Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu (Atos 9, 3-9).

Um belo exemplo de experiência de Deus é a do Apóstolo Paulo. Toda experiência com Deus é iniciativa Dele mesmo, pois é uma grande prova de Amor. O Amor de Deus que nos escolhe e tem sua raiz em Deus.  O que lhe acontece no caminho de Damasco foi certamente uma experiência de ponta, marcante e indelével. Este foi um momento muito importante em sua vida. Mas Paulo esteve certamente também intensamente unido ao Cristo durante todos os anos seguintes de sua vida e não apenas neste momento particular. E este também não foi uma experiência isolada. Havia sido preparada por Outra e foi seguida de outra.
A narração deste fato é um maravilhoso encontro pessoal com Jesus Ressuscitado, um marco para historia cristão e da Igreja. Aqui tenta narrar algo do mistério do encontro com Deus, com poucos detalhes, algo do mistério insondável de Deus, do em si inarrável. Uma revelação pessoal de Jesus Ressuscitado fez-lhe entender que somente Nele há salvação.
“O plano divino da salvação, na verdade, não coloca a criatura humana num estado de mera passividade, o de  menoridade em relação ao Criador, porque a relação com Deus, que Jesus Cristo nos manifestou e no qual nos introduz gratuitamente por obra do Espírito Santo, é uma relação de filiação: a mesma que Jesus vive em relação ao Pai (cf. Jo 15-17; Gl 4, 6-7)” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja,p. 35)
O evento de Damasco é uma realidade que se  pode penetrar somente aquele que é capaz de contemplar o transcendente, o indizível, somente pela fé. Porém cabe a nós curvar-se diante do mistério, da força  deste grande testemunho. Paulo também testifica que viu o Senhor, que teve o encontro com Ele diante desta cidade (1 Cor 9,1; 15, 8). Este encontro nos remete para dois grandes fatos na Sagrada Escrituras, as aparições do Ressuscitado aos Apóstolos (1 Cor 15, 5 ss) e o encontro forte e marcante de Moisés na sarça ardente  (Ex 3, 2-4). O mesmo Deus que chamou Moisés, Moisés, foi o que chamou Saulo, Saulo.
Todos nós precisamos tomar o caminho para “Damasco” ou seja o caminho para o local que tivemos o encontro pessoal como o mesmo Deus que chamou Paulo. Lá onde Deus preparou um encontro com cada um de nós, pessoalmente e individualmente, pois nenhuma experiência é igual a de Paulo ou igual a sua, Deus não repete experiências, Ele prepara para cada uma a “experiência” que só eu serei capaz de viver e experimentar. Por isso, te convido a voltar no seu passado e atualizar, fazer memória do seu chamado para que a mesma graça daquele momento posso atualizar seu chamado, seu encontro e assim ter condições de responder o que Deus te pede hoje, sem medo, medidas ou reservas. Com isso tem condições de voltar ao primeiro amor.
Damasco esta a vista, sol forte, luz incandescente, uma nova sarça ardente, não aquela do Antigo Testamento, mas uma nova sarça o próprio Jesus Ressuscitado vai ao encontro de Paulo. Paulo é interpelado pelo Senhor, sua voz penetra no seu intimo, voz forte e envolvente.
O verdadeiro choque que o colocou abaixo foi à pergunta: “Por que ME persegues?” Um Deus que se identificava com os perseguidos: este foi o verdadeiro choque para o judeu Paulo de Tarso. Paulo se preocupara até aquele momento em manter uma separação entre judeus e pagãos. Quando despertou, ou quando Ananias lhe abriu os olhos, Paulo poderia fazer o que tanto convertidos quanto pseudo-convertidos fazem: poderia se colocar a destruir o que ele havia servido, mas com a mesma paixão, e se colocar a adorar o que ele havia destruído, mas com a mesma intolerância. Poderia então ter mudado um “eu” por um outro “eu”. A única alteração verdadeira foi a identidade daqueles que o perseguiam. Ao contrário, a despeito do fato de que os primeiros cristãos sofriam a forte tentação de reforçar sua identidade e de buscar sua coesão na luta agressiva contra os judeus, projetando sobre eles seu complexo de culpa e tornando-os responsáveis pela morte de Jesus, Paulo utilizou toda sua energia e uma grande parte de seus escritos para mostrar que os judeus são e permanecerão uma parte integral do plano de salvação.
Jesus é quem fala, palavras de imperscrutável profundidade. Palavras que marcará para sempre a vida deste homem, o apóstolo vai carregar esta marca em sua alma para todo o sempre. Mas Paulo em um ímpeto responde com outra pergunta “quem és tu, Senhor? Porém o Senhor confirma o seu encontro e se dá a conhecer mais ainda” Eu sou Jesus a quem tu persegues “, mas Paulo não só sentiu a sedução do Senhor, mas foi preciso ouvir da boca Dele, que Ele era o Senhor.
A experiência era para Paulo, unicamente para ele. Naquele momento Jesus queria Paulo, o Senhor se apossa da vida de Paulo, claro sem tirar sua liberdade, ele passa a pertencer unicamente a seu Senhor, para o qual foi convocado. Agora sua vida se resume na obediência ao seu Senhor.
Então , o zelo incondicional levou-o a uma vida de total abnegação de si mesmo para uma vida a serviço Daquele que antes queria destruir e que desde momento passar a ser arauto : “O Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo (Gl 1, 11-12)”. Paulo deu uma virada de 180 graus na sua existência, agora confia unicamente na força salvadora da cruz de Cristo e não mais em homens. Morreu para a Lei, foi crucificado para ela, e vive para o Cristo.
Confia unicamente na gratuidade do amor incondicional de Jesus. “De fato, pela lei morri para Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mi”(Gl 2,19-20).
“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente” (Compendio da Doutrina Social da Igreja,p.p 35).
Levado pela mão de seus companheiros, segue seu caminho, como prisioneiro de Cristo, obediente à ordem da voz “Levanta-te e entra na cidade. Ai te será dito o que deves fazer”.

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