A eleição do homem só deve partir da única eleição que o Pai fez: a do Filho. Neste sentido todo o gênero humano é eleito em virtude da eleição do Cristo.

Quando Deus elege um determinado grupo (comunidade) o faz para um serviço em favor de todos. Não é privilégio, mas pura iniciativa de Deus. E esta eleição vai acontecendo na atuação da história, uma ação de Deus que estabelece na história um processo histórico de eleição divina fortificado na vontade de Deus de operar a graça.

A comunidade é vista por Deus não fruto do ocaso, mas é constituída pelos desígnios eternos da graça divina. Tomando consciência desta eleição para o serviço os membros desta comunidade universal sentem a necessidade de corresponder, particularmente e comunitariamente, a eleição para um serviço ( 1Pd 2, 9).

Assim, podemos concluir e dar sentido ao chamado vocacional da comunidade como povo de Deus, geração eleita, propriedade de Deus. Ao assumir e reconhecer sua eleição, o povo ou o indivíduo que foi chamado e vocacionado para um serviço universal, deve entender que é em prol do mundo. Aqui dá-se sentido à eleição de alguns para o grupo dos discípulos de Jesus.

A eleição confere ao homem uma responsabilidade. Aquele que corresponde ao chamado assume um caráter de separação do mundo de fé e luta. Contudo, tanto a comunidade ou o individuo só terão certeza da eleição estando unidos ao Senhor. Todo sentido do chamado e eleição da comunidade ou de uma determinada pessoa se afunila Naquele que a graça divina fez a eleição em primeiro lugar: Cristo. Cristo foi o primeiro a ser predestinado, partindo Dele como Primogênito do Pai, os homens são predestinados Nele, que concedeu a todos a filiação adotiva. O único desígnio concreto de Deus, o desígnio salvifico.A eleição de Jesus Cristo visa a justificação e a glorificação do pecador. Pois só tem sentido a eleição da graça divina colocando-a em relação com a obra salvífica e histórica de Deus em Cristo.Deus Pai é o único sujeito da eleição. Mas só vamos compreender a eleição do homem no sentido Trinitário: o Pai em unidade com o Filho pela ação do Espírito que faz a eleição do homem.

O gênero humano é eleito em Jesus, porque sendo o Primogênito de muitos irmãos, Deus Pai o elege e a nossa escolha se deu pela Cruz e Ressurreição, na obra da Redenção. Foi assumindo a Cruz, o sofrimento, que Jesus tomou a nossa reprovação.Seria desfazer a eleição da graça divina, se não levássemos em conta que existia uma reprovação do gênero humano por causa do pecado, mas o Cristo assumiu nossa eleição nos libertando do pecado por meio da cruz. Cristo é o mediador da eleição da graça divina.

Todos os homens justificados em Cristo, são por ELE chamados a Igreja, incluindo-se Nela. O chamado de Deus continua na Igreja, na qual o mistério de Cristo, morto e ressuscitado por nós se dá. “Jesus Cristo é a expressão irreversível do sim divino do homem, e esse sim possui validade universal no sentido de que a salvação foi oferecida em Jesus Cristo a todos os homens”.A razão pela qual Deus chama ou convoca a Igreja é a de levar o homem à comunhão consigo no Espírito.

eucaristia.jpgQuem não compreende a dinâmica do amor de Deus se revolta” (Pe. Reinaldo)

Como entender esta dinâmica do amor de Deus? Será que temos resposta para esta pergunta? Mas será que Deus nos amo como entendemos e compreendomos? É um questão meio difícil, porém vamos tentar entender este amor de Deus, que as palavras não conseguem dizer mais se aproximam.

Deus nos ama de forma que nos surpreende. Não há como definir este amor. Por que o amor de Deus não se define. Não tem como compreender o Amor de Deus. Ele é infinito. A nossa capacidade é pequena demais diante da Grandeza deste Amor.

Certamente do jeito que nós pensamos é muito pouco. O amor de Deus por nós ultrapassa nossa imaginação. Nós temos a tendência em assumir as coisas por aquilo que conhecemos ou ouvimos falar, porém a experiência de ser amado por Deus vai além das capacidades intelectuais do ser humano. Por mais que nos esforcemos em acreditar, o amor de Deus é incondicional. Muitas vezes, limitamos o amor de Deus ao amor humano que as vezes não é um amor gratuito. O amor de Deus vai muito além do que possamos entender ou pensar, quando imaginamos que Deus nos ama de uma determinada forma, Ele nos surpreende e nos mostra como nos ama de forma infinita e incondicional, para isso, temos que estar atentos e abertos a aprender a amar como Ele ama, mesmo sabendo que nunca chegaremos ao amor Agapal com o qual Ele tem por nós.

“Deus nos ama com amor infinito…, Deus nos ama de verdade, que alegria, que contentamento…” (São Leonardo Murialdo)

Deus nos ama com um amor incalculável, algo que não pode ser medido, nem imaginado pelo homem, tamanho é esse amor.

“ É por amor que Deus deve decidir-se eternamente a agir, mas como seu amor é a causa, seu amor deve também ser o fim. Deus quer restabelecer a igualdade entre Si e o homem (discípulo), assim com um rei que se apaixona por uma plebéia. Tal idéia per si é incongruente, mas o rei é o rei, acima de tudo. Deus encontra sua alegria em vestir ao lírio com mais esplendor que Salomão. O amor de Deus não somente ensina, mas também leva a um novo nascimento do discípulo, passando do não ser ao ser, pois o fazer nascer pertence a Deus cujo amor é regenerador”. (Segundo Kierkegaard).

 

10. dezembro 2007 · 1 comment · Categories: Jovem

Todo ser humano é, para si mesmo, um mistério. Consta de um corpo sujeito às vicissitudes naturais, e de uma alma espiritual, que não conhece decrepitude, conserva todo o seu vigor, embora nem sempre o manifeste, porque sujeita ao funcionamento do cérebro e das faculdades corpóreas em geral: conseqüentemente pode-se falar da perene juventude da pessoa humana.

Nem todos têm consciência disto. Muitos, ao despontar dos primeiros sintomas da velhice, se encolhem e vão-se apagando aos poucos. Outros, porém, se esforçam por não perder o ânimo juvenil; dir-se-ia até que, quanto mais próximos se acham do fim de sua caminhada terrestre, tanto mais vigorosos de ânimo parecem.

E quais seriam as características dessa perene juventude? – Podem-se assinalar as seguintes:

–  Abertura ao presente e ao futuro, em vez de encolhimento no passado… Interesse pelo que acontece de novo e pelos desafios da vida. O jovem não perde o amor ao ideal e às causas nobres; sabe vibrar com os que as propugnam.

–   … Fé em Deus certamente e no seu convite para a vida eterna… Mas também fé no valor da vida, ainda que sofrida… Fé no valor da procura incessante da Verdade e do Bem… Uma das características mais espontâneas do ser humano é ser sequioso… é desejar algo mais do que as coisas visíveis e sonoras que passam. Quem tem fé, saberá que quanto mais próximo está do fim de sua caminhada terrestre, tanto mais próximo está também da consumação ou do encontro definitivo com a Beleza Infinita. Esta o vai invadindo sempre mais.

–   Magnanimidade… Ter um ânimo magno, grande para vencer as intempéries da caminhada. Diria São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12,21). Com outras palavras: “Não sejas mesquinho nem pusilânime, fechado em ti mesmo”. A luta em prol das causas nobres é sempre rica de esperança, pois não pode vir a ser frustrada a criatura cujo Divino Fabricante a fez para o Infinito e lhe imprimiu na alma o selo do Infinito.

Está claro que a fé cristã só pode corroborar os dados que a própria observação psicológica aponta. O cristão tanto mais jovem deve ser quanto mais longevo ou quanto mais chegado à eternidade. Os Santos deixaram-nos eloqüentes testemunhos desse paradoxo: ânimo juvenil em corpo desgastado… Testemunhos dos quais um dos mais recentes e significativos é o do Papa João Paulo II. Anteriormente a ele sejam registrados Giovanni Papini, Helen Keller, Marie Heurtin…

Estas reflexões impõem-se a todas as idades. Não é no fim da caminhada terrestre que se vai começar a pensar no ponto de chegada. Todo caminheiro deseja quanto antes chegar ao termo da viagem; ele não o pode esquecer sob pena de cair num precipício. A pessoa sábia há de cultivar sempre a juventude psicológica ou o amor às causas grandes e nobres e, por excelência, o profundo e constante anseio do Bem Absoluto, que também é a Beleza Infinita.

“Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousar em Ti” (S. Agostinho, Confissões I 1).

Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae

“…buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus.” (Col 3,1).

Todo homem traz em si o desejo pelo Alto, por Deus. O homem nasceu para transcender desta vida e voltar para o Criador. No fundo do seu coração há um profundo desejo pelas coisas de Deus.

Mesmo aqueles que não tiveram um encontro pessoal com o Deus verdadeiro, seu coração não vai ter paz, ou não vai descansar enquanto em Cristo não repousar, no Alto junto a Deus.

Por isso, todo homem tem sede de religião, de estar em contato com o divino e o sobrenatural. Ele tenta se refugiar e, busca outras coisas longe de Deus. Não encontrando o Deus Verdadeiro, seu coração tenta se preencher no vazio do mundo, das coisas, nas pessoas ou em si mesmo.

Seu coração jamais terá repouso enquanto em Deus você não se encontrar. Cristo se encarnou para introduzir o homem no seio da Trindade de onde vimos e voltaremos.

Pois todo homem deseja viver e estar em Deus, mas não sabe como; vive perdido pelo mundo a bater cabeça sem experimentar a verdadeira alegria que é estar em Deus, seu amor.

“Também a própria criação espera ser libertada da escravidão da corrupção em vista da liberdade que é a gloria dos filhos de Deus” (Rm 8,21).

Por isso, todo homem está sujeito a ser escravo dos seus próprios desejos, deixando de lado a sua própria liberdade de filho, que é condição humana. Por si próprio ele se escraviza nos seus desejos carnais, substituindo Deus por um objeto ou pessoa.

Quando colocamos algo em nossa vida como meta – que não seja Deus – estamos nos escravizando e caindo no vazio.

“E Ele nos ressuscitou com Cristo e com Ele nos fez sentar nos céus, em virtude de nossa união com Cristo Jesus” (Ef 2,6).

Eis a razão de buscarmos as coisas do Alto, para sermos introduzidos com Cristo no Céu. Foi para a ressurreição em Cristo que fomos chamados. Assim, como Cristo ressuscitou, nós também somos chamados a ressuscitar do homem velho que em nós grita para vencer a batalha.

O verdadeiro sentido de buscarmos as coisas do Alto é o próprio Cristo. Assim, as coisas terão sentido quando nos unimos a Ele, somente a Ele.

Hoje se ouve o grito do coração de Deus para cada um dos seus filhos: “Volta, só eu sou a resposta que seu coração precisa”.

Volta para Deus, somente Ele é a resposta que você terá, que sua vida precisa, mediante os problemas.

Você está precisando de respostas e soluções para sua dor, problemas etc.

O mundo tem pisoteado os filhos de Deus e o pecado tem levado a cada um à uma vida desumana. O apelo de Deus nestes últimos dias da Semana Santa é:

“Volte para Mim. Eu sou o teu Deus que te ama, perdoa e não condena. Um amor que não se cansa de amar!”

Deus tem um profundo amor por você que está pensando em desistir de tudo ou se entregar uma vez por todas ao pecado. Não desista! Volte para teu Deus!

O mundo tem sede da misericórdia de Deus. O erro de muitos é ficar no pecado, achando que não tem mais solução para a vida, e que Deus não vai perdoar. Por isso, volta para Deus, para a Igreja, para o perdão.

Muitos caem no erro por ouvir a voz do diabo, pensando que Deus não perdoa e que a vida não tem solução, que o suicídio, a morte são o caminho mais fácil. Não seja tolo! Deus está te esperando do jeito que você se encontra para te amar e acolher.

Você que “anda no pecado”, é tempo de voltar para Deus que te espera. Ele somente quer que você renuncie ao pecado e volte para Ele.

Se os outros andam jogando os seus pecados na sua “cara”, Deus te acolhe e ama.

É Semana Santa. É tempo de volta para Deus. E se você compreendesse o amor de Deus e a sua misericórdia, nunca mais iria abandonar o Senhor por nada.

Gostaria de terminar com um trecho de uma música do Padre Fabio de Melo:

“… Em segredo teu Deus te espera, quer te consolar,

Então volta,

Só Deus é Amor que não passa e não passará,

Então volta, só Deus é resposta que vale a pena esperar,

De amor vive o coração de Deus, de amor…

Amor que não se cansa de Amar.”

Tome a coragem de se decidir por Deus e voltar para Ele!

19. setembro 2007 · 1 comment · Categories: Jovem

Partimos agora, para a radicalidade nos desejos, que as vezes nos enganam e nos levam à perdição. Na sua profundidade os desejos não são pecados, mas podem se tornar um grande meio para o pecado. Desejos significam: vontade de possuir ou de gozar; anseio, aspiração etc. Os desejos estão ligados ao agir humano, pois revelam o mais profundo do homem. Desvelam o homem e expõe a sua intimidade. Aquilo que muitas vezes está oculto no mais profundo do seu ser.
Todos nós temos desejos por alguma coisa, nossa vida gira em volta de alguns desejos que temos. Quem não deseja ser feliz ou fazer o outro feliz? Isto já está dentro de cada um, mas os nossos desejos foram feridos pelo pecado e passamos a entregar nossos desejos a ação do mal.
Nos entregamos aos maus desejos e às paixões desordenadas e caímos no pecado. Pois o desejo do mundo presente é a nossa perdição. O maior desejo do demônio é nos ver no inferno, longe da graça de Deus.
Veja dentro de você se existem somente desejos para o bem e pureza. Geralmente desejamos aquilo que o nosso corpo deseja ou vai satisfazer os prazeres carnais. “ A carne, em seus desejos, opõe-se ao Espírito e o Espírito à carne; entre eles há antagonismo; por isso não fazeis o que quereis” ( Gl 5, 17 ). Por isso, não podemos seguir os desejos de nossa carne.
Precisamos ter somente desejos por Deus e as coisas do alto. Inclinar os nossos desejos para o alto e buscar a Deus. Não deixemos ser seduzidos pelos desejos humanos e ser influenciados pelos outros. Canalizemos tudo para o Senhor. Desejemos o céu.
O amor deve ser o desejo maior do nosso coração, “o amor causa o desejo do bem ausente e a esperança de consegui-lo” ( C.I.C 1765). Desejamos o mal e aquilo que nos leva para longe de Deus porque ainda não experimentamos o amor de Deus em nossas vidas, que é capaz de preencher toda solidão e ausência de desejo pelo bem. “ … A graça desvia o coração dos homens da ambição e da inveja e o inicia no desejo do Sumo Bem; instrui-o nos desejos do Espírito Santo que sacia sempre o coração do homem”( C.I.C 2541).
Há dentro de cada ser humano o desejo de buscar a Deus e a bem-aventurança. “As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina: Deus o colocou no coração do homem a fim de atraí-lo a si, pois só Ele pode satisfazê-lo” (C.I.C 1718).
Cabe a nós purificar os nossos desejos de toda impureza e somente buscar o desejo de Deus para a nossa vida, que é a nossa santificação. Isto não quer dizer que todos os nossos desejos são maus, mas é necessário purificar os desejos que nos afastam de Deus e que não nos levam à santidade. Quando temos desejos, precisamos ver se eles estão de acordo com a vontade de Deus para então realizá-los.
E quanto aos sentimentos, estes muitas vezes nos enganam e nos levam a nos perdermos neles. Pois o sentir não é pecado, mas o consentir.
Não podemos confundir amor com sentimentos. O amor não é só sentimento, mas adesão e iniciativa. O sentimento pode ser conseqüência das emoções. E não podemos nos guiar pelas emoções que são traiçoeiras e enganadoras, vêem de maneira rápida e desaparecem de repente. O sentimento é sensibilidade.
Nos tornamos sensíveis de acordo com determinadas situações. É um estado de espirito. E não podemos usar de sentimentos no nosso relacionamento com Deus.
O nosso relacionamento com Deus precisa ser concreto e radical, não viver de sentimentalismo. Purifiquemos os nossos sentimentos de toda impureza.

Continuando no nosso tema sobre radicalidade em Jesus, vamos agora tratar sobre a radicalidade nos olhares. Pois os olhos são a porta de entrada da luz ou das trevas na nossa vida.
Mas antes de entrarmos no assunto mais profundamente, vamos analisar a radicalidade segundo a Filosofia: segundo o dicionário de Filosofia, radicalidade vem “de raiz, radical que remonte aos princípios ou as primeiras origens”.
Partindo da passagem “A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas” (Mt 6,22-23).
De fato, os nossos olhos são o que direciona todo nosso corpo e nossas ações. Pois um cego não pode guiar a si mesmo ou guiar outro cego. O mesmo acontece com os nossos olhos, se eles estão doentes não podemos andar normalmente ou ficar expostos à luz do dia.
O mesmo acontece com a vida espiritual em nossa vida. São pelos olhos que entram os pecados e a graça de Deus em nossa vida. Primeiramente, para algo atuar em nossa vida, precisa entrar pelos olhos, depois cai no coração e vai para todo o corpo. Pelos olhos que as fantasias vêm e depois se transformam em atos.
Precisamos analisar o que estamos vendo ou assistindo, pois a impureza entra pelos olhos e age inteiramente em nossa vida. A cobiça, os maus desejos, as impurezas entram pelos olhos, claro que não somente, mas olhos são uma porta escancarada para entrada do pecado em nossa vida.
Se deixarmos, o pecado entrar pelos nossos olhos, todo o nosso corpo ficará exposto à ação do demônio e a trevas vão dominar, como Jesus falou no Evangelho de Mateus, citado acima.
Não deixemos os nossos olhos ficarem doentes. Lutemos para termos olhares santos e puros. Não queira dar desculpas, dizendo que não consegue desviar os olhos na impureza.
Nós sabemos que as imagens estão em toda parte e que pecar pelos olhos é muito fácil, mas onde está a luta contra o pecado. O nosso olhar precisa estar submetido ao Senhor Jesus. Somente Ele pode purificar os nossos olhos. O demônio tem usado muito da TV, da sensualidade nas imagens, nas ruas, nos trajes que os jovens estão usando, nas revistas, filmes, etc; tudo isso para que os jovens pequem com os olhos. Na verdade, os nossos olhos param e olham onde o nosso corpo pede e deseja.
Por exemplo: um jovem quando olha para uma menina com uma saia curta, os olhos dele olham primeiro para a barriga e as pernas, pois seu corpo está desejando e cobiçando aquela moça. E não podendo tê-la para si, cria fantasias com ela e depois cai na masturbação. Um pecado puxa o outro.
Como você viu, o pecado entrou primeiro pelos olhos. Claro que todo olhar não é pecado, mas aqueles que se torna cobiça e cria fantasias. É obvio que se achar as coisas, as pessoas, não é pecado.
Os olhos, além de levar muitas vezes a pecar contra a castidade, também levam a pecar com cobiça das coisas alheias.
Aí entra a radicalidade nos olhares. Precisamos adestrar os nossos olhos e não deixar eles serem as trevas do nosso corpo. Não desprezo toda luta que, hoje, se tem para ter olhos puros, porém a radicalidade está em não aceitar as impurezas que querem entrar pelos nossos olhos.
Uma receita para ter olhos puros está em fazer constantemente Adoração ao Santíssimo Sacramento, para que a Luz, que é o próprio Deus, entre pelos seus olhos e seu corpo seja todo iluminado. A Luz de Deus precisa entrar todos os dias pelos nossos olhos.
Pois precisamos ser lâmpada para iluminar todos aqueles que vivem nas trevas deste mundo.
“Por isso, vê bem se a luz que há em ti não é trevas” (Lc 11, 35).

Fui movido a escrever sobre “ser radical em Jesus”, porque muitos dos meus irmãos de comunidade me chamam de radical e, isto me alegra muito, pois, ser radical para mim é não permitir pecado em minha volta.

Não estou filiado ao partido político dos que buscam um radicalismo para tentar mudar a sociedade por meio de sistema político partidário. Mas busco a radicalidade em Jesus, na Sua Palavra e principalmente não aceitar o pecado em minha vida.

A fidelidade ao Senhor, a todos põe à prova. Não deixar ou permitir em minha vida qualquer brecha ao pecado por menor que seja. A minha opção por Deus precisa me levar até as ultimas conseqüências: morrer por Ele e não aceitar pecado em minha vida.

Estive pensando que todos aqueles que fazem a opção pelo demônio vivem a radicalidade em ser dele e não abrem mão disto. Em qualquer lugar que vão, fazem questão de assumir e demonstram que fizeram a opção de ser de satanás.

E eu, que sou Daquele que é o Senhor de todas as coisas – e até o próprio demônio está submetido a Ele – porque não ser totalmente Dele; assumir em todas as camadas da sociedade ou aonde eu vá, que sou de Deus e não abro mão disto? E o prêmio que o Senhor tem para mim é muito maior daquilo que o demônio oferece aos que o seguem; Deus dá a vida eterna para aqueles que o seguem.

Radical vem de raiz, como acontece com a matemática. Preciso viver a raiz e a essência do Evangelho e a profundidade de Deus.

Como jovem o mundo me oferece muitos prazeres carnais, mas preciso resistir até o sangue na luta contra o pecado. Na minha vida de consagrado e cristão não posso permitir que as seduções do demônio me ceguem ou seduzam.

Não posso ser relaxado e dizer que não tem nenhum problema de cometer um pecado ou não ser radical. Sei que muitos jovens acham que as modas e as ondas que estão no mundo não têm problema vivê-las e que não precisam ser radicais. Com Deus, não brinco de ser cristão, mas o sou de fato. Não dá mais para ficar brincando de ser cristão ou empurrar com a barriga as coisas de Deus. A cada dia mais o mundo vai exigindo de mim uma resposta e uma decisão.

Vejo que é tempo de tomar uma decisão radical por Deus, hoje mesmo.

“Estou a falar em termos humanos, devido à fraqueza da vossa carne. Do mesmo modo que entregastes os vossos membros, como escravos, à impureza e à desordem, para viverdes na desordem, entregai agora também os vossos membros como escravos à justiça, para viverdes em santidade.”(Rm 6,19).

Radicalidade para mim não é mais do que ser inteiramente do Senhor. Buscar ser cristão verdadeiro e não mais ou menos. É ter dentro de mim um grande ardor de ser santo e lutar para não pecar de maneira nenhuma.

Pois é superar em habilidade as astúcias do demônio, ser mais esperto que as estruturas do mundo, abalar as estruturas do pecado…”sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas” (Mt 10,16b).

Mas o tema sobre ser radical em Jesus vai continuar em outras matérias:

– radicalidade nos pensamentos;

– radicalidade nos olhares;

– radicalidade nos desejos e sentimentos;

– radicalidade nos vestir e falar;

31. agosto 2007 · 10 comments · Categories: Jovem

Não estou tentando criar uma nova versão do PHN, mas para se vivê-lo bem, é preciso radicalidade. A autenticidade do “Por hoje não vou mais pecar”, requer uma decisão radical de não aceitar nenhuma espécie de pecado em nossa vida.

Muitas das vezes, não conseguimos viver o PHN, porque queremos assumir tudo de vez. O pecado se vence com decisões fortes e constantes, não de uma só vez, mas com radicalidade e perseverança. É necessário viver o PHN.

Se fizermos um propósito por dia, mas sendo radical, funciona. E não pensar assim: nunca mais vou cair em tal pecado; podemos cair em um erro e sabemos que somos fracos, se um dia não formos fiéis, vamos nos desesperar por não ter cumprido o propósito assumido. Mas se assumimos por dia, vai ser mais fácil e compensador, porque não vai ser peso para cada um de nós.
O PHN, veio para levantar uma juventude que busque a Deus com profunda radicalidade. Os dois juntos formarão em nossa vida uma grande fortaleza dentro de nós na luta contra o pecado.

A radicalidade com eficácia e tenacidade fortalece a nossa vivência do Por Hoje Não e faz com que não o vivamos de qualquer maneira. Dizer NÃO ao pecado pode ser fácil (pois pode ser da boca para fora), mas assumir com radicalidade, dar um novo peso e levar ao compromisso mais sério, porque quem assume com radicalidade, viver por uma opção pessoal.

Ninguém obriga o outro a ser radical ou viver o PHN, mas cada um por si mesmo, toma decisão e opta pela santidade, diz não ao pecado. Pois quem convence a cada um de nós a respeito do pecado é o Espírito Santo.

A experiência do PHN para mim, tem sido muito real, principalmente quando a cada dia em minha vida, vejo pecado ou situação de pecado, procuro vencer e lutar contra cada pecado por vez, todos os dias. Pois percebi que não posso vencer todos os pecados de uma só vez, mas a cada dia digo “Por Hoje Não”! E também quando fiz a opção de viver a radicalidade em Jesus junto com o PHN tem sido um ótimo remédio em minha vida na luta contra o pecado e na busca pela santidade.

Posso dizer com toda certeza que ser radical em Jesus é assumir e encarar a santidade de maneira diferente e alegre. Não tenho permitido em minha vida, nenhuma espécie de pecado, mesmo que se pareça “bobo”, pois é do tal pecado “bobo” que se abre a porta para um pecado grande, onde pode até me levar à minha ruína.

A vivência do “Por Hoje Não” e da radicalidade tem crescido dentro de mim de maneira progressiva. Tenho vivido a leitura e o estudo da Palavra de Deus de maneira nova, a Santa Missa, a adoração e a confissão, de maneira muito mais séria que antes. A radicalidade me leva ao compromisso.

Vejo que Jesus sempre foi radical! Nós não podemos ser menos que Ele.
Portanto, esta dobradinha: Radicalidade + PHN, é um antídoto que dá certo para a santidade.

23. agosto 2007 · 17 comments · Categories: Jovem

 Dentro de mim, a palavra radicalidade é bem clara! Como já disse no artigo passado, não sou um radical de partido político ou que mata em nome de Deus, mas que quer viver a santidade na sua plenitude.

Ser fiel ao Senhor na sua essência e no objetivo primeiro que Deus me criou: ser santo e para o Céu.

Posso dizer que, radicalidade se traduz na tenacidade aos santos, que lutaram para não pecar até à última conseqüência: a morte.

Eu, como jovem, sou consciente na realidade do mundo, dos seus pecados e maldade. Sou bem atualizado na realidade que me cerca. Fiz e faço a opção de ser radical, de viver a radicalidade para não permitir o pecado em minha vida.

Como um bom consagrado e cristão, sou aberto ao diálogo, busco ser misericordioso e amar acima de tudo. Não uso o meu parâmetro para qualificar as pessoas ou, obrigo que elas me sigam, pois isto não é ser radical, mas sim, sem misericórdia.

E quero levantar uma juventude no Brasil e no mundo, que queira viver a radicalidade em Jesus. Sei que os jovens estão cansados de viver mais ou menos o Evangelho, a santidade e a pureza.

Quero dar o pontapé inicial para convocar os jovens a viverem comigo, a radicalidade em Jesus. Que sejamos jovens vivendo no meio da grande massa e, sejamos fermentos, capazes que fermentar toda a massa com a santidade de Deus.

Porque somos portadores da santidade de Deus.

Precisamos, sem medo, entrar nos meandros da sociedade e modificar as estruturas, sem se deixar envolver pela grande massa, com seus pecados e impurezas. Ser radical é isto: viver o Evangelho na sua essência e plenitude.

Claro que não é ser melhor que os outros, pois somos fracos e pecadores, capazes de cometer os mesmos pecados da grande massa. Mas é sermos diferentes; sermos “pára-raios” para o mundo; ser aquele que os outros possam confiar e buscar ajuda; ser o rosto, mãos, pés, boca e olhos de Deus para os que vivem desacreditados e excluídos na sociedade.

Precisamos ser jovens-fermento, santidade a toda prova, pureza na sua plena dimensão.

Para vivermos a radicalidade não precisamos nos excluir no mundo, ou abandonar as coisas: trabalho, grupos de amigos, cinema, compras; mas é ser de Deus aonde quer estejamos.

Um bom exemplo do homem radical foi o próprio Jesus, pois Ele remou contra a maré da sociedade de sua época. Seu ensinamento foi completamente diferente das coisas que existiam ou as leis já aplicadas.

Ser radical é olhar para Jesus. Tentar ser como Ele!

Convoco os jovens a viverem a radicalidade em Jesus.