Archive for julho, 2007

Unimultiplicidade

quinta-feira, julho 26th, 2007

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                Este é o conceito utilizado pelo compositor Tom Zé  para definir o caminho do indivíduo junto à casa da humanidade.

               Nesta composição, o autor aponta o indivíduo como forma e conceito e que só pode se realizar na aproximação com o outro, na engrenagem da humanidade. Unimultiplicidade nos convida a somarmos capacidades e talentos na convergência da multiplicidade, ou quem sabe das “múltiplas competências” (este conceito tenho trabalhado para a formação de lideranças em diferentes campos de existência profissional).           

                Porém, dependendo do foco e utilidade dos conceitos, eles são adaptados correto ou incorretamente conforme as conveniências de quem os usa. No caso das “múltiplas competências”, há um desejo enorme de se formar lideres dotados de todas as competências possíveis, principalmente em contextos empresariais, que retroalimentem a necessidade nos seus colaboradores em serem deuses, e isto em um esquema bem engenhado pelos treinamentos motivacionais. Para ser um líder ideal, a pessoa deverá ter múltiplas competências e quase que não precisará de uma equipe, ou quem sabe, terá total domínio sobre sua equipe.

                Também,  com o conceito de unimultiplicidade, religiões tendem a pregar a uniformidade, estereotipando comportamentos conforme suas doutrinas. Quem não estiver unido no pensamento comum, estará fora. Há grupos ou movimentos religiosos que só ouvem quem é de dentro. Experiência deste tipo é percebido em seitas que induzem os seus fiéis a ouvirem um único estilo de músicas levando as pessoas a acreditarem que as outras músicas são diabólicas.

                Outras induzem a unidade pela forma de vestir. Também há aquelas que padronizam comportamentos sexuais, etc.            

               Tenho trabalhado o enfoque das “múltiplas competências”, resgatando os potenciais das pessoas nos seus espaços coletivos ou em trabalho de equipe. Levantamos o perfil psicológico e as competências dos membros de uma equipe e incentivamos as pessoas  usarem-nas pela integração, onde a competência que falta em um, seja potencializada pelo outro que a tenha. Desta forma ,tenho visto muitas equipes que apresentavam alto índice de disputas interna dissolverem tal problema pela perspectiva da integração das competências.  Assim, um fortalece o outro e o resultado é a percepção das competências compartilhadas.            

               O sentimento de pertencer-se à humanidade é o que move o ser humano na construção da civilização do amor. Por isto, o maior desejo que posso transmitir a você, é que deseje integrar-se à humanidade para juntos trilhamos a unimultiplicidade.                          

                Façamos do globo terrestre, um templo do encontro dos seres humanos: – a casa da humanidade -.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Ser Solidário beneficia o cérebro

quarta-feira, julho 25th, 2007

 

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             A Solidariedade colabora com o ser humano na condição altruísta e remete a experiências primitivas de estabelecimento de vínculos afetivos e de amo, sentimentos estes responsáveis pela sobrevivência da espécie humana.Em recente pesquisa desenvolvida pela Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental da Rede D’OR e Instituto Nacional de Saúde de Betheseda, nos Estados Unidos, descobriram que ações solidárias ativam o Sistema de Recompensa do Cérebro que é o responsável por associar sensações de prazer consideradas importantes como: perpetuação da espécie, sexo, etc.Este sistema cerebral, quando ativado, remete o Ser Humano a buscar algo positivo, causando desta forma, um benefício ao cérebro e consequentemente melhorando a auto estima da pessoa, remetendo-a a ter e sentir prazer em se relacionar e também despertando o sentimento de crença positiva no Ser Humano.Tenho utilizado em processo de seleção profissional para as Empresas que desenvolvo assessoria, o aspecto voluntariado dos candidatos, isto porque as pessoas que desenvolvem ações voluntárias possuem uma predisposição maior para atuarem profissionalmente com pró-atividade – isto é, antecipam-se aos problemas em busca de soluções como também possuem maior facilidade de interação afetiva nas equipes de trabalho.Processos psicoterapêuticos quando incentivam as pessoas com algumas disfunções emocionais a procurarem desenvolver ações voluntárias, tendem a evoluir mais rapidamente para processos de alta, pois os pacientes descobrem que ajudar faz bem a saúde física e mental.Graças à estimulação deste Sistema de Recompensa do Cérebro, já citado, que o ser humano sobrevive até hoje. E será pela motivação deste sistema que o ser humano terá garantido sua sobrevivência. Desta forma, a grande vocação da humanidade – “encontrar-se”- está cada vez mais sendo reafirmada e justificada pelos estudos da Neurociência. Assim, o individualismo, a solidão, o sucesso pelo poder individual, o consumismo, são comportamentos que estão em plena contradição às necessidades do ser humano: que é Ser Solidário.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

 

Prova Mania

terça-feira, julho 24th, 2007

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             Aumenta o número de crianças e adolescentes na clínica psicológica. Pais desesperados muitas vezes por verem seus filhos quase repetindo de ano, buscam uma ajuda profissional para que os filhos consigam avançar na escola. Está é uma tendência que observamos na demanda dos profissionais de psicologia.

            O pior, é que na sua maioria, as crianças e adolescentes com a demanda de fracasso escolar possuem perfil de inteligentes, criativos e espertos, porém com auto-estima negativa e quase que em pânico quando o assunto é escola.

             Um desses comentou-me desesperado: “… mas a escola só sabe avaliar a gente pelas provas, e tudo gira em torno de provas …”. Lógico que este argumento vindo de quem está com dificuldade educacional é suspeito. Mas procurei investigar alunos com bom desempenho educacional e observei a mesma queixa -: provas e mais provas. É incrível que em determinadas épocas do mês ou bimestre, os alunos chegam a fazer 3 provas em uma manhã ou tarde.

            Questionei uma pedagoga sobre esta “prova mania”, e ela argumenta que o aluno bom é aquele que estuda todos os dias o conteúdo e ai fica mais fácil na hora da prova. O negócio é estar sempre vigilante pois a qualquer momento ou em momentos planejados os alunos serão colocados a prova.

            Conheci uma escola que  diminuiu o número de provas e ampliou o critério de avaliação dos alunos. Nesta, a nota de prova tinha igual peso às notas das tarefas para casa, que não eram só revisadas em sala, mas avaliadas; como tinha igual peso a nota de comportamento em sala de aula: – neste item esta avaliação é resultado da média das notas que o aluno se auto-avalia; – que sua turma o atribuiu e que os professores também firmam. Os trabalhos, valem notas e com igual peso aos das provas. Assim, a prova perde seu significado de tortura e passa a ser apenas mais um item de avaliação.

             Eu indicaria para as escolas também criar um outro item de avaliação. Sobre sucesso realizados pelo aluno fora do contexto da escola. Por exemplo na família, no esporte, na sociedade. Tem alunos indo pessimamente nas provas e que são campeões no futebol ou outros esportes.

            Já pensou que legal, quando um aluno fosse mal em matemática por exemplo, o professor pedisse para ele fazer manobras radicais com a sua bicicleta para compensar a nota? … sonho meu!!

              Lembro-me da fala de um empresário bem sucedido, que ao ver a tortura e angustia de sua filha diante dos resultados escolares, narrava que ele também tinha péssimas notas em matemática mas sabia contar dinheiro de trás para frente. Foi mais longe nos seus comentários, disse que dos três anos de colegial, só lembrava um único conteúdo, quando o professor disse em sala de aula: “É melhor ser eficaz do que ser eficiente”. Ir bem em provas, parece ser eficiente. Ser bem sucedido na vida parece ser eficaz.

             Se me perguntarem do conteúdo que guardo de minha época de escola, digo com todas as letras, quase nada.

              Profissionais qualificados e com bom desempenho na carreira, atingem excelência pela capacidade de articular os conhecimentos com um contínuo processo de pesquisa em: livros, revistas, mídia, etc., são elementos que revitalizam a memória do profissional. Por isto, vejo que provas nas escolas, deveriam ser instrumento de consulta aos livros. A nota seria atribuída pela capacidade do aluno em articular o conhecimento. Tenho certeza que muitos dos alunos fracassados pelos resultados das torturantes provas seriam bem melhor sucedidos e teríamos a quase eliminação do conceito fracasso escolar.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Ilusões Maternas

quarta-feira, julho 18th, 2007

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            A celebração do dia das Mães movimenta o comércio e mobiliza as famílias. Neste dia, o ícone mãe carrega muitos mitos: “mulher que não é mãe fica incompleta”; “ser mãe é padecer no paraíso”; “o olhar de mãe protege a ação dos filhos”; “ mãe é sinônimo de bondade”etc.

            Junto com os ícones, surgem algumas fantasias incorporadas por muitas mães, como:

            1) “Ser mãe é para sempre”, nesta, quando as mães são questionadas que não possuirão seus filhos depois de adultos, rebatem: -“ uma vez mãe, nunca deixa de ser mãe”. Biologicamente, esta é uma argumentação real, mas enquanto papel educacional, podemos dizer que é resultado de um vínculo materno/filial de dependência, o que justifica os comportamentos simbióticos em que após o casamento um homem continua almoçando na casa da mãe por que o feijão dela é inigualável, ou quem sabe aquele cafezinho todos os dias… lógico que estes comportamentos sempre são justificados com o sentimento de cuidado do filho para com a mãe, principalmente se esta estiver com problemas de saúde. Ter a mãe, a necessidade de continuar cuidando dos filhos adultos, é acreditar na ilusão de continuar sendo mãe, tendo por sua vez, um adulto revelando sua dificuldade em crescer, pois ainda precisa de uma mãe.

          2) “Os filhos são da mãe”, ilusão esta onde as mães tendem a tomar posse sobre a vida dos filhos, acreditando que sempre serão seus. Quando os filhos adultos e maduros seguem seus próprios caminhos, dando prioridade para seus projetos pessoais, estas mães tendem a reclamar a ausência dos filhos com chantagens emocionais para tentar a reaproximação deles. Cenas do tipo: – “minha filha é ingrata, não dá a mínima para mim, e agora só pensa em seus projetos”… típica lamentação de mães que deram muito com o desejo de algo em troca.

           3) “O amor às mães é o maior de todos”, temos aqui o dilema de quem amamos mais em nossas vidas. Lembro-me de uma circunstância em que alguns esposos conversando sobre uma situação extrema de salvarem as mães ou as esposas, cuja possibilidade de sobrevivência fosse reservado apenas a uma das duas, a maioria deles responderam que salvaria a mãe, pois esposa arruma-se outra, e mãe só se tem uma. Este dilema têm torturado a convivência de muitas noras/genros/sogras, pois precisam conviver com a disputa de quem ama mais a quem.

          4) “ Minha vida é para os filhos”, situação esta que leva uma mulher a cair no “vazio do ninho” quando os filhos adultos vão embora. Com a casa vazia e a perda do vínculo com o esposo, pois deixaram esfriar o namoro conjugal por causa dos filhos, e a percepção que construíram muito pouco como pessoas na sociedade, surgem as depressões e hipocondria.
           De qualquer forma, as fantasias são sustentadas tanto pelas mães como pelos filhos, pois o ser humano tende a viver de forma regressiva pela busca dos vínculos perdidos na infância. Assim, a retro alimentação das fantasias de dependências materno/filial, dificilmente terão fim e continuarão sendo exploradas pela logística de consumo.
           Fomentar fantasia para o imaginário do ser mãe, é insistir na construção imatura das relações, que transforma os vínculos em dependência. O melhor caminho é saber que mãe é uma etapa de muitas que a vida reserva para uma mulher, assim como é mais um papel de muitos outros papéis que a vida vai exigir.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento.

Estimulação x Motivação

sábado, julho 14th, 2007

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Ninguém motiva ninguém. Os treinamentos oferecidos nas empresas, que levam o rótulo de treinamentos motivacionais, na verdade deveriam levar o nome de treinamentos estimulativos.

A motivação é interna. Nasce de dentro para fora.

A estimulação é externa, provocada de fora para dentro.

Por ser a motivação interna, podemos entender o porque os livros de auto ajuda são campeões de vendas, mas o nível de mudanças reais são pouco perceptíveis no coletivo da humanidade.

Tendemos a nos emocionar por livros lidos, cursos realizados, etc. Mas as mudanças pessoais só acontecem se a estimulação externa nos tocou a alma, provocando a motivação pessoal para mudanças.

Para medirmos os resultados de um treinamento  dentro de uma organização, é necessário ter-se o setor de T&D ( Treinamento e Desenvolvimento ) procedimentos de monitoramento aos coloboradores treinados, visando a percepção do nível de motivação destes.

Empresas com posturas de treinamentos  “pó de arroz”, onde contrata-se “gurus motivacionais” para motivar colaboradores, são empresas que ainda não entenderam o real significado da Gestão de Pessoas.

Para conhecer mais, entre no site: www.psipensar.com.br

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Moral e ética por um fio

quarta-feira, julho 11th, 2007

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            “Aquele cidadão não tem moral…” “Aquele profissional atuou sem ética …”. Afinal, o que  é moral e o que é ética ?

            “Moral e ética são conceitos habitualmente empregados como sinônimos, ambos referindo-se a um conjunto de regras e conduta consideradas como obrigatórios, tal sinonímia é perfeitamente aceitável: se temos dois vocábulos é porque herdamos um do latim (moral) e outro do grego (ética), duas culturas antigas que assim nomeavam o campo de reflexão sobre os “costumes”…”(Yves de
La Taille – 2006).

             Focalizando de forma didática  simplificada, podemos configurar a moral como aquilo pertencente às regras estabelecidas em forma de leis ou incorporadas como costumes na sociedade através da história e cultura; a ética podemos delimita-la como a forma na qual nos relacionamos com as regras a partir dos vínculos estabelecidos com o coletivo de pessoas (sociedade). A moral é posta, e  a ética é pensada e filosofada. Por isto que o limite entre a moral e ética é um fio condutor muitas vezes invisível ao olho nu, o que faz com que na prática nos percamos no que é o exercício de moral e no que é o exercício de ética.

            Está claro que a lei diz que um cidadão poderá dirigir um carro aos 18 anos se estiver portando a carteira de habilitação (moral), porém, quando um filho, aos 14 anos pede ao pai para ensiná-lo a dirigir um carro em uma via não pública, este pai poderá fazê-lo como processo educativo por antecipação sem ferir a moral vigente para este quesito; poderá estabelecer com o filho um código de ética x ou y, isto é, dizer para o filho: “Vou ensinar-lhe a dirigir porém você só pegará o carro livremente quando estiver na idade e legalmente preparado para isto”. Porém, após o filho aprender a dirigir, e necessitando o pai voltar de uma festa em que ficou alcoolizado, pede ao filho que pegue a direção do carro até a residência da família.  – “Mas pai, eu não tenho habilitação!”;  -“tudo bem meu filho, já é madrugada e a polícia não deve estar na rua”.

            Aqui temos a perda de moral deste pai, pois perde o referencial com a lei posta, e também a quebra do acordo relacional estipulado com o filho na época em que o ensinava a dirigir – quebra da ética estabelecida-.

            Mas isto acontece a cada hora em todo instante. Conseguir fazer-se colocar diante das regras pré-estabelecidas (moral) e ao mesmo tempo se situar na vivência destas regras (ética), é um fio condutor “quase impossível” de ser atingido. O único caminho para conseguirmos atingir a virtude de ser moral e ético, é termos a coragem de enxergarmos nossos hábitos, dilemas, deslizes é colocarmo-nos na condição de estarmos atentos, conversando em grupos sobre isto, estudando sobre o assunto.

            Quantos são os políticos na atual conjuntura brasileira, que tínhamos certeza que não cairiam em tentação por malas de dinheiro ou dentro de cuecas? Mas o poder e a aproximação com o produto final dos bens de consumo (o dinheiro) fez cair nas malhas da corrupção muita gente que imaginávamos que chegariam “aos céus sem nenhuma marca de imoralidade ou falta de ética”.

            Dizem que nos órgãos públicos há corrupção ou que a corrupção é coisa de órgão público. Mas parece-me que se no órgão público existe corruptos é porque o órgão privado ofereceu dinheiro. É a velha noção de que a bandida é a prostituta, por ter tirado o senhor “fulano de tal” da sua santa vivência familiar, mas parece que se existe uma prostituta existe um prostituto. Assim como, se existe uma corrupção existe um corruptor.

            O fio condutor para a vivência da moral e da ética é tão difícil de ser vivenciado que a sociedade transfere para alguns ícones sociais as culpas pelas quebras de moral e de ética. Tendemos a nomear nos políticos, policiais, prostitutas, traficantes, fiscais, etc os desvios de condutas vivenciados cotidianamente pelo ser humano no coletivo.

            “… Corruptos são eles, os políticos …” Por acaso quem vota em corrupto? “… eu não!!!”.

            O melhor mecanismo para esconder um delito moral ou ético é pregar regras rígidas aos outros e condenar a todos que não as seguem. Vivenciar esta tentação vem muito de igrejas com posturas ortodoxas ou moralizantes, como muitas seitas contemporâneas, como é o caso daquele casal de pastores cujo bens estão sendo confiscados pela justiça brasileira e na qual induziam seus fiéis a se  converterem e lutarem contra o pecado sexual da carne. Igreja esta centrada em uma moral sexual altamente repressora, conduzindo seus fiéis a verem o pecado da carne, sem poderem enxergar o maior pecado de todos os pecados capitais – o próprio capital acumulativo –. Este casal de pastores com certeza criou uma ética particular de enriquecimento sobre o dízimo dos outros, às custas da cegueira de seus fiéis. Assim uma moral que restrinja à benefícios pessoais e uma ética que está focada aos interesses também pessoais, não tem sustentabilidade. Como não tem sustentabilidade uma sociedade cujo culto ao individualismo é a principal arma do marketing de consumo.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

É bom , mas é ruim

quinta-feira, julho 5th, 2007

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             Se é bom ou é ruim? Depende…

           Se eu disser a um jovem que fumar é ruim ele vai me dizer que a galera que fuma acha o maior barato. Se tentar convencer alguém que a maconha é ruim, vão me dizer que deixa leve e inspira legal, por isto é boa.

            Ruim mesmo é cocaína na veia, pode causar overdose e matar.

            Mas ,quando trabalhei junto com Haraldo Hans na comunidade terapêutica Senhor Jesus de Campinas, acompanhei um rapaz de 21 anos que estava “puro osso” e extremamente ansioso. Ele dirigia-se a mim como “meu psicólogo” e em prantos gritava: – “Eu quero pico …” eu quero pico “… Em delírio por abstinência, aproximava-me dele, acalmava-o e ai sim ele falava: – “cara, como é bom quando a agulha pica a veia e o bagulho entra. Parece que vou para o paraíso… É muito bom cara, por que preciso parar com isto?” Neste caso o pico de cocaína na veia para ele era muito bom. Naquele momento perguntei-lhe: – Você está achando legal ficar “puro osso”? – “É, isto é a banda podre da coisa, eu era atleta e hoje nem consigo caminhar direito”. Aí a coisa parece ser ruim.

            Bom mesmo é a moçada ligada em computador, 10 – 12 – 15 horas por dia. Tem carinha por aí que nem dorme direito. É bom mesmo por que o futuro profissional deles vai depender muito de computador, aí eles vão ficar craques. Mas como abordou uma professora para mim sobre o nível de conteúdo de articulação de idéias dos alunos de 2º grau hoje, apontando para a baixa do nível de argumento e o grande desinteresse pelo processo de aprendizado; Parece que aí temos o lado ruim do excesso de carga horária no computador.

            É bom mas é ruim e pode ser bom e também ruim, é assim em tudo que fazemos ou pretendemos, principalmente quando se trata de processo educacional. Como fazer para encontrar o melhor caminho?

            Tenho orientado os pais que o melhor caminho para saber se uma coisa será boa ou ruim para os filhos é fazer as clássicas perguntas: Para que tenho filhos? Como desejo conduzir o futuro deles? O que espero deles? Se não consigo responder a primeira e dar substancialidade às outras duas questões, ficarei constantemente debatendo-me na busca do melhor caminho.

            Se os pais querem filhos com saúde emocional, os mesmos devem levar os filhos a  dormirem o necessário para o cérebro funcionar bem. Para crianças até 10 anos (12 h por noite), na adolescência (10 h por noite) e na fase da juventude adulta (8 h noite).

           O corpo precisa deste tempo para ser purificado pelas enzimas. Assim, nosso sangue fica purificado, abastecendo toda nossa estrutura corporal. Se os pais deixam os filhos dormirem uma ou duas da manhã, isto pode ser bom ou pode ser ruim, depende do que estes pais querem para seus filhos. Se querem saúde, colocarão o limite para dormir a carga horária necessária. Se querem facilidades na relação com os filhos, será melhor deixá-los imporem os desejos pessoais deles, com certeza estes pais colherão doenças para os filhos, mas tudo bem, se for por escolha livre e consciente, tudo será bom e o ruim será uma conseqüência facilmente aceita.

         Desta forma, “você pode fumar baseado ou baseado você pode fazer quase tudo …”, o importante é que seja por escolha. Só entendo que a escolha sobre o agir e o modo de viver dos filhos, está nas mãos dos pais, pois são os pais que detem  a capacidade de maturidade para decidir sobre os filhos que em plena imaturidade estão construindo a própria identidade.

          É muito bom os pais acreditarem nos sonhos que sonharam para os filhos, sabendo que quando estes filhos forem adultos farão as  próprias escolhas, porém terão uma base de pelo menos 18 anos de existência sobre as regras e condição da maturidade dos seus pais.

            Só para ilustrar, o álcool nos  adolescentes predispõe ao alcoolismo  em 4×1 ou mais. Jovens que iniciam no álcool acima de 22 anos tende a não tornarem-se alcoólatras em 4×1 também, ou mais. Por isto que,  quando vejo um pai sentado com seu filho adolescente, tomando juntos uma cerveja, penso em qual pode ter sido a fórmula que este pai usou para traçar a educação de seu filho. Se este pai pensou que seu filho não será um alcoólatra, ele está totalmente equivocado na sua atitude de compartilhar cerveja com o filho. Mas,  se ele acredita que alcoolismo não é problema e o que vale é a felicidade momentânea com seu filho, certamente ele escolheu o melhor caminho. Assim, esta cena pode ser boa ou ruim, só preciso saber o por que aquele pai tem filho e o educa.

            Jovem + computador = (-) leitura  (+) dificuldade de aprendizado. Tudo bem, também só depende de saber se os pais da geração computador já entenderam isto e não vêem tanto malefício assim para o futuro de seus filhos. Computador é bom, mas é ruim. É bom para quem precisa se informar e utiliza-o para o trabalho, ruim para quem quer desenvolver potenciais cognitivos, pois excesso de computador paralisa a capacidade de pensar. Mas tudo bem, o caminho para o controle de computador em casa, vai depender da resposta que eu der para a pergunta clássica: – para que tenho filhos?

            É bom mas é ruim, parece como o livre arbítrio, onde escolhemos nossos próprios caminhos.

            Por isto que fica difícil culpar Deus por nossas escolhas que conduzem à destruição. Como poderei dizer que Deus deu mais inteligência para um e menos para outro, se muitas vezes um jovem está indo mau na escola porque o ambiente que seus pais organizaram em casa não possuem nenhum estimulo para estudo? É melhor sabermos quais escolhas estamos fazendo e assumirmos as conseqüências de nossos atos.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Cultivando playboy, colhendo fracasso

terça-feira, julho 3rd, 2007

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              Playboy, jovem abastecido pelos pais cujo hábitos caracterizam-se por: exigência de marca para roupas no  cotidiano; lei do mínimo esforço nas atividades de casa, onde a empregada e a mãe existem para servi-lo; nariz empinado em relação a outros jovens da mesma faixa etária e classe social; projetam-se em  uma classe social elevada e pertencem a outra mais inferior; os pais estão sempre errados; suas idéias são as melhores; vendem uma imagem de independentes mas são totalmente dependentes dos pais; tendem à baixa produção educacional; acham que tudo é barato e consomem dinheiro em festas, auto imagem; terminam o domingo já pensando no próximo sábado; apaixonado por comunidade virtual. Este perfil, é sustentado pelos pais na medida em que oferecem todas as estruturas possíveis e impossíveis aos filhos. O pai sempre supre-o de tudo, não deixando faltar nada de conforto.

            Desde pequenos são manequins ambulantes das mães, em que estas adoram ver os filhos impecáveis. Se possível os projetam para a sociedade para que a mesma possa ter olhos sobre a beleza do filho. Tudo que desarrumam em casa, a mãe vai logo arrumando.

            O pai antecipa alguns processos, como ensinar a dirigir automóvel e autorizar a conduzir veiculo sem habilitação. Acreditam estes pais que o filho é um garanhão e será um grande pegador, incentivando que o filho pegue a mais bonita … “o negócio é ficar mesmo”. Abastecem o filho com confortáveis mesadas onde estes não conseguem associar o custo beneficio do dinheiro.

            O Playboy vive no gueto de Playboy’s e vão fomentando por onde passam rixas sociais. Em Brasília, um coletivo de Playboys, filhos de magnatas, conseguiram a sangue frio queimar um índio. Eles, no coletivo, estão acostumados às barbárias públicas sabendo que se forem pegos pela polícia, os pais rapidamente socorrem pagando fiança. O Playboy pode tudo.

            Mas a vida avança e o Playboy de hoje não vira nada no amanhã. Ele só se mantém na arrogância financeira se tiver herdado as finanças da família ou o cargo vitalício de diretor da empresa familiar. Diplomados nas melhores Universidades do Brasil e do exterior, contam vantagem do título, mas só se empregam por proteção de alguém. Playboys de classe média, gastam muito dinheiro com escola particular no Ensino Fundamental e Médio e depois vibram por terem conquistado uma vaga na faculdade particular sem nome ou referência – por causa da economia do pai -.

            O fracasso do Playboy estará expresso na sua auto defesa. Para ele tudo o que faz é um sucesso, mas para a vida é um grande fracasso. Ele vai insistir em carregar o troféu de sua conquista:

            …”Vovô construiu, papai manteve e agora eu vou mais é gastar… gastar tudo…”

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento

Cultivando "patricinhas".

terça-feira, julho 3rd, 2007

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        “Patricinhas” são adolescentes que se comportam com posturas de arrogância diante de meninas da mesma idade, onde os valores da vida se concentram no ter. Disputam poder no meio em que vivem através das marcas de roupas que vestem, do número de garotos que conseguem fazer rastejar aos seus pés. Tratam seus pais com desdenho e controlam as mães como se elas fossem suas escravas. Terminam o domingo ja imaginando com que roupa e tipo de cabelo vão sair no próximo sábado. Vivem em grupo de semelhantes, e adoram fazer banca diante de outros grupos que julguem inferior a elas, principalmente em questões econômicas. Farejam paqueras pelo carro do garoto, porém só procuram garotos bem acima da idade delas, desfazendo dos meninos da mesma idade. Na sala de aula, dificilmente aceitam que os professores exijam delas. Sonham eternamente com um príncipe encantado, etc, etc.      

             Para uma menina chegar a este ponto de comportamento, é necessário ter passado por um processo educacional carregado de algumas características, como: desde bebês, receberam muito dengo distribuidos entre intenso processo de elogios pela beleza; roupas impecáveis – tipo bonequinhas encantadas – ; super proteção do pais e o receio de correrem riscos físicos ou se sujarem; mães extremamente funcionais onde faltou afeto expontâneo; pais com tempo corrido para as filhas e total dedicação ao trabalho, gerando buraco afetivo nas filhas e ausência masculina; projeção de um bom casamento para as filhas, sendo referência o valor econômico e vindo de famílias nobres; ambiente do quarto das meninas com estilo casa de bonecas; nunca precisaram ajudar em nada, não conhecendo o custo real da vida;  etc.

            Mas diante dos sintomas comportamentais e do estilo de educação proveniente das “patricinhas”, resta-nos pensar quais os resultados para a vida adulta de uma passoa com tal processo educativo. O que viram as “patricinhas” de hoje? Viram quase nada. Se estudaram nas melhores escolas, com um diploma nas mãos, ficam a espera do príncipe encantado que possa supri-las para que continuem recebendo as mordomias da família de origem. Tornam-se mulheres extremamente dependentes dos maridos e eternamente reclamando da vida por estarem sobre o controle deles. Preferem a acomodação do que atuarem para construirem um projeto pessoal de vida. Nos filhos, transferem todas as frustrações pessoais com reclamações. Dificilmente dão conta dos afazeres domésticos, nomeando uma enpregada como escrava. Mas não deixam de perder a pompa de “patricinhas”, escondendo em vaidades e superficialidades , tornam-se madames de salão de beleza, e gastam fábulas com plásticas.

              É sempre bom lembrar, que as “patricinhas”, nascem da escolha dos pais, através do modelo educacional traçado para as filhas. Aquilo que na infância é um objeto de enfeite para os pais; na adolescência passa a ser uma caixa de arrogâncias; e na vida adulta mulheres sem identidade, vivendo à sombra.

Gerson Abarca – Diretor do Instituto Pensamento.

Quando o amor termina em pílula

domingo, julho 1st, 2007

Com o programa de planejamento familiar do governo brasileiro, anunciando a distribuição de pílulas anticoncepicionais e a redução dos preços delas em farmácias populares, disperta em mim a questão: o amor vai terminar em pílula?

Não quero abordar questôes técnicas sobre os efeitos colaterais dos anticoncepicionais em forma de pílulas. Para isto, entre no blog da enfermeira Maria Celina ( www.blog.cancaonova.com/sermulher).

Vamos pensar na forma em que termina um relacionamento conjugal, que nasceu de uma paixão, evoluiu para um grande amor e construiu sonhos de família feliz na forma do Matrimônio Cristão … até cair nas garras da pílula anticoncepicional:

* A mulher passa a ficar escrava do ” remédio “, pois é assim que a maioria das mulheres falam da pílula. Pensando sobre esta forma de dizer, podemos associar que remédio é para curar uma doença. Parece desta forma, que a possibilidade de engravidar é uma doença, que filho é um grande mal. Nesta simbologia, o casal passa a conviver com um grande conflito no casamento: filho é um presente de Deus, ou filho é um sacrilégio?

* Toda bula de anticoncepicionais, traz uma lista enorme de efeitos colaterais para a mulher. Seu desempenho fisico e desejo sexual começam a entrar em comprometimento, e no casamento surge o distanciamento do casal para a vivência  do encontro corporal como expressâo de amor conjugal.

* O casal, que desejava seguir fiel ao plano de Deus, da manutenção harmoniosa com a Criação Divina, começa ver seus sonhos se distanciarem  do ideal que foi construido no namoro – sendo que muitos destes, construidos em grupos de jovens nas comunidades religiosas – .

Não seguir a onda, não deixar-se levar por caminhos aparentemente mais fáceis para se viver. Desafio para todos os casais em tempos de modernidade. Por isto, é preciso estar atento às escolhas e buscar recursos para realizar os sonhos de um casamento que cresça no Amor, que valha a pena , e principalmente que gere Vida – “… Vida em abundância” (Jesus) – .

Escolhi junto com a minha esposa Maria Celina, o Planejamento Natural da Família através do Método da Ovulação Billings. A 17 anos, nosso casamento está sendo construido pelo que escolhemos e não pelo que escolheram de nós.

Para conhecer melhor as maravilhas desta escolha, entre no blog : www.blog.concaonova.com/minhafamiliaeassim .

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