A palavra descreve acontecimentos salvíficos realizados no seio da historia humana.

O povo hebreu antigo sentia vergonha e pudor diante de sua vida sexual genital (Lv) 20,210; considerava-a como inerente a esfera animal pessoal, que devia releger ao terreno do privativo e do reservado, cuja experiência concreta contaminava por estar totalmente sujeita a ação de forças perigosas ou de tabus (Gn 34,5; 1Sm 21,5; Lv 15,2). Quando alguém havia praticado um ato sexual, devia purificar-se para poder aproximar-se de praticas de culto prestado a divindade (Nm 6,20-21).

Segundo o ensinamento de Jesus, não se provoca a impureza pelo contato com as coisas, sempre que exista a pureza de coração (Mt 5,8). A impureza é produzida unicamente pelo pecado “Para os puros todas as coisas são puras” (Tt 1.15), até o ato sexual. O ato sexual não contanima, somente exige ser praticado moralmente, isto é, com domínio de si. Só é preciso purificar-se da impureza que nasce do pecado. Mas de que modo? A purificação do pecado é obtida por meio do sangue de Cristo e graças a sua palavra.

Pedro, pertinaz em não se esquecer das prescrições sobre a pureza ritual, é admoestado em uma visão (AT 10,15; 15 9). O próprio Paulo constata como a comunidade se acha dividida por causa das impurezas cultuais e como a nova prática evangélica libertadora pode suscitar escândalo entre alguns (Rm 14,20).

Na palavra revelada, a sexualidade não só fica libertada da superestrutura cultural de impureza, mas, além disto, é tratada em seu sentido autentico. É considerada como relação humana; inclusive com a mais profunda das relações interpessoais. Por este motivo é confiada a sexualidade a função procriadora, que tem que ser exercita unicamente dentro do matrimonio monogâmico. Se a sagrada escritura autoriza a poligamia de maneira provisória e excepcional, fá-lo unicamente para favorecer a missão procriadora.

Em relação a sexualidade, a revelação se preocupa não tanto com ditar normas morais ou reguladoras quanto com indicar seu sentido mais profundo em relação ao acontecimento salvífico. A sexualidade é utilizada como simbolismo para descrever as relações de aliança entre Deus e seu povo ( Ez 16 e 23 ; Is 50, 1). Ao povo eleito recomenda-se que viva sua experiência sexual de maneira tal que reflita a aliança entre Deus e seu povo. Da mesma forma como se estabeleceu a aliança, deve ser vivida a sexualidade conjugal, pois esta deve ser espelho simbólico de como Deus vive em união com os seres humanos. Por esta razão aliança cristã a união dos esposos é chamada a simbolizar o modo como Deus está unido em Cristo ao povo constituído Igreja.

E quando apresentam a Jesus o problema de saber se existirá ou não experiência conjugal sexual na vida futura, Ele lembra que  na aliança escatológica se consumará a comunhão total do amor com Deus, consumação que tornará desnecessário todo e qualquer simbolismo sexual.

 A sexualidade se apresenta na palavra revelada de acordo com aspectos dialeticamente entrelaçados. Representa em si mesma uma realidade boa criada por Deus, embora desorientada pelo pecado. Deve ser vivida rm si mesma, libertando-a de todo condicionamento de impureza cultual, embora se deva tentar viver superando-a para caminhar melhor rumo ao reino de Deus. Deve aceitar seu sentido humano realista, acima de tudo aspecto mitológico-cosmico, embora deva ser exercido como simbolismo da aliança com Deus em Cristo.

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