude a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. É o que destaca também o Papa na sua exortação apostólica: “A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério eucarístico” (Verbum Domini. 55).

Talvez alguém, ao ouvir a palavra “Advento”, pense imediatamente no curto espaço de tempo que nos prepara ao Natal de Jesus. Idéia talvez reforçada pela vista dos arranjos natalinos que já enfeitam as lojas e as ruas das cidades ou os primeiros presépios que iniciam a ser montados com carinho nas famílias. Mas o Advento na linguagem litúrgica e na experiência da Igreja é bem mais rico de sentido espiritual e existencial. A palavra Advento provém do latim adventus, que significava a “vinda” e a visita” de uma autoridade, como o rei ou o imperador, a uma cidade a quem “manifestava” assim sua atenção e sua benevolência para com o povo.

Transferida pela comunidade cristã do âmbito social ao religioso próprio, a palavra Advento veio a indicar antes de tudo a vinda gloriosa do Senhor no fim dos tempos, vinda que esperamos com fé, como Salvador. Em segundo lugar indica a vinda/revelação do Senhor na humildade da encarnação através da qual ele manifesta o amor do Pai, e esta por sua vez se torna fundamento inabalável da sua presença fiel e carinhosa na nossa vida de cada dia até o fim dos tempos, como Jesus prometeu aos discípulos. A liturgia da Palavra dos dois primeiros domingos do Advento destaca a promessa da vinda gloriosa do Senhor e a esperança ativa com que a Igreja espera essa vinda; enquanto o terceiro e o quarto domingo nos preparam para celebrar no Natal, com alegria e agradecimento, o evento central e fundador da nossa fé: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). “Que alegria, quando me disseram: vamos à casa do Senhor!” (Sal. Resp.)

A abertura para com as visitas e surpresas de Deus, o desejo apaixonado da sua amizade e intimidade, o sentido da necessidade que o Senhor entre na nossa vida e a dirija, são as atitudes fundamentais a serem cultivadas neste tempo de Advento. São as condições para acolher o Senhor que vem, celebrar dignamente a memória da sua encarnação, reconhecê-lo nas suas visitas misteriosas nos acontecimentos da vida e caminhar com renovada esperança ao encontro da sua vinda gloriosa.

Seremos guiados pelos profetas que anunciaram a vinda do Messias do Senhor e sustentaram a fé de Israel, e de maneira especial acompanhados pelo profeta Isaías, cujos textos são lidos com abundância nas liturgias eucarísticas e na Liturgia das Horas deste tempo. Solicitados pela palavra forte de João Batista, estaremos na doce companhia de Maria, que guarda com fé no seu coração toda Palavra de Deus e acontecimento (cf Lc 2,19). Chegaremos então, através de sua graça, a gerar também em nós o Verbo de Deus: “Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditaste. Felizes sois também vós, que ouvistes e acreditastes, pois toda alma que possui a fé concebe e dá à luz a Palavra de Deus e conhece suas obras” (Santo Ambrósio).

É fácil constatar que estas atitudes interiores – e modalidades de ser e de atuar – que constituem o cerne da espiritualidade do Advento, formam verdadeiramente o âmago de toda espiritualidade cristã e a energia profunda do Espírito que anima a missão e o testemunho da Igreja e de cada cristão e cristã no mundo rumo ao cumprimento do reino de Deus. O Advento nos ajuda a redescobrir estas atitudes e a guardá-las. O Advento não é somente um tempo do ano litúrgico: é uma dimensão constitutiva da identidade cristã.

Dom Emanuele Bargellini

Prior do Mosteiro da Transfiguração

Mogi das Cruzes (São Paulo)

A bela manhã de sol no Vale do Paraíba acorda com um belo encontro fraterno entre sacerdotes, leigos, religiosos e religiosas… agentes de pastoral da Diocese de Taubaté. Os padres receberam de presente um livro escrito pelo bispo emérito Dom Antônio Affonso de Miranda: “Pe. Júlio Maria, sua vida e sua missão”. Em seguida nosso bispo, Dom Carmo, abre oficialmente o evento motivando todos a serem discípulos e missionários de Jesus Cristo. Na sequência alguns sacerdotes irão apresentar a realidade da diocese avaliando o ano que vai chegando ao seu final.

AQUELE 26 DE NOVEMBRO DE 1964

Wamba, Diocese Mártir

Os inícios: Vicariato Apostólico de Wamba (1949)

As condições favoráveis e os grandes trabalhos missionários, a realidade missionária de Nepoko mostrava a conveniência e a necessidade da criação de um novo Vicariato Apostólico, desmembrado do imenso Vicariato Apostólico de Falls. A região de Nepoko poderia ser separada e constituir uma missão sui júris ou, até, um vicariato.

Os trabalhos missionários dos SCJ começaram nesta região em 1904. Agora (1949) ela conta com 05 estações missionárias principais (Bafwabaka, fundada em 1914, Wamba (01.12.1936), Maboma (01.08.1936), Ibambi (28.11.1939) e Pawa (01.11.1949), rodeadas de 234 postos missionários secundários, com capelas. A população é estimada em mais de 200.000 habitantes, dos quais 15.564 são batizados na Igreja Católica. Os agentes de pastoral são em número de 20 missionários, um padre autóctone, 3 congregações femininas (Srs.[Irmãs] de l’Enfant Jesus, Srs.de St. Vincent de Paul, Srs.de la Jamara Takatifu); 325 catequistas, dos quais 210 trabalham também nas escolas missionárias. Os catecúmenos são mais de 7.500. Os seminaristas de Nepoko já passam de 40, dos quais 35 no seminário menor de Stanleyville e 3 no seminário maior de Baudouinville.

A criação do Vicariato de Wamba

No dia 10 de março de 1949, Pio XII, com a Constituição Apostólica “Evangelizationis inter infidelis”, erige a missão de Nepoko em Vicariato Apostólico de Wamba, abrangendo um território de 35.321 quilômetros quadrados.

O Padre José Alberto Wittebols, scj, é nomeado Vigário Apostólico. Em 1957 e em 1958, o vicariato agrega, ainda, os territórios de Avakubi, Panga, Bomili e Bafwasende. Mais tarde vários outros territórios do Vicariato de Stanleyville passarão para o de Wamba, que chegará a ter 68.000 quilômetros quadrados.

A ereção do Vicariato de Wamba deu novo ânimo aos católicos e uma grande esperança de que Nepoko entre numa fase de novo e grande progresso.

Evangelização pastoral de envergadura

O Vigário Apostólico, D. José Alberto Wittebols, scj, nasceu em Etterbeek, arredores de Bruxelas, no dia 12.04.1912. Professou na Congregação dos Padres do Coração de Jesus, aos 20 anos e foi ordenado sacerdote no dia 11.07.1937. Chegou ao Congo no dia 31.10.1938. Durante 11 anos foi professor e diretor do Colégio Sacré-Coeur, hoje Instituto Maele, escola de ensino médio de Stanleyville, do qual ele foi, também, o fundador. Ele se dedicava, também, incansavelmente a outras formas de apostolado, com o da juventude, de modo especial através do escotismo.

O Padre José Alberto Wittebols, scj, foi ordenado bispo em Bruxelas, no dia 16.08.1949. Seu lema era: ‘Servus Christi’. Espírito sistemático e dinâmico e incansável trabalhador, ele conseguirá, muito em breve, organizar muito bem o novo território eclesiástico.

Já na primeira visita pastoral ou ‘tournée’ missionária episcopal, ele traça e anuncia as grandes linhas de seu programa pastoral. Ele é realista e prevê que todo este seu projeto encontrará muitas dificuldades, oposições e entraves sociais e políticos, quer da parte das autoridades coloniais, quer dos políticos congoleses que esperam para breve a independência e, logo, estarão exigindo a independência imediata.

Apesar das dificuldades, D. Wittebols, scj, faz um trabalho extraordinário em todos os campos, da evangelização, catequese, escolas, trabalho social… Poderíamos falar muito sobre o seu trabalho, mas não caberia nestas poucas linhas que tem a finalidade de lembrar nossos mártires e de modo particular os mártires da Diocese de Wamba. Para você que tem mais tempo e gostaria de conhecer melhor a história de nossa missão no Congo, o Padre Savino Palermo, scj, escreveu aqueles dois volumes (bem gordinhos): ‘Pour l’amour de mon peuple’.

A Diocese de Wamba

Situada na província do Alto Congo, na República Democrática do Congo, tem uma extensão de 68.000 quilômetros quadrados. Compreende integralmente os territórios de Wamba e Mambassa e pequenas porções de territórios limítrofes. É uma meseta, com uma altitude média de 700 metros, com um leve declive para o lado oeste, atravessada pelos rios Ituri e Nepoko e coberta totalmente pela selva equatorial. A população, composta por várias tribos de Bantos e Pigmeus, está distribuída pelo território de maneira muito desigual. Sua densidade é muito maior no território de Wamba do que no de Mambassa. Neste último, encontra-se o vale do Ituri, aonde vive um dos núcleos mais importantes de Pigmeus de toda a África.

As cidades mais importantes são Wamba, Mambassa e Bafwasende, capitais dos territórios do mesmo nome, Itambi na margem direita do Nepoko e Mungbere, importante por ser o ponto final da estrada de ferro do Uele que, começando em Aketi sobe o rio Itimbiri, um dos afluentes navegáveis do rio Congo, numa extensão de uns mil quilômetros e passa pela importante cidade de Isiro.

O idioma comum de todas as tribos é o Kiswahili, exceto na região de Mungbere, aonde se fala o Lingala. Além disso, cada tribo tem o seu dialeto (sua língua) particular.

A HORA DA PROVA

De 1960 a 1962, vários missionários haviam sido vítimas da violência na República Democrática do Congo. Mas, em 1964, com a rebelião dos Simbas (Leões), a Igreja passa por uma autêntica prova de fogo neste país. Em maio de 1965, o balanço era de 116 mortos e seis desaparecidos entre sacerdotes, religiosos e religiosas. Mas devemos acrescentar centenas de leigos comprometidos com o apostolado missionário.

A rebelião dos Simbas foi um movimento militar, político e social muito complexo, justificável, em grande parte, em suas origens, mas nele se infiltraram rapidamente muitos interesses alheios.

Em 22 de fevereiro de 1964 estoura a rebelião Mulelista (Mulele) em Kwilu. Logo se espalha ao sul de Kivu e daí vai ganhando terreno, rapidamente, até ao norte e ao oeste, ocupando grande parte do país. Em pouco tempo, os acontecimentos escapam a todo controle e a violência transborda.

No dia 15 de agosto, os Simbas entram em Wamba. No início, os missionários permaneceram em liberdade e até era possível continuar a exercer o ministério, com maior ou menor dificuldade. Mas, no dia 29 de outubro, devido a algumas derrotas do Exército Popular, começa um verdadeiro martírio para os missionários.

No dia 03 de novembro, o Padre Longo é assassinado em Mambassa. Nos dias 24 e 26 de novembro aconteceu o lançamento dos paraquedistas belgas sobre Kisangani e Isiro, respectivamente. A reação de furor e de raiva dos Simbas se descarrega sobre os missionários. Alguns discutem esta questão. Afirmam que o ódio era contra os mercenários estrangeiros e que a ordem dada era para matar todos os ‘mercenários’ e, que no ‘final da linha’, a ordem transmitida fora outra: matar todos os ‘missionários’. De qualquer forma, parece que os missionários foram identificados com o inimigo. Sabemos que missionários de origem alemã foram poupados.

No mesmo dia 26 de novembro são assassinados, em Mambassa, quatro Irmãos de Carlos de Foucauld e, em Wamba, acontece o massacre do bispo, D. Wittebols, scj, seis padres e um Irmão SCJ e do Dr. Lombart, da organização Medicus Mundi, que prestava seus serviços no hospital de Bayenga. Os cadáveres são jogados no rio Wamba. No dia seguinte, outros seis Padres e um Irmão SCJ são assassinados em Bafwasende. A última vítima, uma religiosa nativa da Congregação da Sagrada Família da comunidade de Bafwabaka (Irmã Anaolite) morre em Isiro, no dia 01 de dezembro, mártir da pureza. Um sacerdote, missionário em Mambassa (P. Jacinto Toneato) conseguiu salvar-se, percorrendo a pé, durante umas quatro noites, a distância até Bunia. As religiosas de Nduye salvaram-se ‘in extremis’, refugiando-se, com todos os habitantes do povoado, na selva, quando os Simbas batiam em retirada. Os últimos missionários que permaneciam prisioneiros dos Simbas em Wamba foram libertados por uma audaz intervenção dos mercenários belgas e do Sr. Varela, da Embaixada da Espanha em Kinshasa.

Os assassinados em novembro/dezembro de 1964

Em Mambassa: P. Aquilino Longo (03 de novembro); quatro Irmãos de Foucauld (26 de novembro)

Em Wamba: D. Wittebols, PP. Carlos Bellinckx, Leonardo Janssen, Cristiano Vandael, Clemente Burnotte, Jerônimo Vandemoere, Tiago Moreau, Ir. José Laureys e o Dr. Lombart (todos no dia 26 de novembro).

Em Bafwasende: PP. João de Vries, Henrique Hams, Pedro van den Biggelaar, Arnoldo Schouenberg, João Slenter, Guilherme Vranken e o Ir. Guilherme Schouenberg (todos no dia 27 de novembro).

Em Isiro: Irmã Maria Clementina Anoalite Nengapeta (no dia 01 de dezembro).

Alguns dados, em síntese (Diocese de Wamba)

Extensão: 68.000 quilômetros quadrados

População: 300.000 habitantes

Católicos: 54.000.

Pessoal, em dezembro de 1963.

1. Bispo: D. José Wittebols, scj.: 01

2. Sacerdotes SCJ: 39

3. Sacerdotes nativos: 06

4. Fidei Donum: 02

5. Irmãos SCJ: 08

6. Irmãos Foucauld: 04

7. Religiosas (4 congregações): 92

TOTAL: 152 pessoas.

Pessoal, em julho de 1971.

1. Bispo: D. Gustave Olombe: 01

2. Sacerdotes SCJ: 14

3. Sacerdotes nativos: 03

4. Fidei Donum: 01

5. Irmãos SCJ: 04

6. Religiosas (3 congregações): 20

TOTAL: 43 pessoas

A difícil tarefa da reconstrução

O golpe foi muito duro para a Diocese de Wamba. Vinte e dois missionários mortos e todos os demais dispersos; os católicos dizimados e toda a população marcada para sempre pela tragédia. As casas praticamente em ruínas devido à guerra, ao abandono e à pilhagem. A tarefa da reconstrução é ingente. Alguns missionários foram tão esforçados e corajosos que voltaram aos seus postos, assim que foram libertados, mesmo com o risco de cair novamente prisioneiros nalgum contra-golpe. Mas foi a minoria. Muito lentamente vão chegando alguns reforços que, no entanto, não chegam a cobrir as necessidades mais urgentes. Muitos postos da missão ficam durante anos, totalmente, abandonados.

No dia 02 de fevereiro de 1969 é ordenado bispo, para a diocese, D. Gustavo Olambe. Recebe, em seus ombros, uma pesada carga. Para realizá-la, ele dispõe de 18 sacerdotes, 04 Irmãos e 20 religiosas, muitos deles/as já anciãos/ãs que não podem gozar do merecido descanso porque não há ninguém para substituí-los.

Ainda, hoje, há muita falta de pessoal. Faltam missionários e muitos. Por outro lado, há uma grande esperança, apesar da situação muito difícil. O clima de insegurança é muito grande, mas nossos missionários não deixaram, nos últimos anos nenhum posto de trabalho, mesmo com sérios riscos de vida e muita dificuldade para o exercício do ministério. A grande esperança a que nos referíamos é o crescimento das vocações e a sua perseverança. Há esperanças, muito bem fundadas, de que, num futuro não muito distante, os sacerdotes/religiosos congoleses possam assumir totalmente os trabalhos da Congregação em sua terra.

Corupá, 26 de novembro de 2010.

P. Francisco Sehnem, scj

e-mail: senheim.sehnem@hotmail.com

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA SÃO SEBASTIÃO

E

POSSE DO PADRE RODRIGO NATAL

Tríduo Preparatório com Missa as 19H30

25/11/2010

– 1º Dia (Quinta-Feira) Padre Nilson Sampaio

26/11/2010

– 2º Dia (Sexta-Feira) Padre Emerson Ruiz

27/11/2010

– 3º Dia (Sábado) Padre Rodrigo Natal

28/11/2010

CRIAÇÃO DA PARÓQUIA SÃO SEBASTIÃO

E

POSSE DO PADRE RODRIGO NATAL

Missa às 10h

Igreja São Sebastião – Parque Ipanema

Av. Nelson Meireles,370

A PARTIR DAS 8H30 CAFÉ FESTIVO