Archive for março, 2008

SEXUALIDADE CONJUGAL - DESAFIOS DO PRAZER SEXUAL

segunda-feira, março 31st, 2008

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Para um casal ter plenamente a vivência do prazer sexual, é necessário a conjugação de três elementos básicos: Vivência afetiva amorosa; Convivialidade social; Espiritualidade partilhada.

Na vivência afetiva amorosa, o casal terá o cultivo do vinculo amoroso, devendo para isto nunca esquecerem dos impulsos iniciais que os uniram. O cultivo do amor romântico, que pode ser possível ser regado com galanteios, poesia, carinhos, carícias. Com bons momentos de lazer conjugal.

Já a convivialidade social é o cultivar a parceria das atividades domésticas do dia a dia, do cuidar dos filhos de forma partilhada, e ter o desejo de sempre estar se dispondo ao outro para ajuda-lo no que for preciso. É a parceria, das contas a pagar, dos investimentos a fazer, enfim, acomunhão dos projetos pessoais partilhados.

Já a espiritualidade partilhada, é a união em torno do Sagrado. Estarem conjugando a mesma fé e esperança, e acima de tudo vivenciando o amor, um para com o outro. A prática religiosa colabora e mais ainda a vivência em comunidade. Poder ter aquele compromisso de uma missão evangelizadora, com franco apoio um do outro. Conviver com outras famílias na dimensão da comunidade Cristã. Conheço casais que cada um pratica uma religiãoi diferente, mas conseguem cultivar as mesmas esperanças e se respeitam e apoiam mutuamente, sabemos que esta é uma realidade difícil de ser vivenciada, mas possível.

Com a junção destes três ingredientes, dificilmente o prazer sexual não será uma consequencia certa. A cama do casal será desta forma o templo de coroamento de uma parceria que deu frutos. O prazer sexual para o casal será a providência, o presente de Deus. E os filhos verão na felicidade dos pais, que casamento vale a pena.

DOM CÂNDIDO PADIN

domingo, março 30th, 2008

Senti saudades de Dom Cândido e procurei por ele na internet. Achei um documentário produzido pela T.V.PUC-SP, muito bem feito, com gravações de falas dele, textos e histórico de caminhada. Vale a pena entrar para conferir.

Dom Cândido é um dos bons amigos que levo gravado no peito. Após sua morte em janeiro deste ano, fica a saudade. Tempos atrás, estavamos eu e Celina no centro de São Paulo e resouvemos visitá-lo no Mosteiro de São Bento, onde residia após ter se aposentado como Bispo na Diocese de Bauru-SP. Estava ele na oração da manhã, com o canto gregoriano das manhãs da Igreja de São Bento. Bem envelhecido mas com uma alma cidadã de causar inveja. Nos acolheu com alegria e espontaneamente lembrava das muitas ações que juntos construimos no Conselho de Leigos do Estado de São Paulo.

No ano de 1989, Celina e eu participavamos do Encontro Estadual do Conselho de Leigos do Regional Sul – I da CNBB, e Dom Cândido era o assessor. Naquele encontro, durante a Celebração da Eucaristia ele fez questão de abençoar nosso Noivado, ficamos noivos pela imposição de Dom Cândido, que coisa boa, um Matrimônio com bom início, e graças a Deus têm sido até hoje.

Um amigo Santo não é todos os dias que a gente pode ter por perto. Ele que é um dos Santos contemporâneos.

Para que cada Cristão Católico tenha uma visão missionária envolvida com a democracia e as causas sociais, Dom Cândido é leitura obrigatória, por isto visite o site www.tvpuc.com.br . Dom Cândido que foi carinhosamente incorporado no cenário político brasileiro como o Bispo Constituinte. Grande parte de minha consciência cidadã, atribuo a Dom Cândido. Por isto sou eternamente grato a ele.

VOCAÇÃO PADRE

sábado, março 29th, 2008

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*Gerson Abarca 

Dentro da Psicologia temos a área de Orientação Vocacional voltada para ajudar jovens na escolha de uma profissão. Geralmente é muito utilizada por pré-vestibulandos que estão indefinidos sobre qual curso universitário vão escolher. A procura pela Orientação Vocacional começa a ser uma realidade também de profissionais que desejam mudar de área de trabalho ou aposentados que desejam desenvolver algum novo investimento profissional.

Mas como fica a Vocação de Padre? Passa pelos mesmos critérios de seleção de uma atividade profissional?

Os Psicólogos que tentarem igualar o processo de caminhada para a vocação Padre, como de outras profissões estarão errando o foco. Conheço Padres Engenheiros, Médicos, Economistas, Psicólogos, Músicos, etc. Alguns até exercem a profissão por um período e mesmo assim continuam sendo Padres. Por isto que os critérios para selecionar um candidato à Padre, não pode se utilizar  dos mesmos instrumentos da Orientação Vocacional Psicológica.

Ser Padre é uma Vocação de caráter religioso e está diretamente ligado com a Fé dos candidatos e a Graça – de ter sido escolhido por Deus -.

É aqui que nós Psicólogos não conseguimos entrar. Pois escolhas religiosas não se interpretam, mas acolhe-se. É notório casos de Vocacionados  a serem Padres que não são aceitos em uma comunidade religiosa, mas que insistem em buscar caminhos e acabam sendo aceitos por outras comunidades. Conheci vários casos de candidatos que foram rejeitados porque não tinham perfil para determinada Congregação ou Diocese e que conseguiram ser bem vindos
em outras Congregações. Isto prova que a Graça dada, não são os homens que irão impedir seu curso.

Tive uma  boa experiência de acompanhamento de seminaristas de seminários menores ou de nível superior. Pelo menos uns seis anos de meu exercício profissional (19 anos) pude colaborar com o processo de formação. Das Comunidades formadoras que mais êxito tive no processo de acompanhamento dos candidatos, foi na Congregação dos Teatinos. Nela, o Reitor do seminário não estava preocupado em saber sobre perfis psicológicos ou querer descobrir quem era homossexual ou estavam fazendo fuga de algum problema pessoal. Este Reitor dizia que se a Graça foi oferecida, o tempo iria mostrar para todos do processo de formação. Ele também falava que não gostava de ficar controlando sobre as neuroses dos seminaristas, porque todos possuem suas neuroses, “se fossemos ficar apegados nisto, nunca teria sido ordenado Padre”, ressaltava este Reitor. Foi ótimo, pois suas idéias bateram com as minhas. Sempre pensei que o papel do psicólogo em um seminário, é de ser um elemento que contribua para que os candidatos possam fazer suas escolhas de forma transparente e sem conflitos internos, mas que as decisões de acolher a continuidade na formação era dos Padres formadores. Nunca aceitei opinar sobre os perfis psicológicos dos candidatos porque meu trabalho era de caráter sigiloso e tinha que assegurar aos seminaristas que estava sendo apenas um porta-voz dos processos inconscientes deles. Durei pouco neste processo de formação, pois fui deparando-me com outros grupos formadores que ficavam insistindo em que revelássemos intimidades dos seminaristas e também que desse parecer sobre as neuroses ou distorções emocionais. Infelizmente uma grande fatia de Psicólogos estão deixando de exercer de forma ética o exercício  profissional. Tenho certeza disto, por estar atuando como conselheiro do sistema Conselho de Psicologia há pelo menos sete anos contínuo. Conheço um belo trabalho desenvolvido pelo Psicólogo Ângelo Missura Neto, que assessora a Diocese de Guaxupé-MG, sempre pergunto para ele se os formadores ficam especulando sobre os seminaristas, e ele me responde que só se mantém neste trabalho porque os formadores da Diocese entenderam muito bem o papel do Psicólogo no processo.

Minha interrupção em colaborar na formação aconteceu exatamente quando conheci um Pregador formador que garantia que o ser humano não suporta a transparência nas relações, e utilizando-se inapropriadamente das teorias de Lacan, um Psicanalista Francês. Psicanalizava todo processo de formação, onde a Graça de Deus sobre uma Vocação de Padre era substituída pela lógica psicanalítica. Aí não daria mais para continuar, pois o resultado deste tipo de procedimento só causa traumas nos candidatos, clima persecutório nos seminários e afastamento até da religião naqueles que por ventura são cortados da caminhada. É muito comum vermos pessoas que foram seminaristas e que na vida adulta possuem um grande rancor pela Igreja Católica. Quando deparo-me com pessoas assim, logo imagino quanta tortura esta pessoa tenha passado na época de formação.

Entender que ser Padre não é semelhante a uma escolha profissional, torna-se difícil pela sociedade contemporânea, onde a Fé está cada vez mais sendo massacrada pelo mundo laico. Onde os pais acreditam que o sucesso dos filhos está no lucro que uma futura profissão dará. Lembro-me da história do Padre João Mohana, que primeiro terminou a faculdade de Medicina, pois este era o desejo de seus pais, e entregou a eles o diploma embrulhado em presente, para depois entrar no seminário e realizar seu chamado vocacional de ser Padre.

Entender este processo só com os olhos da ciência filosófica e do comportamento humano (psicológico), é não entender os sinais de Deus na humanidade. Esta é uma questão de Fé. E a Vocação Padre só será bem realizada mediante um profundo mergulho do candidato na pessoa de Deus, pela Oração e formação. É um caminho que se faz caminhando, e que diz respeito à instituição Igreja Católica, que possui seus Dogmas e Doutrinas, cujos candidatos deverão ter profundo conhecimento para saber o que estão escolhendo. Por isto que o processo de formação deve ser o mais transparente possível.

* É Psicólogo, diretor do Instituto Pensamento.

SEXUALIDADE CONJUGAL - POESIA E DESEJO

quarta-feira, março 26th, 2008

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                                       Se na época do namoro, ela olhando para o céu estrelado e dentre as nuvens a lua, e numa suave voz exalta a natureza e convida seu namorado a contemplar junto com ela aquele cenário convidativo à declarações amorosas, levando o namorado a dizer: – “Minha querida, como você é sensível aos detalhes da vida, e por isto estou encantado por ti!” ; logo em seguida ao casamento, o mesmo casal diante  de cena semelhante, revitaliza novamente na esposa a contemplação romântica do espetáculo da lua entre as nuvens, comentando ao seu esposo terá a triste constatação da pouca percepção do amado, que dirá:-“deixa de ser besta mulher, não está vendo que vai chover?”

O que acontece quando os namorados institucionalizam o casamento? Perdem a necessidade de conquista e consequentemente o galanteio. Perdem a poesia.

Você já declamou uma poesia hoje para o seu amado ou amada?

Não precisa ir muito fundo, basta deixar fluir a ternura e o desejo de conquistar a pessoa amada, a cada 24 horas.

Deixo aqui algumas dicas:

         “Para ser grande, sê inteiro: nada

                     Teu exagera ou exclui.

          Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

                       No mínimo que fazes.

            Assim em cada lago a lua toda

                        Brilha, porque alta vive.”

                                             ( Ricardo Reis – Fernando Pessoa )

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 Outra dica:

                    ” Como és bela, minha amada, como és bela,

                    Com teus olhos de pomba!

                    Como és belo, meu amado, como és encantador!

                     Nosso leito está florido,

                     De cedro são as vigas de nossa casa,

                     De cipreste, o nosso teto.”

                                             (Cântico dos Cânticos – 1,15-16)

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AGORA VOCÊ CONTINUA

 Coloque seu poema romântico nos comentários abaixo deste artigo, e colabore para que casais se encantem declamando poesias .

                                                              Obrigado pela sua participação! 

A "LOUCURA" DE MONSENHOR JONAS

segunda-feira, março 24th, 2008

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                            Ao ler o livro ” Canção Nova, uma obra de Deus”, pude perceber que o ditado corrente no meio da psicologia de que “a loucura que move o mundo”, é uma verdade na escolha e determinação do projeto visionário de Pe. Jonas quando pensou a Canção Nova.

Uma “Santa Loucura”!.

 Como foi também com os jovens que acreditaram no líder Francisco de Assis; aquelas que seguiram Clara; As meninas que sonharam com Chiara Lubich; e muitos outros, que foram tidos em suas épocas como “loucos”. Todos seguidores de Jesus Cristo, àquele que quando dizia que destruiria o templo e o reconstruiria em três dias, e muitos pensavam de que delírio estava falando.

No Domingo de Páscoa, estava conversando com uma amiga sobre a educação que damos aos nossos filhos. Quando projetamos o futuro deles, sempre temos a tentação de vê-los com sucesso econômico. Fiz uma pergunta que deixei no ar: – ” Se nossos filhos resolvessem seguir um visionário como Monsenhor Jonas, que chegasse em nós dizendo que largariam tudo para seguir Jesus, qual a reação que teríamos?”

Quando Pe. Jonas ( na época)  convida um grupo de jovens a começarem a grande aventura de Evangelização, como foi e é a Comunidade Canção Nova, tendo o sim de vários jovens, na qual a maioria deles está até hoje na caminhada, sabia que seriam alvo de muitas calúnias, como foram e são até hoje. Mas a obstinada escolha, conjugado com muito sacrifício,fé, esperança e amor; ingredientes da “Santa Loucura” do Amor partilhado na missão pela Evangelização, fez surgir frutos, sementes e árvores frutíferas.

Fui um oponente da Canção Nova. Com meu histórico de militância política de esquerda, envolvido nas Comunidades Eclesiais de Base no pós regime militar e início da abertura política, não suportava pensar nos dons do Espírito Santo. Lembro-me que em um Cenáculo do Ibirapuera ( estádio aberto), namorava uma menina que seus pais eram da Renovação Carismática. Na oportunidade ouvira a pregação de Monsenhor Jonas pela primeira vez. Sai do estádio dizendo que aquele grupo era um “bando de fanáticos”. Terminei o namoro.

Hoje, após aproximadamente quatro anos de aproximação com a Comunidade Canção Nova, sinto que minha visão é absolutamente outra. Na época da militância política, um grande amigo, que inclusive esteve por várias vezes fazendo programa na T.V.CN, Urbano Medeiros, me alertava:-” Gerson, olha a mística, não a perca, se não a caminhada fica árida demais”. Há pouco tempo, depois de anos sem ver o Urbano, reencontrei com ele em uma casa de hóspedes na Canção Nova. Estávamos nos encontrando em um templo que para nós representava a volta à casa do Pai. Ambos nos reencontrando na caminhada de Evangelização, movidos por nossas “loucuras” que se avolumavam na “loucura” de Pe. Jonas”, na “loucura” de sermos seguidores de Cristo. Disse ao Urbano, ” estou reanimando minha mística…”

Sem medo de ser feliz, caminho hoje na militância político social sem deixar de reconhecer que sou movido pelo Espírito Santo. Mergulhado no Espírito e dizendo com toda certeza que  a “loucura” de Monsenhor  Jonas, é o sinal de vida para a Igreja Católica no Brasil. Quando vejo os jovens que tiveram a coragem de adentrar nesta obra de Deus chamada Canção Nova nos programas de T.V., já os vejo como os “loucos por Deus”, na qual seremos eternamente gratos ( Nelsinho, Ricardo Sá, Dunga … e muitos outros que não deixam de estar sempre jovens, pois caminham impregnados do Espírito Santo ) .

NEUROSES QUE MOVEM O MUNDO

segunda-feira, março 24th, 2008

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                        Se pensamos que a neurose é algo ruim, estamos muito enganados.

                        Todos os grandes nomes da humanidade, tinham uma neurose. A diferença é que estes fizeram de suas neuroses, energia para transformar seus sonhos.

                        A neurose é um complicador quando seu portador não consegue percebe-la ou a nega.

                        Pacientes que buscam tratamentos psicoterapêuticos para eliminarem neuroses, acreditando em equilíbrio emocional, estão buscando na verdade a manutenção de uma neurose, aquela que acaba com qualquer ser humano – o desejo de ser perfeito, ou mesmo de ser deus – . Quer loucura maior que esta?

                         Quando tratamos pacientes , ajudamo-nos a descobrirem como potencializarem suas neuroses, transformando-as em algo sublime, como diz Freud, do ato de sublimar, dar vida e colocar em um estatus nobre da mente. Para isto, é preciso se encontrar com a neurose e potencializa-la. Quando fugimos dela ou a negamos, ela vira um vulcão dentro de nós, que quando entra em erupção, derruba qualquer ser humano, a ponto de incorporar transtornos emocionais.

                         Já nos disseram : O QUE ME DIFERE DO LOUCO, É QUE ELE GRITA O MEU SUFOCO.

                         O “Louco”, manifestam livremente suas neuroses e se alimentam delas. Os”Normais”, por sua vez, negam as neuroses que existem dentro de si e vivem em sufoco, pronto a explodirem.

REALIZE SEUS SONHOS, DEIXE AS NEUROSES QUE ESTÃO DENTRO DE TI, SE MANIFESTAR. POTENCIALIZE-NAS

A PACIENTE PSIQUIÁTRICA E A RESSURREIÇÃO

sábado, março 22nd, 2008

Há dez anos, atendi uma senhora que peranbulava pela cidade e ao entrar na Igreja Católica ( templo), diante do santíssimo, tinha crises emocionais. Mãe de uma grande liderança católica, foi levada até meu consultório para que eu pudesse ajuda-la. Estabelecemos um bom acordo de tratamento, e ao longo do processo a paciente revelou que tinha se convertido ao espiritismo. A origem de sua conversão foi em um Hospital Psiquiátrico, que durante um longo período de internamento, os médicos a tratavam muito bem. Ela atribuia sua melhora à prática da nova religião. Não percebera que o que havia ajudado-na era a medicação e os grupos terapêuticos do Hospital. Parece que ela tinha sido vítima de uma intervenção tendenciosa, e cuja gratificação ao tratamento seria participando do centro espírita.

Ela revelou que mesmo indo ao centro espírita, tinha muita necessidade de participar da Igreja Católica e era devota de Nossa Senhora. Ia ao santíssimo pois nutria profunda relação com o Cristo Eucarístico. Mas não podia deixar o centro espírita, por gratidão ao grupo que a  havia levado para o tratamento, “eles ficam no meu pé, e dizem que se eu não for lá vou ficar pior…” dizia a paciente com muita angústia.

Na minha neutralidade ética profissional, simplesmente refleti com a paciente que a religião é uma prática importante na vida das pessoas, mas quando escolhe-se por duas práticas religiosas opostas uma da outra, a mente cria sentimento ambivalente e aos poucos leva a pessoa à desestruturação emocional. Como ela já era portadora de um quadro de esquizofrenia, a dúbia escolha religiosa estáva colaborando nas crises. Comparei a caminhada religiosa que ela estava fazendo com a pessoa que está descendo a correnteza de um  rio com um pé em cada canoa, chega em um momento que a pessoa não vai conseguir se equilibrar e cairá no rio. No caso dela, pontuei que estava com um pé em uma escolha que prega a reencarnação ( espiritismo ) e outra que prega e ressurreição ( Igreja Católica ) .

Depois de duas semanas, quando a paciente havia se ausentado das sessões subsequentes, chegou até mim em um horário não marcado, e pediu-me uma palavrinha. Disse-me com muita alegria que as minhas palavras da última sessão tinham sido motivo de uma profunda mudança em sua vida.  Escolhera voltar à sua origem. Segurar nas mãos de Nossa Senhora e voltar a comungar a Eucaristia. Falou-me que fôra ao centro espírita agradecer a tudo o que fizeram por ela mas que entendera que sua escolha religiosa deveria ser aquela que aprendera desde criança com seus pais no meio rural. – ” Sinto que o Ressuscitado chamou-me para minha volta à Casa do Pai.”

A paciente permaneceu por mais um tempo nas sessões psicoteráptica, continuou sua medicação, e não teve mais crises emocionais. Na época esta senhora tinha 69 anos, e tive informações que ela veio a falecer anos depois com muita tranquilidade e paz de espírito

Nesta Páscoa, pensei neste episódio clínico, por isto partilho com vocês. 

SIMBOLOGIA DA CRUZ

sexta-feira, março 21st, 2008

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Nesta Sexta Santa, veio-me a imagem ,que um senhor do meio rural ,transcreveu-me quando era de grupo de jovens. Naquela época ficávamos a noite de quinta- feira  Santa para sexta- feira  Santa em oração diante do Santíssimo.

Cantávamos, rezávamos e conversávamos e numa destas conversas, este senhor contou-nos esta estória:

“Uma pessoa trabalhava muito e tinha muitos filhos para cuidar. Além de tudo, cuidava também de sua mãe, pessoa velha e adoecida em um leito. Seus dias eram de muita lamúria e reclamações para com Deus, falava que Deus havia lhe dado uma cruz muito grande para carregar, maior do que ela podia suportar. Certo dia , pensou em diminuir o tamanho de sua cruz, colocou a mãe em um asilo, a troco de muita tristeza desta mãe, que amava muito a filha; entregou dois filhos ainda bebês para outros casais educarem, sem querer saber quem eram os pais adotantes. Sua vida ficou melhor para ser conduzida, e havia parado de reclamar com Deus, só ficava justificando com Ele, pois argumentava com Deus, que seu sofrimento era muito grande, e de alguma forma a vida é para ser vivida. O tempo passou, e certo dia ela precisava atravessar um vale, era uma única passagem, de um estágio de vida para outro. Não sabia como fazer, pois o abismo que separava a parte de onde ela estava era muito profundo. De repente, ela escuta uma voz:-“Atravesse com a cruz que lhe dei…atravesse com a cruz que lhe dei…”. Logo ela percebeu que era a voz de Deus, se comunicando com ela.-Mas meu Deus, sempre lhe implorei ajuda e o Senhor nunca me destes uma resposta. Deus responde com sua voz suave:”- Atravesse com a cruz que lhe dei…”. A mulher assim fez, mas ao colocar a cruz atravessada de um lado para o outro,  percebeu que estava mais curta e a senhora desabou para o fundo do abismo junto com sua cruz que no percurso de sua vida tinha reduzido de tamanho.”

Ao terminar esta estória, o senhor lembrou-nos que na sexta Santa estaríamos contemplando Jesus na cruz, para que pudessemos pensar muito bem em como estávamos enfrentando a cruz nossa de cada dia que Deus nos dera.

 De lá para cá, procuro não reclamar de todos os compromissos que a vida nos conduz a assumir, principalmente no compromisso de vivermos em comunidade Cristã para a construção da Civilização do Amor.

SEM MEDO DA CRUZ

quinta-feira, março 20th, 2008

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                   A Semana Santa chegou, e com ela reflaxões em torno da fé Cristã. Nesta quinta feira, o convite a sermos servos humilides, de estarmos à serviço. Já no domingo, a Páscoa, a vitória da vida sobre a morte.

                  “No meio do caminho havia uma pedra…”, ou melhor, uma cruz. A Semana Santa é vivida com muita vitalidade pela população brasileira com foco na Paixão de Cristo. A simbologia da cruz e morte atrae milhões de fiéis. Lembro-me ainda jovem, na cidade de São José do Rio Pardo, o Vigário da Paróquia ficava irritado quando na procissão do Cristo morto, a população saia de todos os cantos possíveis da cidade e fazia uma massa quilométrica de fiéis, mas no sábado, a Celebração da Vigília Pascal não chegava a ocupar todos os bancos da Matriz. Dizia ele:”Este povo parece que é fixado na morte…”

                  Hoje entendo que a Sexta Feira Santa, têm predileção na sociedade, exatamente porque representa a projeção que fazemos da morte sobre a vida. Não é a toa que se fizerem um plebiscito sobre o aborto, a sociedade vai votar a favor do aborto.

                   Porém, se entendermos sobre a dinâmica do inconsciente humano, a Sexta Feira Santa trás em nós o encontro com a morte, o encontro com a cruz, a cruz que carregamos no dia a dia. Só está preparado para a vida, quem não teme a morte, pois a morte é a única certeza da vida ( existencial). E na fé Cristã, só pela morte chegaremos à vida eterna. Para o grão de trigo germinar é preciso que ele morra. Neste sentido, a Paixão de Cristo é passagem obrigatória. Nela podemos rever nossas desesperanças, ou temores. Enfrentar a vida é asumir a cruz, a missão da qual fomos chamados. Uma missão de serviço para a construção da Civilização do Amor. Ser fermento e sal em terrenos áridos, onde a cultura da morte prevalece sobre a cultura da vida. Sem medo da cruz, sem medo de sermos a diferença no mundo, de sermos protagonistas da vida contra toda forma de destruição da vida plena.

                   Quem sabe, depois da sexta, muitos preferirão ficar no caminho. Não conseguindo chegar à ressureição. Por isto, que no sábado, estarei de prontidão para a Vigília Pascal, pois escolhi a vida. Mesmo não fugindo da cruz, sem temer a morte.

ADOÇÃO, A PERGUNTA QUE NÃO FAZ CALAR

terça-feira, março 18th, 2008

          Com a onda das psicoterapias fixadas nos traumas da vida intra-uterina, muitos pais estão deixando de adotar por imaginarem que a criança adotada carrega em si traumas que serão difíceis de serem superados.

          Aquelas técnicas que insistem em dizer que da para uma pessoa ver cenas de quando ainda estava sendo gestada no útero da mãe, como se a constituição cerebral do feto tivesse capacidade de gravar imagem fotográfica.

          A adoção é um problema para pais  que adotam por que esgotaram todas as possibilidades de fecundarem um filho biológico, adotam por frustração. Ou pais que adotam por pena de alguma situação de abandono, por piedade, e com o passar dos anos atribuem que tudo o que está se passando com a criança é por culpa da adoção.

          Conheci um caso em que o casal adotara dois irmãos  , e depois de alguns anos o casamento foi interrompido, levando-nos a devolverem as crianças para uma instituição de passagem. Imagine a cabeça destas crianças, quantas perdas de vínculos. 

           Para uma criança adotada, a grande pergunta que não faz calar é a interrogação sobre  qual ventre veio. Este dilema, com o tempo, é superado com a força do amor manifesto pelos pais adotantes.

           Outra dúvida da criança adotada é se passará por nova separação, se será abandonada novamente, levando a desenvolver comportamento de instabilidade sobre os pais adotantes. Fica como que desconfiada do amor deles. Porém, esta dúvida é plenamente superada na medida em que os pais adotantes se entregam de corpo e alma à criança adotada, amando-a indistintamente.

           Não quer calar também, as dúvidas dos pais que adotam quando a criança começa a dar problema na escola, ou na adolescência pelos comportamentos de rebeldia. Muitos pais adotantes esquecem que os mesmos problemas são vividos também por crianças e adolescentes que são educados pelos pais biológicos. Crises emocionais e problemas de aprendizagem é coisa de ser humano. O preconceito sobre uma criança adotada só ajuda a criar estereótipos sobre elas. Neste sentido, mais uma vez, será a capacidade de amar e assumir a paternidade e maternidade, que fará com que os problemas sejam superados.

            Para os pais adotantes, a dúvida sobre o amor do filho adotado surge quando este atinge a maioridade e está prestes a sair de casa. A angústia do  filho desejar conhecer os pais biológicos. Mães adotantes com inseguranças pessoais no estabelecimento de vínculos, tendem a ficar paranóicas quando imaginam que o filho escolha a mão biológica quando conhecê-la. Nenhum filho adotivo deixará pai e mãe por serem adotantes ou por que vieram a conhecer os pais biológicos, pois ser pai e ser mãe, é escolha de amor. Um filho sabe  detectar muito bem os pais que fizeram esta escolha.

Cruel mesmo, é a dúvida de como colocar limites na educação do filho adotado. Lembro-me de um adolescente adotado, que estava em sofrimento porque seus pais não colocavam limites. Estes pais tinham medo de ao colocar limites o filho pudesse pensar que estavam sendo rigorosos por que ele era adotivo. Quando estes pais elaboraram esta dúvida e começaram a colocar limites bem claros, o filho passou a sentir-se valorizado pelos pais, pois confirmou que pelos limites seus pais o amavam.

            Na condição de amar indistintamente, nenhuma dúvida deixará de ser elaborada.

            Acima de tudo está o AMOR, por meio dele, tudo será superado.

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