Hoje estamos vivendo um grande dilema. O mundo, as pessoas,  estão passando por uma grande crise de identidade, principalmente no que diz respeito à essência para qual foi criada, o ser imagem e semelhança de Deus! Mas vamos nos situar, no que  diz  sobre a nossa verdadeira identidade, o para que fomos criados. 

A mensagem fundamental da Sagrada Escritura anuncia que a pessoa humana é criatura de Deus e identifica o elemento que a caracteriza e distingue no seu ser à imagem de Deus: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Gên 1, 27).

 “Deus põe a criatura humana no centro e no vértice da criação. Portanto, por ser à imagem de Deus, o indivíduo humano tem a dignidade de pessoa: ele não é apenas uma coisa, mas alguém. É capaz de conhecer-se, de possuir-se e de doar-se livremente e entrar em comunhão com outras pessoas, e é chamada, por graça, a uma aliança com o seu Criador, a oferecer-lhe uma resposta de fé e de amor que ninguém mais pode dar em seu lugar” (Compêndio da Doutrina Social).

As pessoas têm se desviado do curso normal da vontade de Deus, do ser criado imagem e semelhança de Deus, do ser criado para um único fim que é a vida eterna, a vida em Deus.  O ser humano tem assumido uma falsa identidade, uma mentira que o mundo tem pregado e conduzido o homem viver uma falsa identidade; por isso,  o ser humano tem entrado em crise na sua identidade.

Com isso, tem se afastado do objetivo pelo qual foram criados, isto é, o ser filhos adotivos e co-herdeiros do reino dos céus. O Problema desta crise de identidade surge quando as pessoas se afastam de Deus, vivem uma vida desenfreada, buscando para si ídolos, outro modo de viver, fazem opção de vida e de sexualidade contrárias a verdade do Evangelho.

Essas pessoas assumem uma coisa que não são por ver a mídia patrocinar, e começam a se configurar a uma coisa irreal, ilusória que por fim só levará a desfiguração de seus corpos, sexos e mentalidade. Longe, assim, totalmente da essência de sua identidade — de ser filhos de Deus —  elas são capazes de modificarem seus corpos, assim perdendo a beleza de ser imagem e semelhança de Deus.

Com isso vão ficando velhas mais cedo, ficam feias por causa da opção que fazem em se transformar naquilo que o mundo determina. “A semelhança com Deus põe em luz o fato de que a essência e a existência do homem são constitucionalmente relacionadas com Deus do modo mais profundo. É uma relação que existe por si mesma, não começa, por assim dizer, num segundo momento e não se acrescenta a partir de fora. Toda a vida do homem é uma pergunta e uma busca de Deus. Esta relação com Deus pode ser tanto ignorada como esquecida ou removida, mas nunca pode ser eliminada. Dentre todas as criaturas, com efeito, somente o homem é “capaz” de Deus. O ser humano é um ser pessoal criado por Deus para a relação com Ele, que somente na relação pode viver e exprimir-se e que tende naturalmente a Ele.”( Compêndio da Doutrina Social).

@padrereinaldocn

Deus, ao criar o homem, o fez na sua totalidade, individualidade e definido sexualmente.

Sendo dom de Deus, a sexualidade não pode ser vista como algo separado do homem, mas algo essencial para a salvação.

Por isso, preciso assumir minha sexualidade como identidade de mim mesmo. Se Deus me fez homem, não posso ser outra coisa e, se você é mulher não poder ser outra coisa a não ser mulher. O dom de Deus não pode ser estragado pelo homem e sim assumido.

Você é imagem e semelhança de Deus. Deus caprichou ao fazê-lo! Não podemos deixar o mundo estragar a nossa identidade, a nossa sexualidade, dizendo que, para ser felizes precisaremos assumir outra identidade e achar isto normal.

Você só será inteiramente feliz sendo o que é desde o nascimento, homem ou mulher; fora disso não é dom de Deus.

“O ser humano é chamado ao amor e ao dom de si, na sua unidade corpórea-espiritual. Feminilidade e masculinidade são dons complementares, pelo que a sexualidade humana é parte integrante da capacidade concreta de amor que Deus inscreveu no homem e na mulher. «A sexualidade é uma componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, de expressar e de viver o amor humano». Esta capacidade de amor como dom de si tem, por isso, uma sua «encarnação» no caráter esponsal do corpo, no qual se inscreve a masculinidade e a feminilidade da pessoa. «O corpo humano, com o seu sexo, e a sua masculinidade e feminilidade, visto no próprio mistério da criação, não é somente fonte de fecundidade e de procriação, como em toda a ordem natural, mas encerra desde “o princípio” o atributo “esponsal”, isto é, a capacidade de exprimir o amor precisamente pelo qual o homem-pessoa se torna dom e — mediante este dom — atuar o próprio sentido do seu ser e existir». Qualquer forma de amor será sempre marcada por esta caracterização masculina e feminina” (Conselho Pontifício para a Família, sexualidade humana, n.10)

Hoje, os homens estão perdendo a sua individualidade e assumindo uma identidade falsa daquela que Deus fez, por causa na mídia, que está ditando as regras e falando o que você deve ser para ser feliz, o que as novelas e tudo mais, têm falado contra o plano de Deus para sua vida: ser imagem e semelhança Dele.

Você é lindo (a), não seja aquilo que o mundo tem dito para ser, mas assuma a sua sexualidade e genitalidade como Deus fez. O mundo tem falado para você não se reprimir e assumir uma sexualidade que vai contra a natureza, contra o plano de Deus para sua vida.

Sei que em muitos casos, pessoas foram feridas em sua sexualidade e genitalidade, por parentes, por abusos, por violências… e isso de um certo modo tem levado muitos a assumirem uma identidade sexual que não é a sua. As pessoas às vezes, não têm culpa, pois são feridas desde crianças e carregam seus traumas para a vida e não buscam ajuda ou cura de suas marcas e feridas.

O remédio é assumir que está ferido e buscar ajuda.

Certa vez um jovem veio conversar comigo, aparentemente ele estava muito bem, mas quando falou da sua sexualidade, expôs que foi abusado sexualmente por um primo seu quando ainda era criança. E esta situação o fazia sentir atração sexual por outros rapazes, mas não o levando ao ato sexual. Em oração, fui pedindo a Deus que o curasse de todo trauma na sua sexualidade. Fizemos dias de oração de cura interior e Deus o curou e libertou, porque ele assumiu sua fraqueza e buscou ajuda.

“A sexualidade humana é, portanto, um bem: parte daquele dom criado que Deus viu ser «muito bom» quando criou a pessoa humana à sua imagem e semelhança e «homem e mulher os criou» (Gen 1,27). Enquanto modalidade de se relacionar e se abrir aos outros, a sexualidade tem como fim intrínseco o amor, mais precisamente o amor como doação e acolhimento, como dar e receber. «A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor, que é o único a torná-la verdadeiramente humana»” (Conselho Pontifício para a Família, sexualidade humana, n.11).

O que falta para você buscar ajuda e assumir que foi ferido ou ferida na sua sexualidade? Deus quer curá-lo e libertá-lo, para que você seja inteiramente Dele e viver a liberdade na sua sexualidade.

Padre Reinaldo Cazumbá

@padrereinaldocn

As aparências enganamO julgamento cabe a Deus

O comportamento de uma pessoa não diz de sua essência ou aquilo que de fato ela é. Por isso, todo julgamento é pecado. Só Deus tem o poder para julgar. É Ele que conhece o profundo das pessoas.

Quem julga o próximo, está condenando a si próprio; pois quem julga o outro acaba fazendo coisa pior.

Não posso fazer-me de juiz do meu irmão. Acabo pegando um fato isolado de alguém, abrindo um processo, condenando, dando a sentença, até a morte. Não podemos parar nos fatos isolados dos nossos irmãos. Somos chamados a sermos misericórdia de Deus para a vida do outro. “Não julgueis e não sereis julgados. Pois o mesmo julgamento com que julgardes os outros servirá para vós; e a mesma medida que usardes para os outros servirá para vós. Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7,1-3).

Assim como queremos que Deus não nos condene, também não podemos condenar o irmão por qualquer coisa que ele faz por pior que seja, a Deus cabe o julgamento, “porque Deus não faz distinção de pessoas” (Rm 2,11).

Deus sempre julga tudo do homem conforme sua justiça e amor. Ele não julga como nós julgamos ou entendemos ser julgamento. Não queiramos olhar para Deus com parâmetros humanos. Nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus.

Como já disse somente Deus pode julgar, porque todos nós temos culpa no“ cartório” , o nosso julgamento precisa ser transformado em acolhimento, amor , alegria e justiça.

A justiça de Deus dá a vida a todos os homens. Justiça significa retribuir ao outro aquilo que lhe é devido. Por isso, a justiça de Deus precisa ultrapassar a nossa mentalidade e nos levar a uma mudança de coração e tratar o outro como verdadeiro filho de Deus.

Por causa do nosso julgamento, muitas das vezes estamos nos afastando de Deus e as pessoas de nós e de Deus. Porque se vermos uma pessoa diferente se aproximando e entrando na igreja, temos logo um juízo temerário e condenamos, atribuímos muitas vezes coisas que aquela pessoa nem é; como por exemplo: prostituta, ladrão etc, sem realmente Ter conhecimento de sua vida ou passado.

Mas precisamos ser instrumento de acolhimento como Jesus foi; levar a salvação que vem de Deus e do seu Evangelho.

Devemos levar os outros a esta compreensão de que a nossa salvação está unicamente em Jesus Cristo. Aderir ao Senhor pela força da nossa fé. Pois o Evangelho de Jesus tem a força de salvação e purificação: “…o Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a salvação de todo aquele que crê… (Rm 1,16).”

Padre Reinaldo Cazumbá

@padrereinaldocn

Misercórdia e humanização andam juntas. O papel da Misericórdia é humanizar a pessoa. Isto é, inserí-la novamente no convivio com as pessoas, cam a sociedade; devolver todos os direitos que lhe foram tirados; devolver o direito à liberdade que foi roubado; devolver a dignidade de filho (a) de Deus qur foi perdido. Levá-la a assumir seus direitos de cidadão e cristão, e assim, a cura da sua auto-imagem que foi estragada.

Se não há humanização, a misericórdia não aconteceu de fato na vida da pessoa. Misericórdia é esquecer o que o outro fez, é restaurar a convivência com a pessoa como antes. Quem age com misericórdia não fica vigiando para ver se a pessao vai cometer o mesmo pecado.

A misericórdia não pode ser usada com o pretxto para eliminar, excluir as pessoas.

Pe. Reinaldo

Canção Nova

Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu (Atos 9, 3-9).

Um belo exemplo de experiência de Deus é a do Apóstolo Paulo. Toda experiência com Deus é iniciativa Dele mesmo, pois é uma grande prova de Amor. O Amor de Deus que nos escolhe e tem sua raiz em Deus.  O que lhe acontece no caminho de Damasco foi certamente uma experiência de ponta, marcante e indelével. Este foi um momento muito importante em sua vida. Mas Paulo esteve certamente também intensamente unido ao Cristo durante todos os anos seguintes de sua vida e não apenas neste momento particular. E este também não foi uma experiência isolada. Havia sido preparada por Outra e foi seguida de outra.
A narração deste fato é um maravilhoso encontro pessoal com Jesus Ressuscitado, um marco para historia cristão e da Igreja. Aqui tenta narrar algo do mistério do encontro com Deus, com poucos detalhes, algo do mistério insondável de Deus, do em si inarrável. Uma revelação pessoal de Jesus Ressuscitado fez-lhe entender que somente Nele há salvação.
“O plano divino da salvação, na verdade, não coloca a criatura humana num estado de mera passividade, o de  menoridade em relação ao Criador, porque a relação com Deus, que Jesus Cristo nos manifestou e no qual nos introduz gratuitamente por obra do Espírito Santo, é uma relação de filiação: a mesma que Jesus vive em relação ao Pai (cf. Jo 15-17; Gl 4, 6-7)” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja,p. 35)
O evento de Damasco é uma realidade que se  pode penetrar somente aquele que é capaz de contemplar o transcendente, o indizível, somente pela fé. Porém cabe a nós curvar-se diante do mistério, da força  deste grande testemunho. Paulo também testifica que viu o Senhor, que teve o encontro com Ele diante desta cidade (1 Cor 9,1; 15, 8). Este encontro nos remete para dois grandes fatos na Sagrada Escrituras, as aparições do Ressuscitado aos Apóstolos (1 Cor 15, 5 ss) e o encontro forte e marcante de Moisés na sarça ardente  (Ex 3, 2-4). O mesmo Deus que chamou Moisés, Moisés, foi o que chamou Saulo, Saulo.
Todos nós precisamos tomar o caminho para “Damasco” ou seja o caminho para o local que tivemos o encontro pessoal como o mesmo Deus que chamou Paulo. Lá onde Deus preparou um encontro com cada um de nós, pessoalmente e individualmente, pois nenhuma experiência é igual a de Paulo ou igual a sua, Deus não repete experiências, Ele prepara para cada uma a “experiência” que só eu serei capaz de viver e experimentar. Por isso, te convido a voltar no seu passado e atualizar, fazer memória do seu chamado para que a mesma graça daquele momento posso atualizar seu chamado, seu encontro e assim ter condições de responder o que Deus te pede hoje, sem medo, medidas ou reservas. Com isso tem condições de voltar ao primeiro amor.
Damasco esta a vista, sol forte, luz incandescente, uma nova sarça ardente, não aquela do Antigo Testamento, mas uma nova sarça o próprio Jesus Ressuscitado vai ao encontro de Paulo. Paulo é interpelado pelo Senhor, sua voz penetra no seu intimo, voz forte e envolvente.
O verdadeiro choque que o colocou abaixo foi à pergunta: “Por que ME persegues?” Um Deus que se identificava com os perseguidos: este foi o verdadeiro choque para o judeu Paulo de Tarso. Paulo se preocupara até aquele momento em manter uma separação entre judeus e pagãos. Quando despertou, ou quando Ananias lhe abriu os olhos, Paulo poderia fazer o que tanto convertidos quanto pseudo-convertidos fazem: poderia se colocar a destruir o que ele havia servido, mas com a mesma paixão, e se colocar a adorar o que ele havia destruído, mas com a mesma intolerância. Poderia então ter mudado um “eu” por um outro “eu”. A única alteração verdadeira foi a identidade daqueles que o perseguiam. Ao contrário, a despeito do fato de que os primeiros cristãos sofriam a forte tentação de reforçar sua identidade e de buscar sua coesão na luta agressiva contra os judeus, projetando sobre eles seu complexo de culpa e tornando-os responsáveis pela morte de Jesus, Paulo utilizou toda sua energia e uma grande parte de seus escritos para mostrar que os judeus são e permanecerão uma parte integral do plano de salvação.
Jesus é quem fala, palavras de imperscrutável profundidade. Palavras que marcará para sempre a vida deste homem, o apóstolo vai carregar esta marca em sua alma para todo o sempre. Mas Paulo em um ímpeto responde com outra pergunta “quem és tu, Senhor? Porém o Senhor confirma o seu encontro e se dá a conhecer mais ainda” Eu sou Jesus a quem tu persegues “, mas Paulo não só sentiu a sedução do Senhor, mas foi preciso ouvir da boca Dele, que Ele era o Senhor.
A experiência era para Paulo, unicamente para ele. Naquele momento Jesus queria Paulo, o Senhor se apossa da vida de Paulo, claro sem tirar sua liberdade, ele passa a pertencer unicamente a seu Senhor, para o qual foi convocado. Agora sua vida se resume na obediência ao seu Senhor.
Então , o zelo incondicional levou-o a uma vida de total abnegação de si mesmo para uma vida a serviço Daquele que antes queria destruir e que desde momento passar a ser arauto : “O Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo (Gl 1, 11-12)”. Paulo deu uma virada de 180 graus na sua existência, agora confia unicamente na força salvadora da cruz de Cristo e não mais em homens. Morreu para a Lei, foi crucificado para ela, e vive para o Cristo.
Confia unicamente na gratuidade do amor incondicional de Jesus. “De fato, pela lei morri para Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mi”(Gl 2,19-20).
“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente” (Compendio da Doutrina Social da Igreja,p.p 35).
Levado pela mão de seus companheiros, segue seu caminho, como prisioneiro de Cristo, obediente à ordem da voz “Levanta-te e entra na cidade. Ai te será dito o que deves fazer”.

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Hoje terça-feira santa, queremos continuar a caminhar com o Senhor para sua Glorificação através da Cruz e Ressurreição. Saímos de Betânia e nos coloquemos à mesa com o Senhor como diz o Evangelho de hoje (João 13,21-33.36-38).

Neste momento de ceia Jesus expõe a fragilidade humana que esta angustiada, de saber que vai ser traído e negado, de esta comovido e testemunhar a sua verdade. Estando à mesa, ela demonstra duas fragilidades do homem, na refeição nos expomos, não conseguimos omitir a verdade e desperta curiosidade.

Na mesa o ser humano é profundo e entra em intimidade com os outros como Jesus o fez. Apesar de ter consciência na sua morte e de ser entre por aquele que o amava, Jesus não deixou de amar Judas nem Pedro.

Outro detalhe do Evangelho é quando fala “ era noite”, noite do medo, noite da angustia, noite das trevas, noite da traição, noite da negação, noite da Ceia da Eucaristia, noite em que Satanás achou que venceu, noite do inicia da Redenção, noite de Salvação.

A diferença da traição de Judas e a negação de Pedro é o seguinte: Judas não se deixou se converter, mas Pedro se arrependeu, voltou e se converteu- “Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”.

Diante do Senhor qual é a sua posição de traidor ou o que negou?

Estamos caminhando com Jesus para Jerusalém. Queremos nesta semana santa caminhar com Ele passo a passo. Vamos nos lugares por onde Ele passou para subirmos juntos para sua Páscoa, que é a nossa Páscoa. Ele quer nos tirar daquilo que é velho e nos fazer novos.

Vamos descer com Cristo até Betânia, o Senhor quer entrar em nossa Betânia hoje, que é a nossa casa, nossa vida. Deixar Ele participar da sua intimidade. Seja como Marta que prepara tudo para acolher o Senhor, seja como Lázaro que esta à mesa com o Senhor e principlamente como Maria que ungiu os pés do Senhor e enxugou com os cabelos. Vamos permanecer ao pés de Jesus. O Evangelho é bem Claro. “Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo”. ( Jo 12, 2-3).

Nesta segunda-feira santa, o Senhor quer descer até a sua Betãnia e te visitar.

“Insensato, nesta mesma noite pedir-te-ão contas da tua vida e o que acumulaste para quem será?” A conduta do rico do Evangelho é tanto mais patética quanto o castigo eterno é rigoroso. Com efeito, que projetos congemina em seu espírito este homem que vai ser arrebatado do mundo dentro de tão pouco tempo? “Vou demolir os meus celeiros e construirei uns maiores”. Quanto a mim, dir-lhe-ia de bom grado: Fazes bem porque eles merecem mesmo ser destruídos, os celeiros da tua injustiça. Com as tuas próprias mãos, destrói de uma ponta à outra tudo o que edificaste injustamente. Deixa que se desbaratem as tuas reservas de trigo que nunca saciaram ninguém. Faz desaparecer todo o edifício em que protegeste a tua avareza, tira-lhe o telhado, derruba as paredes, expõe ao sol o trigo que apodrece, tira da prisão as riquezas que aí estavam cativas… “Vou demolir os meus celeiros e construir uns maiores”. Quando acabares de encher esses, que decisão tomarás? Vais demoli-los para construir outros ainda maiores? Haverá maior loucura do que atormentar-se sem fim, construir com afinco e afincar-se em destruir? Se quiseres, terás por celeiro as moradas dos indigentes. “Acumula tesouros no céu”. O que aí for guardado “os vermes não o comem, a ferrugem não o estraga, os ladrões não o roubam” (Mt 6,20). ( São Basílio)

 A liberdade pode ser definida como a faculdade de tomar posição em face de uma exigência de Deus, mas somente pela participação da liberdade divina. Em si mesma a liberdade é somente a faculdade de fazer voluntáriamente o bem. A possibilidade de fazer o mal não pertence à sua essência. Só há liberdade onde há força de vencer o mal; onde a pessoa pode, no mais íntimo de si mesma, tomar posição em face de uma requisição do bem ou de uma solicitação do mal. O homem é livre à imagem de Deus.

O homem como ser criado e radicalmente livre foi criado em liberdade. Claro que a liberdade foi doada por Deus ao homem, é um dom. Mas a liberdade leva o homem a uma abertura para a realidade do plano salvífico de Deus.

Na realidade, no pecado, o mau uso da liberdade constitui o mais baixo grau de participação na liberdade de Deus, por isso, uma diminuição da própria liberdade humana. Ao contrário, a mais alta participação na liberdade divina, portanto, a mais nobre liberdade humana, consiste em agir totalmente sob a influência da graça.

Negar que o homem é capaz de escolher entre o bem e o mal, é supor que ele não é capaz de decidir e estar radicalmente sob a imposição de Deus. Uma vez que o homem faz mau uso de sua liberdade, há um enfraquecimento daquela liberdade original, conduzindo-o a uma rejeição do plano salvífico de Deus.

A grandeza da liberdade humana manifesta-se da maneira mais sublime quando ela se abandona totalmente à direção da graça e se torna forte para dizer a Deus, em Cristo o sim de um amor filialmente obediente.

A liberdade é um dom e um dever. No ato da nossa criação Deus nos fez livres. A liberdade pode crescer até ao grau em que o homem se deixa conduzir totalmente pelo Espirito de Deus: “ Ora, o Senhor é Espirito; e onde há o Espirito do Senhor aí há liberdade” ( 2 Cor 3, 17).

A liberdade humana está sujeita a muitas formas de restrições: o temperamento individual, ao ambiente e o meio social . “ Mas é só na liberdade que o homem se pode converter ao bem. Os homens de hoje apreciam grandemente e procuram com ardor esta liberdade; e com toda a razão. Muitas vezes, porém, fomentam-na dum modo condenável, como se ela consistisse na licença de fazer seja o que for, mesmo o mal, contanto que agrade. A liberdade verdadeira é um sinal privilegiado da imagem divina no homem. Pois Deus quis «deixar o homem entregue à sua própria decisão» , para que busque por si mesmo o seu Criador e livremente chegue à total e beatífica perfeição, aderindo a Ele. Exige, portanto, a dignidadedo homem que ele proceda segundo a própria consciência e por livre adesão, ou seja movido e induzido pessoalmente desde dentro e não levado por cegos impulsos interiores ou por mera coacção externa. Ohomem atinge esta dignidade quando, libertando-se da escravidão das paixões, tende para o fim pela livre escolha do bem e procura a sério e com diligente iniciativa os meios convenientes. A liberdade do homem, ferida pelo pecado, só com a ajuda da graça divina pode tornar plenamente efectiva esta orientação para Deus. E cada um deve dar conta da própria vida perante o tribunal de Deus, segundo o bem ou o mal que tiver praticado” ( Gaudium et Spes, 17).

O homem é diretamente responsável por todo o objeto de sua decisão livre referente a uma ação ou uma omissão.

A conversão de São Paulo - Caravaggio 1571-1610

 Converter-se é deixar de viver longe de Deus. Sair do estado de perdição, deixar o pecado. Não somente o ato mau em si, mas o estado que do mesmo resulta, o estado da perda da salvação e o sentimento de inimizade contra Deus. O passar a viver e estar longe de Deus. Conversão consiste voltar para o Senhor com todo coração, retomar o caminha das sua veredas.

A conversão é um conceito complexo, que significa uma profunda mudança de coração sob o influxo da Palavra de Deus. Essa transformação interior exprime-se nas obras e, por conseguinte, na vida inteira do cristão. A conversão significa a vitória sobre o velho homem que esta enraizado ( a existência carnal) e o começo de uma vida nova ( a vida no Espirito) criada e governada pelo Espirito de Deus. É um fato que na História da Salvação, após o pecado original, cada vez que Deus vai ao encontro do homem para com ele dialogar, fá-lo para provocar no mesmo ser humano a conversão do coração.

Não basta renunciar somente a um ato mau, nem a um hábito pecaminoso. Precisa-se ir no centro da existência, todo coração e todo o procedimento devem ser mudados. O afastamento de Deus somente termina quando o próprio Deus se achega pessoalmente do homem.

A conversão como saída do estado de pecado, de ausência de Deus e de perda da salvação está unida à aceitação incondicional da soberania divina. Reconhecer que praticou o mal, que tem necessidade de Redenção e de uma transformação completa.

Quem realmente se converte, submete-se de boa vontade à Lei divina. Renuncia à vida de ilegalidade.

Converter-se é deixar de viver na injustiça. Quem se converte reconhece o quanto deve a Deus e esforça-se por dar-Lhe a devida honra. Todo pecado cria um estado permanente de sonegação de justiça para com Deus. É uma inimizade habitual, uma injustiça. É uma recusa permanente de dar ao Senhor a glória que Lhe pertence e de prestar ao Pai a obediência e o amor filial. A conversão tira-nos deste mísero estado. Supõe uma renovação integral do coração.

Converter-se é deixar de viver na mentira. Quem se converte afasta-se da mentira. O pecado é mentira. Por isso, a conversão requer uma mudança total de mentalidade, um espirito novo, o Espirito da Verdade. A conversão é um sim a verdade.

Conversão é a volta à casa do Pai e a entrada no Reino. Passagem das trevas do pecado para a luz da Graça. O caminho que Deus aponta conduz a uma conversão séria e autentica do coração. Deus apela para a liberdade humana e que a íntima conversão desta liberdade é obra Sua.

A conversão se inicia no momento em que Deus se digna de derramar “ o espírito de graça e de preces” ( Zac 12, 10). Porém, nossa conversão não se realizará sem o sim de nossa liberdade.

A conversão culmina, é próprio da essência, em um novo nascimento, num renascimento do alto, de Deus. A volta à casa do Pai é a reintegração nos direitos de filho. Não é algo que se processa unicamente no exterior, mas é uma ação interior, uma modificação vital, um nascimento pelo Espírito. Para o homem, a conversão é pois, infinitamente mais que o simples fato negativo de livrar-se da escravidão do pecado, porque para Deus, converter é infinitamente mais que perdoar pecados, é fazer o dom de uma vida nova. O homem torna-se filho de Deus.

O único modo efetivo de descobrir sempre mais a própria identidade é o árduo, mas consolador, caminho da conversão sincera e pessoal, com um humilde reconhecimento das próprias imperfeições e pecados; e a confiança na força da ressurreição de Cristo. Essa transformação interior exprime-se nas obras e, por conseguinte, na vida inteira do cristão