“Aqui se faz a vontade de Deus como e quando Ele quiser!”(São Geraldo Magela)

De diversas maneiras Nosso Senhor, por sua graça, purifica o homem por numerosas tentações, prova-o e o torna experimentado na conduta dos combates interiores, de modo que ele não é mais perturbado pelos pensamentos ou pela lembrança das iniqüidades ou pelas críticas dos homens; ele se humilha diante de Deus e deposita nEle sua esperança, estando sempre pronto a toda boa obra diante de Deus, como diz o profeta Davi: ‘Meu coração está pronto, ó Deus, meu coração está pronto. Quero cantar-vos com toda a minha alma ao som alegre dos instrumentos.’ (Salmo 107,2). Pensai que sereis provados de alguma maneira por vossos irmãos, por meio da difamação e da injustiça, ou que sofrereis com o desalento de vossos colaboradores. Por isso, quando vos acontece algo de semelhante, conservai-vos firmemente de pé, não temais, não desanimeis; rendei graças a Deus por tudo isso, pois sem Ele nada de semelhante acontece; Ele o permite , pois enfrentar combates é necessário aos que servem a Deus; não será honrado por Deus aquele que, por Sua bondade, não tiver sido provado pelas tentações, pelos trabalhos, aborrecimentos e fraquezas, para poder se acostumar pela paciência a manter-se no bem.” ( Santo Antão)

 

Penso que a graça do Espírito Santo invade bem depressa aqueles que de todo coração progridem no esforço e se impõem desde o início manter-se de pé e não dar lugar ao inimigo em nenhum combate. Além disso, o Espírito Santo, após tê-los chamado, faz tudo para a comodidade dos principiantes, para facilitar seu progresso no caminho da penitência; e em seguida mostra-lhes suas vias em toda sua verdadeira dificuldade. Ajudando-os em tudo, mostra-lhes quais são os esforços necessários da penitência, dela apresentando as regras e o exemplo, tanto para o corpo como para a alma, até conduzi-los à conversão perfeita a Deus, seu criador. Para isso, Ele os incita constantemente a exercitarem sua alma e seu corpo a fim de que, tendo santificado igualmente uma e outro, tornem-se igualmente dignos da herança da vida eterna: exercitar o corpo pelo jejum, o trabalho e as vigílias freqüentes; exercitar a alma pelos exercícios espirituais e pelo zelo em todos os serviços e atos de obediência realizados pelo corpo.  ( Santo Antão)

E qual é a atmosfera necessária a essa vida interior? “A vida interior vive somente nas profundezas da renúncia; onde a renúncia é completa, aí se encontra a vida interior. Esta vale o que vale a nossa renúncia. Ela é Jesus se reproduzindo em nós. Jesus é Ele mesmo nossa vida interior. A vida interior é o Verbo que se comunica. A vida interior é amor, o amor santificante, vivificante, transformante. Somente chegam ao martírio as almas que viveram e vivem da vida interior. O sangue que corre então não é senão o transbordamento da vitalidade divina escondida nela.” (Dom Romain Banquet)

“Todos aqueles que têm muito a fazer a serviço da comunidade devem se esforçar para conservar suficiente tempo para a oração, a leitura e a meditação. Mas isto não é suficiente e nem mesmo é o essencial. O essencial é que toda nossa atividade seja enraizada numa oração contemplativa, realizada num clima e num espírito de oração, e nos leve sem cesssar a ela.” (Capítulo à Comunidade de Scourmont, Bélgica
de Dom Armand Veilleux, OCSO
11/4/1999.

Na origem da fé cristã há um grupo de homens e de mulheres que, encontrando-se com Jesus de Nazaré, fizeram a experiência de Deus. Viram Jesus, ouviram-no, tocaram-no, admiraram-no e o amaram, e pouco compreenderam, e alguns dentre eles, o seguiram. Como encontraram Deus nele? Santo Agostinho tem a respeito uma bela resposta? “Viram o homem e creram em Deus”. Sua experiência de Deus foi uma síntese -ativamente estabelecida e mantida- entre uma percepção humana de um lado, e de outro, uma fé que avançava bem para além desta percepção. Sua experiência de Deus não era o sentimento ou o conjunto de sentimentos que poderiam ter na presença de Jesus, mas a síntese destes sentimentos com sua fé. E esta síntese tinha efeitos profundos e permanentes em suas vidas

“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja)

“Preparai vossas almas com fé sincera, como vasos puros, para receber o Espírito Santo. Começai por lavar vossas vestes pela penitencia, a fim de que o Espírito celeste vos encontre purificados quando fordes chamados à sua presença”. (São Cirilo de Jerusalém) 

“Tomé recebeu do Senhor e, por sua vez, transmitiu à Igreja o dom da fé experimentada pela paixão e morte de Jesus e confirmada pelo encontro com Ele ressuscitado”.(Bento XVI)

O agir justificante de Deus convence o homem do pecado. Uma vez convertido do pecado o homem readquire uma nova vida, correta em relação a Deus. E esta relação com Deus leva o homem a experimentar a liberdade que tinha perdido enquanto escravo do pecado