Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e escritor

Em maio de 2007 bispos de todo o nosso imenso continente estiveram no Brasil para a Conferência de Aparecida. Um deles era Dom Jorge Bergóglio, hoje, Papa Francisco. O Documento Final começava com estas inesquecíveis palavras: “Com a luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito Santo, nós os bispos da América nos reunimos para celebrar a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe (CELAM). Fizemos isso como pastores que querem seguir estimulando a ação evangelizadora da Igreja, chamada a fazer de todos os seus membros discípulos missionários de Cristo, Caminho, Verdade e Vida para que nossos povos tenham vida n’Ele”. A expressão “discípulo missionário” traduziu perfeitamente uma nova fase para o nosso povo. Recebemos muitos missionários nos últimos 500 anos. Agora percebemos que todo cristão tem esta vocação de levar o evangelho a toda criatura. Quem não é missionário descobre que nem mesmo é discípulo. Ser cristão é evangelizar.

Mas de que modo quem participa do “Apostolado da Oração” pode viver esta dimensão do “discípulo missionário”? Indo de casa em casa para anunciar o Reino do Coração de Jesus? Assumindo pastorais em sua paróquia? Participando de movimentos de espiritualidade? Certamente que tudo isso é muito bom mas existe uma forma típica do apóstolo e apóstola da oração assumir sua missão na Igreja: unindo-se espiritualmente à oferta de Cristo ao Pai em favor da salvação da humanidade. É bom lembrar que tudo começou em dezembro de 1844 numa casa de estudos jesuíta, na França. Os estudantes de filosofia e teologia queriam muito dedicar-se a obras de apostolado. Mas eles estudavam em vista do sacerdócio e naquele momento não podiam assumir todas as atividades apostólicas típicas de um ministro ordenado. Diante disso seu orientador espiritual, Pe. Francisco Gautrelet, mostrou-lhes que era possível viver esta dimensão missionária por meio da oração e da oferta de si. Ali surgiu o Apostolado da Oração.

Nos dias 07 a 08 de outubro de 2012 realizou-se em Roma o Sínodo dos Bispos sobre a “Nova Evangelização para a Transmissão da Fé”. Novamente foi um grande momento para refletir como todo cristão pode viver esta dimensão de “discípulo missionário”. Coube ao Papa Francisco, recentemente, reunir as conclusões deste encontro na sua primeira Exortação Apostólica Evangelii gaudium, traduzindo, o Evangelho da Alegria. Se pudéssemos resumir todas as palavras de Francisco em apenas duas diríamos que “para ir é preciso sair”. Para ser missionário não basta “ir” a lugares distantes. É preciso, antes, “sair de si mesmo”. Esta é a atitude de “oferecimento de si”, básica no Apostolado da Oração. Todos os dias renovamos o Ato de Oblação por meio do “oferecimento de si” pelas intenções do Santo Padre. Isto nos impede de ficar em uma espiritualidade intimista e auto-centrada. Não fazemos isso simplesmente como um mero esforço humano. Seria inútil. Unimos a nossa entrega ao oferecimento de Cristo ao Pai. Deste modo até o sofrimento adquire sentido salvífico. É neste sentido que o papa Francisco afirma de maneira muito poética no nº 264 da sua exortação: “Como é doce permanecer diante dum crucifixo ou de joelhos diante do Santíssimo Sacramento, e fazê-lo simplesmente para estar à frente dos seus olhos! Como nos faz bem deixar que Ele volte a tocar a nossa vida e nos envie para comunicar a sua vida nova! […] A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contemplá-lo com amor; é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração.”

Não é exatamente isso que fazemos a cada eucaristia, adoração ou prece pessoal no Apostolado da Oração? Viver de modo orante, em comunhão com o Coração de Jesus, no coração do mundo é uma forma intensa e revolucionária de apostolado; é ser discípulo em missão.

Clique para saber mais:

Apostolado da Oração em Portugal

Apostolado da Oração no Brasil

Leia o documento de Aparecida

Discurso inaugural de Bento XVI em Aparecida

Leia a Exortação Apostólica do Papa Francisco: Evangelii Gaudium

Conheça o CELAM

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