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Pe. Joãozinho, scj

 

 

Desde que Pe. Zezinho teve um AVC, em setembro de 2012, dei notícias sobre seu estado de saúde com autorização dele próprio e de meus superiores na Congregação dos Padres do Coração de Jesus, da qual fazemos partes. Todos sabem que somos confrades de comunidade no Convento SCJ, em Taubaté. A parada obrigatória foi a oportunidade para fazer uma revisão total de saúde, no alto dos seus 70 anos. Hoje, pela primeira vez, Pe. Zezinho publicou em seu faceboock um longo relato sobre a sua situação de saúde. Leia em prece.

 

ESTA DOENÇA CHAMADA CÂNCER 

1
Neste Natal recebi uma boa notícia. Posso me preocupar menos com esta enfermidade, chamada câncer, uma vez que já carrego um AVC e um diabetes sempre prontos a me balançar! Meus amigos me perguntavam se a notícia não me abalava. De fato, não! Tive mãe e pai estóicos e paralíticos e aprendi muito com eles. Isto não me faz mais santo que os outros, mas me ensinou a encarar a vida sem ser trágico. Já cantei a respeito deles que ter problemas na vida não e ter vida infeliz!

Depois de três riscos de morte, três acidentes , um dos quais um Acidente Vascular Cerebral que tirou de circulação por mais de um ano, e às vezes dribla minha fala, eu me considero um missionário sem barcos, nem aviões, com menos microfones e quase nenhuma câmara! Mas ainda estou na ativa! Grato por quem orou por mim! Não mereço, mas ganhei mais do que mereço.
2
Mas penso nos outros que carregam esta disfunção! Há crianças, adolescentes, jovens, adultos, anciãos a enfrentar o câncer. Outras doenças também matam com dores até mais martirizantes. Mas é do câncer que mais se tem medo. O diagnóstico sempre preocupa. São células rebeldes que precisam retroceder para não contaminar as células sadias.

Sofrem de câncer o menino, a menina, o jovem, avô, avó, tio e tia, namorados, atletas, bandidos, santos, governantes, artistas, ricos e pobres, médicos e até pregadores que diziam que Jesus cura seus fiéis e seus familiares!
3
Uma disfunção do corpo devora as células de tal maneira que as células vão sendo comprometidas antes do coração e do cérebro. Em muitíssimos casos, os fármacos, uma cirurgia, um milagre revitalizam as células e a pessoa recupera a vitalidade e sobrevive. Cada filho ou filha de Deus atingida por esta enfermidade reage como é, ou como aprendeu a reagir.

O fato é que, no dia em que o médico sereno e amigo nos diz que seu corpo está perdendo células vitais em determinada região do corpo , se for o seu caso, vc sabe que tem mais alguns meses, ou muitos anos de vida. Mas é apenas uma possibilidade. Pode haver revitalização ou não; pode haver milagre ou não. Aí entra a calma e a fé! Milagres acontecem! Oração funciona! E nem sempre só os bonzinhos e gentis são curados. Pecadores também! É aí que a chance aumenta!
4
Procurar clínicas, ir a um lugar de romaria, um templo, pedir mais alguns de vida, procurar um pregador que apregoa curas no seu templo na mais igreja, pedir intercessão, tudo isso é ótimo.

Mas quando se crê que o autor da vida é Deus, talvez a atitude mais certa é manter a calma e seguir as orientações dos médicos e médicas. Como poucos sobreviverão mais de 80 anos, convêm conversar com aquele que nos criou e colocar corpo e espírito no colo dele. As células ou nos levarão, ou esperarão. Mas estaremos em paz se entendermos que se trata de uma passagem.
5
Se estou morrendo? Não! Os médicos não mentem para mim, nem para meus superiores religiosos. O que sei é que o tratamento é de qualidade. E os médicos ficaram alegres. São queridos. Todos e todas. As Irmãs PMMI são serenas e competentes. Daqui a alguns meses direi se as células foram controladas. Veremos enquanto oro e ajudo meu povo a pensar .

Mas não tenham pena de mim. Pensem nos que perderam a paz por causa dessas células. Eu continuo crescendo como pessoa e como pregador diante de mais este desafio. Não foi o único e provavelmente não será o último! Todo mundo passou ou passará por desafios.
6
Ele sabe e eu também acho que sei que a decisão é Dele! Oro por todos que deitam naquelas máquinas ou recebem aquelas injeções mensais! A maioria encara o tratamento com serenidade!

Agora que meus médicos dizem que estou fora deste perigo, mas que terei que me cuidar para sempre, desejo o mesmo a todos.

Aguardem mensagens e cds a respeito . É uma das razões porque estou guardando silêncio até 31 de janeiro. Orem comigo. Oro com vocês em minhas liturgias! Grato!

 

Fonte: https://www.facebook.com/jose.fernandesdeoliveira.94?fref=ts

 

Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e escritor

 No dia 10 de dezembro o Papa Francisco deu uma longa e surpreendente entrevista para o jornal italiano La Stampa. O clima natalino e o final do seu primeiro ano de pontificado eram uma ótima ocasião para fazer uma “revisão de vida”, como todo jesuíta costuma fazer diariamente em sua oração da noite. O nome do papa é Francisco, mas sua mística é marcada fortemente pela militância típica dos filhos de Santo Inácio de Loyola. Esta mistura equilibrada da ternura franciscana com o vigor jesuíta transparece em cada linha de entrevista. A síntese aparece quando ele diz: “tenha esperança e nunca tenha medo da ternura!”

Para o papa o homem de nossos dias corre o risco de perder a esperança e a simplicidade dos gestos mais comuns como abraçar e acariciar. Seu remédio para nosso mundo marcado pelo individualismo e a liberdade sem limites é a “cultura do encontro”. Isto não é mera teoria antropológica. O papa ensina esta cultura mais pelos seus gestos do que com suas palavras. Ele vive este natal 365 dias por ano e 24 horas por dia. Na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro sua disposição para ir ao encontro das pessoas chamou a atenção do mundo inteiro e conquistou o coração do nosso povo.

Natal é isso. É a festa do encontro. Como lembra Francisco na entrevista: “É o encontro com Jesus […]. É o encontro de Deus com seu povo”. Viver esta dimensão mística do encontro nos consola e faz com que a vida não seja apenas um “vale de lágrimas”. Temos razão para sorrir e fazer festa. O Evangelho é uma boa notícia que nos traz alegria. Quem faz esta experiência não se sente sozinho. Sabe que Deus está do seu lado.

O natal como festa da ternura e da alegria é vivido até por pessoas que nunca ouviram falar de Jesus Cristo e por muitos que ouviram e até são cristãos mas vivem um natal pagão. Segundo Francisco esta alegria mundana é muito diferente da alegria que o verdadeiro natal nos trás.

A estas alturas o jurnalista fez uma pergunta um pouco embaraçosa: “Mas como viver esta ternura alegre em um mundo com tantos conflitos e guerras?” Francisco respondeu com uma de suas frases lapidares: “Deus nunca dá um dom a quem não é capaz de recebê-lo”. Os corruptos também têm a capacidade de vivenciar a alegria do natal. O problema, diz o papa, é que sua capacidade está um pouco “enferrujada”. Francisco lembra que o natal revela que Deus não desiste de nós. Ele tem paciência; “a serenidade da noite de Natal é um reflexo da paciência de Deus conosco”. A própria cidade de Belém é um ponto onde convivem a memória da ternura e a tragédia da guerra.

Francisco se diz impressionado pelas estatísticas que falam de 10 mil crianças mortas de fome por dia no mundo. É uma grande tragédia que não podemos tolerar. O papa faz um pedido de natal: “Gostaria de repetir à humanidade: deem de comer a quem tem fome! Que a esperança e a ternura do Natal do Senhor nos sacudam da indiferença.”

Sobre os problemas internos da Igreja e as perspectivas de mudanças para o futuro, Francisco é sóbrio e determinado, como convém a quem faz a síntese entre vigor e ternura. Suas palavras revelam uma outra face desta mesma rara mistura: “prudência e ousadia”. Se João Paulo II foi um papa “missonário” e Bento XVI, um papa “mestre”, Francisco tem sido um papa mártir, ou seja, “testemunha” do encontro de Deus com a humanidade. Então… é natal.