Papa Francisco, eleito no dia 13 de março de 2013, enviou sua primeira mensagem pelo Twitter no dia 17, pedindo oração e, dois dias depois, em 19 de março, dia de São José (seu onomástico) publicou duas mensagens na mesma rede social. Estas, relidas agora, revelam um verdadeiro programa de governo:

1ª Mensagem: “O verdadeiro poder é o serviço. O Papa deve servir a todos, especialmente aos mais pobres, aos mais fracos, aos mais pequeninos.”

No reino de Jesus, reinar é servir.  Quando o poder se resume em títulos, cargos e busca de prestígio ele corrompe o mais profundo da nossa alma. Nem os apóstolos escaparam desta tentação. Quem não se lembra daquele episódio em que os escolhidos de Jesus vinham conversando pelo caminho sobre quem deles seria o “maior” (Cf. Mc 9,30-37). Seria Pedro a quem Jesus havia dado as “chaves” do céu e da terra? Seria Judas Iscariotes que tinha a “chave do cofre”? Seria João, o melhor amigo do mestre? Ou quem sabe Mateus que era alfabetizado e influente na sociedade. Conhecemos a palavra de Jesus: Se alguém quer ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos”. Este episódio não foi um fato isolado. Certa ocasião a mãe de Tiago e João fez um pedido um pouco estranho. Pedia que seus filhos ocupassem os primeiros lugares no Reino (Cf. Mt 20,20-28). Ela imaginava Jesus um messias puramente. Queria que seus filhos fossem os primeiros ministros. O Mestre de Nazaré diz sem rodeios: “Você não sabe o que está pedindo”. Em seguida deixa claro que seu reino é o serviço, seu trono é a cruz e sua coroa, de espinhos. Eles não entenderam muito bem. Então ele falou claramente: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.” Ao assumir o ministério de sucessor de Pedro, o Papa Francisco deixou claro que aceita este programa de governo feito de serviço aos irmãos, especialmente os mais pobres, humildes e sofredores.

2ª Mensagem: “Guardemos Cristo na nossa vida, cuidemos uns dos outros, guardemos a criação com amor.”

O serviço aqui se revela em três dimensões que se integram entre si. A primeira é cuidar da nossa espiritualidade “guardando Cristo em nossa vida”. A segunda é cuidar dos irmãos, promovendo a fraternidade. A terceira é cuidar deste mundo onde Deus nos colocou como jardineiros do paraíso. Simples assim. Completo assim. Francisco tem como programa de governo o serviço de cuidar da pessoa humana nas suas três dimensões essenciais: espiritual, interpessoal e corporal. A salvação passa pela saúde nestas três dimensões. Aos poucos ele iria chamar isso de “cultura do encontro”. Não é apenas um programa retórico, feito de discursos e palavras. Francisco nos provoca permanentemente com seu testemunho. Ele acredita na solidariedade. Denuncia toda forma de poder usado em favor apenas de um ou de um grupo. Tem nomeado sempre equipes para as mais diversas tarefas. Sabe que seu pontificado não poderá ser monárquico, mas colegial. Ele acredita em uma Igreja-comunhão. É claro que muitos ainda insistem em olhar para o papa como uma personalidade: o dono da bola. Desde os primeiros dias ele deixou claro que não é assim. Jogamos em equipe. Somos um time. Sabemos conjugar o verbo no plural. Somos corpo de Cristo. Sozinhos perdemos nossa identidade. Juntos somos mais.

Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e escritor