10. dezembro 2007 · 1 comment · Categories: Jovem

Todo ser humano é, para si mesmo, um mistério. Consta de um corpo sujeito às vicissitudes naturais, e de uma alma espiritual, que não conhece decrepitude, conserva todo o seu vigor, embora nem sempre o manifeste, porque sujeita ao funcionamento do cérebro e das faculdades corpóreas em geral: conseqüentemente pode-se falar da perene juventude da pessoa humana.

Nem todos têm consciência disto. Muitos, ao despontar dos primeiros sintomas da velhice, se encolhem e vão-se apagando aos poucos. Outros, porém, se esforçam por não perder o ânimo juvenil; dir-se-ia até que, quanto mais próximos se acham do fim de sua caminhada terrestre, tanto mais vigorosos de ânimo parecem.

E quais seriam as características dessa perene juventude? – Podem-se assinalar as seguintes:

–  Abertura ao presente e ao futuro, em vez de encolhimento no passado… Interesse pelo que acontece de novo e pelos desafios da vida. O jovem não perde o amor ao ideal e às causas nobres; sabe vibrar com os que as propugnam.

–   … Fé em Deus certamente e no seu convite para a vida eterna… Mas também fé no valor da vida, ainda que sofrida… Fé no valor da procura incessante da Verdade e do Bem… Uma das características mais espontâneas do ser humano é ser sequioso… é desejar algo mais do que as coisas visíveis e sonoras que passam. Quem tem fé, saberá que quanto mais próximo está do fim de sua caminhada terrestre, tanto mais próximo está também da consumação ou do encontro definitivo com a Beleza Infinita. Esta o vai invadindo sempre mais.

–   Magnanimidade… Ter um ânimo magno, grande para vencer as intempéries da caminhada. Diria São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12,21). Com outras palavras: “Não sejas mesquinho nem pusilânime, fechado em ti mesmo”. A luta em prol das causas nobres é sempre rica de esperança, pois não pode vir a ser frustrada a criatura cujo Divino Fabricante a fez para o Infinito e lhe imprimiu na alma o selo do Infinito.

Está claro que a fé cristã só pode corroborar os dados que a própria observação psicológica aponta. O cristão tanto mais jovem deve ser quanto mais longevo ou quanto mais chegado à eternidade. Os Santos deixaram-nos eloqüentes testemunhos desse paradoxo: ânimo juvenil em corpo desgastado… Testemunhos dos quais um dos mais recentes e significativos é o do Papa João Paulo II. Anteriormente a ele sejam registrados Giovanni Papini, Helen Keller, Marie Heurtin…

Estas reflexões impõem-se a todas as idades. Não é no fim da caminhada terrestre que se vai começar a pensar no ponto de chegada. Todo caminheiro deseja quanto antes chegar ao termo da viagem; ele não o pode esquecer sob pena de cair num precipício. A pessoa sábia há de cultivar sempre a juventude psicológica ou o amor às causas grandes e nobres e, por excelência, o profundo e constante anseio do Bem Absoluto, que também é a Beleza Infinita.

“Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousar em Ti” (S. Agostinho, Confissões I 1).

Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae

1 comentário

  1. Meu querido Padre!

    Que saudades!!!
    Que lindo texto!
    Espero viver o meu ser “sempre jovem” como os santos: “O cristão tanto mais jovem deve ser quanto mais longevo ou quanto mais chegado à eternidade. Os Santos deixaram-nos eloqüentes testemunhos desse paradoxo: ânimo juvenil em corpo desgastado…”
    Obrigada pelo ensino.
    Sua benção.
    Com amor,

    Marina

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