Archive for agosto, 2008

De Sábio e o Sabido

quinta-feira, agosto 28th, 2008

O sabedor – sabido – sabe pela capacidade de mensurar, conhecer, testar. Para estes sabidos damos o nome de cientistas, que tudo sabem desde que seja medido, provado. Para o sabido que tudo sabe, nenhum valor tem o conhecimento do sábio, vão dizer que o que o sábio sabe não é possível de se quantificar.

O sábio, por sua vez, se coloca cada vez mais sábio quando deixa de querer saber. Para ele, conhecer é degustar, sentir. Sábio vem do latim sapio que significa “eu degusto”. Para se ser sábio, é necessário ter em si o sentido aguçado.

Já o sabido, ou o cientificamente correto, a quantidade de conhecimento é o que importa. Sua existência está no quanto sabe. É pelo poder de mais saber que caracterizará o potencial de um sabido. Já o sábio, quanto menos carregado de saberes, melhor. Ele é sábio pelo encontro do conhecimento com o outro. O sabido, por sua vez, pouco escutará o outro, só se a escuta lhe trouxer mais conhecimento e consequentemente mais saber.

Os congressos científicos estão lotados. Pessoas procurando conhecimento. Só trilham congressos que for composto por conferencistas Phds, com muito conhecimento. Descartam congressos de conferencistas que não tenham publicado nenhum tratado científico. Os sábios estão fugindo dos congressos, mas já começam a ser bem pagos para proferirem conferências neles sem conteúdos eminentemente científicos, mas sabedoria pura. E por incrível que pareça são as que mais lotam, mesmo o motivo de busca do sabido ser por congressos de famosos cientistas.

A ciência produz muita teoria que são engavetadas. Veja quantas teses de mestrado ou doutorado nas Universidades, que nunca foram utilizadas. Coisa chata em congresso científico são as sessões de apresentação de trabalho, ninguém ouve ninguém, muitos só querem certificado para provarem nos seus departamentos de pesquisa que estão produzindo algo, são vistos academicamente pelo quantitativo de trabalhos publicados. Já peguei painéis que o sujeito só muda o título do trabalho, mas o conteúdo é o mesmo. Depois disto, comecei a duvidar dos congressos científicos.

Mas um sábio pode ser um sabido? Acredito que esta é uma junção quase impossível. Pode ser que um sábio seja um cientista, aquele que busca o conhecimento sem se ostentar dele, mas transforma o conhecimento em realidade, faz a práxis. Já conheci alguns destes sábios cientistas, como é o caso de meu supervisor clínico Maurício Knobel, Professor emérito da UNICAMP que ao falar da ciência você consegue entender e colocar
em prática. Como é o caso também do filósofo Rubem Alves, também professor emérito da UNICAMP, que consegue trazer muito conhecimento com cenas do cotidiano, sem, no entanto temer falar de Deus. Lembro-me de Raquel Soifer, psicanalista argentina, que em um congresso científico de psiquiatria
em São Paulo, pouco antes de sua morte, pediu para a platéia de mais de 2000 cientistas do comportamento emocional a não anotarem nada, pois tudo que iria falar não poderia provar, e nos motivou através de suas experiências de vivências relacionais com seus pacientes. Ela chegou na velhice dizendo: “…na velhice, e depois da fama, a vida profissional fica melhor, pois paramos de querer estudar tudo e medir tudo, passamos a desconfiar da ciência e passamos a confiar no resultado de nossas relações.”

Lembrando destes sábios cientistas, constantemente observo meu caminhar profissional para detectar se estou sabido ou se sigo sábio.

Neste sentido, a sabedoria das parábolas de Jesus, tem me ajudado e muito. Mas vão dizer: “também, você quer comparar com as parábolas de Jesus?” Outros vão questionar: “ sabedoria religiosa não conta”. Que eu saiba, sabedoria é sabedoria, e geralmente quem a pratica, aprendeu com algum mestre sábio também. Geralmente a sabedoria dos nossos pais. E olha que na minha geração, muitos dos nossos pais são analfabetos. È que sabedoria não tem relação direta com formação acadêmica, mas sim com vivência prática e degustada, sentida.

PSICOLOGIA COMEMORA SEU DIA

quarta-feira, agosto 27th, 2008

Hoje é dia do Psicólogo. No Brasil os Psicólogos têm muito o que comemorar. São 46 anos de conquistas e solidificação de uma profissão e categoria que a cada dia conquista seus espaços em diferentes áreas de trabalho.

Podemos afirmar hoje, que a sociedade brasileira com os psicólogos, é uma sociedade melhor. Exatamente porque a profissão carrega em si a vocação pela promoção do bem estar emocional. Provocando, diagnosticando e filosofando; sempre em busca da construção de caminhos coletivos, onde os mentores das melhoras são as pessoas que se usufruem da intervenção do Psicólogo. Uma profissão que remete às pessoas o que de direito pertence a elas, a própria capacidade de pensar e agir.

NÓS ESTAMOS ONDE VOCÊ ESTÁ ….

PROMOVENDO QUALIDADE DE VIDA,

NAS DIFERENTES REALIDADES.

Parabéns a todos os Psicólogos do Brasil.

Parabéns ao Conselho Federal de Psicologia (CFP), que têm se pautado na construção da identidade sócio/política dos Psicólogos.

27 DE AGOSTO DIA DO PSICÓLOGO

quarta-feira, agosto 27th, 2008

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O Instituto Pensamento comemora o dia do Psicólogo  com muita alegria e deixa este pensamento como presente a todos os psicólogos.

“O que diria Freud se te conhecesse?

Que o ser humano tem solução!

Porque você faz a diferença e traz luz onde há dúvidas e escuridão.”

DIA 27 DE AGOSTO DIA DO PSICÓLOGO

PARABÉNS PELO SEU DIA!

Equipe Instituto Pensamento

HOJE É DIA DOS PSICÓLOGOS

quarta-feira, agosto 27th, 2008

Parabéns a todos e todas psicólogos do Brasil, são 46 anos de construção de uma profissão pautada na busca de um olhar diferenciado, o olhar para a alma ( a psique) nas diferentes realidades.

Eta profissão que eu gosto e dá prazer em servir por intermédio dela.

Gerson Abarca – Psicólogo

Dia do Psicólogo - 46 Anos no Brasil

terça-feira, agosto 26th, 2008

No dia 27 de agosto comemora-se o dia do Psicólogo. Profissão regulamentada pela lei n° 4.119 de 27 de agosto de 1962. São 46 anos de construção de um referencial teórico/profissional que se fortalece a cada ano. Se no começo a Psicologia tinha o legado da cura emocional, onde o profissional era visto como aquele que tratava de “loucos”, hoje temos outras perspectivas e percepções bem mais avançadas e menos preconceituosas. Tudo bem que em regiões menos desenvolvidas educacionalmente, tende a visão arcaica de que psicólogo é para “loucos”, ou que o psicólogo tem a fórmula mágica para resolver problemas. Mas como há um visível aumento do nível educacional brasileiro, a população e as instituições já começam a procurar o Psicólogo como um profissional que pode contribuir na análise de processos, ou na busca de soluções de forma compartilhada, onde a resposta estará sendo entendida dentro de uma dinâmica reflexiva em que os usuários da psicologia com os psicólogos encontrarão respostas em conjunto.

O leque de atuação do Psicólogo cresceu tanto, que o Conselho Federal de Psicologia já disponibiliza a titulação em diferentes especialidades, como: Psicologia Escolar/ Educacional; Psicologia Organizacional e do Trabalho; Psicologia de Trânsito; Psicologia Jurídica; Psicologia do Esporte; Psicologia Clínica; Psicologia Hospitalar; Psicopedagogia; Psicomotricidade; Psicologia Social; Neuropsicologia. Hoje, para um Psicólogo conquistar uma especialização, ele terá dois caminhos: ou realiza prova de especialidade pelo CFP, após dois anos de prática na área que deseja ser especialista, ou cursa especialização em centros de formação regulamentados pelo CFP, com carga horária e residência ou estágio na mesma.

Como vemos, a profissão Psicólogo requer uma graduação de nível superior. Mas não basta ter graduação, é necessário ser registrado nos Conselhos Regionais de Psicologia. No Brasil já são 17 Conselhos, sendo o Espírito Santo o CRP 16. Hoje, só pode atuar como Psicólogo, e utilizar técnicas que fazem parte da psicologia como intervenção profissional, aqueles devidamente regulamentados e em dia com a profissão.

É POSSÍVEL ATUAR COMO PSICANALISTA OU PSICOPEDAGOGO SEM SER PSICÓLOGO? Esta é uma enorme dúvida que paira a cabeça da população brasileira, tendo em vista o grande número de pessoas que se intitulam psicanalistas ou psicopedagogos e estão atendendo em consultórios ou em empresas e escolas. Conheço um “psicanalista” que só tem o segundo grau. Em Linhares, há um espaço de saúde particular com diferentes profissionais de saúde, onde podemos identificar cinco “psicanalistas”, não psicólogos. Eles argumentam que possuem registro no Ministério do Trabalho e até possuem conselho, mas na verdade, quem regulamenta profissão de atendimento na área de saúde no Brasil, é o Congresso Nacional através de lei federal e posteriormente a regulamentação através da criação autárquica de conselho. Recentemente os Professores de Educação Física tiveram seu reconhecimento como profissão, e hoje já existe grande fiscalização sobre profissionais que não são formados e estão trabalhando
em academias. O mesmo acontece com o Conselho Federal de Administração, a OAB, o Conselho Federal de Medicina e de muitas outras profissões. Só não vamos encontrar ainda a lei federal que regulamenta o psicanalista ou o psicopedagogo, que hoje são apenas técnicas de trabalho. Por isto, quando vemos pessoas se intitulando psicanalistas ou psicopedagogos, estão utilizando-se incorretamente da imagem por desconhecimento ou má fé. Não podemos esquecer que estes são dilemas que geralmente acontecem em países subdesenvolvidos, como é o nosso caso. Ainda a atuação ilegal é um dos maiores desafios da psicologia no Brasil, o saber quem é quem.

Podemos entender a disputa pela fatia da Psicologia no mercado simplesmente porque os dados internacionais apontam que de dez motivos principais que levam as pessoas à perda da potência para o trabalho, as cinco primeiras são de caráter emocional. Por isto que tem muita gente querendo ser guru ou orientador sem mesmo poder. Como nosso sistema de fiscalização e nosso sistema judiciário estão lentos até para questões mais emergentes, a ilegalidade no Brasil caminha a passos largos. Cidades com sistema de vigilância sanitária mais estruturada, têm obtido maior controle sobre as atuações ilegais.

Felizmente a população tem tomado consciência  de que é muito arriscado entregar questões emocionais pessoais a pessoas sem legalidade de ação, e já começamos ver famílias bem simples, sem muito grau de instrução, já exigindo que o profissional seja Psicólogo formado e registrado. Segundo o Psiquiatra Dr. Luiz Henrique Casagrande, nosso parceiro de trabalho há mais de oito anos, entusiasmado narrou-me que tem aumentado o número de pacientes do meio rural que já não querem ver seus tratamentos emocionais medicados por clínicos gerais, começam a exigir o Psiquiatra. E também os Psiquiatras melhores preparados, só atuam com referência de parceria com os Psicólogos, pois entendem que remédio não pensa, e a ação deve ser interdisciplinar.

O crescimento da Psicologia no Brasil, com melhoria de pesquisas,  procedimentos e qualificação do nível dos psicólogos atuando legalmente, só trará benefícios à população nas diferentes áreas da sociedade organizada. Pois assim como o alimento é imprescindível para a manutenção do corpo, o bem estar emocional é imprescindível para a manutenção da psique (alma). E nós Psicólogos somos os profissionais aptos em olhar a alma em suas mais diferentes situações e realidades. O Psicólogo sempre estará onde as pessoas estão, construindo bem estar emocional.

AMAR - O MAIOR ANTÍDOTO CONTRA TRANSTORNOS EMOCIONAIS

segunda-feira, agosto 25th, 2008

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que  dos dez motivos que leva uma pessoa a ter baixa de produção no trabalho, as cinco primeiras são por transtornos emocionais. Tratamentos emocionais estão em alta, tanto, que provoca até pessoas sem formação a abrirem clínicas de terapêuticas alternativas ou pseudos psicólogos camuflados de psicanalistas, querendo abocanhar uma fatia no mercado de tratamento dos transtornos emocionais.

Geralmente, quando vemos pacientes em sofrimento emocional, nos deparamos com situações em que perdem o controle sobre a própria vontade. Mesmo pessoas com muita fé, com muita participação social e totalmente autruistas. Não basta dizer que simplesmente a fé garante que uma pessoa não adiquira um transtorno emocional. Conheço pessoas que dedicaram toda a vida à serviço e mesmo assim cairam nas grades de uma depressão ou uma sindrome de pânico. Nos relatos históricos de São Francisco de Assis, há historiadores que apontam que ele tinha um quadro de depressão, e nos momentos de reclusão mais intensos, poderia estar em sofrimento emocional. A diferença é que Francisco de Assis se superou pela oração, mas nada confirma que não tenha morrido carregando consigo a depressão.

Mas qual seria um caminho de prevenção para se evitar adiquirir um transtorno emocional?

Esta é uma pergunta que não faz calar, se soubessemos já teriamos livrado muita gente que nem imaginavam que um dia poderiam adquirir um transtorno emocional.

Dentro das centenas de casos que pude tratar ao longo de meu exercício profissional, tenho observado que pessoas com maturidade afetiva, que ao adentrarem na fase adulta conseguem se colocar na vida a serviço, onde aprenderam a conjugar o verbo amar na perspectiva de que só amando pode ser amado, e que o amor é a capacidade de se colocar ao outro na condição de dar a vida por quem se diz amar. Estas sim tendem a ter um antídoto contra os transtornos emocionais. Mas para que esta vivência decorra em comportamento estabilizante e mente saudável, é necessário ter-se uma percepção clara de si , de sua própria história.

No caso de São Francisco, particularmente consigo compreender que os historiadores que o colocam como alguém que era portador de depressão, assim o fazem com base na sua história familiar, uma família voltada para os bens de produção, onde seu pai, um industriário, parecia mais preocupado com resultados econômicos, quem sabe um ambiente propício ao desafeto, a ausência de convivência. Uma depressão gestada na trajetória de vida, que mesmo com sua conversão a uma Igreja que se faz pobre, levando-no ao serviço supremo e ao extremo da integra à Deus, conseguiu se projetar mesmo na sua condição depressiva. E olha que se esta hipótese para São Francisco for a mais próxima da realidade, ai sim fortalece ainda mais a sua santidade, pela capacidade de ter se superado, ou de ir se superando.

Mas nem todos somos Francisco, no máximo desejamos copiá-lo. Por isto que a prevenção pelos transtornos emocionais, passa pelo resgate da própria história, pela interpretação dos movimentos inconscientes pessoais e das forças que regem nosso contexto social; mas também pela maturidade do ato de amar.

No gesto de dar sem querer em troca,  reside a capacidade defensiva para os transtornos emocionais. Se ao conhecer a história familiar, detectar-se que há indícios para depressão ou ansiedade, onde na genealogia encontra-se muitas pessoas com histórico de transtornos, poderemos mesmo amando, servindo e com muita fé, estarmos sujeitos a uma doença emocional por fatores genéticos. Sabedores desta história, não vamos ficar esperando a hereditariedade chegar, aí sim é necessário se fortalecer nas escolhas pessoais e na construção de ambientes que possam coibir a instauração de uma doença emocional. Isto é parecido com o sujeito cujos parentes são todos alcoólatras, que se não cuidar poderá tornar-se um alcoólatra tanto quanto.

Experimente o amor, amando… este é um bom indicativo.

MANHAS DE CRIANÇA - QUANDO OS PAIS FICAM NA MÃO DELES

sexta-feira, agosto 22nd, 2008

Manha de criança é comportamento bem conhecido dos pais. Elas conseguem ganhar em seus desejos com muita insistência. Se não fizer manha não é criança.

Mas algumas cenas são tão bem orquestradas pelas crianças que poderíamos pensar que elas criam as manhas sabendo do que estão fazendo. Mas na verdade as crianças não são tão maquiavélicas assim ( onde os meios justificam os fins). Elas atuam querendo tudo para si, pois tendem a pensar em seu próprio mundo. Tudo bem que dependerá da idade, sendo até os sete anos um mecanísmo muito eficaz de conquistas. Chegando ao final da infância, já aos dose anos, elas tendem a não se utilizarem tanto das manhas, mas como pré- adolescentes tentam ganhar pela força da argumentação, que não deixa de ser uma manha também.

Onde a manha ganha força? Exatamente onde há onbiente educacional de muitas faciliades, ou em situações onde os pais sentem-se culpados por não estarem tão presentes na educação dos filhos, daí atuarem pela compensação.

As crianças tendem a perceber a fragiliadade dos pais e conseguém atuar na manha quando observam que os pais estão fragilizados, em sofrimento ou mesmo se derretendo de pena por culpa de uma correção que fez a criança sofrer. Também em momentos de conflitos dos pais, onde a manha ganha no ambiente desestruturado.

A arte-manha, carrega em si a estratégia de ser aplicada sempre em situações onde os pais estejam expostos às crises como descrevi acima e também em momentos onde os pais estão com os filhos em público. Tipo cena de supermercado em que a criança faz a maior manha querendo um chocolate e os pais firmam que não vão comprar, mas a criança diante do público, começa a ranhetar até em voz alta, levando os pais a cederem por vergonha de que aquela situação fique extrema. Estava recentemente em um shoping, onde ouvia-se gritos escandalosos de um menino, que se espalhava pelos corredores, o pai com muita firmeza tentava não entrar no jogo do menino mas a mãe ficava abraçando o menino como se ele realmente estivesse morrendo. Perdendo o controle, o pai começou a bater no menino com muita força e o choro crescia em volume de voz, o casal começa a brigar no meio de todos alí presente e o garoto fica no chão sentado e chorando muito. A cena ficou tão alarmente que uma das tias ao redor, pegou o menino e levou-no para a loja de brinquedos onde estava o carrinho que pedira ao pai. Ele venceu, o casal desencadeou a crise, e sabe lá o que deve  ter acontecido depois.

O melhor caminho para se conter manha de criança é educar sem culpas, sem ficar imaginado que está em falta com o  filho. Cortar as manhas logo de início e disciplinar as crianças para saberem o que ganham, onde e quando. Manha é parecido com pipoca, é só começar a comer que não dá vontade de parar. Se a criança ganha as primeiras manhas, tenderá a ganhar sempre. O prejuízo futuro será para ela mesma, que sempre estará conquistando sua coisas através das chantagens.

ACORDA BRASIL - SOBRE OLIMPÍADAS

quinta-feira, agosto 21st, 2008

O fracasso do Brasil nas olimpíadas, faz emergir o debate que estava adormecido após o Pan do Rio: os baixos investimentos do Governo no esporte amador. O Pan do Rio amorteceu corações, a mídia globalizada, vendedora de ilusões para um povo que gosta de emoções, fez triunfar os atletas medalhistas, e até os primeiros resultados catastróficos acontecerem em Pequim, a ilusão ainda estava no ar.

Os reporteres globalizados da mídia comercial brasileira, invadem a privacidade dos atletas, fazem matérias fantasmagóricas, levando-nos à desconcentração. Imagino que até os atletas cairam no conto do vigário ou vigaristas.

Agora, vamos ver as coisas como elas são, por enquanto só um nadador é ouro, e quanto exagero de comemoração. Agora até quem só sugou dos orgãos públicos aparecem como patentes de apoio. Ainda bem que os pais de Sielo são conscientes e mostraram para todos que o filho só chegou onde chegou por única e exclusivamente apoio da família.

O resultado das olimpíadas para o Brasil é um alerta de que desenvolvimento econômico não é sinônimo de desenvolvimento social. A falsa ascenção dos pobres à classe média, como bem denunciou o Deputado Federal José Pinott- SP, é publicidade vergonhosa para esconder o que realmente somos enquanto Nação.

Assim como o grão de milho morre para viver, o fracasso brasileiro nas olimpíadas pode ser a morte de um paradigma de mentiras que tentam vender ao povo brasileiro, para quem sabe resurgir vida nova, isto é investimentos reais no social, e consequentemente no esporte.

O esporte praticado nas escolas é simplesmente ridículo, os alunos fazem aulas de educação física no mesmo horário de aulas disciplinares. As cidades não possuem centros poliesportivo. O calendário competitivo esportivo no Brasil é inesistente, o único que ainda perdura são os jogos abertos do interior de São Paulo. Atletas não recebem apoio, só aqueles que são paitrocinados. Os poucos empobrecidos que chegam a receber algum incentivo são tratados como coitados, sempre vindos de projetos sociais, e quando chegam lá, já estão arrebentados.

Um país subdesenvolvido só poderá ver a glória nos esportes se realmente enxergar o próprio umbigo, e arregaçar as mangas e trabalhar. Mas  se continuarmos  deitados em berço esplêndido, esperando por um milagre de um salvador, continuaremos sendo uma  Nação de aparências.

Parabéns à rede ISPN-Brasil, que transmite as Olimpíadas forjando consciência e espírito de cidadania.

Precisaremos de mais alguns milênios para chegarmos ao nível cultural de uma China.

Vamos cair na real. 

UM PETROLEIRO NO MEIO DA PAISAGEM

quinta-feira, agosto 14th, 2008

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Barra Nova,um paraiso ecológico situado ao sul da Ilha de Guriri, litoral pertencente ao município de São Mateus-ES,.

É sem dúvida, uma das regiões mais bonitas do Estado do Espírito Santo.!.Com um cenário bucólico, Barra Nova é um convite à contemplação ecológica. Como bom viajante e explorador de lugares bonitos por natureza, conheço o Estado do Espírito Santo na palma da mão. Privilégio que potencializei quando desenvolvi o Programa de Gestão de Pessoas da Secretaria Estadual da Fazenda.  Por isto, posso confirmar que Barra Nova, com praia boa para surf, delta de rio, mangue e pescadores, é lugar para” encantar-se pela natureza”.

Estive em julho deste ano lá, com  minha família e a Fabiana Azambuja da T.V. Canção Nova e seus filhos.  ela ficou maravilhada!.

 Mas,  por onde olhávamos viamos um petroleiro, quase como uma “pedra no meio do caminho.” Diante de tanta coisa para se adimirar, o petroleiro incomodava e muito, assim como as escavadeiras removendo areias da praia. Perguntei a um pescador o que fazia aquele petroleiro ali, ele disse-me sem saber muito bem, e poucos sabem bem o que e como funciona aquele petroleiro próximo à praia, que era para coletar o petróleo extraido naquela área. Fiquei mais incomodado aindo, pois todas às vezes que olhava para aquele petroleiro, é como se visse o mangue e toda a praia enlamada de óleo, toda escura, com os animais daquela maravilhosa biodiversidade endurecidos de óleo pelo corpo.

VERÁS O QUE VI – Os responsáveis pela exploração petrolífera no Espírito Santo, vão dizer que estou exagerando  ou continuarão argumentando que toda manobra de exploração de petróleo em Barra Nova, está totalmente sobre controle. Mas,  naquele dia de julho de 2008, vi este pequeno paraiso totalmente envolto de óleo decorrente de vazamento. Cena já vista no Brasil, em regiões também de mangue e mangues condenados a se recuperarem por pelo menos vinte anos. A cada momento que o petroleiro invadia meu olhar, como aquela pedra no meio do caminho de Drumond de Andrade, a visão voltava em minha mente.

Uma profecia auto realizável, que nenhum lucro da explçoração de petróleo conseguirá reparar.

Decidi voltar mais vezes à Barra Nova, para que quando minha visão se tornar realidade, eu passe a morrer de saudade deste paraiso que ainda posso visitar. Sou um cidadâo frustrado por ter tido a oportunidadde de conhecer as Sete Quedas, mas Itaipu se antecipou. Desta vez, terei vitalizado dentro de mim as imagens de Barra Nova, para quando vier a onda de óleo, eu possa simplesmente dizer: conheci Barra Nova ainda linda.

MAS FICAR PARADO, SEM SE MANIFESTAR? Estamos no pior momento da consciência pública coletiva brasileira. Nossa mobilidade de cidadania está adormecido. Deitados em berço esplendido caminhamos, vendo as olimpíadas e o fracasso de nosso sistema político desencadeado nos baixos índices de nossos atletas. A condição é para o explorador, que se cega diante do ouro preto.

Técnicos e gestores se impulsionam diante da possibilidade do tão sonhado sucesso econômico brasileiro. Quem vai dar ouvidos a visões “lunáticas”, enquanto os entendidos estão dizendo que tudo é muito seguro. Mas sem agouro, verás o que vi.

ELABORANDO ANGÚSTIAS

quarta-feira, agosto 13th, 2008

O processo de sobrevivência do bebê é estabelecido no princípio pelo foco alimentar, pelo menos nos primeiros meses. Ao desejar o seio da mãe, o espera como se fosse um mecanismo automático, e como se fizesse parte dele mesmo. Mas o seios podem faltar, ou não chegar no tempo exato de sua espera. Começa aqui as primeiras relações do indivíduo com a ansiedade, este sentimento que acompanha o ser humano por toda a vida, instaurado nas primeiras relações com a mãe. A ansiedade desencadeia angústia pela espera   e ao mesmo tempo por não poder estabelecer autonomia sobre esta relação. Quando o alimento chega, ele já angustiado ataca o seio materno, como resposta à demora de satisfação de sua necessidade.

Para Melanie Klain, precursora da Psicanálise infantil, a função do ego (estrutura do eu percebido) é o domínio da angústia pelas perdas. Através dos processos de projeção e introjeção, o mundo interno do bebê vai se construindo por fantasias inconscientes. O bebê projeta externamente amor e ódio e introjeta gratificações pelo leite recebido, que será incorporado como amor e ódio. Nasce a dissociação entre o bem e o mal e a angústia é internalizada pelo medo da perseguição. Veja que todo este processo se dá na forma de fantasia inconsciente. Por isto que dizemos que os processos analíticos para crianças, adolescentes e adultos, é a reconstrução de processos regressivos inconscientes, construídos desde bebê, neste jogo de gratificação pela amamentação, que as pessoas transferem para o mundo externo, principalmente nos relacionamentos.

O bebê plenamente feliz deverá percorrer esta ambivalência de sentimento. È necessário transitar entre amor e ódio, ganhos e perdas, vida e morte; esta é a dinâmica da vida que todo ser humano precisa passar. Negar este processo, ou fazer como muitas mães fazem, de evitarem o jogo da angústia pelas perdas, procurando estar a serviço do bebê por vinte quatro horas, sem que ele sofra, é um caminho que trará mais prejuízos ao mundo emocional da criança e consequentemente do futuro adulto.

Tenho debatido com os pais em escolas, que os pais que não aceitam a possível morte dos filhos, não estão preparados para o processo educacional. È constante e diário as situações em que a vida nos convida a morrer. O bebê deseja ser plenamente saciado, mas o leite não vem. Instaura a ansiedade e todas as fantasias de ataque ao seio, para nascer a angústia de ter atacado aquele que o nutrirá, os seios. A angústia de fantasiosamente estar introjetando objetos destrutivos, como resposta ao seu ataque.

Você pode estar perguntando-se, como é possível o ser humano nascer com esta ambivalência tão acentuada entre o amor e o ódio? Esta pergunta geralmente brota no coração de adultos que foram educados só para deixarem manifestar dentro de si o bem, o amor, e ao longo da vida sofrem quando se deparam com sensações e sentimentos de raivas e ódios interior. Mas o ser humano necessita se encontrar com esta ambivalência, pois a vida é um constante jogo entre a vida e a morte, o bem e o mal.

Assim como o sol é belo por que aquece, pode ser terrível por destruir plantações em plena seca. Como também a chuva serena encanta, mas diante de uma tempestade ela destroe coisas belas, amedronta. O bebê que lhe é permitido transitar com as fantasias inconscientes de amor e ódio, terá potencializado dentro de si um ser fortalecido, com capacidade para superar desafios.

APRENDENDO A PERDER OS SEIOS

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