“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja)

“Se o nosso coração nos acusa, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas. Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, podemos dirigir-nos a Deus com corajosa confiança.” (1Jo 3,20-21)

O ponto de partida para esse tema é o amor de Deus. Só somos curados porque seu fim é o amor, pois o amor de Deus quem nos cura. Todos têm necessidades de cura. Queremos ser curados. Buscamos essa realidade. Mas não pode partir de uma realidade vazia. É preciso identificar as feridas para sermos curados.

“Diante do caos de sentimentos, angústia, solidão, incompreensão, desânimo, desmotivação, nostalgia etc.” (livro Onde está Deus?). Que nos causam feridas e atrapalham o processo de cura, pois nossas emoções podem atrapalhar o nosso crescimento no Espírito. É preciso ter estabilidade emocional nos nossos relacionamentos e com aquilo que nos acontece.

“Devemos buscar uma vida no Espírito e entregarmo-nos inteiramente à Sua ação. Precisamos ver as coisas de Deus como novas, como de fato são.” (livro Onde está Deus?). Não é suficiente nascer do Espírito, é mais importante viver e crescer no Espírito.

Somente assim vamos entrar em um processo significativo de cura. Lembrando que é algo continuo e perseverante. Como disse a passagem de São João citada, se nosso coração nos acusa Deus é maior. As feridas são acusações, são traumas, são sentimentos. Mas podemos nos dirigir conscientes a Deus que Ele nos cura. Deus deseja nos curar para sermos livres e melhores para Ele.

Meus queridos, aqui esta a partilha de um grande irmão de comunidade, que amo muito. Pedi a permissão a ele para divulgar, é algo bem sagrado. Deus abençoe, Pe. Reinaldo

Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, juntos da terra que Jacó dera a seu filho José. Ali havia o poço de Jaco. E Jesus fatigado da viagem, sentou – se a beira do poço … Veio a mulher da Samaria tirar água … (Jo 4, 5-7)”

Medito já algum tempo a vida dessa mulher, a pagina de minha bíblia esta até destacada, mas confesso que fiquei nos detalhes traumáticos de seus relacionamentos afetivos.

Mas tendo a oportunidade de encara – la com outros olhos, vi que sua vida fala de minha vida, mesmo não sendo casado, pois um dia a obrigatoriedade da passagem me encontrou (ora, devia passar por Samaria – v. 4). Entrando na lucidez de seu silêncio percebo que sou pior do que ela.

Os maridos que já passaram, repito, passaram, por sua vida mostram realidades passadas que agem em seu presente de dor. O marido não pertencido, nessa ótica se torna insignificante; uma vez que vejo um. Sou pior do que ela!

Sei que o que simboliza a vida velha daquela samaritana é o cântaro deixado. Mas penso nos meus maridos; estranho não!? Um homem ter marido; pois é, tenho vários que ainda não passaram. Sou pior do que ela!

Os cinco que teve, e o adultério contraído passam despercebidos perto da poligamia de pecados que vivo. Constato uma atitude necessária a ser tomada: preciso me divorciar!

Dentro do âmbito jurídico sabemos que o divórcio é o rompimento legal e definitivo do casamento. Mas ao mesmo tempo sabe!? Faço questão de não ficar preso as atribuições própria como pensão alimentícia, regulamentação do poder paternal, relação ou partilha de bens, regulação de casa de família… ah em fim … acho melhor matar esses caras.

O Mons. Jonas nos ensina: “estamos na reserva, a qualquer momento o Senhor pode nos convocar para a batalha. Precisamos ser inimigo do inimigo; não podemos brincar em serviço. Devemos ser os primeiros a viver o PHN”.

Diante da verdade: sou pior do que ela! Não me resta outra saída a não ser, a ruptura definitiva com os maridos que tenho.

Deus abençoe.

Vitor Leal

Comunidade Canção Nova.

“Quem não compreende a dinamica do amor de Deus se revolta” Pe. Reinaldo

“ Em todos os Verba Seniorum [Os ditos dos padres do deserto] encontramos uma repetida insistência na primazia do amor sobre tudo o mais na vida espiritual: conhecimento, gnose, ascese, contemplação, solidão, oração. Na verdade, o amor é a vida espiritual e, sem ele, todos os outros exercícios do espírito, por mais elevados que sejam, são esvaziados de conteúdo e se tornam meras ilusões. Quanto mais elevados forem, mais perigosa será a ilusão.

É claro que amor significa muito mais do que mero sentimento, muito mais do que favores isolados e esmolas superficiais. Amor significa uma identificação interior e espiritual com o próximo, de tal maneira que a pessoa não mais o vê como ‘objeto’ ao ‘qual’ se ‘faz o bem’. O fato é que um bem feito a outro como objeto tem pouco ou nenhum valor espiritual. O amor assume o próximo como outro eu, e o ama com toda a imensa humildade, discrição, reserva e reverência sem as quais ninguém pode pretender entrar no santuário da subjetividade do outro. Devem estar necessariamente ausentes desse amor toda brutalidade autoritária, toda exploração, dominação e condes-cendência. Os santos do deserto eram inimigos de qualquer expediente, sutil ou grosseiro, ao qual ‘o homem espiritual’ recorre para intimidar os que acha inferiores a si mesmo, gratificando assim seu próprio ego. Eles renunciaram a tudo o que cheirasse a punição e vingança, por mais oculto que pudesse estar. (Thomas Merton)

E qual é a atmosfera necessária a essa vida interior? “A vida interior vive somente nas profundezas da renúncia; onde a renúncia é completa, aí se encontra a vida interior. Esta vale o que vale a nossa renúncia. Ela é Jesus se reproduzindo em nós. Jesus é Ele mesmo nossa vida interior. A vida interior é o Verbo que se comunica. A vida interior é amor, o amor santificante, vivificante, transformante. Somente chegam ao martírio as almas que viveram e vivem da vida interior. O sangue que corre então não é senão o transbordamento da vitalidade divina escondida nela.” (Dom Romain Banquet)

“Nada se pode comparar com o amigo fiel, porque considera como próprias as desgraças do amigo e as suporta junto com ele, sofrendo até à morte” ( São Máximo)

“Sim, a santidade é nosso objetivo.É nossa ambição. Mesmo se não a obtivermos perfeitamente ela não deixará nunca de ser nosso único objetivo. Ela é o único necessário, ela é a pedra preciosa escondida no campo, que para comprá-la um homem vendeu tudo o que tinha.”

“Qual é o caminho estreito e apertado?” (Mt. 7,14). Ele respondeu: O caminho estreito e apertado é este, controlar seus pensamentos e despojar-se de sua própria vontade por amor de Deus. Também isto é o significado da sentença: “Senhor, eis que deixamos tudo e te seguimos.” (Mt 19, 27)

“Se o escutais docilmente, se o seguis fielmente, aprendereis a traduzir na vida e no ministério pastoral o seu amor e sua paixão pela salvação das almas”. ( Bento XVI)