Archive for setembro, 2008

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - VIII - PARECE DOENÇA MAS NÃO É - SOBRE O HIPOCONDRÍACO -

segunda-feira, setembro 29th, 2008

O hipocondríaco sempre vai acreditar que possui uma doença. É o sujeito que sempre está visitando um médico, e por mais que se diagnostique que ele não tem doença, vai sempre procurar um outro médico para ver se o diagnóstico anterior não estava errado. Este quadro pega tanto mulheres como homens, a diferença é que nas mulheres elas gostam de se arrumar toda para uma nova consulta, e se o médico der trela para confirmar alguma patologia, elas tendem a ficare muito ligadas neles. Já os homens, colocam os médicos no pedestal do saber.

Lembro muito bem de meu querido pai, quando finalmente caiu nas mãos de um bom Psiquiatra, que realmente convenceu meu pai de sua hipocondria. Ele transformou o médico no maior de todos os médicos.

Parece doença mas não é. O difícil é concluir um diagnóstico deste. O último caso que pude ter informação, a paciente era obestinada em frequentar consultórios médico. Mas ela tinha também um comportamento impulsivo. Chegou ao hospital, e o médico que a recebeu, conhecedor da trajetória desta mulher, foi logo diagnosticando um quadro de pânico, mas na verdade ela estava em sofrimento cardíaco. Ao retornar para sua casa veio a falecer.

A hipocondria é um transtorno que geralmente afeta pessoas na terceira idade ou acima dos 40 anos. É de origem afetiva e se instaura pela incapacidade de ter se estabelecido com as pessoas durante a vida em vinculo de afeto. É uma pessoa desafetuosa, que quando já não consegue ter mais ninguém por perto, tenta conquistar as pessoas pela doença. E quando as pessoas ao seu redor já não suportam tantas doenças, eles procuram alguém na qual podem pagar para ouvi-las. Lembro-me de uma paciente que me dizia que fazia análise porque eu a escutava de qualquer forma pois pagava para isto. Sabia que as pessoas que conseguiam dar ouvido para ela era só por conta da questão financeira. Muitos deles costumam ter muitos amigos só quando conseguem cativa-los por alguma troca financeira.

A hipocondria pode ter cura, mas é necessário muito esforço da pessoa para deixar-se estabelece em vínculos de amor com quem está ao seu redor.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - VII - NEM TODO AGITO É HIPERATIVIDADE

sábado, setembro 27th, 2008

Nossos adolescentes chegaram na era de serem taxados de problemáticos. A adolescência dos anos 50  era precoce no tranbalho. Meu pai sempre dizia que não teve esta coisa de adolescência. Já a adolescência dos anos 60 e 70, rebelaram-se e foram às ruas por direitos, a liberdade estava no ar ( aquarius ). Nossa atual geração de adolescentes está passando por uma visitação das doenças. Não por que eles estão doentes, mas nós adultos os estamos fazendo de doentes. Qualquer sintoma ou comportamento diferenciado é logo diagnosticado.

Médicos têm passado a tal Ritalina para qualquer relato de mãe que narre o agito do filho. Interesante é que está ficando tão comum ver adolescentes tomando ritalina por que foram diagnosticados de hiperativos, que começo a projetar que esta geração será e  está sendo introduzida bem cedo no perfil de problemáticos e dependentes de medicações.

Para se fazer uma boa avaliação de hiperatividade, é preciso tempo. Não basta uma simples entrevista com a mãe, que um médico terá condições para sair medicando. As vezes imagino que muitos profissionais pensam ter uma bola de cristal.

Dos dez últimos diagnósticos que recebi de hiperatividade, apenas dois realmente apresentavam o sintoma. é um tal de aplicar um teste para se medir a hiperatividade, que é entregue nas mãos de pais e profesores onde vão anotando uma série de respostas comportamentais do adolescentes. O problema disto, é que as pessoas que fazem isto, geralmente carregam suas percepções sempre para pontuar os sintomas mais desviantes. Sempre fazem uma avaliação induzida.

Imaginem que uma mãe já se encontra estressada com o esposo e também com o trabalho, se quer tem tempo para conviver tranquilamente com os filhos. Ao chegar em casa, com a galera a flor da pele, pois passam a maior parte do tempo vendo T.V. ou no computador, justamente na hora dos pais chegarem que começa as encrencas. Aí, a mãe, com o teste na mão, vai anotando todos os comportamentos desviantes do filho foco irritativo da casa. Só pode dar hiperatividade.

Medicar, é uma boa forma de não ter que levar os pais a assumirem compromisso de presença afetiva com os filhos. A medicação vai dar conta.

O último hiperativo que peguei, após aplicar uma bateria de testes e fazer um amplo diagnóstico, tive que solicitar do médico que suspendesse a Ritalina. Pois o garoto ao contrário, possuia muita concentração. O que estava pegando era uma falta de estrutura de estimulo educacional em casa. A medicação taxaou o sujeito e este imaginava que com o remédio suas notas melhorariam. Doce ilusão.

A hiperatividade é um transtorno de aprendizado que afeta de 1 a 4 % da população, sendo os meninos os mais afetados. O resto, é agitação de adolescente ou desestruturas de integração familiar e falta de limites, que remédios não darão conta de fazer superar.

Todo trastamento de hiperatividade, só terá realmente resultado, se for monitorado com medicação e processo psicopedagógico, de preferência com neurologista e psicólogos que possuam experiência na área de psicopedagogia. Mas é melhor que o diagnóstico  contextualize a realidade cronológica do adolescente. Muita coisa na adolescência, parece mais não é.

Seu filho pode até ser hiperativo. Mas antes de taxa-lo, observe se o ambiente onde ele estuda, sua casa e a galera que anda, estão estruturados. Veja antes de mais nada, se você como pai e mãe estão sendo presença afetiva.

Cuidado, a fuga para remédios, pode ser uma boa forma de nomear um problemático dentro de casa para fazer esconder a problemática de todos. Antigamente dávamos o nome para isto de “bode espiatório”.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - VI - NEM TODA ALEGRIA É MANIA

sexta-feira, setembro 26th, 2008

Tempos atrás, uma jovem procurou-me preocupada, pois seus pais haviam assistido um programa de televisão que falava sobre transtornos maníacos, e depois disto eles a questionam constantemente que ela possui este transtorno pois sempre está alegre e parece nunca ficar triste.

Solicitei que fizessemos algumas sessões avaliativas, com o intúito de observar se realmente seus pais estavam certos. Mas não constatamos nada que caracterizasse uma mania. Ao contrário, fazia muito tempo que não encontrava uma jovem tão bem resolvida e com um belo sorriso no rosto, por incrível que pareça, quase que constante. No seu trabalho é uma lider, na sua comunidade religiosa está sendo sempre procurada para levar uma mensagem de força e na escola seu apelido é “alegria…alegria”.

Sendo assim, solicitei a esta jovem que trouxesse seus pais até mim para trocarmos umas idéias juntos. Assim aconteceu, e pude perceber que os pais tinham medo da filha ter mania, pois o pai tinha uma irmã que no passado deu muito prejuizo econômico quando estava em crises maniacas. Outro fator preponderante, é que os páis haviam sofrido economicamente no início do casamento e aprenderam a viver como sobreviventes, onde tudo o que faziam era para se manterem e ao mesmo tempo se transformaram  em pessoas muito reprimidas. A alegria da filha delatava a rigidez da vida dos pais. Mas o alvo de ataque era a filha mais nova, esta jovem alegre. Pois os outros filhos, seus irmãos, também são muito rígidos.

Em uma sociedade onde é tão difícil encontrarmos jovens alegres por estarem bem resolvidos e felizes, que quando nos deparamos com um logo pensamos que está descompensado.

A mania não tem como perfil a alegria. Mas sim a compulsão, comportamento impulsivo, o sorriso aloprado e um comportamento persecutório. É uma alegria forçada, delirante.

A alegria da jovem, era um brilho da alma, que reluzia na forma de alegria.

Nossa tendência é de fixarmos problemas e taxarmos pessoas sem antes sabermos como realmente elas são. Principalmente quando o outro faz-nos ver coisas em nós mesmos que não conseguimos atingir – SENTIMENTO DE INVEJA -.

A alegria incomoda quem vive sempre á sombra do medo.

A sua alegria pode até ser uma mania. A medida que você pode ter para medir isto, é observar se a sua alegria está associada com impulsividade ou se é uma forma reativa de atrair as pessoas pela imagem. Tipo, forçando a barra…

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - V - NEM TODO DETALHISTA É PORTADOR DE TOC

terça-feira, setembro 23rd, 2008

O Transtorno emocional Obsessivo Compulsivo, a partir das declarações do cantor Roberto Carlos, levou muita gente a imaginar que estava com TOC. A cada entrevista do rei sobre suas compulsões, recebo muitos telefonemas ou agendamentos de pacientes para serem avaliados se são ou não portadoras de TOC.

Até os mais organizados, que antes eram vistos com muito valor, começaram a suspeitar de serem obsessivos compulsivos. Lembro-me que estava dando um curso de gestão de pessoas em uma empresa e alguns funcionários temiam que aquilo pudesse levá-los ao TOC, pois haviam ouvido que os cursos de “Cinco S” que trabalha a organização pessoal no ambiente de trabalho estava deixando as pessoas obsessivas.

Um adolescente refutava sua mãe sobre os cuidados com sua higiene dizendo que não estava nem aí com estas coisas, pois as exigências dela como mãe era sintoma de TOC, e não é que esta mãe foi procurar um médico para ver se estava doente mesmo? Nesta o garotão ficava numa boa em casa, não ajudava arrumar nada.

Têm  até gente que não gosta de rezar o terço por acreditar que esta prática resulta em obsessão, boa desculpa para não se assumir uma posição orante na experiência religiosa.

O TOC é um dos transtornos mais difíceis de serem tratados, pois quando o paciente procura ajuda, já não é nem ele mesmo quem procura, mas familiares que observam que os comportamentos obsessivos compulsivos chegam a um estado de sofrimento sem que o seu portador perceba. Lembro-me quando ainda universitário, tivemos que ir socorrer uma amiga na sua república porque já fazia horas que ela estava escovando os dentes e sua boca estava sangrando. Tivemos que leva-la ao psiquiatra imediatamente. Mas nesta época, chamávamos este quadro de Psicose obsessiva compulsiva, e imaginávamos que não tinha cura. Ainda bem que a nomenclatura passou para transtorno, por entender-se hoje que é uma faze que pode passar.

Educação familiar regrado a muita repressão, onde nada pode, associado a processo de higienização, onde se exerce um forte controle de limpeza dentro de casa, pode ser um excelente ambiente para fazer acontecer o TOC. Pela culpa, a pessoa começa a criar comportamentos para reparar o erro. E quanto mais repara mais se sente culpado.

Cuidado quando a qualquer coisa você já está preocupado se está ou não incorporando o TOC. Pois o excesso de preocupação e autopoliciamento podem desencadear o sintoma.

Mas se você é organizado, sem causar sofrimento a você e aos que estão ao seu redor, maravilha, organização é um grande valor.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - IV - NEM TODO MEDO É PÂNICO

terça-feira, setembro 16th, 2008

A Sindrome do Pânico é uma das cinco primeiras doenças que tira o trabalhador da sua rotina de trabalho. Com a crescente onda de violência, e o Brasil configurando-se em quarto lugar no ranking mundial de violência, os casos de sindrome de Pânico estão crescendo também.

Mas devemos tomar muito cuidado para não caracterizar a sindrome a qualquer manifestação de medo. O medo é uma reação de auto-defesa do ser humano, estranho é alguém dizer que não têm medo. Mesmo àquelas que são axageradas, por sempre estarem com medo, não se pode dizer que são portadoras da sindrome. Pois muitos dos que se apegam muito aos medos, estão profundamente apegados a si mesmos revelando um narcisismo estrutural.

Imagine que você está dirigindo um carro em plena BR, sem menos esperar depara-se com um caminhão em sua frente, que está ultrapassando outro veículo. O espaço que você têm é tão pequeno para definir uma postura que: a) Se você possuir uma segurança em si mesmo e auto preservação, vai ter medo, sem dúvida, mas manterá suas mãos no volante e buscará um local para desviar seu carro. Lembro-me de um amigo que em curto espaço de tempo conseguiu jogar o carro nos pneus traseiros do caminhão – pensou rapidamente que os pneus poderiam amortecer a batida – e foi exatamente o que aconteceu , tudo bem que ele foi parar na UTI, mas sobreviveu. b) Porém, se você é um daqueles desesperados , diante do caminhão em sua frente, de tanto medo, colocará as mãos no rosto para não ver a batida – aí é só pela Graça de Deus a sua sobrevivência-.

Nas duas situações não podemos dizer que as reações são características de sindrome, muito menos a segundo, pois ambos estavam no volante e enfrentando a estrada.

Agora, se você nem consegue pagar um carro, mesmo  sabendo dirigir. E associado a isto, fica extremamente apavorado só de pensar em dirigir na estrada, aí sim você pode estar entrando em um processo de sindrome de pânico. Desta forma é melhor procurar um Psicólogo para fazer uma boa avaliação.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - III - NEM TODA VARIAÇÃO DE HUMOR É TRANSTORNO BIPOLAR

segunda-feira, setembro 15th, 2008

Nesta terceira etapa dos transtornos emocionais, vamos refletir brevemente sobre a variação de humor.

Há dias que levantamos muito tristes, e outros muito alegres. Nem todo filme nos faz rir ou chorar, mas alguns que nos fazem chorar podem simplesmente estar provocando em nós sentimentos. E quando rimos em um filme, com certeza, coisas muito engraçadas.

Mas que ridículo esta reflexão! pois é…Também acho!

Mas ridículo mesmo é quando atendemos pacientes que foram medicados por médicos por diagnosticarem transtorno bipolar, e ao começarmos o processo de psicoterapia vamos detectando que o diagnóstico estava exagerado. Recentemente uma paciente narrou-me que o seu Clínico Geral havia dito para ela que o transtorno bipolar é caracteristico de pessoas que ficam três meses em depressão e depois três meses em ansiedade. Este tipo de orientação é totalmente equivocado. Mais equivocado ainda é configurar transtorno bipolar através da narrativa de tristeza ou alegria em cenas isoladas.

Assim como o sol é bonito e faz bem e a chuva é bela, também o sol pode ser um sério problema em épocas de secas e a chuva um transtorno em tempestades. Somos alegres e tristes, a cada dia e em dias diferentes.

Para ser caracterizado transtorno bipolar, a pessoa precisa apresentar um histórico comportamental de processos depressivos alheios à sua vontade e interligados com períodos de euforias sem controle dos atos. Aquele que chega a desejar a morte e não consegue ver luz em nada, e daqui a pouco está eufórico a ponto de fazer dívidas absurdas sem conseguir perceber a atitude. São variações extremas associadas com perdas reais.

Mas pelo visto, qualquer variação de humor têm sido diagnosticado como transtorno bipolar.

Para verificar se sua variação de humor é bipolar ou não, procure identificar os motivos pela qual você fica alegre, feliz. E identifique também os motivos que o deixa triste ou infeliz. Quando nesta busca lhe faltar reposta, aí sim você deve procurar um Psicólogo para fazer um bom diagnóstico.

Netes dias estava meio para baixo. Parei para pensar na causa, e detectei que fazia duas semanas que não conseguia correr. Para quem tenta correr três vezes por semana, ficar duas semanas sem esta prática, leva a uma alteração na produção da dopamina no cérebro. Ao detectar isto, fui correr, e o resultado foi milagroso. O sintoma desapareceu.

Antes de procurar ajuda, tente desenvolver uma boa atividade física com rotina. Quem sabe, este pode ser um fator desencadeante da tristeza. Mas se persistir o sintoma, procure um Psicólogo.

ASSUSTA ! SOBRE O MAPA DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

sábado, setembro 13th, 2008

* Gerson Abarca 

O Brasil é o quarto colocado no indice de assassinatos por habitante, dentre 84 países pesquisados em recente estudo financiado pelo Governo Suiço, sobre a violência no mundo.

Estamos atrás apenas da Colômbia, Rússia e Venezuela…

POXA! NÃO GANHAMOS A MEDALHA DE BRONZE!!! Quase….

São em média 27 assassinatos para cada 100 mil brasileiros no ano. Ao todo são 48 mil assassinatos por ano no Brasil. 

A cidade de Vitória-ES, lidera com 70 assassinatos por 100 mil pessoas. ASSUSTEM, ESTE INDICE É MAIOR QUE O DO IRAQUE, e OLHA QUE DIZEM QUE NÃO ESTAMOS EM GUERRA.

O Rio de Janeiro, apresenta 40 assassinatos por 100 mil pessoas.

Quem conhece a bela cidade de Vitória-ES, não imagina que esteja acontecendo toda esta violência.

O Ministro da Justiça Tarso Genro disse, ao analisar estes novos dados, que pretende conduzir a política de segurança pública no Brasil para pelo menos atingir os índices do Chile, de 15 assassinatos por 100 mil pessoas. Olha, acho que teremos que trabalhar muito para isto, pois estive recentemente na cidade de Santiago do Chile, e conhecemos uma realidade muito diferente da nossa. Para vocês terem uma idéia, a população possue o maior respeito com a instituição policial, segundo meu amigo chileno César: “Com a polícia daqui não se brinca, eles não aceitam propina mesmo, se você ameaçar em oferecer vai preso na hora. Dirigir alcoolizado nem pensar, se bobear você sai do carro algemado.”

Mas em se pensando em Brasil, parece que até a polícia está sustentando a violência, que têm motivo claro – o narcotráfico -. O crak está pegando mesmo! As instituições sociais já não sabem mais o que fazer, pois as crianças e adolescentes que frequentam estes projetos são ameaçadas de morte, e muitas estão totalmente dependente do crak. Conversando com uma ONG de Belo Horizonte-MG, nos disseram que os traficantes chegam nas famílias da periferia e escolhem dentre os filhos, quem será utilizado para o tráfico e a família têm que liberar. Segundo o agente social Wilson:”Dá até desespero quando vemos que um garoto começa a faltar no projeto, pois o maior receio é de ao chegarmos na família recebermos a notícia que o garoto foi escolhido para o tráfico.

E aí Tarso Genro, o mapa da violência nós temos, e o da mina também. Todos sabem quem é quem e onde cada um está. O que falta agora?

E olha que a Igreja Católica no Brasil têm cumprido seu papel missionário e libertador. A maioria dos projetos sociais neste país é vinculado a movimentos Católicos, como aponta o livro “Sábados Azuis”. A própria Canção Nova possui vários. Nós Católicos estamos mostrando que não somos apenas “rezadores”. Mas os intelectuais no Governo Federal parece que até agora só estão sabendo analisar dados, nunca param de pesquisar. Assim, como é bom e necessário a ORAÇÃO, não podemos nos esquecer da PESQUISAÇÃO.

* Psicólogo – Psicoterapeuta. Membro efetivo do Conselho Regional de Psicologia do Espírito Santo – CRP16

UM PEDOFÍLICO PODE ESTAR PERTO DE SEU FILHO

sexta-feira, setembro 12th, 2008

Pedofilia é uma doença emocional de adultos que leva seu portador a ter atração sexual   por crianças e adolescentes. Mesmo sendo doença, é crime. Por isto que um pedofílico deve ser retido em cárcere psiquiátrico, para que além de pagar por seu crime também possa ser tratado.

Mas esta doença não é fácil de ser detectada. Podemos perceber que a maioria dos casos que tornaram-se público estavam ligados a pessoas que trabalham com crianças e adolescentes. Instituição de menores, escolas, centros esportivos, etc. Também em ambientes que concentram grupos de adolescentes, como por exemplo escolas de dança, teatros, academias. Lógico que em cada canto do planeta pode residir um pedofilico.

CONFUSÕES NA DEFINIÇÃO SEXUAL . São muitos adolescentes que já atendi, que apresentavam dificuldade em saber se eram homossexuais ou não, pois haviam sido vítimas de abuso sexual de homossexuais adultos. Casos onde houve até o ato sexual, onde os adultos exploravam os adolescentes em situações sexuais ativas. Lembro-me que em minha cidade natal, havia um professor que tinha fama de pagar para a moçada transar com ele. Na época chamavam-no de “besouro”. Mas não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente e se que Conselhos Tutelares. Os meninos brincavam com isto. Não era fantasia não, pois tinhamos colegas que recebiam dinheiro deste professor para ato sexual oral.

Mas o pedofílico pode estar dentro da própria casa, quem sabe ser o próprio pai ou mãe da criança. A DEPRESSÃO é um sintoma que acomete mulheres vítimas de abuso sexual do próprio pai ( insesto ). Casos e mais casos são narrados por mulheres que tiveram que se sujeitar sexualmente ao próprio pai por anos. Já possibilitei tratamentos para mulheres que na infância viveram este drama por mais de quatro anos, o pai chegava de vagarinho no escuro do quarto e sutilmente ia desenvolvendo a atividade sexual. Em prantos a criança silenciosamente tinha que aceitar. Se denunciasse estaria “frita” na mão do pai.

SENTIMENTO DE CULPA, é um dos motivos que leva à depressão por abuso sexual , pois depois de adulto, a dúvida surge no sentido de não se saber ao certo o porque se permitia ser abusado. O ato sexual carrega em si a perspectiva afetiva. Todo o processo de sedução é envolto de carinho e afeto, por isto que a tendência de uma criança ou adolescente se envolver facilmente com o pedofílico é grande. Existe todo um processo de envolvimento, quase que ritualisticamente. A pedofilia carrega em si alguns traços obsessivos e paranóicos. Quando faz a vítima, é como se a própria vítima procurasse pelo agressor. Não é a toa que se escreveu na França a clássica história infantil “Chapauzinho vermelho”, onde a menina é devorada pelo lobo. Chapeuzinho vermelho foi seduzida pelo lobo, que disfarçado a conduz ao desfecho cruel da história. Pena que no Brasil, as escolas camuflaram a verdadeira versão do história.

Aos profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, é bom manter uma postura transparente e sem muitos contatos. Lembro-me de um processo que um professor foi vítima por que a adolescente o denunciara pelo fato de sempre ele abraça-la e ela sentir que colocava as mãos em seus seios. Mas no final da história, outras adolescentes relataram a mesma situação, mas como o professor era muito gente boa, elas não tinham coragem de denunciar. Como a aluna denunciante apresentava algumas dificuldades comportamentais, o professor vendeu a idéia de que estava sendo vítima, e quem se deu mal foi a aluna.

Uma boa forma de procurar defender as crianças de pedofílicos em potencial, é procurar perceber como os adultos que trabalham ou cuidam de seus filhos se comportam. Veja se existe um excessivo mecanismo de apego corporal e liberalidade por parte do adulto. Mas a melhor prevenção é ser presença afetiva para seus filhos, pois assim dificilmente cairão nas armadilhas afetivas de um pedofílico

Caso você conheça um caso de pedofilia, denuncie no Conselho Tutelar de sua cidade. Se você se omitir, crianças estarão em sofrimento, e construindo para suas vidas um futuro sofrível. A denuncia pode ser anônima.

TRANSTORNOS EMOCIONAIS - II - NEM TODA TRISTEZA É DEPRESSÃO

sexta-feira, setembro 12th, 2008

Dando sequência ao parece mas não é , vamos falar das tristezas que rondam nosso pensamento cotidiano e que não podem ser consideradas DEPRESSÃO.

Se não tomarmos cuidado, diante de qualquer tristeza já imaginamos que estamos deprimidos. Há um grande número de médicos, principalmente Ginecologistas, que estão prescrevendo Fluxetina para TPM. Diante de poucas manifestações de tristeza, logo vem prescrições de antidepressivos.

Mas ficar triste faz parte da beleza de toda pessoa, pois afinal de contas, a tristeza é o outro lado da alegria, se sou alegre, sou triste. É parecido com a dinâmica da moeda, em que têm a cara e a coroa – Alegria e Tristeza – .

Mas se incutimos que sintomas de tristeza é sinônimo de Depressão, qualquer manifeatação da tristeza logo ligamos com depressão. O profissional de saúde menos avisado e que as vezes atende de forma rápida para desafogar filas de sala de espera, sem olharem direito para o paciente, vão indicando antidepressivo.

O negócio é saber que diante de dificuldades, devemos criar mecanismos de superação e não simplesmente tentar resolver problemas com a solução mágica do remédio milagroso. Me irrita muito quando um médico, ao ver que a paciente não está sabendo lidar com sua TPM, vai logo medicando. Parece que a mulher é vista como alguém incapaz de aprender a lidar com sintomas na qual não consegue dominar, a menstruação é natural, como natural são os sintomas da TPM. Mas o melhor é medicar, não vai exigir muito esforço.

Tristeza não é depressão, é o oposto da alegria. Se alegre você fica, triste também.

Se for depressão, o sintoma não é simplesmente tristeza. É a não manifestação da alegria e a sensação que a vida perdeu o encanto, e os sintomas não passam, por mais que se tente esforçar para passar. A depressão não prescede da alegria, é a não manifestação da alegria. Mas para ser depressão, é preciso que esteja presente no comportamento por um longo período de tempo. Não será qualquer manifestação de tristeza que caracterizará uma depressão.

SOBRE A MORTE DE ALCIDES MAYORGA JUNIOR

quinta-feira, setembro 4th, 2008

Alcides Mayorga Junior, um cidadão envolvido com sua comunidade. Escritor, que sempre deixou registrado seus pensamentos no Jornal Tribuna do Cricaré,  transparecia sua preocupação em defesa da vida e pela justiça social. Foi assessor parlamentar e atualmente estava trabalhando como funcionário público na Secretaria de Ação Social do município de São Mateus-ES. Meu contato com Alcides era de troca de idéias sobre nossos artigos pelo jornal T.C., sempre refletiamos pontos em comum de nossos textos e falavamos de outros artigos que eram publicados na página dois do jornal. Um cidadão agradável de conviver, e com certeza deve estar provocando muita saudade na família e entre seus colegas de trabalho.

O que me assustou na morte de Alcides, foi a dificuldade dos Médicos em detectarem seu problema de saúde. Acompanhava a busca pela sua recuperação através das informações que minha esposa Maria Celina  ia me passando, pois eram colegas de trabalho. Desde o início do ano o Alcides estava procurando respostas para o seu sintoma de vertigem. Os colegas alertavam-no de que tinha que parar de fumar, pois era tabagista antigo. Mas por incrível que pareça, em todo seu processo de busca para o  tratamento, não lhe foi solicitado radiografia dos pulmões. Sendo leigo nestes procedimentos, pedi informação para um amigo médico, sem citar o motivo da preocupação, onde tracei o perfil da busca do paciente, e este meu amigo médico disse-me que num primeiro momento diagnóstico, dentre muitos exames a serem solicitados,  a radiografia do pulmão seriam imprescindível. Mas Alcides não teve esta sorte, e por incrível que pareça, dois dias antes de sua morte, andando escorado em sua esposa, que sempre o acompanhava nesta tragetória, uma amiga dele ao vê-lo cambaleando pela rua, acolhe-no e o leva para o Hospital Roberto Silvares, e sugere a esposa que solicite do médico de plantão uma radiografia dos pulmões. A mesma foi realizada e detectando uma grande mancha no Pulmão Direita e com toda a carcterística de C.A. O médico solicitou uma Tumografia para a semana seguinte e o liberou.  No dia seguinte , recebemos a notícia de que havia falecido.

Sei que é muito difícil julgar procedimentos, cada profissional têm seus critérios. Eu, como Psicólogo, nunca deixo de solicitar que os Médicos dos pacientes que atendo com sintomas de transtornos emocionais, realizem o maior número de exames possíveis. Quantos foram os casos que já atendi, em que pacientes eram diagnosticados como quadros neurológicos e que no processo diagnóstico não era soliocitado se quer exame de curva glicêmica ou  dosagem hormonal (este principalmente para mulheres). Sabemos que alguns transtornos emocionais são resultados de disfunções fisiológicas. Gosto muito de como o Médico  Psiquiatra, Dr. Luiz Henrique Casagrande têm procurado diagnosticar seus pacientes. Solicita todo tipo de exame possível, pois ele mesmo diz que há quadros de ansiedade que são decorretes de parasitoses  ou outros distúrbios metabólicos , e neste sentido , medicar o paciente com anti-depressivo sem que o problema seja a depressão, só pode agravar outro distúrbio não diagnosticado.

No caso de Alcides, já haviam encaminhado a Neurologista e ultimamente já estavam querendo indicar Psiquiatria para ele. Disfunção repiratória dificulta a oxigenação sanguínea e consequente diminuição da oxigenação cerebral, por isto que sintomas comportamentais neste caso, são muito frequentes.

A morte de Alcides Mayorga Junior, não pode ser visto apenas como um episódio comum, de uma morte que era destino Divino. Devemos olhar para este fato, com um olhar de alerta para nosso sistema de saúde tanto particular como público, pois no particuçlar, com os planos de saúde pagando tão mal os profissionais credenciados, as salas de espera já estão ficando parecidas ou piores que as recepções do SUS ( toda regra tem suas excessão). 

Os procedimentos  de diagnósticos, que é principal estratégia para o sucesso de um tratamento, acabam sendo tocado às pressas, sem um tempo para o profissional pensar, refletir interdisciplinarmente sobre o paciente que está em busca de uma melhora.

Quando o olhar de um leigo, parece estar mais apurado que o olhar de um médico, é sinal  que alguma coisa está fora do lugar.

Alcides Mayorga Junior,  já estamos com saudades.

Subscribe to RSS feed