Estamos em Preparação para o grande evento da Igreja que é Pentecostes. Não podemos nos cansar de pedir que o Senhor Jesus derrame sobre nós o Dom do alto que é o Espírito Santo. Vamos pedir como o Beato João XXIII:
Repita-se no povo cristão o espetáculo dos apóstolos reunidos em Jerusalém, depois da ascensão de Jesus ao céu, quando a Igreja nascente se encontrou reunida em comunhão de pensamento e de oração com Pedro e em torno de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas.
Digne-se o divino Espírito escutar da forma mais consoladora a oração que sobe a Ele de todas as partes da terra. Que Ele renove em nosso tempo os prodígios como de um novo
Pentecostes e conceda que a santa Igreja, permanecendo unânime na oração, com Maria, a Mãe de Jesus, e sob a direção de Pedro, dilate o reino do divino Salvador, reino de verdade e de justiça, reino de amor e de paz. Amém.

Deus abençoe,

Pe. Reinaldo Cazumbá

Ola meus queridos estive um bom tempo fora do meu blog, mas quero voltar com a graça de Deus com toda força.

Vou poder toda semana passar para vocês algo novo, podcast com o nome alimento sólido. Espero que seja um bom conteúdo de formação para sua vida de maneira particular.

Acompanhe agora:

Misercórdia e humanização andam juntas. O papel da Misericórdia é humanizar a pessoa. Isto é, inserí-la novamente no convivio com as pessoas, cam a sociedade; devolver todos os direitos que lhe foram tirados; devolver o direito à liberdade que foi roubado; devolver a dignidade de filho (a) de Deus qur foi perdido. Levá-la a assumir seus direitos de cidadão e cristão, e assim, a cura da sua auto-imagem que foi estragada.

Se não há humanização, a misericórdia não aconteceu de fato na vida da pessoa. Misericórdia é esquecer o que o outro fez, é restaurar a convivência com a pessoa como antes. Quem age com misericórdia não fica vigiando para ver se a pessao vai cometer o mesmo pecado.

A misericórdia não pode ser usada com o pretxto para eliminar, excluir as pessoas.

Pe. Reinaldo

Canção Nova

Este refrão do Salmo 78 “O Senhor não nos trata como exigem nossas faltas”. É um eco de Misericórdia de Deus para nossos ouvidos. Se Deus fosse nos tratar como exigem nossas faltas estaríamos todos perdidos, sem Salvação. Porque nossas faltam exigem coisas duras, até a não Misericórdia de Deus, mas Ele não é assim. Sempre usa de Amor para com todos. Ele desce até a nosso miséria e nos resgata da condição que nos encontramos.

Peça ao Senhor neste dia para desce até sua miséria e te Salvar. Reze isto hoje.

Senhor desce até a miséria da minha vida, do meu pecado, do meu medo, das minhas faltas, da minha falta de fé, da minha doença, do meu desemprego, da minha depressão, da minha infidelidade…

Assim, como o Senhor desce até nossa miséria precisamos descer até a miséria do outro, do nosso irmão, da pessoa que nos traiu, nos machucou, nos feriu. Para salvar  e dar o perdão.

Quaresma é também deixar Deus descer até nossa miséria e nós descermos até a miséria do outro.

Deus abençoe.

Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo, de repente, viu-se cercado por uma luz que vinha do céu. Caindo por terra, ele ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo perguntou: “Quem és tu, Senhor?” A voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo. Agora, levanta-te, entra na cidade, e ali te será dito o que deves fazer”. Os homens que acompanhavam Saulo ficaram mudos de espanto, porque ouviam a voz, mas não viam ninguém. Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então pegaram nele pela mão e levaram-no para Damasco. Saulo ficou três dias sem poder ver. E não comeu nem bebeu (Atos 9, 3-9).

Um belo exemplo de experiência de Deus é a do Apóstolo Paulo. Toda experiência com Deus é iniciativa Dele mesmo, pois é uma grande prova de Amor. O Amor de Deus que nos escolhe e tem sua raiz em Deus.  O que lhe acontece no caminho de Damasco foi certamente uma experiência de ponta, marcante e indelével. Este foi um momento muito importante em sua vida. Mas Paulo esteve certamente também intensamente unido ao Cristo durante todos os anos seguintes de sua vida e não apenas neste momento particular. E este também não foi uma experiência isolada. Havia sido preparada por Outra e foi seguida de outra.
A narração deste fato é um maravilhoso encontro pessoal com Jesus Ressuscitado, um marco para historia cristão e da Igreja. Aqui tenta narrar algo do mistério do encontro com Deus, com poucos detalhes, algo do mistério insondável de Deus, do em si inarrável. Uma revelação pessoal de Jesus Ressuscitado fez-lhe entender que somente Nele há salvação.
“O plano divino da salvação, na verdade, não coloca a criatura humana num estado de mera passividade, o de  menoridade em relação ao Criador, porque a relação com Deus, que Jesus Cristo nos manifestou e no qual nos introduz gratuitamente por obra do Espírito Santo, é uma relação de filiação: a mesma que Jesus vive em relação ao Pai (cf. Jo 15-17; Gl 4, 6-7)” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja,p. 35)
O evento de Damasco é uma realidade que se  pode penetrar somente aquele que é capaz de contemplar o transcendente, o indizível, somente pela fé. Porém cabe a nós curvar-se diante do mistério, da força  deste grande testemunho. Paulo também testifica que viu o Senhor, que teve o encontro com Ele diante desta cidade (1 Cor 9,1; 15, 8). Este encontro nos remete para dois grandes fatos na Sagrada Escrituras, as aparições do Ressuscitado aos Apóstolos (1 Cor 15, 5 ss) e o encontro forte e marcante de Moisés na sarça ardente  (Ex 3, 2-4). O mesmo Deus que chamou Moisés, Moisés, foi o que chamou Saulo, Saulo.
Todos nós precisamos tomar o caminho para “Damasco” ou seja o caminho para o local que tivemos o encontro pessoal como o mesmo Deus que chamou Paulo. Lá onde Deus preparou um encontro com cada um de nós, pessoalmente e individualmente, pois nenhuma experiência é igual a de Paulo ou igual a sua, Deus não repete experiências, Ele prepara para cada uma a “experiência” que só eu serei capaz de viver e experimentar. Por isso, te convido a voltar no seu passado e atualizar, fazer memória do seu chamado para que a mesma graça daquele momento posso atualizar seu chamado, seu encontro e assim ter condições de responder o que Deus te pede hoje, sem medo, medidas ou reservas. Com isso tem condições de voltar ao primeiro amor.
Damasco esta a vista, sol forte, luz incandescente, uma nova sarça ardente, não aquela do Antigo Testamento, mas uma nova sarça o próprio Jesus Ressuscitado vai ao encontro de Paulo. Paulo é interpelado pelo Senhor, sua voz penetra no seu intimo, voz forte e envolvente.
O verdadeiro choque que o colocou abaixo foi à pergunta: “Por que ME persegues?” Um Deus que se identificava com os perseguidos: este foi o verdadeiro choque para o judeu Paulo de Tarso. Paulo se preocupara até aquele momento em manter uma separação entre judeus e pagãos. Quando despertou, ou quando Ananias lhe abriu os olhos, Paulo poderia fazer o que tanto convertidos quanto pseudo-convertidos fazem: poderia se colocar a destruir o que ele havia servido, mas com a mesma paixão, e se colocar a adorar o que ele havia destruído, mas com a mesma intolerância. Poderia então ter mudado um “eu” por um outro “eu”. A única alteração verdadeira foi a identidade daqueles que o perseguiam. Ao contrário, a despeito do fato de que os primeiros cristãos sofriam a forte tentação de reforçar sua identidade e de buscar sua coesão na luta agressiva contra os judeus, projetando sobre eles seu complexo de culpa e tornando-os responsáveis pela morte de Jesus, Paulo utilizou toda sua energia e uma grande parte de seus escritos para mostrar que os judeus são e permanecerão uma parte integral do plano de salvação.
Jesus é quem fala, palavras de imperscrutável profundidade. Palavras que marcará para sempre a vida deste homem, o apóstolo vai carregar esta marca em sua alma para todo o sempre. Mas Paulo em um ímpeto responde com outra pergunta “quem és tu, Senhor? Porém o Senhor confirma o seu encontro e se dá a conhecer mais ainda” Eu sou Jesus a quem tu persegues “, mas Paulo não só sentiu a sedução do Senhor, mas foi preciso ouvir da boca Dele, que Ele era o Senhor.
A experiência era para Paulo, unicamente para ele. Naquele momento Jesus queria Paulo, o Senhor se apossa da vida de Paulo, claro sem tirar sua liberdade, ele passa a pertencer unicamente a seu Senhor, para o qual foi convocado. Agora sua vida se resume na obediência ao seu Senhor.
Então , o zelo incondicional levou-o a uma vida de total abnegação de si mesmo para uma vida a serviço Daquele que antes queria destruir e que desde momento passar a ser arauto : “O Evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, pois eu não o recebi nem aprendi de algum homem, mas por revelação de Jesus Cristo (Gl 1, 11-12)”. Paulo deu uma virada de 180 graus na sua existência, agora confia unicamente na força salvadora da cruz de Cristo e não mais em homens. Morreu para a Lei, foi crucificado para ela, e vive para o Cristo.
Confia unicamente na gratuidade do amor incondicional de Jesus. “De fato, pela lei morri para Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mi”(Gl 2,19-20).
“A salvação que, por iniciativa de Deus Pai, é oferecida em Jesus Cristo e é atualizada e difundida por obra do Espírito Santo, é salvação para todos os homens e do homem todo: é salvação universal e integral. Diz respeito à pessoa humana em todas as suas dimensões: pessoal, social, espiritual e corpórea, histórica e transcendente” (Compendio da Doutrina Social da Igreja,p.p 35).
Levado pela mão de seus companheiros, segue seu caminho, como prisioneiro de Cristo, obediente à ordem da voz “Levanta-te e entra na cidade. Ai te será dito o que deves fazer”.

Meus queridos, aqui esta a partilha de um grande irmão de comunidade, que amo muito. Pedi a permissão a ele para divulgar, é algo bem sagrado. Deus abençoe, Pe. Reinaldo

Chegou, pois, a uma localidade da Samaria, chamada Sicar, juntos da terra que Jacó dera a seu filho José. Ali havia o poço de Jaco. E Jesus fatigado da viagem, sentou – se a beira do poço … Veio a mulher da Samaria tirar água … (Jo 4, 5-7)”

Medito já algum tempo a vida dessa mulher, a pagina de minha bíblia esta até destacada, mas confesso que fiquei nos detalhes traumáticos de seus relacionamentos afetivos.

Mas tendo a oportunidade de encara – la com outros olhos, vi que sua vida fala de minha vida, mesmo não sendo casado, pois um dia a obrigatoriedade da passagem me encontrou (ora, devia passar por Samaria – v. 4). Entrando na lucidez de seu silêncio percebo que sou pior do que ela.

Os maridos que já passaram, repito, passaram, por sua vida mostram realidades passadas que agem em seu presente de dor. O marido não pertencido, nessa ótica se torna insignificante; uma vez que vejo um. Sou pior do que ela!

Sei que o que simboliza a vida velha daquela samaritana é o cântaro deixado. Mas penso nos meus maridos; estranho não!? Um homem ter marido; pois é, tenho vários que ainda não passaram. Sou pior do que ela!

Os cinco que teve, e o adultério contraído passam despercebidos perto da poligamia de pecados que vivo. Constato uma atitude necessária a ser tomada: preciso me divorciar!

Dentro do âmbito jurídico sabemos que o divórcio é o rompimento legal e definitivo do casamento. Mas ao mesmo tempo sabe!? Faço questão de não ficar preso as atribuições própria como pensão alimentícia, regulamentação do poder paternal, relação ou partilha de bens, regulação de casa de família… ah em fim … acho melhor matar esses caras.

O Mons. Jonas nos ensina: “estamos na reserva, a qualquer momento o Senhor pode nos convocar para a batalha. Precisamos ser inimigo do inimigo; não podemos brincar em serviço. Devemos ser os primeiros a viver o PHN”.

Diante da verdade: sou pior do que ela! Não me resta outra saída a não ser, a ruptura definitiva com os maridos que tenho.

Deus abençoe.

Vitor Leal

Comunidade Canção Nova.


Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Ele apresentou-se ao Sumo sacerdote e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de levar presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse seguindo o Caminho (Atos 9, 1-2).

Por que Saulo (Paulo) perseguia a Igreja?
Pergunta que nos interroga, sensibiliza e abre uma grande lacuna. Por que Deus escolheu um perseguidor? Tanta gente boa.  Mas vamos conhecer primeiro Saulo para podermos entender o porquê da pergunta. Saulo,  natural de Tarso da Cilícia, filho da tribo de Benjamim, a mesma do rei David. Filho de comerciantes ricos, cidadão romano, ligado à seita dos fariseus, aluno do glorioso rabino Gamaliel, zeloso defensor da Torá. Ele era fariseu , filho de fariseu. Nascido entre o ano 5 e 10 da era cristã. “Circuncidado ao oitavo dia, da raça de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu filho de hebreu; quanto à Lei, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que há na Lei, irrepreensível (Fl 3, 5-6)”.
Israelita orgulhoso, alma de fogo e coração íntegro, ainda jovem, quando era conhecido apenas com seu nome judeu de Saulo. Ele se dedica com sagrada paixão ao serviço de Deus, observando rigorosamente a religião de seu povo. Educado na cidade de Tarso e instruído aos pés de Gamaliel, segundo o rigor da Lei, zelador de Deus. Saulo fora educado para ser fariseu. Moldado intimamente por uma tradição a lei , que o Judaísmo conservava fanaticamente; impulsionado pelo entusiasmo impetuoso da mocidade; abrasado em ânsias de proselitismo próprio do judeu, julgou que tinha missão religiosa para cumprir, combater o cristianismo até destruí-lo. Por  considera-lo uma traição ao Judaísmo, perseguia os seguidores de Cristo porque eles tinham abandonado a lei mosaica para seguir um tal de Jesus, que um monte de fanáticos cristãos pregavam e diziam que Ressuscitou dos mortos .
“Quanto a mim, achei que devia empregar todas os meios para combater o nome de Jesus, o Nazareu. Foi o que fiz em Jerusalém: encarcerei um grande número de santos, tendo recebido autorização dos chefes dos sacerdotes; e,quando eram mortos, eu contribuía com meu voto. Muitas vezes percorrendo todas as sinagogas, por meio de torturas quis forçá-los a blasfemar; e , no excesso do meu furor cheguei a perseguir-los até em cidades estrangeiras ( At 26, 9-11)”.
Ele como um bom judeu, intelectual e fiel à lei, era preciso fazer alguma coisa para acabar com aqueles que estavam destruindo o judaísmo. Então pede cartas de recomendação para perseguir e  matar os seguidores do “caminho” (a fé em Jesus como Messias, modo de viver dos primeiros seguidores de Cristo). Naquele  momento Saulo era a pessoa melhor para fazer a “matança” dos cristãos, por ser jovem, audacioso, cheio de empolgação e com tempera. Com efeito, quando Paulo se dirigia pelo caminho a Damasco, seu coração estava cheio de agressividade contra os cristãos, não porque fosse um homem mau, mas ao contrário, porque era fiel às tradições segundo as quais havia sido formado. Estava cheio de agressividade, pois se sentia ameaçado por esta nova fé que opunha às suas tradições mais caras nas quais fora ensinado. Era pelo amor de Deus que perseguia os inovadores.

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Hoje terça-feira santa, queremos continuar a caminhar com o Senhor para sua Glorificação através da Cruz e Ressurreição. Saímos de Betânia e nos coloquemos à mesa com o Senhor como diz o Evangelho de hoje (João 13,21-33.36-38).

Neste momento de ceia Jesus expõe a fragilidade humana que esta angustiada, de saber que vai ser traído e negado, de esta comovido e testemunhar a sua verdade. Estando à mesa, ela demonstra duas fragilidades do homem, na refeição nos expomos, não conseguimos omitir a verdade e desperta curiosidade.

Na mesa o ser humano é profundo e entra em intimidade com os outros como Jesus o fez. Apesar de ter consciência na sua morte e de ser entre por aquele que o amava, Jesus não deixou de amar Judas nem Pedro.

Outro detalhe do Evangelho é quando fala “ era noite”, noite do medo, noite da angustia, noite das trevas, noite da traição, noite da negação, noite da Ceia da Eucaristia, noite em que Satanás achou que venceu, noite do inicia da Redenção, noite de Salvação.

A diferença da traição de Judas e a negação de Pedro é o seguinte: Judas não se deixou se converter, mas Pedro se arrependeu, voltou e se converteu- “Jesus respondeu-lhe: “Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas seguirás mais tarde”.

Diante do Senhor qual é a sua posição de traidor ou o que negou?

Estamos caminhando com Jesus para Jerusalém. Queremos nesta semana santa caminhar com Ele passo a passo. Vamos nos lugares por onde Ele passou para subirmos juntos para sua Páscoa, que é a nossa Páscoa. Ele quer nos tirar daquilo que é velho e nos fazer novos.

Vamos descer com Cristo até Betânia, o Senhor quer entrar em nossa Betânia hoje, que é a nossa casa, nossa vida. Deixar Ele participar da sua intimidade. Seja como Marta que prepara tudo para acolher o Senhor, seja como Lázaro que esta à mesa com o Senhor e principlamente como Maria que ungiu os pés do Senhor e enxugou com os cabelos. Vamos permanecer ao pés de Jesus. O Evangelho é bem Claro. “Ali ofereceram a Jesus um jantar; Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. Maria, tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo”. ( Jo 12, 2-3).

Nesta segunda-feira santa, o Senhor quer descer até a sua Betãnia e te visitar.

Diferença entre jejum no cristianismo e em outras religiões

 O jejum no cristianismo se distingue desta prática em outras religiões, pois tem por objetivo descobrir Deus, e não descobrir a si mesmo. 

Quando os cristãos jejuam, «não se fecham em si mesmos», mas «se unem ao seu Senhor, que jejua por quarenta dias e quarenta noites no deserto». 

Assim manifestou o cardeal Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício «Cor Unum», durante a coletiva de imprensa que concedeu nesta quarta-feira na Santa Sé, na qual foi apresentada a mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2009.

O sentido do jejum no budismo e no islã 

Segundo declarou o purpurado alemão, que dirige o organismo vaticano encarregado de promover e coordenar a ação caritativa na Igreja, o objetivo do jejum, tanto no budismo como no islã, consiste em favorecer o cuidado do corpo, opondo-se à sua idolatria. 

O cardeal assinalou como o sentido do jejum no budismo consiste no desapego dos bens terrenos, porque o corpo em si mesmo se converte em origem de sofrimentos: «deve desacostumar-se à ‘sede’ de coisas criadas, abandonar o desejo e as inquietudes que dele se derivam, matá-las dentro de si mesmo»; desta maneira se chega ao Nirvana, que consiste na extinção completa dos desejos. 

Para o islã, o jejum é a quarta coluna que sustenta esta religião e uma prática obrigatória durante o mês do Ramadã. 

Para os muçulmanos, existe outra razão para esquecer-se de tudo que é terreno: «Deus tem seu trono em uma distância infinita. Não se lhe pode encontrar no mundo. Só se comunica com a criação e com o homem mediante sua lei, a charia»; por isso, «seria uma heresia escandalosa afirmar que Alá tivesse como filho um membro do gênero humano». 

O purpurado assinalou que o jejum em ambas as religiões tem algo em comum: «transcende a dimensão terrena e procura um objetivo muito além deste mundo: o ingresso no Nirvana ou a obediência a Alá, Senhor do céu e da terra». 

Em ambas as religiões, «trata-se de libertar-nos do peso das coisas criadas», declarou. 

O sentido do jejum cristão 

Pelo contrário, para o cristão «o desejo místico não é nunca o descenso em si mesmo, mas sim o descenso na profundidade da fé, onde encontra Deus». 

Ainda que seja importante aprender sobre as demais religiões, os cristãos devem aprofundar «na herança recebida e conhecê-la cada vez melhor. A revelação divina diz algo novo em cada época histórica; é inesgotável», constatou. 

O cardeal deixou clara a diferença entre a rejeição do mundo por parte do budismo e as leis do Ramadã islâmico e da Quaresma cristã, que «oferece ao cristão um caminho espiritual e prático para exercitar sem recortes nem reservas nossa entrega a Deus». 

Assinalou que, em sua mensagem quaresmal, o Papa não mostra o jejum com um aspecto negativo: «como poderemos nós desprezar nossa carne, se o Filho de Deus a assumiu, convertendo-se verdadeiramente em nosso irmão?». 

Quando os homens jejumam com uma atitude interior de desejo de conversão, «em Cristo buscam a comunhão com o Tu divino. N’Ele buscam novamente o dom do amor que renova o ser cristão» e se comprometem «na luta contra a miséria, convertendo-se em mensageiros do amor de Deus». 

O cardeal Cordes