Archive for setembro, 2007

EJACULAÇÃO PRECOCE - A virilidade masculina em "cheque"

domingo, setembro 30th, 2007

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*GERSON ABARCA

O  índice de homens com sintoma de ejaculação precoce,  começa a incomodar a virilidade masculina. O sintoma surge com a sociedade contemporânea, ou já fazia parte dos sintomas camuflados pela sociedade machista? Antigamente as questões sexuais não eram vistas ou encaradas da mesma forma que hoje, e as mulheres também não tinham a coragem de manifestarem aos esposos a percepção de um sintoma. Hoje as mulheres são as que mais levam os homens a procura de ajuda.

E quando o homem aceita e encara o seu problema, a possibilidade de superação do mesmo aumenta consideravelmente. Quando em uma relação sexual, o homem ejacula rápido, poderá estar diante do sintoma da EJACULAÇÃO PRECOCE.

Ao se  deparar com o problema, a primeira reação é de negar ou colocar a culpa na parceira, atacando-a com provocações do tipo: ” você é fria mesmo…¨. Se a companheira entra neste jogo, acaba camuflando o sintoma do parceiro e levando a um conflito conjugal de culpabilidades, onde ele joga a culpa nela e introjeta a angústia por estar com um sintoma que sente como facaço no papel masculino; e ela se afasta da busca sexual, se apegando em atividades profissionais ou tarefas domésticas, reclamando da falta de atenção do companheiro.

O tratamento, muitas vezes,  precisa  de suporte medicamentoso, através de uma primeira investigação médica ( Urologia ), onde deverá ser observado se o problema é de ordem orgânica. E posterior acompanhamento psicoteráptico, quando observa-se que o sintoma está afetando emocionalmente o homem. As indicações apenas medicamentosas, que geralmente são a base de ansiolíticos, revelam uma melhora do sintoma nos primeiros mêses de tratamento, porém tendem ao retorno do sintoma, principalmente porque a EJACULAÇÃO PRECOCE,  acompanha disfunções emocionais e desestruturas conjugais.

Se o problema não for superado, predispõe o homem à evolução do quadro para a disfunção erétil ( “broxa mesmo¨) .

Quem sabe, este problema do homem contemporâneo esteja sendo um sinal de que a sexualidade genitalizada do mundo masculino precisa ser revista.  A visão tão difundida na publicidade e disciminada já no seio da maioria das famílias, com a educação onde ao mundo masculino tudo pode, a partir do cheque mate da disfunção sexual em alta, deverá provocar medidas de maior abertura dos homens, para entenderem que o valor da vida está na parceria, e não na busca do poder em detrimento ao mundo feminino.

Infelizmemte, a indústria farmacêutica já se antecipou, apontando o problema na disfunção hormonal masculina.

Se antes eram as mulheres o alvo do comércio agressivo na venda de hormônios artificiais, agora o público masculino será o grande filé da lucratividade farmacêutica. Se ficarem focando as disfunções sexuais dos homens nos hormônios, nem precisaremos pensar a mudança de posicionamento da cultura machista, os hormônios nos darão a solução. . .

* É Psicólogo, autor do livro “Prazer sexual na vida conjugal¨.

BRINCAR - A LINGUAGEM DA CRIANÇA

sábado, setembro 29th, 2007

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*GERSON ABARCA

 Transformar crianças em adultos, é uma tendência antiga na humanidade.

Ainda hoje as vemos vestidas com roupas muito parecidas com as dos adultos, a diferença está no colorido. Dias atrás, uma mãe solicitou-me uma informação por telefone. Ela estava preocupada com a condução terapêutica do profissional de Psicologia na qual tinha confiado sua filha de 6 anos. Disse-me que a criança não estava querendo ir às sessões terapêuticas porque ela tinha que ficar  deitada no divã falando nem ela sabe o que. Tentei explorar a fala desta mãe, no sentido de perceber se a postura da filha não seria uma resistência,  mas a mesma confirmava-me que a condução do processo era mesmo desta forma.

Com certeza esta menina percebeu que daquela maneira que o profissional de Psicologia estava conduzindo o processo, não favorecia a possibilidade dela dizer sobre o seu problema . Pois  a fala da criança só se estabelece pelo brincar. Por isto que Psicólogos que trabalham com crianças, não poderão ulilizar-se da linguagem verbal , mas sim dos brinquedos, conforme as necessidades da idade. 

A criança elabora e compreende o mundo através do brincar. Veja por exemplo, uma criança que está ainda bebê, que coloca tudo na boca, e cuja necessidade é a amamentação. Ela , na fase oral, vai entender o mundo ao seu redor, colocando os objetos na boca. Ela brinca para entender o que está ao seu redor. Ao desenvolver-se para outras fases do desenvolvimento infantil, ela vai descobrindo outras formas de vínculos, com objetivo de aprender a separar-se da figura materna. Utilizará os brinquedos como objetos transicionais, como se fosse um apego para suportar a separação da relação direta com os pais.

Observe que em uma simples brincadeira de tapar o rosto com as mãos, diante de um bebê de 8 mêses, ele já fica todo sorridente e provoca o joguinho de esconde esconde com o adulto. Nesta simples brincadeira, o bebê revela que está elaborando o processo de separação com a mãe, que passará por um processo parecido com a brincadeira do esconde esconde, em que a mãe sai de perto do filho para realizar outras atividades, e logo reaparece para dar suporte ao filho. Atividades com crianças nas escolas, Igrejas, clubes, etc, precisam ser movidas de muita criatividade, dinamismo e com elementos lúdicos ( brinquedos).

Do contrário, estaremos forçando as crianças para o desenvolvimento precoce no mundo dos adultos. Aí, não adiantará reclamar que os filhos não estão entusiasmados em ir para a escola, ou à Missa, e mesmo desistirem de uma escolinha musical ou esportiva.

O desânimo deles, poderá estar revelando uma inadequação da atividade para a linguagem infantil – que é o brincar -. 

 * É Psicólogo, atua com psicoterapia infantil através das teorias de Winnicott e Melanie Klein. 

SEFAZ-ES promove Qualidade de Vida

quinta-feira, setembro 27th, 2007

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             A Secretaria Estadual da Fazenda do Espírito Santo, implantou o Programa Prestação de Serviços de Capacitação e Acompanhamento de Servidores Fazendários desde dezembro de 2005. As atividades estão sendo desenvolvidas pelo Instituto Pensamento, sob a coordenação do psicólogo Gerson Abarca e equipe, em conjunto com a Gerência de Desenvolvimento Fazendário (GEDEF) cujo Gerente é Francisco Costa de Andrade, com amplo apoio do Secretário Jose Teófilo Oliveira.                                 

            O desenvolvimento do programa consta de 6 etapas: 1º – Planejamento e Diagnóstico

2º – Capacitação I, II, III, IV

3º – Avaliação pós-capacitação

4º – Administração de Conflitos

5º – Encontro de Famílias

6º – Avaliação Geral

            As atividades de cada Etapa são desenvolvidas de forma cíclica, isto é conforme as necessidades específicas das Gerências.

           O processo diagnóstico deu ouvido a cada servidor para posterior elaboração dos temas geradores de treinamentos, dando a vez aos servidores na sua base. E no decorrer dos treinamentos, os próprios servidores elaboram a logomarca e o slogan do programa, onde todos os grupos de trabalho foram contemplados e dentre aproximadamente 200 logomarcas e slogans, a GEDEF constituiu uma comissão de servidores juntamente com assessoria de comunicação da SEFAZ para escolherem a imagem oficial do programa:

            É possível Órgão Público realizar ações planejadas e contínuas em vista da melhoria das condições de trabalho em favor do servidor?  

            Está é uma pergunta que nos faz questionar continuamente se o programa implantado pela SEFAZ-ES terá continuidade ou não.

           No início, na fase diagnóstica, observou-se intensamente um descrédito por parte dos servidores no quesito continuidade. Falas do tipo: “Este tipo de projeto não chega ao final”. Mas, ao longo da aplicação do projeto, que hoje já encontra-se no 22º mês, observa-se um crescimento maturacional entre os servidores da SEFAZ, com maior potencialidade para o encontrar-se e pensar estratégias de ação. Observa-se que o programa trouxe novas expectativas e estímulos para motivações internas.

           Agora, na reta final do projeto, algumas ações estão sendo desenvolvidas para que estrategicamente o programa seja gestado internamente à organização, para se constituir em um modelo de Gestão de Pessoas permanente na estrutura da SEFAZ-ES. Ações como: curso sobre Gestão de Pessoas para servidores voluntários que desejam participar do grupo de trabalho sobre Gestão de Pessoas na SEFAZ-ES; Seminários de Gestores, em nível de Gerências e Sub-gerências com foco na postura diferenciada de gestor para a valorização do servidor como patrimônio intelectual na organização; Seminário com servidores de área da TI; Encontros de avaliação e formação temática com gestores das diferentes Gerências.

            No decorrer do projeto foram estudados temas como: Relacionamento Interpessoal; Gestão de Conflitos; Metas em Equipe; Estimulação X Motivação; Qualidade de Vida; Ética e Moral; Gestão de Desempenho.

            O tema Qualidade de Vida trouxe a perspectiva de se mesurar o nível de índice de qualidade de vida de alguns servidores, onde foi realizado coleta de dados por amostragem, priorizando-se áreas com maior indicativo de prevalência de riscos á saúde dos servidores, como foi o caso das agências espalhadas pelo Estado e postos fiscais de fronteira. Os dados coletados serviram de alerta na busca de resoluções para a melhoria do ambiente de trabalho.   

            Se a idéia que na cultura organizacional pública, os projetos de qualidade de vida e acompanhamento contínuo aos servidores não está na pauta do dia-a-dia, a SEFAZ-ES vem demonstrando que isto não é tão verdadeiro. Implantar este programa, tendo em vista faze-lo constituir-se como peça integrante da cultura organizacional, é a experiência palpável que a SEFAZ-ES trás e que ajuda na quebra de paradigmas estigmatizantes e preconceituosos sobre a gestão pública.

            Muitas vezes, imaginamos que é na empresa privada onde há os melhores projetos de qualidade de vida para os funcionários. Mas também é verdade que as organizações privadas, iniciam os cortes orçamentários em tempos de déficit econômico, pelos investimentos em treinamentos e desenvolvimento. Aliás, elas, na sua maioria cortam gastos, decepando cabeças.

            No órgão público, pelo menos os servidores efetivos, permanecem na instituição e se estes conseguem montar procedimentos estruturantes na organização, ao entrar governo e sair governo, os projetos bem implantados tendem a sobreviver.

           A experiência da SEFAZ-ES é algo que vale a pena conferir. Entre em contato conosco para maiores informações: psipensar@psipensar.com.br outras informações: www.psipensar.com.br

*Psicólogo; MBA em Gestão e Desenvolvimentos de Pessoas pela FGV; Diretor do Instituto Pensamento.

SEXUALIDADE - Definindo o conceito

sábado, setembro 15th, 2007

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* GERSON ABARCA

Depois de trilharmos o caminho de conceituação das palavras chaves que estão em torno da SEXUALIDADE, como : SEXO; PRAZER; RELAÇÃO SEXUAL; PAIXÃO; AMOR; vamos definir a SEXUALIDADE.

O que nos difere dos animais é a capacidade da simbolização, isto é, transformar  os pensamentos em símbolos.

Dos símbolos que criamos, a palavra escrita é uma das maiores representatividade da espécie humana.

Costumo dizer que a palavra escrita no papel, é como se fosse palavra engaiolada. Podemos , pela palavra escrita, deixarmos história registrada.

Desta forma, conceituar palavras, é o melhor caminho para aplicarmos nosso pensamento e nos nortearmos em conduta pelos textos escritos, ensinamentos registrados.

Mas o que esta reflexão tem a ver com a SEXUALIDADE? Tudo a ver… Pois se conceituarmos a SEXUALIDADE da mesma forma que conceituamos SEXO, teremos um entendimento restrito sobre aquela.

Se associo AMOR com SEXO, também estarei reduzindo o amor, e quem sabe fazendo amor e não vivendo o AMOR.

SEXUALIDADE é simplesmente : ¨O estudo do ser humano na sua totalidade, biológica, psicológica e social. Cabendo ao biológico todas as reações fisiológicas; no psicológico a estrutura de pensamento, e por isto as escolhas; e o social, que dará a dimenção comunitária da SEXUALIDADE, em que o indivíduo só existe no outro – por isto nominarmos espécie humana – somos coletivo.

Para simplificar, SEXUALIDADE É EXPRESSÃO DE VIDA. É tudo o que engendra a vida. Mas quando a sexualidade leva a pessoa à morte? Digo que não é a SEXUALIDADE em si, mas a disfunção dela, principalmente quando a pessoa vivencia apenas uma dimensão da SEXUALIDADE, como exemplo a genitalização ( visão restrita da SEXUALIDADE nos orgãos genitais).

Podemos concluir que trabalhar; dançar; orar; cantar; correr; sorrir…etc, são formas diferenciadas de se viver a SEXUALIDADE. Quando entendemos desta forma, conseguimos vivenciar a SEXUALIDADE na valorização de tudo o que fazemos.

Para você ir mais longe neste estudo, leia o livro SEXUALIDADE NA CONTRAMÃO, Ed. Paulus, S/P. Ou pode entrar em contato comigo: psipensar@psipensar.com.br

* É Psicólogo, autor do livro citado acima.

SEXUALIDADE - O QUE É O AMOR

sexta-feira, setembro 7th, 2007

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* Gerson Abarca

Novamente estamos aqui para continuarmos o caminho de construção do conceito SEXUALIDADE.

Já demos algumas pinceladas em  palavras chaves da sexualidade como: SEXO; RELAÇÃO SEXUAL; PRAZER; PAIXÃO. Agora chegou a vez da palavra AMOR.

AMOR, uma palavrinha que reserva grande significado. No mundo de interpretação do conceito sexualidade, a palavra AMOR caiu em um campo de banalidades. O programa de prevenção às DSTs/AIDS, do Governo Federal associou o AMOR ao ato sexual genital : ¨ faça amor com camisinha¨; ¨quem ama cuida, por isto use camisinha¨; etc.

O AMOR na música ¨breganeja¨( a brega sertaneja) , ¨vamos fazer amor¨; e em algumas MPBs ¨fazer amor de madrugada, amor com jeito de pirata¨.

É quase inevitável os casais quando desejosos da atividade sexual genital verbalizarem: – ¨Vamos fazer amor?¨.

¨A palavra liga os olhos, liga o aceno e liga a luz…¨(Cecília Meireles, cantada por Fagner). Por isto,  dar significado às palavras é uma forma de podermos conjugar a sua essência. Quando banalizamos a palavra AMOR, a tendência é de banalizarmos a vivência de seu significado. Se conjugo que faço amor, logo amor vira negócio e objeto de consumo. Jogo de palavras muito bem orquestrado pela publicidade de consumo.

Agora, se coloco a palavra AMOR no estatus real de seu significado, conjugarei o AMOR na condição de não me submeter ao consumo do amor. Assim, quando a esposa solicitar ao esposo:- Vomos fazer amor?, o esposo fazendo uso do significado real da palavra AMOR poderá responder: – Não meu bem, prefiro vivenciar o amor que sinto por você na forma de uma relação sexual genital. Lógico que estou simulando uma situação, que no cotidiano ficaria muito chato acontecer com tantos detalhes técnicos. Mas posso confirmar na experiência prática com minha esposa Maria Celina (  www.blog.cancaonova.com/sermulher)  depois que começamos a entender esta coisa de colocar significado real às palavras, ficou ¨nota fora¨na nossa conviência esta forma de dizer vamos fazer amor. Não estou aqui querendo desfigurar as formas  dos grandes poetas em utilizar das figuras de linguagem para caracterizar o amor ¨…o AMOR é como um fogo…¨.

AMOR é um sentimente profundo, que grava na alma, e quem  sente por alguém, nunca mais deixará de sentir. Mas podemos acreditar que o AMOR acaba? Esta é a artimanha publicitária de consumo, que insiste em dizer que o amor acaba e que você pode partir para um outro amor, como peça descartável.

Lembro-me de uma senhora que há mais de 17 anos ajudei em análise, quando insistia que o AMOR para com seu primeiro marido tinha acabado. Porém, na análise, ela só verbalizava o nome dele, com muito ódio. Ao devolver para ela que o ódio dela estava na mesma proporção do sentimento de amor que ela tinha pelo ex- marido, esta mulher quase quis me bater:¨…você está querendo me convencer de que eu ainda amo aquele famigerado?¨. Interpretei para ela que sim, e o melhor caminho que ela tinha que trilhar, era o de reconstituir a sua história conjugal com este ex- marido, para ter clareza do motivo que desencadeou a separação. Ela entendeu, ao longo de seu processo de análise, que o sentimento por este ex- marido estava no mesmo lugar, a diferença é que ela elaborou o motivo da separação, reconhecendo que na época havia tentado por muitos caminhos o reencontro com ele, mas ficou impossível porque ele tinha muitas mulheres como amantes e não queria abrir mão delas para reconstruir o casamento. No final, ela entendeu que mesmo amando muito aquele homem,  não poderia se sugeitar ao jogo dele e se neutralizar como pessoa. O episódio da análise aconteceu 30 anos após a separação conjugal, e só durante a análise ela foi perceber que ainda não tinha tirado o sobrenome dele do seu.

Falar sobre o AMOR, nos coloca na sensação de que sempre falta algo para falar, porque o AMOR é isto mesmo – fonte de vida e esperança-.

Na verdade, de tudo que já estudei e escutei sobre o AMOR, a maior aula de vida que já tive veio de uma outra paciente. Uma senhora chega até a clínica por causa de uma depressão profunda. Narra a origem de seu sofrimento: ¨Fui a um piqui-nique com meus 3 filhos em um rio com uma grande cachoeira. Sem que eu percebesse, o menino mais novo escurregou de uma pedra e começa a gritar por socorro, pois a correnteza o conduzia para a cachoeira. Desesperada fui ao seu socorro, e sem saber nadar muito bem, vi meus outros dois meninos pulando no rio para nos salvar. Depois de um tempo, acordei na UTI de um hospital, e depois de alguns dias recebi a notícia que os três meninos tinham morrido¨. Nesta história, fui entender que o sentimento de AMOR só podemos medir quando temos a certeza de que daremos a vida por quem amamos. O AMOR, é o sentimento mais nobre de todos os sentimentos, pois só com ele podemos garantir a vida do outro. O AMOR é a maior garantia da vocação humana que é para o encontro. Só nos sentimos humanos, AMANDO, nos encontrando.

Entender o AMOR é condição fundamental para a vivência de uma sexualidade plena.

* Psicólogo, especialista em Psicologia Clínica pelo CRP

RASTREANDO ALCOÓLATRAS

quarta-feira, setembro 5th, 2007

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 Gerson Abarca*

O alcoolismo atinge aproximadamente 10% da população mundial. Com esta estimativa, poderíamos nos despreocupar com a questão, mas o problema é que cada alcoólatra leva pelo menos 4 pessoas ao seu redor ao sofrimento. Desta forma, o alcoolismo atinge indiretamente 50% da população, configurando-se assim em um sério problema. Por isto mesmo, que alguns estudos apontam que o alcoolismo chega a ser o segundo maior causador de mortes no mundo, perdendo apenas para a fome.

O problema não é de classe, atinge a todos indistintamente. Costumo dizer que a diferença está no estilo do alcoólatra, mas o problema é o mesmo: o empobrecido bebe “pinga”, o enriquecido bebe whisky, a classe média bebe cerveja, mas no fundo todos saem “bêbados” da mesma forma. Porém, como podemos detectar um alcoólatra? Segue alguns passos:

1)  Não é pela quantidade, mas sim pela abstinência – Um senhor e 65 anos, desde os 15 está acostumado a beber uma cachaça apenas como aperitivo na hora do almoço. Não chega se quer a afetar seu equilíbrio. Mas, no dia em que ele deixa de tomar a cachaça, não almoça direito, porque faltou o aperitivo. Nesta situação podemos entender que este senhor de 65 anos é alcoólatra, pois a ausência da cachaça influenciou negativamente sobre sua refeição. Lógico que ele nunca se reconhecerá como um alcoólatra, principalmente a sua família.

2) Para ser comunicativo, a pessoa precisa de uma bebida alcoólica. Com apenas uma pequena dose ela já começa a tagarelar. Mas sem a bebida, a sua introspecção levá-na ao ponto de ficar em casa, trancada em seu quarto. Geralmente observamos este comportamento em adolescentes, principalmente quando o assunto é conquistar alguém. Tanto é verdade que a indústria de bebidas investiram pesado nas Ice (tipo refrigerantes com baixo teor alcoólico).

3) Promotores de festas banhadas à bebida alcoólica. Estes são os eternos churrasqueiros, que na primeira oportunidade de lazer, promovem encontros de amigos banhado a carne e cerveja. Repúblicas universitárias são excelentes ambientes de iniciação. Mas tenho observado, que muitos universitários aprenderam vendo os pais promoverem os churrasquinhos festivos aos finais de semana
em casa. Cenas hilárias do tipo – o pai enche a cara com os amigos durante o almoço festivo, e quando todos vão embora, este pai vai dormir a tarde toda, a mãe fica arrumando a casa e reclamando do marido e os filhos ficam no computador ou TV… -. Depois, quando os filhos adolescentes chegam embriagados em casa, o mesmo pai vai dizer: – “onde foi que você aprendeu isto?”.

4) A paixão cegou a percepção da namorada sobre o alcoolismo do namorado. Ela sabia que ele bebia pra valer, mas era só em festas aos finais de semana. Bebia tanto, que  ela mesma já teve a experiência de   carrega-lo para o hospital para uma glicose na veia. Mas depois que casou, surpreendeu-se com o hábito cotidiano dele beber, e diz: – “depois que casei ele virou um alcoólatra…”. Ela tenta se enganar para não ter que assumir que já conhecia o alcoolismo dele.

5) Se a pessoa bebe uma dose e deseja continuar bebendo sem conseguir estabelecer o limite para parar, aí temos também um alcoólatra.

6) O futebol de domingo ou durante a semana à noite. Dizem os atletas sedentários que é para manter o corpo saudável. Ao ver uma partida de futebol destes “atletas”, é evidente a barriga. Na praia isto é muito comum, aos domingos centenas e milhares estão jogando futebol de areia pelo litoral brasileiro. Mas alguém já está colocando a carne no espeto e a cerveja para gelar. Eles vão jogar bola ou estão de olho na festa posterior. Em muitos grupos, mulher nem entra. Lembro-me de quando jogava futebol, de moleque, o dono do time insistia em pagar as vitórias com rodada de cerveja e os pais nem imaginavam que isso acontecia.

São muitas as situações em que podemos rastrear um alcoólatra. Particularmente acredito que os índices da Organização Mundial de Saúde não retratam a realidade, pois 10% da população com perfil de alcoolismo a meu ver, está aquém do que nossa percepção têm observado. Principalmente no Brasil em que até o esporte está sendo financiado por cervejarias.

Se hoje colhemos os frutos da publicidade agressiva do cigarro na TV, onde milhares de pessoas ficaram escravas da nicotina e suas muitas outras químicas; não tenho dúvida que nos próximos 15 anos, estaremos vendo outros milhares sofrendo pelo resultado da propaganda agressiva de bebida alcoólica na TV.

Ao rastrear um alcoólatra, o melhor caminho é encaminhá-lo ao AA, esta organização mundial com os melhores índices de recuperação de alcoólatras. Muitas clínicas de tratamento que só sabem saquear o dinheiro das famílias, vendem a ilusão de que tratamentos medicamentosos e psicoterápticos podem curar. Não existe psicoterapia que cure alcoólatra. A saída é parar de beber – “evite o primeiro gole” – e esta regra do AA, só serve por 24 horas. Tudo isto porque o alcoolismo é uma doença que não tem cura, o caminho é não beber. Tudo bem, que a psicoterapia pode ajudar no fortalecimento emocional de alcoólatras e da família.

Se na sua família você detectar um alcoólatra, mesmo que você julgue ser algo leve, não “tape o sol com a peneira”, procure pelo AA de sua cidade e participe do encontro de famílias de alcoólatras (ALANOM). Lá você aprenderá  como ajudar uma pessoa a se abster-se do álcool. Transforme-se em um bom rastreador de alcoólatras, e ajude famílias a se reencontrarem com a felicidade. Bem perto de você pode estar sofrendo um alcoólatra.

* Psicólogo – aprendeu sobre as tramas do alcoolismo com Pe. Haroldo Hans (Fazendas do Senhor Jesus – Campinas – SP). Atua com recuperação de alcoólatras pelo Instituto Pensamento (www.psipensar.com.br).

SEXUALIDADE - o que é Paixão -

domingo, setembro 2nd, 2007

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*Gerson Abarca

Construindo o conceito Sexualidade ,  é imprescindível conversarmos sobre a PAIXÃO.

PAIXÃO é um sentimento que surge com muita força na estrutura emocional de uma pessoa, que leva-na a se entregar de corpo e alma pelo objeto desencadeante de paixão.

Geralmente atribuimos à PAIXÃO, o envolvimento amoroso para com uma pessoa; mas sabemos que  podemos ser vítimas da PAIXÃO por ideologias, envolvimentos religiosos, idolos, etc. O que mede uma PAIXÃO é a intencidade arrebatadora.

Se um adolescente disser com todas as letras que está amando sua namorada, com certeza poderemos confirma que ele pode estar APAIXONADO. Um adolescente não possue estrutura psicoafetiva para comprovar um amor, pois ainda se encontra em um estágio de vida na qual precisa ser amado. Assim, quando um adolescente não para de pensar na namorada e a todo momento quer vê-la, como se nada no mundo completasse aquele buraco afetivo, poderemos ter a certeza de que ali se instaurou uma PAIXÃO.

A PAIXÃO é forte, mas tende à superficialidade. Com certeza um grande amor geralmente nasce de uma PAIXÃO, que ao longo dos anos vai se canalizando em amor.

Muitos casais atribuem que na época do namoro era mais gostoso estar juntos. Depois veio o casamento, os filhos e a construção de um vinculo de amor, que se manifesta em outras proporções. Aparentemente, a atração da paixão desaparece, pois no lugar surgem outras necessidades.

A sociedade atual, através da mídia de consumo, tenta confundir os conceitos da PAIXÃO e AMOR, para levar à necessidade das compras. Pois a pessoa apaixonada tende a consumir mais.

Um casal de anos de relacionamento conjugal, que já sente o amor com clareza, poderá seguir eternamente apaixonados um pelo outro. Como também na profissão, poderemos ser eternamente apaixonados pelo que fazemos. Desta forma, mesmo a PAIXÃO sendo um sentimento que tende à superficialidade, ela poderá fazer parte da vida de qualquer pessoa, e isto é muito bom. Pessoas que apresentam-se eternamente apaixonadas, tendem a se colocar na vida com muita energia e boas expectativas.

A PAIXÃO pode cegar. Principalmente se atingir a pessoa em momentos de vazio interior. Para que não sejamos vítimas de uma PAIXÃO sem controle, é melhor construirmos o conceito AMOR… que vamos deixar para o próximo artigo.

* É Psicólogo, autor do livro: Sexualidade na Contramão – Ed,  Paulus – SP.

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