Archive for junho, 2007

Tem Gente!

quinta-feira, junho 28th, 2007

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            Com a Revolução Industrial no século XVIII, vimos emergir o modelo organizacional empresarial que priorizou a produção, o negócio, o lucro. Com o passar dos anos, na pós-modernidade, o enfoque quase não mudou de lugar, com uma dimensão diferenciada : a tecnologia.                     

            Alguns componentes de diferenciação surgiram como possibilidade de mudanças, que foram os “Gurus”( vendedores de “idéias” mágicas), pregando a noção de que na empresa tem gente que precisa ser “treinada”, surgindo assim os métodos “domesticadores” de gente, como eu costumo nominá-los “papagaiolingüisticos”. Estes se usufruindo dos instrumentos antigos da psicologia comportamental a partir de Sknner onde modernizaram a linguagem e convenceram muitos empresários a investirem altas cifras em treinamentos motivacionais.

          Quando ingressei na universidade, em 1984, este modelo de treinamento já estava entrando em declínio no Estado de São Paulo, porém em regiões menos desenvolvidas em pesquisa científica psicológica, vemos ainda o emergir das fórmulas prontas motivacionais.

            Mesmo com o intenso processo de treinamentos adotados pelas empresas na pós-modernidade, vemos a maioria delas sistematizando seus “operários” em “Departamento Pessoal” (DP), daí onde os mesmos são vistos como números, documentos e processos trabalhistas. Já, outras poucas, evoluíram com muitos vícios do DP para o RH (Recursos Humanos). Mas uma seleta e quase rara quantidade de empresas tem transformado o cuidado com as pessoas em processo de Desenvolvimento e Gestão Estratégica de Pessoas. Nestas, assumem que tem gente! E com gente é diferente, e por isto, fogem dos treinamentos à toque de caixa (das soluções mágicas e milagrosas). Elas sabem que o processo para cuidar de gente é lento e gradual.

            Já na década de 80  o jovem Ricardo Semler, quando aos 27 anos escrevia o livro “Virando a Própria Mesa”, apontava para a estrutura arcaica das empresas onde as pessoas ficavam em planos subalternos. Propunha modelos diferenciados de administração, como os comitês de gestão com todos os representantes da estrutura organizativa da empresa , desde os de “colarinhos brancos” até os de “macacão do chão de fábrica”. Idéias que até hoje muitos administradores acham radicais e inviáveis, o que fez Ricardo Semler voltar à cena com seu novo lançamento (2006): “Você está louco!”. A diferença, é que atualmente, com 48 anos, é diretor da SEMCO S/A, que foi criada por seu pai e que hoje possui uma rede de mais de 30 empresas com crescimento constante de 40%, há mais de uma década. Na época que assumiu a direção da SEMCO o grupo continha 2 empresas, e muitos empresários que o criticaram após lançamento do “Virando a Própria Mesa” já não estão mais no mercado atualmente.

            Esta loucura de ver a empresa como um local que têm gente, não suporta respostas prontas, busca o sucesso pela força das pessoas em equipe, olha os colaboradores como o maior patrimônio intelectual da empresa – acima da produção, do negócio e do lucro. A diferença dos empresários que estão avançando na gestão estratégica de pessoas está em não cair na ridícula tentação de através de um único passo transformar gente em papagaio. Digo tentação, porque domesticar gente como papagaios, é pensar em tê-las nas próprias mãos, é querer ver gente repetindo ações, o que coloca o empresário na condição de domínio e poder – uma das maiorias tentações humanas-.

           O empresário,  ver que na sua empresa tem gente como ele, transforma as relações em parcerias, conjuga a igualdade na diversidade. O resultado de imediato, parece fugir ao controle, mas a longo prazo os frutos serão colhidos por todos, mantendo a prosperidade dos investimentos.

           Confira com detalhes o modelo de Gestão Estratégica de Pessoas que o Instituto Pensamento (www.psipensar.com.br) vem implantando sistematicamente na Secretaria Estadual da Fazenda-ES; Empresa Emflora S/A; Carpelo S/A. Experiências estas que estão em processo contínuo e crescendo para um modelo ideal de gestão de pessoas.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Carinho - Carícias - Compromisso

segunda-feira, junho 25th, 2007

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Qual é o melhor caminho para a vivência de um namoro que conduza ao auto-conhecimento? Vai depender das escolhas que os parceiros e namorados estão fazendo em suas próprias vidas.

Namorados cuja perspectiva de vida é apenas o prazer e a “curtição”, serão movidos pela busca do prazer fisiológico e o que medirá o nível de satisfação de estar juntos será a potencia sexual.

Definir o limite entre estes conceitos é um caminho que muitas vezes a argumentação teórica não consegue delimitar território, pois são conceitos que na ordem prática, são movidos por impulsos.

Carinho – Manifestação de respeito, onde por gestos carinhosos revela-se o zelo pela pessoa que se admira ou ama. O carinho, além de ser externado com gestos, é manifestado com toques, contatos. Porém são expressões corporais desprovida de erogeneidade. É como um afago.

Carícias – São manifestações físicas decorrentes do carinho à pessoa amada, mas com direção estimulativa de prazer, onde o casal manifesta de forma mais intensa os sentimentos através de contato corpóreo. Há uma manifestação sexual e erógena.

Compromisso – Torna-se a consciência sobre os efeitos da carícia. Aqui entra o campo das escolhas. Se o casal deseja ter apenas a manifestação de prazer corporal sem pensar nas conseqüências de seus atos, as carícias tenderão à manifestação apenas do prazer sexual. Porém, se o compromisso está no cuidado com o outro, de fazer com que aquele sentimento de amor evolua para o estabelecimento de uma vida conjugal, as carícias terão seus limites e esperas. Para casais de namorados que escolheram conduzir-se ao compromisso matrimonial como referência às orientações da Igreja Católica, terão como sinal de limite aos estímulos de carícias às indicações morais religiosas a qual escolheram.

Toda escolha requer sacrifício, e a maior delas no namoro é a luta para não deixar se levar pelo impulso fisiológico. É sempre bom lembrar que o “corpo é burro”. Quem conduz nossas escolhas é o pensamento. Por isto os namorados devem estar sempre trazendo o diálogo sobre as escolhas que fizeram. O impulso é animal, a escolha é humana.

Gerson Abarca  – Diretor do Instituo Pensamento de Psicologia e Pedagogia

Escola Inclusiva

quarta-feira, junho 20th, 2007

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Escola Inclusiva

 

            Rastrear escolas com olhar inclusivo, tem sido tarefa árdua nos últimos tempos. Principalmente pelo fato de haver um grande discurso de inclusão, com cursos e mais cursos aos professores, mas na prática a teoria muitas vezes é outra. O olhar inclusivo é fácil de ser realizado para casos de alunos que possuem uma deficiência visível, onde o olhar inclusivo alcança. São os casos de cadeirantes, deficientes visuais e auditivos, TDAH (Hiperatividade), Dislexia severa; Síndromes, etc. Mas os casos cuja dificuldade para o aprendizado não pode ser detectado a olho nu, cujo olhar inclusivo não alcança, sacrifica dezenas de alunos em uma instituição educacional. São aquele que muitas vezes estarão em recuperação todos os anos letivos, amargando férias e mais férias estudando e finalizando anos e anos com a sensação que são fracassados.

            Encaixa nestes tipos de alunos com problemas de aprendizado e que poucas escolas possuem olhar inclusivo:

a)      Epilepsia com episódio de ausência atípica, onde a criança e o adolescente entra em estado de ausência não percebida por quem está ao redor e leva o mesmo a não estar atento na sala de aula. Uma crise desta, dura algumas horas para fazer o cérebro recompor sua normalidade sináptica, levando alguns educadores à postura de descrédito ao aluno, do tipo: -“Este aí gosta de ficar no mundo da lua mesmo”, ou por parte dos outros alunos:- “Parece um retardado, de tão lento que é para pegar as coisas”. 

b)       Transtorno de Déficit de Atenção pela Desatenção, neste transtorno alguns alunos precisam até de monitoramento medicamentoso neurológico para poderem ter condições de se posicionarem em tarefas educacionais que requer tempo para executarem. Geralmente são quadros onde a escola estigmatiza o aluno dizendo que não estão nem aí com nada:- “Só querem sombra e água fresca”.

c)      Dislexia leve ou mediana, onde os alunos portadores dela possuem dificuldades de interpretações de texto e disfunções na elaboração escrita. Se confundem diante de muitos conteúdos e longos textos que precisam elaborar. Os ataques institucionais vem estereotipados nas falas: -“ Capricha nesta letra”; “Parece que quer fazer tudo rápido”; “É melhor usar caderno de caligrafia para aprender a escrever bonito”.

Sabemos que a escola inclusiva tendo um olhar de 360° para todo tipo de inclusão, é um exercício que exige muita criatividade, mas além de tudo, muita humanidade. Com a exigência do mercado educacional onde as escolas são avaliadas pelo número de alunos que passam no vestibular, torna-se muito difícil manter um olhar inclusivo na prática. Associado a isto, sabemos que os alunos com disfunções educacionais tendem a criar mecanismos desviantes sociais como defesa aos ataques que lhes são atribuídos. As famílias ficam apavoradas pois os pais tendem a trabalhar com a noção de que o filho bom é o que vai bem na escola, fazendo emergir a angústia pela educação perfeita e consequentemente um olhar nada inclusivo no seio da família.

Entendo que entre a família e a escola quem deve estar mais preparado para um olhar educacional inclusivo, deve ser a escola, pois nela temos professores; especialista; pedagogos; psicólogos; e muita publicação científica que tem ressaltado a necessidade para incluir.

            Feliz das famílias que possuem filhos com problemas de aprendizado cuja escola está aberta para acolhê-los e ajudá-los no crescimento, estabelecendo para isto, contínuo processo de trocas escola/família e gerando intervenções positivas tendo em vista respostas favoráveis à longo prazo. Achar instituições  educacionais com este olhar, pode ser semelhante a procurar “agulha no palheiro”, mas a orientação que dou aos pais, é que vale a pena “garimpar” escolas com este perfil, a angústia será imensamente menor.

            No Instituto Pensamento temos conseguido monitorar processos com escolas que possuem crianças com problemas de aprendizado, obtendo excelentes resultados. Porém nenhum resultado é a curto prazo e todos os procedimentos acontecem com muita troca de saber entre família/escola/Instituto Pensamento. Enfatizamos aos pais que não existe fórmulas mágicas e que nós psicólogos somos agentes facilitadores do processo, e não curadores.

Gerson Abarca

   

Pais e adolescentes

sexta-feira, junho 8th, 2007

A entrada na adolescência reserva algumas dificuldades aos pais. A principal delas é entender o que se passa na cabeça de uma menina e menino no limiar dos onze anos de idade.

Geralmente os pais confundem-se na identidade dos filhos em transformação, e estes sofrem as perdas decorrentes da entrada na nova etapa de vida. Por isto, quero deixar registrado para os pais e adolescentes, as três principais perdas ou LUTOS da adolescência:

PRIMEIRA – perda da identidade de criança. Aqui o adolescente é arremetido de uma hora para outra a ver perder seus benefícios de criança. Também os pais perdem o referencial de comando sobre os filhos, que até então podiam pegar no colo e ter maior controle sobre o que os filhos podiam e não podiam fazer.

SEGUNDA – perda do corpo de criança. Os adolescentes deparam-se com uma cruel alteração corporal, comandada pela produção dos hormônios sexuais, que na infância estavam adormecidos. Os menbros – braços e pernas – crescem. As espinhas aparecem e a voz tende a mudar. Para os pais, o conflito se estabelece na ordem da diferenciação comportamental decorrente da produção hormonal sexual, que deixa os adolescentes mais agitados.

TERCEIRA – perda do referencial paterno e materno – Nesta perda, tanto os pais como os adolescentes tendem à vivência de uma crise de referências, pois por parte dos adolescentes desejam novos comandos e buscam referências de condução nos grupos de iguais. Já os pais, com receio de serem taxados de caretas ou antiquados, buscam adequar seus modos e costumes, alguns até incorporam uma forma adolescente de ser.

Com as perdas inerentes da entrada na adolescência, a psicologia estipula o conceito de PSICOPATOLOGIA NORMAL DA ADOLESCÊNCIA. A bipolaridade, ansiedade, depressão, angústia, etc, são sintomas vivenciados sem fixação de um perfil definido.

Para ir mais fundo : Leia o livro de Maurício Kinóbel – ADOLESCENCIA NORMAL – Ed. Artmed

A Mãe Boa

segunda-feira, junho 4th, 2007

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A Mãe Boa

A mãe é sempre boa? Todas as mães são boas?

Estas perguntas devem pautar o existir de todo o ser humano nascido de uma mãe… pois ainda não vimos alguém nascer de um útero artificial.

Sabemos que uma mãe não é sempre boa, pois se assim for, estará incorrendo na tentação do amor perfeito ou do mito do amor materno. Ser bom e ser mau, é condição humana, assim como é condição de todo ser vivo. Assim como o sol é bom quando em uma manhã de verão podemos fazer um delicioso lazer na praia; o mesmo sol poderá ser mau, na medida que queima e castiga plantações em períodos longos de seca. Por que não, a mãe ser boa e ser má?

Porém, a mãe boa, dentro de uma perspectiva de estabilidade do vínculo materno/filial, é aquela que consegue estabelecer critérios de um permanente estado de vínculo com o filho em relação à manutenção do afeto. É o que Winnicott, psicanalista inglês na qual pauto meu trabalho em ludoterapia, estabelece como “mãe suficientemente boa”, em que proporciona o encontro do vínculo afetivo pelas necessidades fisiológicas desde a amamentação até os processos de seperação, gerando confiança na criança que o peito que está sendo oferecido pela mãe é um gesto de querer, do desejo de nutrir. Também, já nas fases de independência do crescimento infantil, a motivação da mãe para ver o filho andar, e se desapegar na conquista do mundo, é uma motivação movida pela vontade de ver o filho crescer. É o processo de desapego para que o bebê passe à criança versátil e autônoma. Assim, quando uma criança consegue sentir que aquela mãe que o nutre e que posteriormente o estimula provida de um profundo amor, levará a criança a não temer a sua própria solidão.

A “mãe suficientemente boa” cria condições de separação gradual, oferecendo elementos de suporte ao filho em processo de crescimento. Outro elemento forte na teoria e Winnicott, é o “objeto transicional” utilizado pela criança como um mecanismo utilizado no processo de separação, em que nomeia um objeto externo ao vínculo, para aos poucos reparar as perdas na separação com a mãe. Consideramos “objeto transicional”: chupeta; fraudinha; bichos de estimação, etc., que são colocados no mundo da criança, de forma sábia, para que a mesma vá elaborando os lutos da separação. “Luto” ou “melancolia” são conceitos muito bem traçados pela psicanalista Melanie Klein, a qual também utilizamos em nosso processo estruturante para a terapia infantil.

Para o leitor visualizar melhor o que estou elaborando como mãe boa, trago uma cena muito comum para as mães em processo de amamentação do filho: – o recém nascido, absorto em seu sono profundo, cujas principais atividades é mamar e dormir, aos berros, acorda pedindo peito (leite). A “mãe suficientemente boa”, ao despertar-se com os berros do bebê, imediatamente prepara seus seios, higieniza-os para oferecer ao filho ganancioso pelo alimento, sugando desesperadamente os seios. Nos primeiros meses, para o bebê, os seios é como se fosse parte do corpo dele, onde mãe e filho se fundem como se fosse um, estabelecendo uma relação de plena simbiose materno/filial. Após ser gratificada, a criança ainda no peito, volta a dormir para uma nova empreitada quando a fome lhe bater. A mãe, por sua vez, aguarda o próximo turno nutricional, plenamente satisfeita pelo papel de nutrir e ver seu filho crescer saudável e sereno.

Entre perdas de sonos, trabalhos domésticos ou profissionais, cotidiano corrido, etc.; a mãe suficientemente boa assume seu papel, não se estressa e ao contrário, fica feliz por vivenciar esta fase magnífica de pleno vínculo de amor.

Com o passar dos meses, a criança já descobre que aqueles seios pertencem a outra pessoa – sua mãe –. Inicia a fase onde além de buscar alimento, brinca com os seios da mãe. Morde-os, finge que está mamando mas só está brincando – sorri –, a mãe boa observa, intui e entende este movimento e no processo de separação, beija, abraça, fala, canta e sorri ao filho. Na sua sabedoria materna (pois isto é vivido quase que intuitamente), oferece como elemento de suporte de separação, bico, fraudas, bichinhos, etc. De forma afetiva e complementar leva a criança a ir se apegando a brinquedos para superar a ausência do peito, do não afeto. Promove em seu filho a potencialização para o brincar – nasce aqui a grande capacidade criativa – onde a criança precisa elaborar o seu mundo por ela mesma. O filho, ao observar e constatar a seguridade de afeto e proteção da mãe suficientemente boa, vai se entregar aos seus brinquedos sabendo que dentre em breve terá a presença afetiva e vitalizante da mãe. Assim estará protegido dos sintomas de angustias e ansiedades prevalecidas pela ausência real da mãe, pois nomeará nos brinquedos, seu campo de proteção. Como Winnicott bem esboçou: mãe – objeto transicional – filho. A mãe suficientemente boa torna-se a primeira e principal agente promotora da linguagem infantil – o brincar-.

Voltando à segunda pergunta inicial do texto – todas as mães são boas? Não, pois muitas não conseguem se estabelecer na condição materna, porque ao gerarem um filho, ainda estão na posição de espera pelo colo perdido delas mesmas, dificultando a maior vocação do exercício materno que é ser fonte de vida e amor – um amar sem distinção -, sem necessidade de ser retribuída, um amor gratuito.

A conquista pelo perfil de mãe boa é um aprendizado que se polariza entre altos e baixos, bom e ruim, vida e morte. A mãe ao entender a polaridade do sentimento humano, saberá se superar e polarizar-se no amor quando perceber-se no ódio ou no desejo de fugir de sua vocação materna. Este exercício é nos dias de hoje, ainda mais exigente, pois a sociedade de consumo preconiza a idéia do dar para receber, e a mãe boa na sua essência, só recebe se primeiro der.

Gerson Abarca

É psicólogo. Especialista em Psicologia Clínica onde atua com ludoterapia. É Diretor do Instituto Pensamento.

“Abortomicidiomania”

segunda-feira, junho 4th, 2007

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“Abortomicidiomania”

A crescente onda de argumentos em torno da legalização do aborto trás a idéia que no Brasil se pratica milhares de abortos clandestinos e sem proteção à saúde da mulher. Argumento este que força-nos ao convencimento de que se há muitas mulheres praticando o aborto e muitos homens incentivando esta prática, o melhor caminho será legalizar ou discriminar o aborto, criando condições na saúde pública para que seja realizado sem seqüelas físicas e emocionais à mulher.

Com esta posição, poderíamos também legalizar a prática do homicídio, pois diariamente, centenas de pessoas são assassinadas a queima roupa pelas ruas do Brasil. Quem sabe, com a legalização ou discriminação dos homicídios, o Estado poderá garantir que as vítimas morram em condições mais adequadas. Ganhariam até o direito de um sepultamento com as honras militares, ao invés dos corpos virarem cadáveres escondidos pelas matas e becos do Brasil.

Já pensou que interessante seria, se no plebiscito sobre a legalização ou não do aborto, estivesse associado à legalização do homicídio? Seria muito coerente, pois o aborto não deixa de ser um homicídio, onde alguém decidi pela morte de uma vida que não pode se defender – o feto -.

Coitado de quem é contra a legalização do aborto. Porque os discursos de seus defensores já estão tão bem alinhados, que logo associam os contrários a conservadorismo. Se o Papa Bento XVI vem ao Brasil condenar o aborto, logo dizem que ele é ultra conservador. Mas estes mesmos, que defendem a legalização de aborto, esquecem que Ritler condenou milhões de Judeus à morte por achar que eles não pertenciam à raça pura. Ritler, sim, um homicida legitimado pela população Alemã fascinada pelo poder. Hoje querem dizer que a culpa foi só de Ritler, ma e a população que o apoiou na época?

Se no Brasil temos um alto índice de mulheres abortando, não será com a legalização do aborto que vamos resolver este questão. Pois devemos perguntar qual é a luta dos que pedem a legalização do aborto em relação às melhorias da qualidade à assistência à saúde integral da mulher; perguntar como é realizado o planejamento familiar pela saúde pública; perguntar quais são as oportunidades de emprego, estudo e direitos que realmente as mulheres estão conquistando no Brasil.

Transformar a questão de aborto em um dilema entre moralistas religiosos e técnicos públicos de saúde, é manter a percepção do problema no enfoque de ataque unilateral. É preciso trazer a questão do aborto e suas conseqüências, para os aspectos antropológicos, sociais, psicológicos, espirituais. Omitir as seqüelas causadas por um aborto na vida de uma mulher e família, é querer legitimar ações pelo caminho mais fácil, negando para isto a dor das seqüelas existentes.

Legitimar ação de morte à quem não pode se defender, é no mínimo covardia. Infeliz da Nação que precisa de recursos covardes para estabelecer normas de sobrevivência e convivialidade. No final, todo poder será dado a quem tiver mais força. Hoje, no Brasil, a força está nas mãos do crime organizado. Bom! já que eles estão tão fortes assim, por que não legalizar a ação deles? Quem sabe dando à eles o poder de direito, sendo que já possuem o poder de fato.

O que nos torna humanos é ver e reconhecer o outro meu semelhante como humano. Ser humano é uma conjugação no coletivo. Eu sou no outro, eu existo quando percebo a existência do outro. Negar que um ser vivo humano, na condição de célula fecundada, não é um ser vivo, é não exercer a minha humanidade.

É preciso assumir-se humano para não cair nas armadilhas cruéis das argumentações maníacas de destruição dos nossos semelhantes. Esta mania enlouquecedora de transformar vidas em objetos manipuláveis, que sempre perseguiu o existir da humanidade.

Gerson Abarca

É Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento e Conselheiro Efetivo no Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo.

“On-line boy”

segunda-feira, junho 4th, 2007

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“On-line boy”

On-line boy” é a nova cara dos meninos e meninas adolescentes de hoje. Lógico que toda regra tem suas poucas exceções… neste caso.

Concebi este termo “on-line boy” quando deparei-me com uma realidade transformada dentro de um curto período de tempo. Em determinada rua onde há um ano muitos jovens se encontravam para vivenciar vários tipos de brincadeiras de rua ou sentavam na sarjeta para conversar longamente sobre tudo e todos, deparei-me com o mesmo espaço e local sem observar aquela galera de sempre. Nesta rua, de muitos amigos a visitar, a cada casa que adentrava encontrava com os filhos dos casais compenetrados no computador, e a ladainha das mães: “-… Estes meninos só querem ficar neste computador, eu não sei mais o que fazer”. Outra mãe reclamou-me que depois que todas as casas da rua colocaram computador, até para eles passarem recados ou marcarem encontros, fazem pela “net”, mesmo morando na mesma rua.

Intrigado com a cena e a cruel realidade da perda de vitalidade daquela rua, que antes era encantada pela alegria da meninada a brincar, resolvi ficar junto com três adolescentes de uma das casas observando o que os atraiam para o computador. Observei que os jogos que conseguem rastrear via internet são altamente estimulantes, dinâmicos e estabelecem trocas contínuas com pessoas de toda a parte do mundo, como é o caso do jogo “Tíbia”. Outro fator de atração que pude observar é que os jogos possuem um fundo escuro e “macabro” (meio fúnebre), com alto grau de violência. Interroguei um “on-line boy” sobre o grau de violência daquele jogo e o garoto retrucou-me: -“mas não estamos matando gente, só destruindo objetos”. – É como se estivessem destruindo patrimônios públicos e privados, retruquei -. – “Mas isto aqui é só virtual”, rebate o “on-line boy”. Incrível mesmo era observar a quantidade de tiques nervosos que ao manusear o jogo a garotada vai adquirindo, como se estivessem incorporando o virtual na realidade.

Pensei bem e procurei adentrar em outra residência daquela rua e da mesma forma encontrei meninas que há um ano atrás tornavam aquela rua especial, pois brincavam e jogavam com os meninos, o que fazia com que muitos meninos de outras ruas por ali chegassem. Elas não estavam na rua, mas diante do computador ligadas no orkut, batendo o maior papo cabeça. Ao chegar elas me abordaram de forma muito aberta e convidaram-me a ficar por lá. Conversas iam e vinham e muitas risadas. Transcrevo aqui um breve trecho:

“- Oi td bm? – Td bm, e vcs aí? – Comu q tá a galera? – Vai indo véi. – Fiquei onti cm um cara só – Pena q ñ foi cumigu (vem um coração), (elas retornaram com uma cara dando risada). Todas soltam aquela gargalhada.

O cara de lá, parece-me que era do Rio Grande do Sul, todo bonitão sem camisa e só de cueca – graças a webcam, isso podia ser observado – .

Eu intervenho e aponto: – Olha o cara está só de cueca … “- Nossa, se meu pai ver …”, comenta uma das meninas.

Daqui a pouco elas gritam e saem correndo, fico para ver o que aconteceu. O carinha de lá mostra o pênis e escreve: “- Fika com este véi grosso aqui ó – !”

Questionei o pai da menina que residia nesta casa e ele disse-me que já estava cansado de dizer para desligar o computador, ele já tinha perdido o controle.

Ao sair daquela casa, encontro-me com um jovem caminhando cabisbaixo pela rua e pergunto o porquê ele estava sozinho naquele momento, o garoto disse: “- É por que em casa o computador é controlado e meus pais não deixam eu ficar na casa da galera porque ta todo mundo ligado no computador”. – Mas como seus pais vão saber? Ele retruca dizendo: “- os véio lá em casa são duro na queda, eles vão atrás para ver o que eu estou fazendo”. Você acha legal isto? Pergunto. – “Até entendo que eles estão certos, mas o que vou fazer da minha vida neste tempo que estou de férias? Tentei ir num outro bairro mais simples onde imaginava que havia alguns amigos jogando uma “pelada”, mas a galera tinha ido na Lan House, onde meus pais nem deixam eu passar perto”. – Responde o jovem.

Despedi-me do garoto, triste, pois a sua tristeza despertou a minha. A dele pela solidão e a minha por estar diante de uma real situação – a dos “on-line boys”, onde os que estão dentro não querem sair e os que estão fora não sabem como ficar sem. Triste continuei ao perceber que a solidão parece estar batendo a porta de todos os jovens que abandonaram a rua para se escravizar na telinha do computador.

A minha geração, dos anos 60, 70, foi às ruas fazer pirraça contra o regime militar. Crescemos e geramos filhos. Aprendemos as “pirraças”, mas não aprendemos por onde conduzir nossos filhos. Faltava-nos recursos e aprendemos a conquista-los, mas nos filhos que geramos superabundamos de recursos. Esta geração que educamos hoje, sabe muito de internet e pouco do manuseio da realidade cotidiana. O que vai acontecer com o futuro da geração “on-line boy” parece incerto. Só espero que não financiemos as dividas que eles venham adquirir no futuro por não saberem como quitá-las.

*Gerson Abarca – Psicólogo. Autor do livro: “O Poder da TV no Mundo da Criança e do Adolescente” – Ed. Paulus – 2004, Diretor do Instituto Pensamento.

Sentimento Amazônico

segunda-feira, junho 4th, 2007

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Sentimento Amazônico

Quando estive em Manaus no ano de 1997, ministrando um curso sobre sexualidade na Universidade Federal, aproveitei o tempo livre para visitar a propriedade rural de um amigo. Ao chegar nesta propriedade, ele estava todo feliz apresentando sua mais nova aquisição empreendedora – caterpila de esteira – que tinha o objetivo de derrubar centenas de imensas árvores da floresta Amazônica puxando correntes enormes e fazendo leiras de amontoados de árvores para serem transformadas em cinzas pela fogueira noturna. Este amigo estava projetando pastos e mais pastos para vacas e mais vacas.

Minha indignação foi tamanha que tive um transtorno estomacal, fiquei tão raivoso que não poupei palavras para criticá-lo. Não agüentei ficar naquela propriedade e pedi para me retirar. Após 10 anos, aquela cena – das imensas árvores caindo como peças de dominós enfileirados – não sai da minha lembrança. Pior ainda são as palavras ditas por este amigo naquela época: – “Mas não se preocupe com isto não, aqui tem muita árvore, da pra muito tempo”-.

A Campanha da Fraternidade de 2007 com a temática da Amazônia, reacendeu dentro de mim o sentimento amazônico e fiquei irradiante com a possibilidade de vermos a Igreja Católica fazer despertar à população brasileira ao sentimento de proteção do pulmão da humanidade. Este tema que parece estar tão longe de nossa realidade, é de vital importância para todo o ser humano vivente no planeta terra. Refletir a Amazônia, tentando transferir na percepção do nosso cotidiano, sobre os gestos simples de prevenção ecológica, é um caminho. Mas, com certeza o sentimento Amazônico deve nos reportar à consciência pela defesa deste patrimônio verde da humanidade. Estar indignado pelo pouco caso em relação à prevenção da Amazônia, deverá nos colocar em ações coletivas para o aglutinar forças em vista à uma posição política nacional, que culmine com um “stop” a toda intervenção destrutiva da Floresta Amazônica. Tentar cuidar da Amazônia mantendo procedimentos de exploração madeireira, mineral ou de especulação da biodiversidade financiados por multinacionais, é a mesma coisa que dizer ao fumante que ele conseguirá salvar seu pulmão fumando menos ou diminuindo o cigarro aos poucos, desta forma o fumante nunca conseguirá parar de fumar. Pensar em uma exploração racional da Amazônia na atual conjuntura de exploração em que ela se encontra, é dar destaque político demagógico àqueles que detêm o poder político no Brasil. Neste item, o governo Lula ainda não mostrou para que veio.

O sentimento Amazônico é o que moverá a consciência ecológica de cada cidadão. Se no início do século 20, Freud definia que o ser humano carrega em si o “Sentimento Oceânico”, que significa a necessidade de se apegar a algo superior, hoje poderíamos dizer que cada brasileiro deveria estar movido pelo “sentimento amazônico” colocando seu pensamento em pleno vínculo com a imensidão amazônica, o maior pólo de diversidade Biológica do planeta, prova legítima da vocação da terra como “planeta vivo”, “planeta vida”. Deixe o sentimento amazônico inundar sua alma. Medite, ore, faça ioga, silencie-se …. como se em todas estas ações o cheiro, o verde e os sons da floresta amazônica estivessem sendo sentidos dentro de você, como se você estivesse lá.

Gerson Abarca
É Psicólogo – Diretor do Instituto Pensamento; Autor do Livro Infantil de consciência ecológica – “Festa na Praia, Alegria no Mar” – a ser lançado em 2007.

Pais e filhos

segunda-feira, junho 4th, 2007

Você provavelmente já teve algum problema de relacionamento com seus pais?


Pensando bem

segunda-feira, junho 4th, 2007

O pensamento é a grande arma de existir do ser humano, por ele poderemos passar por este mundo sem saber o por quê estar nele, ou deixar uma grande marca na história da humanidade. Pensando bem, quer ser porta voz dos seres humanos que desejam um mundo melhor. Vamos pensar juntos. ( leia mais)

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