A PACIENTE PSIQUIÁTRICA E A RESSURREIÇÃO

Há dez anos, atendi uma senhora que peranbulava pela cidade e ao entrar na Igreja Católica ( templo), diante do santíssimo, tinha crises emocionais. Mãe de uma grande liderança católica, foi levada até meu consultório para que eu pudesse ajuda-la. Estabelecemos um bom acordo de tratamento, e ao longo do processo a paciente revelou que tinha se convertido ao espiritismo. A origem de sua conversão foi em um Hospital Psiquiátrico, que durante um longo período de internamento, os médicos a tratavam muito bem. Ela atribuia sua melhora à prática da nova religião. Não percebera que o que havia ajudado-na era a medicação e os grupos terapêuticos do Hospital. Parece que ela tinha sido vítima de uma intervenção tendenciosa, e cuja gratificação ao tratamento seria participando do centro espírita.

Ela revelou que mesmo indo ao centro espírita, tinha muita necessidade de participar da Igreja Católica e era devota de Nossa Senhora. Ia ao santíssimo pois nutria profunda relação com o Cristo Eucarístico. Mas não podia deixar o centro espírita, por gratidão ao grupo que a  havia levado para o tratamento, “eles ficam no meu pé, e dizem que se eu não for lá vou ficar pior…” dizia a paciente com muita angústia.

Na minha neutralidade ética profissional, simplesmente refleti com a paciente que a religião é uma prática importante na vida das pessoas, mas quando escolhe-se por duas práticas religiosas opostas uma da outra, a mente cria sentimento ambivalente e aos poucos leva a pessoa à desestruturação emocional. Como ela já era portadora de um quadro de esquizofrenia, a dúbia escolha religiosa estáva colaborando nas crises. Comparei a caminhada religiosa que ela estava fazendo com a pessoa que está descendo a correnteza de um  rio com um pé em cada canoa, chega em um momento que a pessoa não vai conseguir se equilibrar e cairá no rio. No caso dela, pontuei que estava com um pé em uma escolha que prega a reencarnação ( espiritismo ) e outra que prega e ressurreição ( Igreja Católica ) .

Depois de duas semanas, quando a paciente havia se ausentado das sessões subsequentes, chegou até mim em um horário não marcado, e pediu-me uma palavrinha. Disse-me com muita alegria que as minhas palavras da última sessão tinham sido motivo de uma profunda mudança em sua vida.  Escolhera voltar à sua origem. Segurar nas mãos de Nossa Senhora e voltar a comungar a Eucaristia. Falou-me que fôra ao centro espírita agradecer a tudo o que fizeram por ela mas que entendera que sua escolha religiosa deveria ser aquela que aprendera desde criança com seus pais no meio rural. – ” Sinto que o Ressuscitado chamou-me para minha volta à Casa do Pai.”

A paciente permaneceu por mais um tempo nas sessões psicoteráptica, continuou sua medicação, e não teve mais crises emocionais. Na época esta senhora tinha 69 anos, e tive informações que ela veio a falecer anos depois com muita tranquilidade e paz de espírito

Nesta Páscoa, pensei neste episódio clínico, por isto partilho com vocês. 

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