Archive for maio, 2008

JOGANDO XADREZ EM FAMÍLIA

sábado, maio 31st, 2008

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Domingo passado passei uma tarde muito gostosa. Meu cumpadre João Gatto, esteve nos visitando e trouxe seu xadrez profissional para travarmos uns desafios. Lógico que ele como jogador internacional acabou mais dando aulas do que sendo desafiado. Mas o ambiente familiar fica contaminado com um clima de intelectualidade, pois o xarez carrega em si este esteriótipo, de ser uma atividade de intelectuais. Os meninos ao redor só observando.

Durante os jogos, observo alguns valores do jogo de xarez. É muito evidente  o desenvolvimento da bilateralidade. Observei isto com mais critério depois de ter jogado algumas partidas com as peças brancas e quando peguei as pretas, parecia que não conseguia ter a mesma visão de jogo, pois na mudança das cores muda-se também as posições do rei e da rainha.

Outra percepção imediata, foi a de ter que se estabelecer estratégias para checar o rei do adiversário sempre com duas ou três peças concomitantes, não se ganha uma partida com peças isoladas, é um jogo que as peças valem em equipe.

Também, pude observar que quando estamos jogando com quem sabe mais que a gente, tendemos a nos recuar,deixamos  o adversário  no ataque, abrindo caminhos para a vitória dele. Assim, pude concluir que o xadrez é um jogo de postura comportamental, mexe com o emocional, pois nos remete a  medos ou coragem.

O campo de visão da gente fica estimulado, pois passamos o tempo todo pensando em estratégias e ao mesmo tempo não podemos tirar os olhos na proteção do nosso rei.

Depois de perder algumas partidas, consegui empatar duas em seguida, sinal que já estava em processo de evolução.

Meu cumpadre disse-me que a prefeitura da cidade de Colatina-ES, tempos atrás, o contratou para dar cursos de xadres a todos os professores da rede. Os cursos foram separados por áreas de disciplinas. Disse-me que muitos professores estão se utilizando do xadrez em sala de aula para que os alunos tenham mais facilidade para compreenderem as matérias. Também pudera, com tantas possibilidades de estimulação mental que o jogo provoca, é um  maravilhoso recurso para os alunos ficarem ligados. No cérebro deve acontecer muita sinápse neurológica, fazendo os alunos se despertarem para o desejo do conhecimento.

No mesmo dia, fiz um desafio com meu filho Davi de dez anos, ele estava entediado em casa, com uma gripe danada, e queria ficar na T.V. Foi quando pensei em uma estratégia, lógico que estimulado pelas partidas com o João, convidei ele para um desafio de xadrez. Ele de imediato disse que iria perder todas de mim. – “Mas qual é o problema… eu perdi muitas do João hoje”… retuquei. Argumentei também  de que lhe ensinaria alguns segredos que o João havia me ensinado, ai ele topou. Ganhou a primeira, e ficou super feliz, -“Ganhei do papai…ganhei do papai…”. Na segunda partida, ele perdeu. Solicitei o desempate e ele preferiu ficar no empate. Depois ele foi ler e brincar com uns bonequinhos e eu fiquei ao seu lado escrevendo este texto. Melhor de tudo, a T.V. estava desligada, e nossas mentes estavam produzindo sinapse, conhecimento e lazer.

Quando queremos sair de nossa passividade como pais, o ambiente familiar transforma-se em algo mais evoluido, parece que a energia de cada um faz com que a casa transpire movimentação.

Olha aí, xadrez é mais uma opção. O legal é que para meus filhos eu sou um herói no xadrez, eles projetam em mim o ideal de ego, sei disto porque também o Samuel de quinze anos as vezes fala que é difícil ganhar de mim. Lógico que para o João Gatto, eu sou apenas um  principiante.

Os jogos em casa ajuda em um processo de aproximação e faz com que os filhos desenvolva respeito a regras e até coloque os pais no pedestal. Os heróis deles, são produzidos na vivência e não simplesmente são incorporados por personagens que já estão prontos pelos programas televisivos. 

Dentre em breve estaremos lançando no Instituto Pensamento o “CLUBE DE ENXADRISTAS PENSAMENTO”. que pretende ser um espaço gratuito de se jogar xarez com assessoria do João Gatto. Entre em contato conosco pelo telefone 37632370.

* É Psicólogo , diretor do Instituto Pensamento

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Para você ir mais fundo no xadrez, entre no site do Jõao Gatto. É só clicar ao lado deste texto no campo links. Veja  jogando xadrez. ( www.clubedexadrez.com.br/portal/enpassant )

O AMBIENTE FAMILIAR PARA O BEBÊ

sexta-feira, maio 30th, 2008

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Bebês necessitam de ambientes serenos. Espaço de paz. É nesta estrutura que um casal deve preparar a chegado de um filho. Lógico que não vamos fazer disto um padrão de conduta que leve a entender que o melhor ambiente é aquele que tenha todas as estruturas materiais. Quando falamos em ambiente de paz, isto pode se dar em todo tipo de residência, desde casas pouco estruturadas, e quem sabe em situações extremas de moradores de rua, até palacetes de milionários.

Já visitei uma família com oito filhos, que moravam em um viaduto de uma rodovia. Um bebê recém nascido, mamando no peito de sua mãe, e um pai preocupado em sair logo para catar papelão nas ruas. Ali havia paz, e serenidade. Não havia conformidade, nem de nós que estávamos visitando e nem daquela família. Participávamos de um levantamento social para tentar recursos visando à construção de uma casa própria para aquela família. A mãe atenta ao seu bebê, o pai em busca do ganha pão e os filho, lógico que fora da escola, saiam com o pai para ajudá-lo no trabalho. Os filhos eram força de trabalho. Muitas vezes pensamos que filhos é ignorância de pais empobrecidos que não sabem planejá-los, mas muitas vezes os filhos é força de trabalho.

Já em uma residência de classe média alta, o casal recebe seu filho recém chegado, em um ambiente com todos os recursos financeiro, mas a mãe encontra-se em depressão pós – parto devido ao seu perfil de ansiedade que desencadeou medos de ver seu filho sofrer. Uma mãe preocupada que não conseguia ser afeto para seu bebê, era apenas funcional, queria só supri-lo de condições materiais. Nesta casa, encontrava-me devido a depressão pós parto da mãe. Um filho que já dava sinal de estorvo, tanto que o casal nem imaginava querer ter outro filho.

Duas situações distintas, onde aparentemente poderíamos dizer que na casa com melhores recursos financeiros, a construção de um ambiente de paz seria mais fácil de acontecer; na situação dos moradores de rua, a sensação é de que seria quase impossível. Na verdade, o ambiente de paz diz respeito ao estado emocional e a capacidade de acolhida dos pais ao filho recém chegado. È a manifestação de amor pelo filho, a felicidade de ter gerado, de estar podendo suprir as necessidades básicas da criança. Em situações deste tipo, ou com esta postura, haverá um cuidado para que o espaço que cerca o bebê seja de proteção. É engraçado observar mães funcionais, aquelas que cuidam por obrigação, tentando já querer fazer o bebê respeitar regras e algumas até batem no bebê ou falam alto com ele. Pior é quando os pais são obsessivos por limpeza, que quando o bebê vai se desenvolvendo, engatinhando e até andando, eles já apresentam a necessidade de fazer o bebê sair da fralda. Alguns pais ficam bravos quando o bebê, já andando e escorando nos móveis da casa pegam objetos pequenos e às vezes até quebram. Quantos tapinhas dado nas mãos do bebê sem que o mesmo nem saiba o por quê. Numa certa oportunidade questionei uma mãe quando batia na mão de seu filho, pelo fato dele ter derrubado uma cadeira no chão. Ela defendeu-se dizendo que se não fizesse a correção bem sedo, ele não iria aprender nunca. Neste tipo de postura, podemos entender que a paz não está instaurada. Parece que prevalece a idéia da violência, da punição, como alguns ditadores que garantem que só é possível a paz com a guerra.

No primeiro ano de vida de uma pessoa, o que deve prevalecer é a mão uterina, aquela que acolhe e acaricia, como uma continuidade do útero materno. Uma casa que seja a continuidade do útero. Não é a toa que uma casa com bebê cujo ambiente revela ser muito uterino, de paz, temos boa sensação de estarmos nela. Aliás, quer receber estímulos de paz, visite uma mãe com bebê em sua casa.

BRINQUEDOS ESTRUTURANTES E AUTOCONHECIMENTO CORPORAL DO BEBÊ

quarta-feira, maio 28th, 2008

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Quando o bebê chega na fase do conhecimento do terceiro na relação, ele também começa a descobrir um maior número de jogos e brinquedos. Sua relação com o mundo se dá pelo brincar, e o conhecimento deste mundo só passa pela via do brincar. Assim podemos dizer que o bebê só brinca mesmo. Veja que bebês nos três primeiros meses de vida se ocupam deles mesmos, o mundo é ele e ele é o mundo. Assim, seus pés, mãos, braços, enfim seu corpo todo é seu grande brinquedo. Não é a toa que eles sempre estão com as mãos na boca e até os pés. Seu órgão de sensor é a boca. Já, após os seis meses, outros objetos fazem parte deste arsenal de brinquedos, são os chocalhos que mobiliza o bebê, pois representa que ali dentro há algo, remetendo ao mistério de algo que está dentro e pode sair como o útero materno. Nesta perspectiva, a maioria dos brinquedos que começam a fazer parte dos bebês são os que têm uma perspectiva oca e que remetem à percepção dos ecos do útero materno, pois afinal de contas o bebê está iniciando o processo de separação exatamente deste útero materno. Podemos observar que bolas com objetos soltos dentro, tambores e brincadeiras que faz esconder e aparecer, são os prediletos deles.

Olha que alguns continuam sendo prediletos brinquedos até de adultos. O que podemos falar da bola? Quantos são os esportes que necessita de uma bola? Quanta gente correndo desesperadamente atrás de uma bola. Como ficamos encantados com instrumentos de percussão, os atabaques e tambores. Quando vemos uma banda passar, ficamos meio que saudosistas de nossa própria infância.

Assim, bebê brinca muito, e com muita sabedoria, os adultos que estão ao redor podem provocar esta interação agradável de brincar com os objetos que o bebê têm como prediletos . Nós adultos temos muito com o que brincar com bebês. Não é só o colo que estimula o bebê a uma vida saudável.

O BEBÊ DESCOBRE O TERCEIRO

quarta-feira, maio 28th, 2008

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Aproximadamente 120 dias é preciso para que o bebê amadureça seus órgãos físicos vitais para o seu desenvolvimento, o cérebro precisa de seis meses. Neste período dos primeiros seis meses, as principais estruturas a ser colocada para estimulação do bom desenvolvimento fisiológico do bebê é a alimentação e muito afeto.

Por isto que seus primeiros brinquedos são de apego. Após estes meses estruturantes, teremos uma incrível descoberta, o terceiro na relação. O principal terceiro desta relação é o Pai, que pela proximidade desde a vida intra-uterina, torna-se fácil de ser identificado. O bebê começa a desejar a presença real do pai. Lembro de uma bela cena quando meu filho Samuel, já com sete meses, recebendo o mama de minha esposa no seu quarto, ouve o barulho do carro anunciando minha chegada. Ele para de mamar e olha para a Celina soltando sons com a boca. A Celina ficou encantada com esta cena, pois narrava-me que era como se ele estivesse dizendo que o papai tinha chegado. O carro era um fusquinha 69 barulhento, numa tarde de 1993.

A possibilidade do terceiro na relação já permite que o bebê pule para os braços de parentes e amigos. Que bom para a mãe, que vai ficando mais aliviada, por não ter que segurar a criança o tempo todo. Esta é uma faze que o bebê fica rodeado de pessoas, todos querem pegar.

Novas angústias emergem para as mães que apresentam dificuldade para se desprenderem do filho. A ameaça do terceiro, que muitas vezes é refletida em ataques ao companheiro: “É sempre assim, o pai que nunca está tão perto, agora é o motivo de sorriso largo do bebê”. Situações que leva as mães mais apegadas a manterem seus esposos distanciados, o apoderamento materno que é sinal da dificuldade de distribuir os poderes, tanto dos serviços como dos benefícios. E o sorriso de um bebê é um estímulo motivacional para os pais, como se no sorriso o bebê estivesse retribuindo tudo o que está recebendo.

Lógico que um bebê cuidado com muito protecionismo e obsessiva profilaxia, dificilmente terá abertura para aceitar o colo de terceiros. Bebês que sofrem muito para se desapegarem da mãe, já estão revelando um sintoma de disfunção emocional, que pode ser corrigido com eficácia e em curto espaço de tempo. Mas as mães nem precisariam ficar com tanto medo de perda nesta idade, pois no final, é no colo delas que o bebê vai ter o conforto de estar em porto seguro. Nasce também nesta situação, o ciúme dos pais, que mesmo com todas as travessuras que podem realizar com o bebê, ainda será no colo da mãe que vai conseguir de fato sentir-se protegido.

SÓ A ESPERANÇA SUAVIZA A CAMINHADA

terça-feira, maio 27th, 2008

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Nestes dias tenho pensado para onde caminha a humanidade. O processo civilizatório que parecia ser algo que traria felicidade ao ser humano, parece ter resultado no processo do ser humano destruindo o próprio ser humano. No livro de Freud :”O mal estar na civilização”, aponta para um dos mecanismos de fuga da realidade como meio de sobrevivência às atrocidades geradas pelo processo civilizatório, a busca de  mecanismos alucinatórios através de drogas entorpecentes. Não é a toa que cresce a cada dia o número de jovens dependentes químicos.

Quando vemos, terremoto na China, e a morte de milhares e desabrigando  milhões. Quando vemos tornado nos Estados Unidos e centenas de residências destruidas. Quando assistimos pais destruindo filhos, e famílias se desintegrando. Quando observamos sem nos manifestar o crescente número de Políticos envolvidos em escandalos de corrupção. Quando vemos as florestas desaparecendo, e o aquecimento global já nos atormentando. Ricos cada vez mais ricos, e pobres cada vez mais pobres, fazendo emergir a violência urbana em todos os continentes. Nosso desejo imediato e mais do que humano é de desistir , trancarmo-nos e nos voltarmos para o próprio umbigo.

Só com o sentimento de esperança, poderemos ter a cada dia um pensamento sereno, inquieto mas que segue em paz. Inquieto sempre, para que a esperança da construção da Civilização do Amor possa um dia reinar nos corações de cada ser humano vivente. Prevalece para a manifestação da esperança, a Fé em Deus. Mas aciima de tudo, para a preservação da esperança em cada um  de nós, o Amor. Como diz São Paulo: “… a maior delas o Amor.” (ICor13,13)

OS PRIMEIROS BRINQUEDOS DO BEBÊ

segunda-feira, maio 26th, 2008

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Depois dos seios o bebê com seu crescimento vai se estabelecendo no brincar com outros objetos. Transfere seu brincar para a chupeta e a fraudinha de pano, muitas vezes um bichinho de pelúcia. Na verdade, as mães parecem estar dotadas de uma sabedoria educacional de vínculo que é incrível. Elas colocam a chupeta na boca do bebê, para provocar um aprendizado de espera maior para a amamentação, pois sabem que se não educarem o bebê ele fica mal acostumado. Assim, a chupeta passa a ser um substituto temporário dos seios, e o bebê consegue se vincular a este novo objeto com tranqüilidade, uma forma lúdica de entender esta espera pelo peito. Nas noites em que o bebê começa ter um sono mais espaçado, as mães tendem a colocar a fraldinha ou bichos de pelúcia, que vai dando a sensação no bebê de acolhida, como se alguém estivesse ao lado dele, já inicia quase que uma brincadeira do objeto imaginário. Algumas mães mais criativas colocam objetos que se movem no teto bem acima do rosto do bebê, aos poucos ele consegue ir se identificando com estes objetos e passa a utilizá-los como um bom passa tempo. Nestes objetos que são introduzidos no mundo do bebê, temos a configuração de sua primeira brinquedoteca (chupetas, fraudinhas, bichos de pelúcia, dobraduras no teto, etc.). Mas ainda o mais valioso de todos é sempre as mãos, os braços, a fala e sorriso de quem está por perto. Mas sabemos que esta presença de alguém por perto não dá para ser vinte quatro horas. Toda mãe tem outros afazeres. Deixar o bebê sozinho envolto no seu brincar com seus objetos mais diretos, é uma boa maneira de ajudá-lo, a saber ficar só. Desde cedo, a criança aprende a ter sua particularidade e individualidade. Por isto que os brinquedos, cuja sabedoria das mães aprendidas por histórias contadas e até pela própria história revitalizada no processo regressivo com seu bebê (ela também retorna a sua vida de bebê), vão potencializar a criança criativa. Nos primeiros brinquedos vemos com clareza os objetos transicionais que proporcionam a possibilidade da criança ir se desapegando da mãe.

Estes primeiros brinquedos ficam comprometidos quando a mãe se coloca de forma muito profilática, atuando com a criança de forma higiênica ou técnica. Não coloca a chupeta por que vai entortar a dentição da criança, não coloca bichos de pelúcia por causa dos ácaros, dobraduras no teto poderão deixar o bebê vesgo, e uma série de restrições quase que compulsiva que dificultará a criança a estabelecer o processo de separação, consequentemente estará se instaurando um vínculo de simbiose em que nem a criança e nem a mãe crescem.

84% SÃO CONTRA VENDA DE BEBIDA ALCOÓLICA EM FESTAS PAROQUIAIS

sábado, maio 24th, 2008

Após uma semana de pesquisa com a questão se os leitores deste blog eram contra ou a favor de venda de bebida alcoólica em festas paroquiais, tivemos comentários de 38 pessoas com o seguinte resultado:

84% É contra;

13% Em termos;

3% É a favor.

ENTRE NOS COMENTÁRIOS POSTADOS DOS 38 PARTICIPANTES E VOCÊ TERÁ VÁRIAS OPINIÕES SOBRE O TEMA. ESTE ENQUETE TROUXE UM LEQUE DE OPINIÕES QUE PODERÁ SER DE MUITA VALIA PARA MUITAS PARÓQUIAS QUE AINDA NÃO POSSUEM UMA POSIÇÃO CLARA SOBRE O TEMA.

CONTINUE OPINANDO, ESCREVA A SUA POSIÇÃO NO CAMPO ABAIXO COMENTÁRIOS, OU NOS MANDE UMA MENSAGEM PARA: psipensar@psipensar.com.br 

Obrigado pela sua participação,

Gerson Abarca – Psicólogo

VOTO - UM VALOR CONQUISTADO

quarta-feira, maio 21st, 2008

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Gerson Abarca* 

Neste ano estamos prestes a voltarmos às urnas eleitorais para votar em nossos representantes do Legislativo municipal ( Vereadores) e Prefeito.

A movimentação em torno dos nomes já começa a se desenhar. O que sempre fica em evidência é a disputa do cargo de Prefeito. E na quase totalidade dos municípios do Brasil as figurinhas se repetem, ou é o nome de quem já está, ou de quem já foi ou mesmo de quem sempre tentou ser. Infelizmente o cenário dos políticos no palco da política não está se renovando. Hoje só entra que está carimbado com muito dinheiro. O tempo da ascenção do político nascido das bases do movimento social está adormecido.Estamos dormindo em berço esplêndido e quem se mobiliza em torno de um nome é a troco de muito risco, pois se o nome que apoiou perder, pode levar a pessoa ao  isolamento por pelo menos quatro anos ou até oito. Nos municípios a perseguição pós eleitoral é terrível. Daí, quem estiver na frente nas pesquisas tende a puxar muitos adeptos oportunistas  não por escolha ética ou ideológica. Por isto mesmo que o sistema eleitoral no Brasil precisa rever o mecanismo de divulgação das pesquisas, pois ela induz posicionamentos.

O movimento político nos municípios entra em todos os setores da sociedade, inclusive nas Igrejas de diferentes denominações e também nas comunidades Católicas e Evangélicas. É um tal de aproveitar o momento político eleitoral para tentar ganhar benefícios de candidatos, principalmente no item materiais de construção, quando uma comunidade está em reforma ou pensando construir algo. Mesmo com orientações dos Padres ou Pastores para evitar este processo, muitas lideranças acabam entrando no embalo:”…Se não pegarmos , alguém vai pegar…”.

É sempre bom lembrar que o direito do voto é uma conquista. Nasci no ano do golpe militar(1964). Costumo brincar que sou filho da ditadura. Mas tive a providência de ter me engajado em uma Pastoral de Juventude muito atuante, após a abertura política, que começou com a volta dos  políticos anistiados no final do Governo Militar do Presidente Figueredo, lógico que não foi ele quem deu esta abertura, a sociedade se organizou e pressionou. Nada é de graça e sem luta, assim também foi o processo da conquista do voto direto no Brasil, que teve sua força maior no Movimento das “Diretas Já”.

Após  eu ter abandonado uma bem sucedida carreira de Técnico Agrícola, na época trabalhava na Holambra de Jaguariuna-sp, fui trilhar minha carreira de Psicólogo. Escolhi um forte cursinho na cidade de Ribeirão Preto-sp, pois só tinha dinheiro para uma única cartada, entrar ou não entrar em uma Universidade Pública. Neste período  pude acompanhar todo o processo de transição, desde Tancredo Neves até José Sarney. Nas horas vagas do cursinho, iamos na praça do centro de Ribeirão Preto para participarmos do movimento pelas diretas. Já na Universidade, UNESP- Assis-sp, vivenciei o sistema inflacionário do Governo Sarney, até chegar a primeira Eleição Presidencial pós regime militar.

Recentemente , meu filho Samuel de 15 anos veio entusiasmado contando as histórias deste período da transição política pós ditadura no Brasil, contadas pelo visto por um bom professor de história, e fiquei orgulhoso de ter participado diretamente deste processo. Sentir de como o nosso atual voto foi uma conquista suada, vale ouro. Em dia de eleição eu fico eufórico de ver os eleitores irem votar, muito triste também de ver muita gente comprando voto.

Por ter presenciado o processo de reconquista do voto direto atribuo ao ato de votar  um valor de cidadania, pois é fruto de sangue (desde os torturados e mortos pelo Regime Militar), suor ( dos que tomaram a frente das organizações populares ), lágrimas ( das derrotas, perdas nas lutas e também as  alegrias das conquistas)

Não disperdice seu valioso voto, construa dentro de você um mecanismo de escolha do seu candidato para posteriormente depositá-lo  em políticos que possuam história e compromisso de transformação social.  Se um candidato possue suspeita de corrupção ou enriquecimento suspeito ou ilícito, é melhor desistir de votar nele. Cuidade com os que se intitulam cristãos, principalmente os que divulgam as esmolas que distribuem, estes são lobos revestidos de ovelhas . Ajude na sua Igreja , movimento social ou entidade a fazer valer o voto com compromisso, desprovido de qualquer forma de corrupção. Mesmo que você desconheça a história de reconquista do direito de votar no Brasil, acredite que o voto é valioso, dele depende sua liberdade e vivência em um sistema democrático.

* É Psicólogo, assessorou o Deputado Constituinte Plínio Arruda Sampaio-SP em 1987-1988. Diretor do Instituto Pensamento.

O Bebê e a Brincadeira de Esconde Esconde

quarta-feira, maio 21st, 2008

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Gerson Abarca*

Quem nunca brincou com um bebê no colo de sua mãe de esconder o rosto para ele? Geralmente quando estamos perto de mulheres com filhos no colo, começamos a observar o bebê e interagir com ele. Quando estamos cansados, ao vermos um bebê sorridente, parece que é como se recebêssemos um balsamo de rosas em nossa alma. Aquela ingenuidade angelical do bebê, um ser desprovido de malícias e totalmente afetivo, com seu sorriso convidativo nos chama para brincar. Na sua brincadeira, a forma do bebê conversar conosco. Um ato que nos remete ao estado regressivo, viajamos na nossa própria ingenuidade de criança. Por isto mesmo a sensação de estarmos aliviados.

Na verdade, a brincadeira de esconde esconde, em que o bebê esconde-se do rosto do adulto e logo em seguida reaparece, ou quando nós adultos tiramos nosso rosto do campo visual da criança e em seguida fazemos aparecer rapidamente com algum barulho revelando surpresa, “achou!”, trás a certeza de que o bebê está entrando na descoberta do terceiro. Revela que ele está conseguindo deixar sua mãe para descobrir outras pessoas. Agora ele já não é mais um com a mãe, apresenta sinais de separação. Já a partir dos três meses o bebê começa a ensaiar esta separação, mas é com determinação aos seis meses que esta procura vai se solidificando.

Neste desprendimento do bebê, algumas mães começam apresentar sintomas de apego simbiótico (da relação de dependência mútua, como a plantinha que se fixa no tronco de uma árvore e necessita dela). Não é a toa que quando vamos brincar com bebês no colo de suas mães, corremos o risco de sermos mal interpretados, como se a mãe estivesse imaginando que fosse perder seu filho, pior ainda é quando o bebê estende os braços para nós, num gesto de querer intensificar a brincadeira. Já me dei muito mal com isto, a ponto de ser estupidamente agredido por algumas mães. Mas sabedor deste movimento de apego e separação mãe/bebê, pedia desculpas, mas sempre expressando a brincadeira: “É que eu tenho cheiro de bebê”.

Freud conseguiu observar em uma criança, filho de um paciente seu (caso pequeno Hans), que quando ele brincava com um carretel, onde soltava a linha e o carretel corria para debaixo do sofá, e depois ao puxar a linha o carretel aparecia novamente, despertando na criança uma agradável sensação, estava ali uma representação do movimento de separação da figura materna. Mãe – carretel, linha – cordão umbilical. Quando o carretel desaparecia por debaixo do sofá a sensação de perda, ao reaparecer, a sensação do reencontro com a mãe. Foi a partir dai que Melanie Klein elabora sua teoria psicanalítica com crianças. É neste movimento de esconde esconde, tão praticado pelas crianças desde o estágio de bebê até a infância, já em sua fase final, aos 12 anos, que temos a representação de que o processo de separação e crescimento é contínuo e vivenciado intensamente entre mãe e filho.

*É Psicólogo – Diretor do Instituto Pensamento.

ENQUETE SOBRE VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM FESTAS PAROQUIAIS TERMINA DIA 21/05

terça-feira, maio 20th, 2008

Estaremos fechando a enquete que lançamos na semana passada, nesta mesma categoria no dia 14 de maio, sobre a venda de cervejas em festas paroquiais. A participação me surpreendeu e colocaremos o resultado até dia 22, quinta feira.

Dê uma lida nos comentários que foram postados pelos leitores, há muitas idéias boas e com certeza ajudará muita gente a refletir sobre o tema, principalmente as lideranças paroquiais.

Ainda está em tempo de fazer o seu comentário: no campo abaixo , comentários ou pelo e-mail: psipensar@psipensar.com.br .

VOCÊ É A FAVOR OU CONTRA A VENDA DE BEBIDAS ALCOÓLICAS EM FESTAS PAROQUIAIS? 

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