Posts Tagged ‘Quaresma’

O Exercício Quaresmal da Oração faz crescer a Fé

segunda-feira, fevereiro 18th, 2013

Dando continuidade ao nosso retiro espiritual na Quaresma, tempo privilegiado de conversão e combate espiritual. Falávamos dos Exercícios Quaresmais de Conversão, buscando o Tesouro da Fé.  Dando inicio aos três exercícios que na Quarta-feira de cinzas a liturgia nos apresentou, a Oração, o Jejum e a Esmola. Hoje vamos falar do exercício espiritual da Oração, que é a respiração, o fôlego neste caminho em busca do tesouro da fé.

“Da mão do anjo, subia até Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos” (Ap 8,4).

“Porque amar a Deus significa observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, porque todo aquele que nasceu de Deus venceu o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé. De fato, quem pode vencer o mundo, senão aquele que acredita que Jesus é o Filho de Deus? Este é aquele que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Ele não veio apenas pela água, mas pela água e pelo sangue.) E é o Espírito quem dá testemunho, porque o Espírito é a Verdade” (cf. I João 5, 3-6).

A Oração é a expressão máxima de nossa fé, não posso pensar na oração como algo que partisse somente de mim, mas quando o homem se põe em oração a iniciativa é de Deus que atingiu com a sua graça o coração do homem que responde à Sua graça. Oração não é somente o meu dialogo com Deus, mas também uma resposta à iniciativa do amor de Deus, da Sua graça que já me conquistou. Toda a nossa vida deveria ser uma oração, ou seja, uma comunicação com o divino em nós. A oração constitui uma abertura para Deus, para o próximo e para o mundo; um sim de acolhimento, de louvor, de conformidade. Ao pensar no homem integral, não podemos imaginá-lo sem a dimensão espiritual e a porta para espiritualidade é uma oração verdadeira onde os meus pés estão no chão, mas o meu coração está no alto, no meu criador e Senhor: “O Senhor esteja convosco, Ele esta no meio de nós. Corações ao alto, o nosso coração esta em Deus!” (cf. Introdução as orações Eucarísticas, Missal Romano)

Na virtude Teologal da fé, nós dizemos um sim ao Pai na obediência. Procuramos situar-nos sempre de novo dentro de nossa vocação e da nossa missão. O homem se pergunta pela sua vocação, o homem responde à sua vocação, o homem realiza em profundidade sua vocação de comunhão íntima de vida com Deus. É na oração que o homem melhor cultiva seu relacionamento de Filho com Deus, que se revela como Pai.

Durante a Quaresma a Igreja convoca os fiéis a se exercitarem intensamente na oração, a fim de que toda a sua vida se transforme em oração. Ela evoca o Cristo em oração diante do Pai no deserto e nas montanhas, onde ele passava noites em colóquio. Evocando o Cristo orante, a Igreja torna-se o prolongamento da presença do Cristo orante entre os homens. Nos Evangelhos, principalmente em Lucas, Jesus é o grande orante, o modelo do fiel. Jesus resistiu à tentação de tentar Deus: sinal de sua imensa confiança no Pai. Ele professa a fé no único Deus como regra de sua vida. Ele alimenta-se com a palavra que sai da boca do Altíssimo. Nossa quaresma deve ser um estar com Jesus no deserto, para, como ele, dar a Deus o lugar central de nossa vida. Como ele, com ele e por ele, pois é dando a Jesus o lugar central, que o damos a Deus também. Neste sentido, a quaresma é realmente “ser sepultado com Cristo”, para, na noite pascal, com ele ressuscitar. E essa dinâmica acontece numa vida de oração ligada por Jesus ao Pai e ao Espírito Santo na vida e na Liturgia. l

E desta forma a Igreja vive em atitude de penitencia, pois a oração constitui a expressão máxima da conversão e da vida em Deus.

Se os fieis souberem viver a autentica comunhão com Deus na oração durante a Quaresma, conseguirão viver durante o ano todo em atitude de oração, transformando também as outras dimensões da vida, como o relacionamento com o próximo e com o mundo, em oração de atitude ou verdadeira devoção. A oração nos lança para Deus e para os irmãos!

Na vida de oração crescemos na virtude da fé e no relacionamento com Deus. Portanto quanto mais eu rezar e rezar melhor, crescerei em sabedoria e santidade também na fé e no conhecimento verdadeiro de Deus. O exercício da oração desde dialogo com Deus aumenta e expressa em mim o Dom da fé. Esse dom gratuito de Deus que também é uma virtude porque é um exercício.

______________________________________________________________

______________________________________________________________

O que é Virtude?
A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática. “Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,8) (cf. Catecismo da Igreja Católica n° 1803).

Quantas classes de virtudes existem?
Existem duas classes de virtudes: as Virtudes Teologais e as Virtudes humanas ou morais. “As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. As virtudes morais são adquiridas humanamente. São os frutos e os germes de atos moralmente bons; dispõem todas as forças do ser humano para entrar em comunhão com o amor divino” (cf. CIC n° 1804).

Quantas são as virtudes teologais?
As virtudes teologais são três: a , a Esperança e a Caridade;

Nos exercícios quaresmais de conversão, vamos aprofundar os temas da Oração, do Jejum e da Esmola e de sua ligação com as virtudes teologais, grandes tesouros no caminho da santidade. Hoje percebemos que a oração tem uma ligação íntima com a virtude da fé, a expressa e a faz crescer.

O que é a fé?
A fé é a Virtude Teologal pela qual cremos em Deus, em tudo o que Ele nos revelou e que a Santa Igreja nos ensina como objeto de fé. “A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se vêem. Foi por causa da fé que os antigos foram aprovados por Deus. Pela fé, sabemos que a Palavra de Deus formou os mundos; foi assim que aquilo que vemos originou-se de coisas invisíveis” (cf. Hb 11, 1ss).

A oração quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele.  Então quando eu rezo estou saciando a minha sede de Deus e de eternidade, alimentando a minha alma daquilo que ela mais almeja e precisa e muitas vezes eu não sei ler os seus anseios, ou seja, os sintomas da minha alma. Por isso, é através da oração, comunhão com Deus, que Ele alimenta a minha fome e sede dele e das coisas do céu, fazendo crescer nas virtudes da fé e também no relacionamento com as pessoas e as coisas criadas. Eu não posso dizer que amo a Deus se eu não amo o meu irmão, a oração é o dialogo com Deus mais também me lança para o meu irmão.

É um exercício de conversão a Deus e aos irmãos. Precisamos crescer na vida de oração, na intimidade com Deus para que possamos crescer como homens e mulheres de Deus, irmãos uns dos outros. A oração me lança para Deus e para os irmãos.

Senhor, eu clamo por vós, socorrei-me; quando eu grito, escutai minha voz! Minha oração suba a vós como incenso, e minhas mãos, como oferta da tarde! (Salmo 140, 1-2).

Oração: Ó Deus de bondade concedei que, formados pela observância da Quaresma e nutridos por vossa Palavra, saibamos mortificar-nos para vos servir com fervor, sempre unânimes na oração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

“Arme-se com a arma da oração, e terá mais força no combate diário.” (Santo Padre Pio de Pietrelcina).

Clique em comentários e partilhe como você vive o exercício espiritual da Oração?

Conte com as minhas orações.

Matérias relacionadas: Proposta para uma vida eficaz de oração

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador no Pré-discípulado.

*Fonte de pesquisa: Livro Celebrar a vida Cristã, Frei Alberto Beckhauser, OFM. Editora Vozes, 1991.

Escute o Podcast:

Espiritualidade: Três passos para buscar o Tesouro da Fé

sexta-feira, fevereiro 15th, 2013

Quaresma tempo privilegiado de conversão e combate espiritual. Vamos refletir sobre os rumos de nossa espiritualidade até a Páscoa de nosso Senhor Jesus, ou seja, a Vida Nova que o Senhor tem para nós.  Os exercícios quaresmais de conversão são as primeiras indicações para buscar o tesouro da fé. A Liturgia da quarta-feira de Cinzas, que abre o Tempo da Quaresma, manda proclamar o Evangelho em que Nosso Senhor fala da esmola, da oração e do jejum, conforme Mateus 6, 1-8. 16-18. Este Evangelho apresenta, como que em síntese, o programa dos exercícios quaresmais de conversão. Aproveite e faça deste Evangelho a sua leitura espiritual de hoje.

Por que justamente oração, jejum e esmola? Oração, ainda se compreende. Mas jejum e esmola? A Igreja renovada do Vaticano II manteve esses exercícios que podem parecer antiquado e que está em desacordo com os usos e costumes de nossa época. Jejum e esmola ainda têm sentido hoje? Não seria melhor dedicar-nos à promoção social? Muitos talvez coloquem estas ou outras questões semelhantes. Os prefácios das Missas da Quaresma acentuam estes exercícios de penitencia: “Ano após ano, concedeis a vossos filhos esperar com alegria a festa da Páscoa, preparando-se pela penitencia e dedicando-se mais à oração e ao amor fraterno, para que alcancem à plenitude da filiação divina pela renovação dos sacramentos pascais, nos quais nos quais renasceram” (Pref. I). Falando do jejum, a Igreja reza: “Vós quisestes que vos rendêssemos graças por meio da abstinência que, moderando nossos excessos de pecadores, nos leve a imitar vossa bondade, proporcionando alimento aos que têm fome” (Pref. III).

Vamos tentar descobrir o sentido mais profundo da oração, do jejum e da esmola na Liturgia e de modo especial no tempo da Quaresma. Sendo a Quaresma um tempo forte de conversão, ela tem sua linguagem, seus exercícios ou ritos de conversão. É neste contexto de conversão que devemos colocar também os ritos da oração, do jejum e da esmola, pois eles atingem os principais relacionamentos do homem: o relacionamento último com Deus expresso no valor da oração, o relacionamento com o próximo e o relacionamento com a natureza criada. São três ritos de religião já presentes no culto do Antigo Testamento e herdados pela Igreja cristã dos primeiros séculos e ainda atuais para o homem de hoje.

A Quaresma precisa ser para nós um retiro em preparação para celebrarmos a Páscoa, vida nova em Jesus ressuscitado. Por isso, nos comprometemos a trilhar este caminho de espiritualidade interior e pratica. Para encontrar nos tesouros da fé o Homem Novo em Cristo Jesus. Aqui no blog vamos desenvolver textos e reflexões que nos ajudarão nesta preparação e nesta mudança de vida. Jejum na quarta feira de cinzas, durante a Quaresma e na Sexta-feira Santa para os que completaram 18 anos até 60 anos de idade. Abstinência de carne na quarta feira de cinzas e na Sexta-feira Santa, para os que completaram a partir dos 14 anos. Inclusive, grávidas e mães amamentando podem escolher o jejum e a penitência que melhor lhe convém.

Oração: Senhor, assim como o meu corpo precisa de um mínimo de exercícios físicos para estar bem, saudável, muito mais o meu interior, a minha alma, precisa de exercícios espirituais para estar em equilíbrio Contigo, comigo mesmo e com os meus irmãos e a natureza. Daí-me a graça da perseverança e da força de vontade para fazer aquilo que eu preciso e ajudar a todos com os meus gestos de conversão pessoal. Para a maior glória do Vosso Santíssimo Nome. Amém

Comente, como você vive a Oração, o Jejum, e a Esmola?

Maria mãe do homem novo ensina-me a constância de coração.

Matérias relacionadas: Quaresma: Em busca do Tesouro da Fé

Mensagem do papa Bento XVI para Quaresma de 2013

O Papa convidou-nos a um profundo exame de consciência

Bom retiro pra você.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador no Pré-discípulado.

* Fonte de pesquisa: Celebrar a Vida Cristã, Frei Alberto Beckhauser, OFM. Ed. Vozes 1991.

Escute o Podcast:

A purificação espiritual por meio do jejum e da misericórdia

quinta-feira, fevereiro 14th, 2013

Em todo tempo, amados filhos, a terra está repleta da misericórdia do Senhor (SI 32,5). À própria natureza é para todo fiel uma lição que o ensina a louvar a Deus, pois o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe proclamam a bondade e a onipotência de seu Criador; e a admirável beleza dos elementos postos a nosso serviço requer da criatura racional uma justa ação de graças.

O retorno, porém, desses dias, que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual.

Na verdade, é próprio da solenidade pascal que a Igreja inteira se alegre com o perdão dos pecados. Não é apenas nos que renascem pelo santo batismo que ele se realiza, mas também naqueles que desde há muito são contados entre os filhos adotivos.

É, sem dúvida, o banho da regeneração que nos torna criaturas novas; mas todos têm necessidade de se renovar a cada dia para evitarmos a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos sem exceção, devemos empenhar-nos para que, no dia da redenção, pessoa alguma seja ainda encontrada nos vícios do passado.

Por conseguinte, amados filhos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo tempo, deve praticá-lo agora com maior zelo e piedade, para cumprir a prescrição, que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias, não somente reduzindo os alimentos, mas, sobretudo abstendo-se do pecado.

A estes santos e razoáveis jejuns, nada virá juntar-se com maior proveito do que as esmolas. Sob o nome de obras de misericórdia, incluem-se muitas e louváveis ações de bondade; graças a elas, todos os fiéis podem manifestar igualmente os seus sentimentos, por mais diversos que sejam os recursos de cada um.

Se verdadeiramente amamos a Deus e ao próximo, nenhum obstáculo impedirá nossa boa vontade. Quando os anjos cantaram: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14), proclamavam bem-aventurado, não só pela virtude da benevolência mas também pelo dom da paz, todo aquele que, por amor, se compadece do sofrimento alheio.

São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de esmolas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade que manifestam.

Dos Sermões de São Leão Magno, papa
(Sermo 6 de Quadragesima, 1-2: PL 54,285-287)(Séc. V)

Esse tempo de santo jejum a porta do céu nos abriu; acolhamos o dom do Senhor em contínua oração, suplicando: que, no dia da Ressurreição, estejamos com ele na glória. Mostremo-nos servos de Deus
no pensar, no falar, no agir. Que, no dia da Ressurreição, estejamos com ele na glória (Cf. 2Cor 6,4).

Oração: Senhor, assim como o meu corpo precisa de um mínimo de exercícios físicos para estar bem, saudável, muito mais o meu interior, a minha alma, precisa de exercícios espirituais para estar em equilíbrio Contigo, comigo mesmo e com os meus irmãos e a natureza. Daí-me a graça da perseverança e da força de vontade para fazer aquilo que eu preciso e ajudar a todos com os meus gestos de conversão pessoal. Para a maior glória do Vosso Santíssimo Nome. Amém

Como vive a Oração, o Jejum, e a Esmola?

Maria mãe do homem novo ensina-me a constância de coração.

Matérias relacionadas:

O Papa nos convidou a um profundo Exame de Consciência

Quaresma, Em busca do Tesouro da Fé.

Bom retiro pra você!

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formador no Pré-discípulado.

Quaresma, Em busca do Tesouro da Fé.

quarta-feira, fevereiro 13th, 2013

Dentre todas as solenidades cristãs o primeiro lugar é ocupado pelo mistério pascal. Devemos nos preparar para vivê-lo convenientemente.  É por isso que foi instituída a quaresma, um tempo de quarenta dias  para chegar  dignamente  à celebração do Tríduo Pascal.

A  quaresma, como pratica obrigatória, foi instituída no IV século.  Mas desde sempre os cristãos se preparavam para a Páscoa com uma oração intensa,  jejum e penitência.  O número de quarenta dias tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio, da permanência de Moisés no monte Sinai, das tentações de Jesus. Guiados por este Tempo e praticas como guiados por uma bússola, buscamos o tesouros da fé para crescer no seguimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Cf. Joel 12, 12-13).

A Quaresma foi inspirada numa grande catequese que a Igreja primitiva realizava. Ela durava quarenta dias, quando os pagãos (catecúmenos) se preparavam para receber o Batismo no Sábado Santo,dentro da Solenidade da Vigília Pascal. Acompanhavam também os irmãos que tinham cometido pecados graves para retornarem à fé. Esse tempo era marcado pela penitência, oração, jejum e Escuta da Palavra de Deus. Eles eram os “penitentes”, que renovavam a fé e recebiam o Batismo ou eram reintegrados à comunidade no Sábado Santo.

Na quarta feira de cinzas, iniciamos o Tempo mais rico e profundo da Liturgia, na verdade este Tempo que abrange a Quaresma, Semana Santa e Páscoa até Pentecostes é um grande retiro, centro do Mistério de Cristo e da nossa fé e salvação. Tempo privilegiado de conversão e combate espiritual, de jejum medicinal e caritativo. A Quaresma ainda é, sobretudo, tempo de escuta da Palavra de Deus, de uma catequese mais profunda que recorda aos cristãos os grandes temas batismais, em preparação para a Páscoa.

Toda a nossa vida se torna um sacrifício espiritual que apresentamos continuamente ao Pai, em união com o sacrifício de Jesus sofredor e pobre, a fim de que, por ele, com ele e nele, seja o Pai em tudo louvado e glorificado. Por isso, a Quaresma é um caminho bíblico, pastoral, litúrgico e existencial para cada cristão pessoalmente e para a comunidade cristã em geral, que começa com as cinzas e conclui com a noite da luz, a noite do fogo e da luz: a noite santa da Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os Exercícios Quaresmais de conversão: Vamos refletir sobre os rumos de nossa espiritualidade até a Páscoa de nosso Senhor Jesus, ou seja, a Vida Nova que o Senhor tem para nós, os exercícios quaresmais de conversão. A Liturgia da quarta-feira de Cinzas, que abre o Tempo da Quaresma, manda proclamar o Evangelho em que Nosso Senhor fala da esmola, da oração e do jejum, conforme Mateus 6, 1-8. 16-18.

Exercícios Quaresmais de conversão:

Oração: A Oração é a expressão máxima de nossa fé, não posso pensar na oração como algo que partisse somente de mim, mas quando o homem se põe em oração a iniciativa é de Deus que atingiu com a sua graça o coração do homem que responde à Sua graça. Toda a nossa vida deveria ser uma oração, ou seja, uma comunicação com o divino em nós.

Jejum: Jejuar é abster-se de um pouco de comida ou bebida. É estabelecer o correto relacionamento do homem com a natureza criada. A atitude de liberdade e de respeito diante do alimento torna-se símbolo de sua liberdade e respeito para com tudo quanto o envolve e o pode escravizar: bens materiais, qualidades, opiniões, idéias, pessoas apegos e assim por diante. Temos mais. Jejuar significa fazer espaço em si.

Esmola ou caridade: O que significa a esmola? Dar esmola significa dar de graça, dar sem interesse de receber de volta, dar sem egoísmo, sem pedir recompensa, em atitude de compaixão. Nisto ele imita o próprio Deus no mistério da criação e a Jesus Cristo, no mistério da Redenção.

Celebrar a Eucaristia no tempo da Quaresma significa: percorrer com Cristo o itinerário da provação que cabe a Igreja e a todos os homens; assumir mais decididamente a obediência filial ao Pai, e o dom de si aos irmãos, que constituem o sacrifício espiritual. Assim, renovando os compromissos do nosso batismo na noite pascal, poderemos “passar” para a Vida Nova de Jesus – Senhor ressuscitado, para a glória do Pai, na unidade do Espírito.

Para celebrar bem este tempo:

1. O Tempo da Quaresma se estende da Quarta-feira de cinzas até a Missa “na Ceia do Senhor” exclusive. Esta missa vespertina dá inicio, nos livros litúrgicos, ao Tríduo Pascal da Paixão, morte e Ressurreição do Senhor, que tem seu cume na Vigília Pascal e termina com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. A semana que precede a Páscoa toma o nome de Semana Santa; começa com o Domingo de Ramos;
2.
Os· domingos deste tempo se chamam de 1°, 2°, 3°, 4° e 5° domingo da Quaresma. O 6° domingo toma o nome de “Domingo de Ramos da Paixão”. Esse domingo tem a precedência, mesmo sobre as festas do Senhor e sobre qualquer solenidade.
3.
As solenidades de São José, esposo de Nossa Senhora (19 de março) e da Anunciação do Senhor (25 de março) – como outras possíveis solenidades dos calendários particulares – antecipam sua celebração para o sábado, caso coincidam com esses domingos.
4.
A liturgia da Quarta-feira de cinzas abre o Tempo da Quaresma. Não se dizem nem se canta o Glória e o Credo na missa
5.
Nos domingos da Quaresma não se canta o hino Glória; faz-se, porém, sempre a profissão de fé e o Creio. Depois da segunda leitura não se canta o Aleluia; o versículo antes do Evangelho é acompanhado de uma aclamação a Cristo Senhor. Omite-se o Aleluia também nos outros cantos da missa.
6.
A cor litúrgica do Tempo da Quaresma é a roxa; para o 4° domingo (Laetare Alegria) é permitido o uso da cor rosa. No Domingo de Ramos e na Sexta-feira Santa, a cor das vestes litúrgicas e do celebrante é a vermelha, por se tratar da Paixão do Senhor.
7. Sugestão:
em oração colha de Deus uma penitência ou mortificação pessoal que você poderá viver neste tempo de retiro, por exemplo, deixar algo que gosta muito de fazer ou de comer, falar menos, diminuir o barulho ao seu redor, assistir menos televisão, reconciliar-se com as pessoas e situações, fazer um bom exame de consciência e confessar-se. Nos dias de jejum oferecer a quem não tem o que você iria comer e beber etc.

Aqui em nossa casa de formação iremos viver de maneira comunitária o silêncio nas quartas e sextas-feiras e neste tempo não ouviremos música e sim pregações do nosso pai fundador Monsenhor Jonas Abib. Por que “sem recolhimento não há profundidade” Papa Bento XVI.

Cliquem em comentários e partilhem quais seus propósitos e quais os Tesouros da Fé, que você deseja experimentar neste precioso tempo de conversão?

Oremos: Comecemos alegremente o tempo do jejum e lancemo-nos no combate espiritual, guardemos nossa alma do mal e purifiquemos nossa carne. Jejuemos de toda paixão assim como de alimento e que nossas delícias sejam as virtudes do Espírito. E que praticando com perseverança e amor, possamos todos nós conseguir ver a venerável Paixão de Cristo e, no júbilo espiritual, a Santa Páscoa nascer de novo com Cristo ressuscitado. Amém

Escute o Podcast:

Uma feliz e Santa Quaresma para você e sua família.

Confira Mensagem do Papa para A Quaresma de 2013.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova.
Diretor espiritual do Pré-discipulado.

O Papa convidou-nos a um profundo exame de consciência.

terça-feira, fevereiro 12th, 2013

O Senhor concedeu-me fazer uma homilia muito lúcida e cheia de fé no encerramento do retiro de Carnaval, que vivemos estes dias em nossa casa de Lavrinhas. Meditando sobre este tempo histórico que nós estamos vivendo, tempo propicio para interceder pela Igreja com um grande e verdadeiro Exame de Consciência. Iniciando a Quaresma, tempo forte de oração intensa, jejum e penitência. Não somente reduzindo os alimentos, mas, sobretudo abstendo-se do pecado.

Meditando a Liturgia Diária e a carta do Cardeal Ângelo Sodano. Escute este Podcast e reze. Viva intensamente este tempo forte da Quaresma em preparação para a Páscoa e para sucessão de Bento XVI. O Papa nos convidou a uma visita profunda e exame de nossa consciência.

A Igreja sempre foi e será conduzida pelo Espírito Santo e pelo seu Sumo e eterno Pastor Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estamos convosco, Santo Padre. A vossa bênção!

Escute o PODCAST:

Padre Luizinho, Comunidade Canção Nova.
Diretor Espiritual e Formasdor no Pré-discipulado.

Espiritualidade: O Tesouro da Fé e da Caridade

quarta-feira, fevereiro 6th, 2013

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2013: Crer na caridade suscita caridade

“Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele” (1 Jo 4, 16).

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: “Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele” (1 Jo 4, 16), recordava que, “no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (…) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um ‘mandamento’, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro” (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades – à revelação do amor gratuito e “apaixonado” que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: “O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está ‘concluído’ e completado” (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os “agentes da caridade”, a necessidade da fé, daquele “encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor” (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor – “caritas Christi urget nos” (2 Cor 5, 14) – , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

“A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (…) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única – que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir” (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente “o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado” (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o “sim” da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n’Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma “fé que atua pelo amor” (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é “caminhar” na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma “dialética”. Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o caráter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra “caridade” à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o “serviço da Palavra”. Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer “enamorar do Amor”, para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: “É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos” (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama: “Abbá! – Pai!” (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: “Jesus é Senhor!” (1 Cor 12, 3) e “Maranatha! – Vem, Senhor!” (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5)

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé (“saber-se amado por Deus”), mas deve chegar à verdade da caridade (“saber amar a Deus e ao próximo”), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012

Pecados Capitais: o que é a doença espiritual da Avareza?

sexta-feira, março 30th, 2012

Avareza (do latim, avaritia) é um dos sete pecados capitais, é sinônimo de ganância, e é descrito como o apego excessivo e descontrolado pelos bens materiais e pelo dinheiro, priorizando-os acima de tudo. É considerado o pecado mais tolo por se firmar em possibilidades. É comum confundir esse pecado com sovinice (pão-duragem), porque a palavra Avareza em português é usada mais como sinônimo de sovinice do que de ganância. Mas no Latim, a palavra avaritia, é usada mais como sinônimo de ganância.

Para nós cristãos a avareza é a vontade exagerada e desequilibrada de possuir qualquer coisa, mais caracteristicamente, é um desejo descontrolado, uma cobiça de bens materiais e dinheiro, ganância. Mas existe também avareza por informação, poder, status ou por indivíduos, por exemplo. O avarento prefere os bens materiais ao convívio com Deus. Neste sentido, o pecado da avareza conduz à idolatria, que significa tratar algo, que não é Deus, como se fosse deus.

Para o avaro, os bens materiais deixam de ser um meio para aquisição de bens e serviços e para a satisfação das necessidades, mas um fim em si mesmo. A virtude da generosidade é o antídoto contra a avareza.

A Avareza

A avareza ou ganância é um dos pecados capitais. São Paulo classifica a avareza como idolatria: “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixões, desejos maus, cupidez e a avareza, que é idolatria” (Cl 3,5). A razão de o Apóstolo ver como a idolatria o apego aos bens materiais, sobretudo ao dinheiro, é que isto faz a pessoa amá-lo como a um deus.

Desde o princípio Jesus alertou os discípulos para este perigo, já no Sermão da Montanha: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedica-se a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza” (Mt 6,24).

O que importa é que a pessoa não seja escrava do dinheiro e dos bens. É claro que todos nós precisamos do dinheiro; o próprio Jesus tinha um “tesoureiro” no grupo dos Apóstolos. São Paulo afirma que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6,10). Veja que, portanto, o mal não é o dinheiro em si, mas o “amor” ao dinheiro; isto é, o apego desordenado que faz a pessoa buscar o dinheiro como um fim, e não como um meio.

“Porque o sabei bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento – verdadeiros idólatras! – terão herança no reino de Cristo e de Deus” (Ef 5,5). É importante notar aqui que não são apenas os ricos que podem se tornar avarentos, embora sejam mais levados a isto. Não é raro encontrar também o pobre avarento. Por isso, no mesmo Sermão da Montanha, Jesus alerta: “Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” (Mt 6,19-20). Se Jesus recomenda “não ajuntar tesouros na terra”, é porque esta riqueza e segurança são ilusórias e não podem satisfazer-nos, por mais que o mundo nos diga que sim.

Por causa do amor ao dinheiro muitos aceitam praticar a mentira, a falsidade, o crime e a fraude. Quantos produtos falsificados! Quantos quilos que só possuem 900 gramas! Quanta enganação e trapaça nos negócios! Podemos constatar que toda a corrupção, tráfico de drogas, armas, crimes, etc., têm por trás a sede do dinheiro. Jesus recomendou ao povo: “Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas” (Lc 12,15).

O apego aos bens desse mundo é algo muito forte em nós, quase que uma “segunda natureza”, e, portanto, só com o auxílio da graça de Deus poderemos vencer esta tentação forte. Desde pequenos fomos educados para “ganhar a vida”. Será preciso a força do Espírito Santo em nossa alma para nos “convencer” da necessidade de uma vida de desprendimento e pobreza.

Fonte de pesquisa: Prof. Felipe Aquino Livro: Os pecados e as virtudes capitais– www.cleofas.com.br

O Padre Paulo Ricardo fala sobre a doença espiritual da Avareza:

Clique e comente, você já detectou que vive ou viveu uma doença espiritual?

Oração: Pai Nosso, fonte de toda generosidade e misericórdia, durante esta época de arrependimento, tende misericórdia de nós. Com nossa oração, nosso jejum e nossas boas obras, transformem nosso egoísmo em generosidade. Abri nossos corações à vossa Palavra, curai as feridas do pecado, ajudai-nos a fazer o bem neste mundo e a viver não só pra si mesmo, mas para os outros. Que transformemos a escuridão e a dor em vida e alegria. Concedei-nos estas coisas por Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho na unidade do Espírito Santo. Amém.

Veja toda A Série: Os Pecados Capitais:

IRA / Inveja / Gula / Luxúria / Orgulho / Preguiça / Avareza


Minha benção fraterna.

Padre Luizinho, Com. Canção Nova. Diretor Espiritual e Formador no Pré-discípulado.

Matéria relacionada: Reze com Salette Ferreira Liberte-se da avareza!

Adoração Eucarística Pela Santificação dos Sacerdotes

quinta-feira, março 29th, 2012

Para viver a Quaresma eucarística, nosso Retiro se une às Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, congregação genuinamente brasileira, fundada há 75 anos pela serva de Deus Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico, que está em processo de beatificação e aprendeu a santificar cada instante de sua vida através da adoração contemplativa de Jesus eucarístico, estando aos pés do Senhor, muitas horas de dia e de noite, em silenciosa atitude adorante do “mistério do pão”, alimento e vida da humanidade.

A respeito da adoração do Santíssimo Sacramento Exposto, Madre Teresa diz: “Não desperdicemos essa hora de bênção, não esquecendo que essa hora será um reforço de graças sobre a Igreja, sobre toda a humanidade, se soubermos ser fervorosos, integrando-nos com a oração de Jesus, fundindo nossa personalidade com a Dele. Para isso, despertemos em nós o sentimento da dignidade do ato que vamos praticar, dediquemos a essa hora de adoração uma grande estima e entusiasmo. A Santa Missa e a adoração! São os dois grandes momentos de nossa vida cristã”.

Durante a Quaresma, ofereceremos uma adoração eucarística por semana pela santificação do clero e aumento das vocações sacerdotais. Trata-se de uma urgência de nosso tempo, e as Pequenas Missionárias de Maria Imaculada aprenderam com Madre Teresa a se imolarem pelas vocações sacerdotais. Rezaremos com Madre Teresa e do jeito que a serva de Deus rezou, com vigor e afeto, linguagem de intimidade e força!

ADORAÇÃO AO SS. SACRAMENTO PELA SANTIFICAÇÃO DO CLERO E AUMENTO DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS.

Jesus, eis a Teus pés a Tua pequenina hóstia, que vem passar Contigouma hora de amor, de intimidade.Adoro-Te, ó Jesus, hóstia santa e pura; Jesus, vítima eucarística.aniquilada sobre o altar.Adoro-Te e uno-me às Tuas adorações, aos Teus aniquilamentos, com que cultuas a Santíssima Trindade.Ó Jesus, só Tu és o adorador por excelência. Só a Tua adoração é digna da Divindade, porque é a adoração de um Deus; Senhor, unindo-me a Ti, adoro Contigo e por Ti.

Ó Trindade Santa, ofereço-Vos o culto infinito que Vos presta Jesus Hóstia, aniquilado sobre o altar. Só Vós sois santíssimo, perfeitíssimo, imutável. Trindade Santa, com Jesus e por Jesus eu Vos adoro infinitamente, por mim, por todas as almas que estão sobre a terra, especialmente em nome das almas sacerdotais.

Ó Jesus, uno-me aos Teus aniquilamentos, Contigo e por Ti consinto em ser despojada de tudo e de mim mesma, esquecida, desprezada, sacrificada, reduzida a nada por Teu amor. Aniquilo-me, perco-me em Ti mesmo.

Ó Jesus abdico tudo que sou e tenho: sensibilidade, afetos e vontade própria, juízo próprio, tudo ofereço como holocausto, unido ao Teu aniquilamento eucarístico, sacrifício de adoração ao Deus três vezes santo.

Ó Jesus faze que muitas almas, principalmente as almas sacerdotais, compreendam e realizem essa sublime doutrina da união Contigo sobre o altar. Faze-os compreender que o sacerdote é também vítima Contigo e que eles sintam a imperiosa necessidade de perder-se em Ti, de fundir sua personalidade na Tua, de não viver mais sua vida própria, mas a Tua.

Ó Jesus, que eles sejam outros Cristos, irradiando a Tua Pessoa, transbordando a Tua vida sobre as almas, e assim glorificando Contigo e por Ti o Pai Celeste. Ó Jesus, faze que eles sejam um Contigo, como Tu és um com o Pai que está no céu.

E quando todas as almas sacerdotais que estão sobre a terra assim estiverem transfiguradas em Ti, o Teu reino terá vindo a nós, Tu serás rei em todos os lares, em todos os corações… Ó meu Jesus, aniquilado sobre o Altar, eu Te peço, lança sobre cada alma sacerdotal, que neste momento existe, um olhar de amor e de misericórdia, achega-as mais a Ti, dá-lhes uma luz mais viva à inteligência, para que melhor Te conheçam; incendeia-lhes o coração em fogo mais ardente, para que melhor Te amem; revela-lhes Teus desejos infinitos, revela-lhes a Tua vida eucarística, Jesus!

Recomendo-Te especialmente… (nomear particularmente os sacerdotes por quem se quer orar; entreter-se com Jesus sobre cada um deles). Ó Jesus, a Tua hostiazinha está unida Contigo. Ela sente e adivinha as pulsações do Teu coração… Eu senti que o Teu coração pulsou de alegria ao contemplar uma infinidade de almas sacerdotais, santas e ardorosas.

Mas ao mesmo tempo, senti também que Teu coração se confrangeu ao deparar com algumas tíbias, algumas infiéis… Jesus, meu rei, meu amor, hóstia santa e imaculada, Tu és o reparador por excelência… Só Tu, Jesus, vítima expiatória, podes oferecer ao Pai celeste as satisfações infinitas de que és digno, pela ingratidão e infidelidade de alguns dos Teus ungidos. Jesus eu me uno a Ti. Aí sobre o altar estás imolado e sacrificado, mas de maneira incruenta; não podes mais sofrer para espiar tão negras traições, aquelas que mais feriram o Teu coração divino…

Jesus toma a minha humanidade… Aqui me tens, posso oferecer-Te para o sacrifício expiatório meu corpo, minha alma, meu coração, meu espírito. Tudo é Teu. Toma e imola como Te aprouver, une às Tuas expiações eucarísticas e oferece-as ao Pai como reparação pelas apostasias e traições de alguns que não Te souberam amar.

Dá-me somente, Jesus, Tua graça, Tua força, Teu amor, e faze-me sofrer, vitimazinha expiatória pelos Teus sacerdotes transviados, para que eles voltem ao aprisco da Santa Igreja e reconduzam consigo as pobres ovelhinhas que seus maus exemplos tresmalharam.

Pai celeste, olhai nesta mísera hostiazinha que a Vós se oferece o Vosso doce Unigênito sacrificado e, por ele, perdoai, esquecei, redimi. Jesus, eu Te peço também pelos que são tíbios, pelos que estão prestes a cair, pelos que são fracos para resistir às seduções do mundo.

Jesus fortalece-os, afervora-os, conserva-os dentro do Teu coração. Aceita Jesus, pela Tua doce misericórdia, a oblação de toda minha vida unida às Tuas expiações eucarísticas pelos Teus sacerdotes, para que sejam santos e imaculados em Tua presença, na caridade. Jesus, do alto do Teu trono eucarístico, eu ouço cair como uma bênção sobre a terra a Tua divina palavra: “A messe é abundante, os operários são poucos; rogai ao Pai celeste que mande operários à sua seara”.

Senhor, só Tu és o grande suplicante, cuja voz abre os tesouros da divindade e os faz descer sobre a terra miserável. Só Tua súplica é meritória, só por Ti podemos chegar ao Pai e pedir o pão de nossas almas. Só Tu, Jesus, podes alcançar do Pai e do Espírito Santo que o fogo se espalhe sobre a terra…

Jesus, Tua hostiazinha une à Tua grande voz, que ora e suplica, a sua pequena voz ínfima e miserável e assim unida oferece-a ao Pai… Senhor três vezes Santo, trindade adorável, ouvi a voz de Jesus Eucaristia e por Ele atendei aos nossos rogos, multiplicai as vocações sobre a terra, tende piedade das almas famintas do pão da verdade, das ovelhas perdidas que esperam o Bom Pastor que as reconduza ao aprisco.

Falai ao coração da nossa mocidade, chamai, chamai muitas, muitíssimas almas para a vocação do sacerdócio. Dai-lhes perseverança, amor e energia para responder ao Vosso chamado. Olhai, Senhor, para os Vossos seminários. Vede essa plêiade de corações puros que se preparam para o apostolado…

Ó Jesus, vive desde já em suas almas, transfigura-os, prepara-os para o apostolado, habitua-os ao sacrifício, ao zelo, à dedicação. Forma-os Tu mesmo segundo o Teu Coração, faze-os santos, almas sedentas de Ti e do Teu amor. Jesus reina nos Teus seminários! Faze que sejam eles jardins de piedade e de vida interior. Que neles não fiquem os que não foram por Ti chamados, mas que nenhum deserte das sagradas fileiras por covardia ou desamor.

Faze Jesus, daqueles que devem formar os sacerdotes, dos Teus bispos, dos reitores, de todos os que exercem influência sobre essa falange promissora de almas sacerdotais, modelos vivos de santidade, luzeiros ardentes de sabedoria, prudência e santo amor.

Senhor, eu Te recomendo… (nomear as pessoas para as quais desejamos a vocação sacerdotal ou que, já a tendo, se preparam para realizá-la). Jesus, a Tua voz, a Tua súplica é onipotente… Eu sinto, eu creio, que a minha pobre oração de criaturinha miserável, unida a Ti, penetra os céus, e faz descer sobre a terra, durante esta hora de amor eucarístico, uma multidão de bênçãos e graças de renovação para o mundo.

Ó Santíssima Trindade, como é grande a Vossa misericórdia, como é suave a Vossa bondade! Os Vossos tabernáculos são a escada mística de Jacó, pela qual sobem seguramente ao céu os nossos desejos e descem as Vossas divinas liberalidades. Pai Celeste, quem poderá Vos agradecer condignamente? Como retribuir eu, vermezinho da terra, a infinidade dos Vossos dons?

Hóstia divina, Eucaristia santa, Tu és a ação de graças. Só Tu, Divino Prisioneiro dos Altares, ofereces à Trindade Santa o incenso de um perfeito agradecimento. Jesus, eu me apodero das Tuas ações de graças sobre o altar, e por elas, ó prodígio, dou a Deus, em retribuição aos Seus dons, um Dom igual a Deus…

Senhor dou-Vos tudo Vos dando o meu Jesus Eucaristia. O ser, a vida, a graça, a adoção divina, os sacramentos, a proteção de Maria, os exemplos dos santos, e, resumindo tudo, o sacerdócio – eis algumas das maravilhas com que nos enriquecestes. Em nome da humanidade toda, ó Trindade Augustíssima, eu Vos ofereço, em Jesus e por Jesus, o sacrifício de ação de graças.

E agora, Jesus, meu doce Jesus, eis que termina a hora que devo passar a Teus pés. Jesus, eu Te amo. Quisera permanecer aqui, abismada em Tua presença num ato profundíssimo de amor. Jesus devo ausentar-me… Infunde em minha alma novo alento, dá-me uma sede ardente do Teu amor, do sacrifício, da imolação.

Que eu parta para os meus deveres, para o meu apostolado externo, não já eu mesma, mas transformada em Ti, uma especiezinha sacramental atrás da qual Tu só vivas, Tu só Te ocultes, para atrair as almas e acorrentá-las ao amor. Vamos, pois, Jesus, eu fico Contigo e Tu vais comigo para o trabalho, para o sacrifício, para sofrer, para morrer pelo Teu reino, pelos Teus sacerdotes, pelo Teu amor.

Maria Imaculada, virgem sacerdotal, recolhe em teu coração puríssimo as minhas súplicas e modela-me tu mesma, segundo a imagem do teu e meu Jesus! Amém.

Graças e louvores se deem a todo o momento ao Santíssimo e Divinissimo Sacramento!

Da “Caderneta de Orações” – texto de Madre Maria Teresa de Jesus Eucarístico. As pessoas devotas de Madre Teresa podem implorar graças especiais de Deus pedindo a sua intercessão. Para conhecê-la melhor, visite o site www.pequenasmissionarias.org.br.