Archive for dezembro, 2007

NOVAS ALTERNATIVAS DE VIDA EM COMUNIDADE CRISTÃ

domingo, dezembro 30th, 2007

comunidade.jpgDesde 1990 tive contato com a Comunidade Missionária de Villaregia. Antes mesmo de me formar, já desenvolvia cursos de sexualidade humana para agentes de saúde da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Pirajú-SP. Quando me formei e após casar-me com Maria Celina – do blog ser mulher -, fomos contratados pela paróquia de Pirajú para desenvolvermos um trabalho de formação familiar e ensinamento do Método da Ovulação Billings ( MOB ) . Eramos o primeiro casal no Brasil que se liberava profissionalmente para atuar com Planejamento Natural da Família.

Em Pirajú, havia um núcleo de casais que eram orientados pela Comunidade Missionária de Villaregia, onde começamos a participar e a nos encantar pela forma de vida em comunidade. Pudemos conhecer melhor um novo jeito de se viver a comunidade Cristã quando estivemos por várias vezes na comunidade de Bethânea – BH, onde colaboramos nos inícios dos trabalhos deles com o MOB; e também quando tivemos a oportunidade de visitar a Comunidade em Lima-Peru e no norte da Itália.

O que mais me chama a atenção para esta nova forma de vida em comunidade, é a Evangélica opção pelos empobrecidos e a escolha da vida na simplicidade. Onde o mais importante não são as realizações ou quantas pessoas conseguirão converter , mas sim a vida em comunidade. Também pelo fato de terem casais consagrados, que deixaram tudo pela vida em comunidade.

Vale a pena conferir detalhes desta Comunidade, para tal entre no site www.cmv.it .

TEMPO DE ENCONTROS

domingo, dezembro 30th, 2007

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Acabamos de receber velhos e bons amigos em casa. O casal Esencleve e Ana Paula, com seus três filhos – Daniel, Pedro e Lucas. Sairam de BH com destino à Fortaleza. Primeira parada São Mateus-ES. Coisa boa é receber estes amigos.

Primeiro ,  sentimo-nos irmãos de caminhada Cristã. A família participa da Comunidade Missionária de Villaregia.

Segundo,  nos identificamos muito, são casados contemporâneos e também geraram três meninos. Brincamos que estamos formando Homens em uma sociedade carente deles, pelo menos nossas amigas solteiras e que desejam relacionamento sério estão dizendo isto.

Assim como nós, imagino que você esteja recebendo ou receberá um grande amigo em sua casa.

Fim de ano tem este Espírito, encontrar-se.

Estas festas de final  de ano possuem mais sabor na medida em que nos encontramos. Por isto, procure seus amigos e bons encontros.

Francisco Surian, um grande amigo, já me disse: ” Da vida o que a gente leva são os grandes amigos”.

O NATAL PASSOU ?.

quarta-feira, dezembro 26th, 2007

                                                       Agora parece que tudo volta ao normal. O Natal passou…

natal.jpgDepende!

Passou para que só esperava um presente, tanto nas famílias mais abastadas, como naquelas em que as crianças ficaram esperando um empresário caridoso para oferecer um presente.

Passou para quem trabalhou muito no comércio, e agora já esperam nova data de consumo.

Passou para quem não viu o Menino Deus chegar!

Passou para que só esperou o papai noel.

Ficou… sim, o Natal ficou:

Ficou para quem abriu as portas do coração para Jesus entrar, um Menino nos foi dado.

Ficou para quem sentiu que o menino já nascido, simplesmente revitaliza-se em entusiasmo dentro de si.

Ficou para quem já entendeu que o Deus da Vida nos move a cada dia de nossas vidas.

Ficou para quem já entendeu que caminhar com Cristo, é comprometer-se com a história, a História do povo de Deus, que caminha rumo à construção da Civilização do Amor.

Ficou para quem sabe que o Natal é compromisso, trabalho. Dia após dia, ano após ano.

BOM TRABALHO, POIS OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS.

2008 - ANO DO PLANETA E DEFESA DA VIDA

segunda-feira, dezembro 24th, 2007

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*GERSON ABARCA

Já pensou como seria chato se não houvesse ano novo e ano velho ?

Viveríamos sem interrupção. A história não poderia ser datada e nossos planos e projetos perderiam seus significados.

Quando pensamos sobre o ano que já passou, refletimos nos acertos e erros. Ao projetarmos o ano que se inicia, partimos com o fino propósito de fazê-lo melhor.

Estudantes que ficaram em recuperação no final do ano, dizem, ao amargarem nos estudos de recuperação, que no próximo ano irão estudar intensamente todos os dias desde o início do ano. Endividados, que ao final de ano se quer conseguem comprar um presente de Natal, por que o nome está pendurado no SPC, garantem que começarão o ano novo guardando grande percentagem da renda mensal.

Que coisa boa é começar um ano novo. Fogos, champanha, roupas brancas pela paz e muitos beijos e abraços.

Adeus ano velho, feliz ano novo…

Sabemos de fato, que tudo isto é pura simbologia, sem a qual não conseguiríamos viver, pois somos um ser simbólico. É o que nos diferencia dos animais, nós simbolizamos. Com certeza, para uma galinha, o dia primeiro de janeiro de 2008, seguirá a mesma rotina de sempre. A não ser que algum ser humano resolva levar a galinha para o prato, em comemoração do ano novo.

Poxa! em se falando de comemoração, a orla de Copacabana no Rio de Janeiro vai madrugar poluída. Enquanto todo os brasileiros contemplam fascinados. A poluição é só um detalhe. Pela poluição que está ainda insensível aos humanos, que a ONU define 2008 como o ano do PLANETA. Também a CNBB, escolhe o tema Defesa da Vida para a Campanha da Fraternidade.

Planeta e Vida se conjugam no propósito de fazermos refletir no que fizemos até o momento para proteger o Planeta e a Vida no Planeta. Convoca-nos a pensarmos ações que garantam a preservação ambiental. Neste sentido, começaremos 2008 com interrogações. Assim, nosso ano novo torna-se um ato reflexivo. Deixamos as papagaisses que reproduzimos de um ano para outro, e assumimos a condição humana de pensar nossa existência hoje e no amanhã. Sabemos que a vida ficará insuportável com o aquecimento global… Já pensou, vivermos o inferno em vida? Para não chegarmos lá, é melhor colocarmos o pensamento para funcionar, e as mãos para agir.

Sabemos que o ano novo poderá ser remendo em roupa velha. Se adentrarmos 2008 sem fazermos uma profunda reflexão do que fizemos em 2007, para podermos eliminar de nós as ações negativas e se propor a construção de um novo homem e mulher, estaremos colocando remendo novo em roupa velha. Daí, tudo o que não gostaríamos que se repetisse no próximo ano, repetirá, com mais intensidade.

Graças aos leitores desta coluna, toda terça estou em constante reflexão pessoal, e antenado ao meu contexto. Vocês me proporcionam a possibilidade de viver um 2008 melhor do que vivi 2007. Espero que com nossas reflexões, você também esteja fazendo a diferença. Muito obrigado ao Marcio de Castro e Antônio de Castro pela possibilidade de refletir semanalmente com os leitores do Jornal Tribuna do Cricaré.Também aos mentores da T.V. Canção Nova, que estão mantendo meu blog -http://blog.cancaonova.com/pensandobem – neste mantenho textos diários, e nos seis últimos meses já recebi aproximadamente vinte mil visitas. Escrever cotidianamente é um meio precioso para colaborar na construção da Civilização do Amor.

Em 2008 faça valer a vida!

Em 2008 faça a diferença. Exerça sua capacidade para pensar, agir, transformar.

*É Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento.

FELIZ NATAL E UM 2008 CHEIO E REPLETO DE ESPERANÇA, DE SOLIDARIEDADE

segunda-feira, dezembro 24th, 2007

sagrada-familia.png“E Deus criou o homem e a mulher, a Sua Imagem e Semelhança Ele os criou.

Nasceu assim a humanidade, Deus  criador de humanos criativos.

E Deus viu que tudo era muito bom…

No percurso, Caim matou Abel, o ser humano não conseguiu usar a sua criatividade para superar a INVEJA.

Muita coisa aconteceu e diante da árvore da ciência do bem e do mal, o ser humano viu todo aquele paraíso e ficou fascinado. Pensou: “Vamos colocar cerca nisto tudo”, nasceu assim o latifúndio; e continuou pensando: “Se só existe um Deus, não poderemos ser deuses?”. E preferiu ser deus.

Depois de muitos tropeços e vários alertas por parte dos profetas, Deus resolveu fazer-se carne e habitar entre nós, nasceu o Deus Menino, aquele que é a esperança para a humanidade.

Mesmo depois de 2000 anos, ainda lembramos de Jesus no Natal. O Menino nascido empobrecido, para nos alertar que é só pela solidariedade que o ser humano reconstruirá o paraíso.

Com Jesus, Natal é a esperança, de uma humanidade solidária.

A esperança da ovelha pastar com o lobo. De todos serem um. De tudo ser de todos.

Ao desejar Feliz Natal, estamos nos desejando mutuamente a esperança.

Quando recebemos e damos presentes, estamos presenteando o Menino Deus que nasce dentro de cada pessoa”.  

GERSON ABARCA*

Psicólogo – Diretor do Instituto Pensamento

NASCIMENTO DE JESUS ROMPE COM SOCIEDADE MACHISTA

segunda-feira, dezembro 24th, 2007

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*Gerson Abarca

De quem é o sim da fecundidade do Menino Deus? De MARIA, uma mulher.

Em que sociedade Deus se fez Carne?

Na época, mulheres não podiam conversar com homens em praça pública. José quase faz sua fuga, pois MARIA havia engravidado, e isto era motivo de desonra…Mas o anjo manifestou-se a José, e este assume a história da salvação. Parece que aqui temos o primeiro homem a deixar seu machismo. Por mais que muitas Igrejas Evangélicas tentam nagar a pessoa de MARIA na história da Salvação, é em MARIA que tudo acontece. Sem ela o Deus da Vida não teria habitado. Mas para estas muitas Igrejas Evangélicas aceitarem MARIA, é preciso que primeiro aprendam a destituirem-se do machismo. Aceitar MARIA, é reconhecer o verdadeiro status da mulher na história do povo de DEUS. Deus, em MARIA, vai referendar às mulheres a condição de protagonistas da Vida. Pela MULHER Deus escolhe fazer-se Carne. As mulheres tanto podem, que após o ciclo da missão de Jesus entre a humanidade, quem vai acolher os discípulos perseguidos, é MARIA, na casa de MARIA. Local que até hoje é visitado por todos que passam por Jerusalém. Inclusive os próprios Judeus que estão esperando até hoje a vinda do Messias, dizem com muito respeito:”… esta é a casa de uma grande mulher. ”

Festejar o Natal é também pensar na força da Mulher que Deus escolheu atribuir-lhe.

*Psicólogo

O Menino Deus dentro de nós.

quarta-feira, dezembro 19th, 2007

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Gerson Abarca*

Entre todos os apelativos para o consumo, Deus se Fez Carne, para despertar-nos e lembrar-nos da solidariedade. O Menino Deus renasce em cada ser humano, trazendo a esperança da vida sobre a morte. Por isto, presentear os entes queridos é fazer acontecer a simbologia de que o Menino Deus nasce em cada um de nós.

Assim , como os Reis Magos,  foram levar presentes ao menino Jesus na manjedoura, a cada abraço ou cumprimento desejando um feliz natal, estamos levando o presente ao Menino que nasce naqueles que cumprimentamos. Por isto, neste natal somos todos Meninos. E com a simplicidade de meninos, podemos desejar a paz, o bem e a esperança a todos.

Mas neste momento, cerca de 40 milhões de miseráveis brasileiros não estarão recebendo e nem se quer dando presentes. A não ser que alguns deles participem de projeto social de solidariedade. Também, no mundo, apenas 15% da população estará dando e recebendo presentes sem preocupações de instabilidade econômica e de moradia, os demais 85% da população mundial, estarão passando pelo natal preocupados em onde recostarão a cabeça no dia seguinte.

Por isto mesmo, que o Deus se Fez Carne e habita entre nós para não nos esquecermos da solidariedade, pois o Deus da vida, Criador do ser humano, não se conformará como nós, das desigualdades decorrentes do livre arbítrio, outorgado por Ele à humanidade.

Se pensarmos na dimensão criadora e onipotente de Deus, poderíamos estar muito despreocupados com a fome ou as instabilidades humanas… estaríamos até hoje no paraíso. Mas a criação divina é participativa, gerou e substanciou o ser humano para que fossemos partícipes, co-responsáveis “-Se Deus é criador nós somos criativos –”, para daí darmos continuidade. “Mas os seus não O reconheceu…” Por isto Ele se fez carne, na condição de empobrecido, entre os estrumes da estrebaria, para fazer-se classe social – a mais empobrecida possível-, levando-nos ao incomodo de termos que ver e agir sobre as diferenças que nos cercam.

As luzes de natal, que historicamente era uma festa pagã, focada na diversão pela diversão, e que a Igreja Católica inculturou o evangelho na tradição pagã, ainda hoje encontra o desafio de tirá-la do paganismo para percepção de um sentido. Papai Noel, luzes, árvores e pilhas de presentes, disputam com a insistente e permanente Pessoa do Menino Jesus.

O que nos faz incomodados em meio às comilanças e exageros consumistas, no afã das “gastanças”. Temos que lembrar que nossos semelhantes, filhos do mesmo pai, estão sem ter o que comer, sem motivo para festejar. Os 15% da humanidade, que se encontram estáveis para festejar o natal, estão persecutórios com medo de que apareça um seqüestrador, um assaltante. Festejam enclausurados.

Esta ambivalência ou paradoxo é o maior requinte do natal, que graças ao profetismo da Igreja Católica faz-nos atentos, ou no mínimo incomodados.

Como é bom festejar o natal podendo pelo menos pensar naqueles que não tem o que comer. Orando pela paz e se colocando como auxílio à alguém desprotegido.

Como é bom conduzirmos nossos entes queridos à reflexão da solidariedade. Como é bom podermos ter entre nós a imagem do Menino Jesus, sinal de contradição na humanidade para que saiamos dos nossos confortos e busquemos a transformação da sociedade.

Assim, quando abraço espontaneamente a um pequenino; quando estendo minhas mãos para ajudar alguém desfavorecido; quando uso minha inteligência para pensar meios estratégicos para o bem comum; quando sinto-me feliz estando em comunidade, aí sim estarei vivendo o natal. Pois estarei superando o materialismo frio dos presentes, do consumismo e trazendo ao centro da festa a solidariedade.

Sempre que existir o natal dentro de nós, na sua mais legítima simbologia do Deus que se Faz Carne e Habita-nos na forma do menino Jesus, estaremos sendo revitalizados com a esperança. A esperança de vermos um dia um só Pastor e um só Rebanho onde a ovelha pastará com o lobo.

* É Psicólogo e Diretor do Instituto Pensamento.

O DILEMA DA HOMOSSEXUALIDADE

segunda-feira, dezembro 17th, 2007

*Gerson Abarca

O tema homossexualidade está no cotidiano da sociedade. Nos ambientes religiosos temos a temática na crista da onda, como também nos meios de comunicação social.

Falar da homossexualidade é tarefa muito difícil, pois geralmente nos esbarramos com questões de ordem moral ou de postura ética. Mas sempre ao pensarmos a homossexualidade o fazemos “pisando em ovos”.

Da última vez que estabeleci um diálogo em público, foi com um senhor muito religioso, que a cada palavra condenava os homossexuais aos infernos, dizia veemente:- ”é pecado mortal…”. e cuspia no chão. Sua postura no debate deixava-me irritado, até que perguntei para ele o que faria se um de seus filhos se manifestasse homossexual,  depois de adulto. Este senhor simplesmente disse que isto seria impossível, pois havia lhe dado uma educação Cristã. De imediato, uma pessoa manifestou-se dizendo que era homossexual e que seu pai havia reagido da mesma forma que a dele, com repúdio e decepcionado. Porém, entendia a postura do pai, mas que desde pequeno sentia reações diferentes em sua conduta sexual, lutava contra, pedia à Deus para se libertar dos impulsos, mas que  sempre sentia as mesmas coisas, atração por pessoa do mesmo sexo. Até que aconteceu uma situação inevitável onde deixou manifestar sua condução sexual.

Mas o senhor, respondeu com agressividade ao rapaz: -“você é um pecador, e seu pai deve estar sofrendo por ter gerado um filho deste”. Diante de tamanha intransigência, todos se calaram e a conversa teve seu fim…

Mas, depois de alguns dias, fiquei sabendo que um dos filhos deste senhor estava namorando com um outro rapaz. Só não sei se ainda está morando com o pai.

Todo debate em torno da homossexualidade deve ter em pauta e foco o ser humano. Se não tomarmos cuidado, caímos no processo de discriminação. Sabe aquele tipo de discurso que  tenta reconhecer as pessoas como filhas de Deus e ao mesmo tempo as condenam ao fogo do inferno?

Perguntam-me com freqüência se a homossexualidade é doença. Respondo sempre que não. O código internacional sobre transtornos emocionais não enquadra homossexualidade como doença. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) definiu portaria onde os Psicólogos não poderão atender pacientes homossexuais para  curá-los da homossexualidade. Isto porque, é muito comum pais colocarem filhos em psicoterapia para que os Psicólogos curem traços de homossexualidade. Em escolas vemos muitos professores comentarem com os pais sobre trejeitos afeminados de meninos na pré-escola: “Avaliem, pois vai que este menino vira gay…”. Não é por acaso que existe uma bancada de Deputados Evangélicos querendo fazer passar uma lei que garanta tratamento da “homossexualidade” pelo SUS; partem de conduta moral religiosa para uma definição de saúde pública. Desta forma estarão querendo instituir que os homossexuais são doentes.

Tempos atrás assisti a um debate de T.V. em que um cabeleireiro confirmava que havia curado sua homossexualidade. Ele estava de cabelo bem curto e tentava passar a imagem de machão.

Mas dificilmente convencia alguém de que era machão. Inclusive, o programa errou feio ao querer associar homossexualidade com trejeito feminino. Se formos por ai, cairemos em outro preconceito, de julgar pelas aparências.       Pesquisas revelam que um alto índice de caminhoneiros  pagam travestis para que estes atuem ativamente, para a satisfação de suas fantasias sexuais. E olha que muitos caminhoneiros juram de pé juntos que são muito é machos.

Devemos entender que estamos em uma sociedade pluralista, onde o convívio social passa pelo respeito às diferenças. Não estou aqui para fazer juízo de valores para os que condenam a homossexualidade por escolhas religiosas. Quando orientava seminaristas de congregações religiosas, e aparecia candidatos ao Sacerdócio mas com definições homossexuais, apenas refletia com eles que estavam tentando espaço em uma instituição que já tem postura clara sobre a homossexualidade, que insistir na escolha, achando que deveriam ser aceitos, só traria angústia pessoal e sofrimentos. As definições por critérios religiosos devem ser respeitadas. Inclusive é intransigência quando vemos homossexuais atacando uma ou outra Igreja, por não aceitar a prática da homossexualidade. O caminho é o respeito às diferenças, principalmente quando estamos em espaços públicos. Por isto que veremos grupos organizados de homossexuais entrando com ações judiciais contra apresentadores de programas radiofônicos e televisivos, por se sentirem atacados no direito de escolha.

Sem dúvida que o tema homossexualidade tem gerado polêmicas em vários ambientes. Na época de Jesus, a aproximação dos homens com as mulheres era carregada de preconceitos, e quando o assunto era prostituição, foi preciso Ele dizer:-“Quem não têm pecado atire a primeira pedra…”. Hoje, parece-me que a questão da homossexualidade é o grande trunfo de intransigências nas relações humanas. Um dilema longe de termos luzes para sua solução.

O que pode nos ajudar neste debate e convívio, é sempre lembrar que por detrás de tudo existe o SER HUMANO. Todos, filhos de um mesmo Pai.

* É Psicólogo, autor do livro “Sexualidade na contramão”, Ed. Paulus,S/P

Quando o Assunto é a Maconha

sexta-feira, dezembro 14th, 2007

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Gerson Abarca*

Quando o assunto é a maconha, Fernando Gabera – Deputado Federal ,  levanta a bandeira da liberação; Chico Buarque poetiza em verso e prosa o lado suave do ser com maconha; Planet Hamp preconiza que no lugar dela, outras coisas legais são bem mais letais; muitos professores ficam embuídos de um discurso sem fim para a proteção educacional de seus alunos; os pais apavoram-se ao imaginar que seus filhos possam vir a usar maconha; lideres religiosos tentam na sua maioria, assombrar com a noção do pecado – quase que mortal.

E os psicólogos?.

Uns entram na defesa da discriminação para poderem ganhar uma fatia de adeptos, pois ir contra, passa a idéia de antiquado; outros partem para argumentos estigmatizantes e pouco comprovados cientificamente, tipo: “A maconha causa lesão neurológica”.

Mas quando o assunto é maconha, prefiro pensar em quem é o principal alvo dela- os adolescentes- Nesta idade, por mais que a sociedade tente forçar a barra da maturidade precoce, transformando esta faixa etária em miniaturas de adultos, prevalece traços substanciais de uma estrutura emocional em que prevalece a elaboração das perdas. As perdas de identidade de criança; do corpo de criança e dos pais de criança. É a fase “salsicha de cachorro quente”, pois fica entre o ser criança e o ser adulto. Nesta fase, prevalece as indefinições, as angústias pela elaboração desta transição e muitas vezes o distanciamento real do afeto materno e paterno (pois os pais tendem a se afastar afetivamente do filho que está em crescimento e em crise). Para substituir este vazio, surge outra grande companheira – a maconha – , correlacionado à outros bons companheiros, aqueles que chegam como bons amigos, que oferecem a maconha sem custos ao jovem que terá a possibilidade de se vincular afetivamente ou não com esta nova possibilidade na vida; como experimentação ou como substituição permanente de afeto.

O problema da maconha está justamente no perfil de dependência que ela cria – na dependência emocional -. Por isto que muitos adultos que revelam usar a maconha sem nenhum problema, ao serem questionados se já conseguiram ficar sem ela, vão dizer que não. Medimos o índice de dependência química pela dificuldade de abstinência ao produto. A introdução livre e aberta da maconha na fase de maior busca de identidade do ser humano é canal aberto para a fixação de uma dependência, é educar sem perspectiva de autonomia.

Mas quem usa maconha pode não ser autônomo? Nem sempre, mas isto é semelhante a um bebê que se direciona à tomada de energia elétrica para colocar o dedo, e o adulto que está por perto logo se mobiliza para evitar o contato do bebê com a tomada. Tanto é verdade, que em casa onde se tem bebês, indica-se colocar protetor de tomadas. Porém, não se tem certeza que um bebê, ao colocar o dedo na tomada, vai tomar choque… Alguns pais até se arriscam dizendo: “É bom levar um choque para aprender…”.

Em se tratando de maconha, para adultos com estabilidade econômica, profissão definida e caráter estabelecido, o discurso da liberação tem um perfil – a escolha pessoal -. Porém, acreditar que um adolescente sabe qual é a escolha que está fazendo ao dizer que vai fumar a maconha sem maiores conseqüências, é um risco. Indico que no lugar da maconha, seja colocado a presença, o afeto, a criatividade pela busca de autonomia e uma visão de futuro no adolescente para que sinta-se capaz de transportar montanhas, com os pés na realidade.

É sempre bom lembrar, que quem está por detrás da maconha não são pessoas tão singelas como o Gabera ou Chico Buarque, mas sim, um esquema de corrupção, narcotráfico e subornos, cujo as instituições brasileiras estão cada dia mais na mão deles (PCCs; Comandos Vermelhos; Instituições paramilitares, etc).

*É psicólogo, atuou na recuperação de dependentes químicos com o precursor de centros de recuperação no Brasil – Pe. Heraldo Hans de Campinas.

DILEMAS DO NAMORO NA ADOLESCÊNCIA

domingo, dezembro 9th, 2007

* Gerson Abarca

Se você me perguntar o que acho do namoro na adolescência, de imediato vou lhe dizer que me preocupo. Principalmente por ver que a maioria dos adolescentes que conheço e namoram, estão apresentando defasagem em algum fator da vida. É a desatenção para com a religião, escola, esporte, família, amigos, enfim, sempre tenho observado algum desgaste.

Como a onda é pegar, ficar e descartar, observo que os adolescentes que possuem algum compromisso religioso, ou que já se definem com critérios morais diante das parcerias amorosas que estabelecem, ficam sentindo-se meio que deslocados diante da galera que está pegando mesmo. Alguns deles já me revelaram que preferem iniciar um namoro sério, com compromisso, do que caírem neste esquema de ficar, cada hora com um.

Mas tudo bem, querem estabelecer relacionamento sério, para escaparem da futilidade e acabam caindo no compromisso. Compromisso de quê? Será que quando fazem assim já estão pensando em casar? –“Ô carinha, lógico que não, é só por um tempo, pra gente não ficar só”. Mas desta forma caem no mesmo esquema dos ficantes, com um compromisso transitório.

Sabemos que a indução para as sensações libidinais na adolescência, está cada vez mais apelativa nos meios de comunicação social. Escapar disto é uma tarefa árdua, e quase impossível. Sabemos também, que no passado os jovens começavam a namorar cedo, geralmente aos 14 anos, mesmo sem todo esquema apelativo. A onda hoje não é namorar, mas pegar, ficar e ter poder pelo número de bocas que se beija em uma noite.

Resta aos adolescentes com algum princípio, o namoro. Caindo assim em outra armadilha, a antecipação do futuro. É a lógica do vínculo amoroso, que conforme o tempo passa, a intensidade de sentimentos aumenta. Por isto mesmo que vemos adolescentes que apresentavam-se com grandes objetivos profissionais na vida, com desempenho educacional de primeira linha, que no decorrer do namoro acabam diminuindo suas expectativas de futuro para não verem ameaçados o namoro. Lembro-me de um adolescente que chegou a passar em uma escola técnica top de linha, mas como teria que mudar de cidade, acabou optando por estudar em uma escola de segundo grau de sua cidade, onde residia à namorada.

Sabemos que os pais dificilmente conseguirão deter um namoro que segue preceitos religiosos e vem de adolescentes bem intencionados. Dependendo do tipo de tortura dos pais, o namoro acaba virando arma de contestação às regras, e aquilo que poderia ser só uma experiência torna-se paixão arrebatadora. Porém, é necessário ater-se a alguns cuidados para que pelo menos o namoro dos filhos não venha destruí-los. Observar o ritmo de estudo; incentivar à prática esportiva; estimular para que saia com os amigos; continuidade nos compromissos da comunidade; participação nas viagens e atividades da família; controlar de alguma forma o tempo de estarem juntos no namoro; evitar acolher o namorado ou namorada dos filhos como se já fizessem parte da família, tipo norinha e genrinho; ser presença nas realizações dos filhos e fomentar os sonhos deles.

Aos adolescentes que estão nessa de namorarem sério, procurem não perder de vista seus sonhos pessoais. Neutralizar-se pelo outro, movidos pela paixão, dá a sensação de viver um grande amor. A confusão dos sentimentos é  o que pode levar um adolescente à dependência emocional. Desta forma, um bom critério para saber se o namoro está legal na adolescência é procurar perceber se os pensamentos e sentimento estão canalizados apenas para a parceira ou parceiro. Se estiver, é sinônimo de dependência. E toda e qualquer dependência é negativa. Pois na vida devemos construir nossos relacionamentos de forma que não dependamos uns dos outros, mas sim que façamos trocas. Só pode trocar quem têm algo para oferecer, aliás, esta é a dinâmica do amor.

Adolescentes, não se iludam. Mais do que dar, vocês ainda estão no tempo de receber muito. Não antecipem o leito do rio, deixe que ele corra seu percurso no seu ritmo normal. Se seu namoro está muito “pegajoso”, cuidado, você poderá ficar sem sair do lugar.

Na verdade mesmo, se me perguntarem se os pais deveriam deixar namorar, não teria medo de responder que depois dos 17 anos quem sabe. Mas cada pai e mãe sabe os filhos que possuem, tudo dependerá de um bom diálogo. O certo é que com a autorização do namoro, as preocupações se dobram e a atenção multiplica-se. As vezes é melhor errar por excesso do que por falta. O excesso é mais fácil de tirar no futuro, isto é muito parecido com o bolo quando está no forno, se sobrar dá para acertá-lo na forma, mas se faltar ele fica horrível, alguns precisam até ser jogado fora.

* É  Psicólogo, autor do livro “Sexualidade na Contramão” Ed. Paulus-SP.

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