Pedro está atendo à reflexão. Apesar de apressadamente ele rotular as pessoas, reconheço que ele tem um “certo” conhecimento. A “vulgata” é a tradução da Bíblia em latim, por São Jerônimo. É uma obra monumental. Recentemente a Igreja Católica aprovou a revisão desta tradução publicando a NEO-VULGATA. Esta é a tradução que todo católico em comunhão com o Santo Padre deve utilizar, o que, naturalmente, não é o caso do Sr. Pedro. Para notícia, publico aqui (em latim) a Constituição Apostólica do Papa João Paulo II, que determinou o uso do NEO-VULGATA. Certamente Pedro não terá dificuldade de ler em latim.

  CONSTITUTIO APOSTOLICA

QUA NOVA VULGATA BIBLIORUM SACRORUM EDITIO

“TYPICA” DECLARATUR ET PROMULGATUR

 

 

IOANNES PAULUS EPISCOPUS

SERVUS SERVORUM DEI

AD PERPETUAM REI MEMORIAM

 

 

SCRIPTURARUM THESAURUS, quo salvificus nuntius a Deo hominibus datus continetur — ait enim recte s. Augustinus: “ de illa civitate unde peregrinamur, litterae nobis venerunt: ipsae sunt… quae nos hortantur ut bene vivamus ” (Enarr. in ps. XC, s. 2,1: PL 37, 1159) — ab Ecclesia merito semper summo in honore est habitus singularique diligentia custoditus. Quae quidem ab ipsis initiis suis numquam desiit curare, ut populus christianus quam amplissima frueretur facultate Dei verbum percipiendi, praesertim in sacra Liturgia, in qua celebranda “ maximum est sacrae Scripturae momentum ” (Conc. Vat. II, Const. Sacros. Conc., n. 24).

 

Ecclesia ergo in partibus occidentalibus illam ceteris versionibus anteposuit, quae Vulgata solet appellari quaeque maximam partem a s. Hieronymo, doctore praeclaro, confecta, “ tot saeculorum usu in ipsa Ecclesia probata ” est (Conc. Trid., sess. IV; Enchir. Bibl., n. 21). Tam egregiae existimationi documento est etiam cura eius textum ad criticam rationem apparandi, ac quidem per editionem, quae secundum altiorem doctrinam adhuc concinnatur a monachis Abbatiae S. Hieronymi in Urbe, a Pio XI, Decessore Nostro fel. rec., ad hoc institutae (Const. Apost. Inter praecipuas, 15 Iun. 1933; A.A.S. XXVI, 1934, pp. 85 ss.).

 

Aetate autem nostra Concilium Vaticanum II, honorem confirmans editioni illi, quam Vulgatam vocant, tributum (Const. Dei verbum, n. 22), atque eo contendens, ut in Liturgia Horarum facilior esset intellectus Psalterii, statuit, ut huius recognoscendi opus, feliciter inchoatum, “ quamprimum perduceretur ad finem, respectu habito latinitatis christianae necnon totius traditionis Ecclesiae ” (Const. Sacros. Conc., n. 91).

 

His omnibus Paulus Vl, Decessor Noster rec. mem., motus est, ut antequam eidem Concilio finis imponeretur, id est die XXIX mensis Novembris anno MCMLXV, peculiarem Pontificiam Commissionem constitueret, cuius esset universalis eiusdem Synodi iussum perficere atque omnes Sacrae Scripturae libros recognoscere, ut Ecclesia praedita esset editione Latina, quam progredientia studia biblica postularent quaeque potissimum rei liturgicae inserviret.

 

In qua recognitione efficienda “ ad verbum ratio habita est veteris textus editionis Vulgatae, ubi videlicet primigenii textus accurate referuntur, quales in hodiernis editionibus, ad criticam rationem exactis, referuntur; prudenter vero ille est emendatus, ubi de iis deflectit vel minus recte eosdem interpretatur. Quam ob rem Latinitas biblica christiana est adhibita, ita ut aequa aestimatio traditionis cum iustis postulationibus artis criticae, his temporibus vigentis, temperaretur ” (cfr. Alloc. Pauli VI, 23 Dec. 1966; A.A.S. LIX, 1967, pp. 53 s.).

 

Textus, ex hac ipsa recognitione exortus, quae quidem impensior fuit in quibusdam libris Veteris Testamenti, quibus s. Hieronymus manus non admovit, ab anno MCMLXIX ad annum MCMLXXVII seiunctis voluminibus est editus, nunc vero editione “ typica ”, uno volumine comprehensa, proponitur. Haec Nova Vulgata editio etiam huiusmodi esse poterit, ut ad eam versiones vulgares referantur, quae usui liturgico et pastorali destinantur; atque, ut verbis utamur Pauli VI, Decessoris Nostri, “ cogitare licet eam certum quoddam fundamentum esse, in quo studia biblica… innitantur, maxime ubi bibliothecae, specialibus disciplinis patentes, difficilius consuli possunt et congruentium studiorum diffusio est impeditior ” (cfr. Alloc., 22 Dec. 1977; cfr. diarium L’Osservatore Romano, 23 Dec. 1977, p. 1).

 

Praeteritis temporibus Ecclesia arbitrabatur veterem Vulgatam editionem sufficere atque ad verbum Dei populo christiano impertiendum affatim valere: quod quidem eo satius iam efficere poterit haec Nova Vulgata editio.

Itaque opus, quod Paulus VI vehementer optavit neque ad finem absolutum potuit videre, quod Ioannes Paulus I studiosa voluntate est prosecutus, qui Pentateuchi libros, a praedicta Pontificia Commissione recognitos, sacrorum Antistitibus in urbem “ Puebla ” congressuris muneri mittere statuerat quodque Nosmet ipsi una cum multis ex orbe catholico valde exspectavimus, typis excusum Ecclesiae iam tradere gaudemus.

 

Quae cum ita sint, Nos harum Litterarum vi Novam Vulgatam Bibliorum Sacrorum editionem “ typicam ” declaramus et promulgamus, praesertim in sacra Liturgia utendam, sed et aliis rebus, ut diximus, accommodatam.

 

Volumus denique, ut haec Constitutio Nostra firma et efficax semper sit et ab omnibus, ad quos pertinet, religiose servetur, contrariis quibuslibet nihil obstantibus.

 

 

Datum Romae, apud S. Petrum, die XXV mensis APRILIS in festo s. Marci Evangelistae, anno MCMLXXIX, Pontificatus Nostri primo.

 

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

 

Depois de titular Maria como “vaso espiritual” a Ladaínha a chama de “Vaso honorífico”. Novamente podemos rezar a invocação sem pensar demais nem buscar fundamentos para a prece. É certo que não devemos racionalizar demais a oração. Mas é sempre bom refletir sobre o que rezamos. Como aconselha o apóstolo Paulo: “Rezai com o espírito, mas rezai também com a inteligência”.

Já vimos que chamar Maria de “vaso” significa reconhecer nela a sua humanidade, fragilidade… é feita do mesmo barro que nós. Somos todos vasos na mão do mesmo Divino Oleiro. Mas e este adjetivo: “Honorífico”? Não seria a negação da humildade que marcou a vida de Maria? Exatamente o contrário. Porque ela foi serva é que se tornou rainha. Ela realizou o que seu filho iria ensinar: “os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros… quem quiser ser o maior seja o servo de todos”. Aliás, seu canto magnífico profetizou esta vitória dos pobres: “O Senhor fez em mim maravilhas… derrubou do trono os poderosos e os humildes exaltou!” Diz ainda: “todas as gerações hão de chamar-me de bendita”.

Vivemos em um tempo no qual as pessoas facilmente vendem a sua honra. O filósofo Maquiavel ensinava aos políticos (e parece que muitos aprenderamo direitinho a lição): não interessa o que você é, mas o que o povo pensa que você é. Por isso se gasta tanto em marketing eleitoral. É preciso maquiagem em mais maquiagem. O candidato tem que parecer do jeito que o povo quer ver. Depois do voto vemos a realidade: mensalão, votação a favor do aborto, falta de decoro parlamentar, roubo e até crime organizado. O que falta em nossa vida pública é o sentido da honra. Homens e mulheres de caráter preservam a sua honra. Hoje este valor anda meio em baixa. Mas já houve tempos em que pessoas honradas ocupavam lugar de destaque na sociedade. Daí vieram os títulos e medalhas de honra ao mérito. Alguns acabaram procurando mais o título e a medalha do que o motivo que levaria alguém a receber esta condecoração. Há pessoas que têm medalhas de papel. Não fizeram nada para recebê-las. Há câmaras de vereadores que distribuem títulos de cidadão honorário como forma de chamar a atenção sobre este ou aquele vereador. Uma universidade pode dar um título de doutorano “Honoris Causa”, mas a pessoa tem que de fato merecer. Não é porque falta ao presidente um diploma de curso superior que ele automaticamente está apto a receber este título. Precisa honrar algum universo do saber.

A Igreja declara alguns santos como “doutores da Igreja”. João Paulo II declarou Santa Terezinha (1873-1897), doutora da infância espiritual. Sua pequena via é um caminho espiritual original e inteligente, proprio para o nosso mundo moderno, que busca as grandes coisas. A santidade pode estar no quotidiano, no gesto simples, no sorriso. Hoje Santa Terezinha tem a honra dos altares para nos iluminar com seu exemplo e suas lições. Este tipo de honra vale a pena.

O apóstolo Paulo em sua segunda carta ao jovem Timóteo utiliza esta imagem do vaso. Parece que foi daí que a ladainha tomou emprestada a expressão “Vaso honorífico”: “Numa grande casa n]ao há somente vasos de ouro  prata; há também de madeira e de barro; alguns para uso nobre , outros para uso vulgar. Aquele, pois, que se purificar deste erros será um vaso nobre, santificado, útil ao seu possuidor, preparado para toda boa obra” (2Tm 2,20-21).

Olhando para Maria como “vaso honorífico” lembramos que ela foi fiel e humilde. Respondeu à graça de Deus com seu esforço. Foi uma mulher de honra.  Vaso honorífico, rogai por nós!

Hoje acordo em Recife ao som dos acorde do noite Feliz que encerrou ontem o nosso RECIFE FELIZ NATAL. Foi muito bonito ver todo aquele povo ficar firme das 16h às 22h. Ao todo passaram por ali cerca de 15.000 pessoas. São milagres que precisamos ter olhos para ver. Estou com os salesianos. Em minutos acontecerá a missa dos funcionários da “Inspetoria Salesiana do Nordeste”. Participarei e depois vou para o Colégio das Damas da Instrrução Cristã, onde passarei o Natal. Darei notícias.