Archive for outubro, 2008

UM CASO DE AMOR COM A CANÇÃO NOVA - BATISMO NO ESPÍRITO

quinta-feira, outubro 30th, 2008

Na sequência da caminhada vocacional, que hoje entendo estar sendo o noivado com a Canção Nova, estava em busca da vivência de todos os dons possíveis. Um dos jovens que monitorava os encontros de formação ajudou-me muito quando lhe perguntei como fazia para vivenciar o dom das línguas. Ele me tranquilizava dizendo que neste processo só bastava eu pedir à Deus e me entregar, confiante, que um dia os dons irião se manifestar. Depois com os formadores fui entendendo que nas manifestações de Deus em nossas vidas deveríamos esperar, não fazer o leito do rio correr mais rápido do que o normal. Minha intriga era que nos momentos de oração em grupos de pessoas, quando elas começavam a orar em línguas, eu chorava involuntariamente, e não era um choro angustiante mas sim um choro de alegria, como se lavesse a alma. Um dos meus intercessores no encontro alertava-me que esta era a forma de Deus se manifestar em mim.

No livro ” A Oração em Línguas”, Ed. Canção Nova, Márcio Mendes escreve: “Para muitos, a grande pergunta é: como posso saber quando é realmente dom de Deus? Como saberei que não se trata de falsificação desse dom? Em primeiro lugar, não fique preocupado com isso. Você pediu e Deus mesmo vai atendê-lo. É Ele quem vai lhe dar o dom. Ele vai atender você: não só vai lhe dar este dom, mas fará com que você o aperfeiçoe, que progrida nele.”

Mas sem menos esperar, em uma Adoração ao Santíssimo, uma das marcas maravilhosas dos encontros vocacionais na Canção Nova, o Espírito Santo se manifestou com força e transparência. Aí sim chorei como nunca havia chorado antes, uma vivência intranscritível. Deus proporcionou-me esta maravílha exatamente no dia 19 de abril de 2008, no dia do índio. Poxa!, viver o Batismo no Espírito bem no dia do índio, para mim foi um nítido sinal de que minha abertura para a fé renovada não iria dificultar em nada em minha história de caminhada junto aos movimentos sociais e na prática de uma Pastoral engajada, contextualizada. Uma grande amiga brincou comigo : – “Só podia ser no dia do índio, acredito que o Espírito Santo tenha se manifestado em você com todos os cantos indígenas”, brincando comigo em alusão à minha trajetória social.

Por incrível que pareça, a Celina também pode vivênciar seu Batismo no Espírito, no mesmo momento, na mesma contemplação. E olha que a Celina, quando iniciamos nosso namoro, ela partiu em missão para a tribo Xerente no Tocantins, onde desenvolveu uma bela experiência com os povos indígenas junto à POM ( Pontificia Obras Misionárias – CNBB). Um presente de Deus também para ela.

Como São Paulo, Deus fez-me cair de minha arrogância intelectual. Hoje já não falo que oração em líguas é catarse psicótica, como costumava falar nos círculos psicanalíticos. Depois de meu batismo no Espírito, constatei que esta manifestação é impar. E está diretamente relacionada com experiência de Fé, uma experiência que não se analisa, vivencia-se.

A vida embebida do Espírito Santo, é uma outra vida. É mais vida. É como se fosse a brisa suave de Deus embalando nossa alma.

Mas este namoro com a Canção Nova têm outros maravilhosos episódios…

Depois te conto.

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

UM CASO DE AMOR COM A CANÇÃO NOVA - O NOIVADO

segunda-feira, outubro 27th, 2008

Fomos convidados a participar do Redão para iniciação no processo de caminhada vocacional para Comunidade de Aliança. Após aprovação de nossas inscrições, um processo detalhado e bastante coerente, fomos à Lavrinhas para nossa primeira experiência. Quase não concretizamos nossa primeira ida, parace que forças contrárias nos impulsionavam . Na época um rapaz comentou-nos que após dois anos de caminhada não tinha sido aceito no processo. Como via nele uma pessoa de muita fé e muito envolvido na C.N., pensei logo de cara que se ele não tinha passado no processo, eu com minhas muitas dúvidas e dificuldades, não passaria do primeiro retiro. Liguei para quem havia nos entusiasmado para ingressarmos nesta caminhada e disse que provavelmente não iria, pois se este rapaz não passou imagina eu. Recebi uma tremenda bronca com o seguinte comentário:”-esta experiência que lhe falaram é manifestação do mal para atrapalhar a sua caminhada, não queira comparar a sua caminhada com a de ninguém, pois o chamado de Deus é pessoal. Coloque sua caminhada nas mão de Deus e venha…”.

Enfim, fui, passei, fui indo fui passando e já estou indo para o quarto encontro vocacional. Deus tem manifestado maravilhas em nossas vidas, minha e de Celina. Em mim , a maior delas é de derrubar o homem racional, para fazer prevalecer o homem confiante na providência de Deus. Tenho observado na Celina, sua transformação como esposa e mãe, está bem mais dócil, tenta vivenciar a experiência de Santa Terezinha dentro de nosso lar.

Hoje já posso ter a certeza, de que se não formos chamados para a consagração na Comunidadde Aliança, já valeu a pena todo o processo vivido até o momento. Já me sinto pertencente à família Canção Nova, e nestes dias estamos em plena sintonia com o reconhecimento Pontifício da Canção Nova. Um marco que fará super abundar a Graça de Deus nesta família de Amor. Com orgulho faço parte dela, independente de ser ou não consagrado nela.

Ah! do noivado em andamento, tenho muitos detalhes a compartilhar… Aguardem

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

UM CASO DE AMOR COM A CANÇÃO NOVA - O NAMORO

terça-feira, outubro 21st, 2008

Depois do encontro veio o namoro, é que tenho muito mais a falar deste namoro. Entre as muitas idas e vindas, estávamos hospedados na residência da Bia e Marquinho da C.N. O Marquinho insistia conosco de que deveríamos ter nossos blogs no site da C.N. Falava com ele que não tinha tanto domínio assim de T.I, e ele dizia que era muito fácil. Colocou-nos com o Paulinho que nos deu verdadeira aula de como manusear o blog, e logo de cara já nos colocou na rede com três blogs : Parceiros da vida(eu e Celina); Ser Mulher(Celina); Pensando bem (meu). No começo levei até umas chamadas de atenção, a correção fraterna, pois escrevia livremente sem me preocupar muito se ia agradar ou não, mas esta é uma outra característica da C.N. – ir lapidando com generosidade -. Sabiam do nosso potencial, mas sabiam também que eramos pedras brutas a ser lapidadas.

Fomos nos propondo a estar nesta caminhada de blogueiros da C.N. como um serviço. De início achava que isto não iria dar muito trabalho. Mas ao contrário, a internet é canal aberto de comunicação. Um espaço  de evangelização fabuloso. Quando cheguei a 700 pessoas visitando o pensandobem  por dia, e com um enorme número de emails para responder, aí foi cair a fixa do motivo da insistência do Marquinho para termos os blogs.

Interessante, que uma sobrinha minha que faz Psicologia, questionou-me que estava louco de ter um blog na C.N. “O que os profissionais de psicologia irão dizer de você tio?”. Respondi que estava pouco importando com ataques preconceituosos. Pois eu mesmo já havia realizado muitos ataques sem ter conhecimento de causa. Reforcei meu argumento com esta sobrinha dizendo que Deus estava me usando como instrumento, pois quem da categoria de psicólogos conhece minha carreira profissional começarão a entender que a C.N. é um espaço da ética e da moral,  valores tão respeitados no meio do sistema conselho de psicologia. Isto porque sou Conselheiro no CRP do Espírito Santo.

Até que chegou uma hora que alguém da Comunidade C.N. nos colocou diante da parede e perguntou quando que iriamos começar nossa caminhada vocacional. Já aos 44 anos, começar uma caminhada vocacional de pelo menos dois anos, seria uma decisão que não poderia deixar dúvidas. Seria um grande investimento emocional, temporal e de comprometimento. Mas levamos um tempo para degustar esta idéia e buscando sinais de Deus para nossa decisão. O sinal mais forte era o arder de nossos corações sempre que estávamos ligados a algum serviço para a C.N. O derradeiro foi quando nos oferecemos a realizar um trabalho voluntáriao de gestão de pessoas para o setor callcenter, onde pudemos estar bem mais enraizados na dinânmica da vida em comunidade da C.N enquanto organização e enquanto vida religiosa. Estar envolvido com a C.N parece que não nos fazsentir cansaço. Tudo bem que Celina e eu somos meio tratores para trabalhar, Deus nos deu muito pique; mas pela C.N. a energia parecia se redobra

Daí nasceu o noivado, mas depois eu te conto mais…

UM CASO DE AMOR COM A CANÇÃO NOVA - O ENCONTRO

segunda-feira, outubro 20th, 2008

Desde 2002 tenho frequentado a Canção Nova em Cachoiero Paulista-SP. No início cheguei com um pé atrás e o outro também. Imaginem um militante de movimentos sociais através da Pastoral Social, com longa história de formação em Teologia da Libertação, receber um telefonema da Irmã Marta Bhering da CENPLAFAM ( Confederação Nacional de Planejamento Natural da Família) solicitando que eu fosse participar do programa Manhã Viva para lançar meu livro “Prazer sexual na vida conjugal”, Ed. Paulus. Cheguei e logo fui muito bem recepcionado por todos. Este carísma dos membros da comunidade, de acolhida, respeito. O programa foi maravilhoso, até então nunca tinha assistido. Depois veio o Ronaldo que trabalhava no jornalismo da Rádio e queria que eu participasse de seu programa à tarde, nossa identificação foi tão grande que logo fui ao estúdio da rádio para gravar uma série de vinhetas sobre psicologia. Naquele dia à noite, agendaram um encontro com os namorados e noivos na casa do Mazinho e Celiane, entrava um pouco na intimidade dos consagrados ou  de quem estavam a caminho. Meu ônibus de volta era de madrugada, e o Ronaldo me acompanhou até o último minuto, via que estava muito cansado, mas depois fiquei sabendo que esta é a forma de acolher quem chega. Saí de lá como se estivesse com uma tormenta na cabeça, parace que cada minuto não saia de meu pensamento.

Perguntava a mim mesmo: como pude ter tido criticado tanto uma organização sem conhecer? São as amarras da militância fanática, que coloca à frente a ideologia, mais do que os relacionamentos. Uma dívida que já pedi perdão.

Falava para todos o que vi e o que senti. Em meu peito ardia a chama do Espírito Santo, em um Cristão que já não estava mais acreditando em Espírito Santo. Renascia em mim o fervor da minha juventude, quando pela parábola do Semeador recebi o chamado de Deus para seguir na Fé Cristã, pois o que me chamava muito a atenção neste primeiro dia de trabalho na Canção Nova era ver tantos jovens trabalhando, e como o Monsenhor Jonas entregava responsabilidades  a eles , em uma verdadeira confiança na juventude.

 Falava para colegas de trabalho, militantes de Pastorais e eles achavam que eu estava ficando louco. Que estava virando Carismático. Respondia dizendo que eles estavam sendo preconceituosos. Que eles estavam cometendo os mesmos preconceitos que contestávamos no movimento social. Um deles até satirizou dizendo:”Só falta começar a rezar em línguas…”.

E começaram a aparecer novos convites: participação em outros programas; realizamos até um encontro nacional do Método da Ovulação Billings, em parceria C.N. e CENPLAFAM. O Ronaldo me ligava constantemente para entrevistas na Rádio C.N.. Enfim, do encontro surgiram reencontros, e que virou namoro.

Aí a história começou a ficar outra… Virou noivado…Depois te conto mais.

Só posso te garantir uma coisa, depois deste encontro com a Canção Nova, minha vida revirou, transformou, e hoje sou um homem renovado sem ter perdido uma virgula de toda minha experiência de caminhada Cristã. As experiências se interligam, somam-se.

DE NAMORADO A SEQUESTRADOR

sábado, outubro 18th, 2008

*Gerson Abarca

Aquele amor prometido com impulso de paixão. Paixão psicopata que declamada como amor eterno virou prisão.

Afeiçoados pelas tramas da paixão, o casal do episódio global destas semanas, fez o Brasil parar diante dos telejornais. Ele parecia tão equilibrado; e ela, coitadinha, uma vítima, simples vítima.

Namoro tocado à paixão em mentes  tão jovens, já é forte indício de desintegração. De desequilíbrio.

O que leva uma menina e um rapaz a pararem o mundo ao seu redor e fixarem apenas nos sentimentos que nutrem um para com o outro? Muita falta de perspectivas de buscas pessoais, tanto educacionais como profissionais. Com certeza uma grande desatenção dos pais sobre o cotidiano dos jovens. Também um grande modismo em torno do namoro na juventude.

Ele,  namorado apaixonado, ao perder o vínculo com a namorada, pode ter se visto em um abismo existencial. Ela retira dele sua única perspectiva de existência, quando já não o quer mais. Ele se apodera dela e como resposta retira sua própria vida, seqüestrá-la em sua individualidade.

Um episódio que sustenta a mídia do terror, pois este caso é mais um dentre muitos que estão acontecendo a cada dia. Eles continuam torturando, e elas continuam se sujeitando. E para isto haja polícia.

A cena do resgate da jovem seqüestrada pelo namorado, com aquele quantitativo de policiais e câmeras, só podia dar no que deu. Ficava observando toda aquela movimentação e dava vontade de dizer para quem estava por detrás do comando daquela operação de resgate, que se eles continuassem fazendo daquela forma, o resultado seria desastroso. Pois toda a atenção dada, superabundou o ego do seqüestrador, o namorado apaixonado e desequilibrado. A operação policial desconsiderou todo e qualquer conhecimento de psicologia do desenvolvimento. Por isto que precisamos ter nas nossas delegacias o profissional psicólogo, pois em situações como esta é preciso saber conhecer o perfil tanto da vítima como do agressor.

Para que a vida continue uma novela, nada melhor do que termos pelo menos um fato como este  por mês. Há pouco tempo era a menina jogada pela janela. A novela imita a vida ou a vida imita a novela?

Enquanto isto, os pais vão se esquecendo de tirar os olhos das telinhas de televisores, e com isto não conseguem ver em que fria seus filhos estão entrando.

“Como é bonitinho o namoro deles…”, algumas mães comentam sobre o namoro das filhas. Como será que repousa agora a família da menina seqüestrada ?

É melhor vigiar, pois não sabemos a que horas o inimigo vai invadir-nos. Mas se estivermos vigiando diante de uma telinha de T.V. sensacionalista, o inimigo estará ao nosso lado sem que saibamos.

Namoro que faz grudar, que cria dependências e que escraviza boa coisa não pode dar.

Se os pais estão com filhos adolescentes com indício de namoro do tipo “unidos venceremos”, é melhor intervir logo. Pois mesmo que não aconteça um futuro seqüestro, o seqüestro da existência para a juventude  deles já está acontecendo.

O namoro apaixonado, tocado a ciúmes, descontextualizado da realidade que faz os namorados existirem só para eles, já é o representativo da morte. Ele e ela, caminhando para a própria cova. E os pais muitas vezes só ficam assistindo esta morte silenciosa.

É melhor fazer acontecer a crise de relacionamento na família pelo confronto da ação corretiva com os filhos, do que deixar a crise da morte imperar em nossos lares.

Por quê episódios como o do sequestro da namorada dá tanta audiência? É porque são casos que estão delatando cenas do cotidiano de qualquer família com filhos adolescentes em casa. Mobiliza-nos a enxergar aquilo que pode estar ao nosso redor.

Que pelo menos tiremos proveito deste seqüestro. Olhando para dentro de nossos lares para observarmos com mais critério a quantas anda a vida de nossos filhos adolescentes.

Vamos aguardar qual será o próximo episódio global!

* Psicólogo, Psicoterapeuta. Autor do livro: O poder da T.V. no mundo da criança e adplescente, ed Paulus/SP

ELA CONSEGUE BRINCAR SÓ

quinta-feira, outubro 16th, 2008

Ao contrário do que muitos pensam, que criança quando está sozinha brincando é sinal de problema, na verdade é sinal de liberdade , de capacidade de viajar em suas fantasias.

Quantas vezes me deparo com pais que ficam preocupados de que o filho está em um canto brincando e em plena conversa com pessoas imaginárias. Pergunto se o filho só sabe brincar sozinho. Se for a única alternativa dela, aí sim pode ser um problema, um processo de isolamento. Porém, se estiver brincando consigo mesma por períodos do dia, e em outros momentos ele parte para se encontrar com seus amigos, tudo bem.

Mesmo que crianças brinquem com seus colegas, podemos observar que muitas vezes elas estão só em grupo, mas cada uma está brincando consigo mesma,  esta situação podemos observar até ao seis anos de idade, mais intensamente aos quatro anos.

Melhor ver uma criança brincando sozinha e criando seus personagens do que vê-la sozinha diante da T.V.. Neste caso não estará nem com elas mesmas, aliás, não estará com ninguém. Pior ainda, etará matando toda a potencialidade criativa que os momentos de solidão no brincar lhe proporciona.

São de muitos e constantes momentos em que a criança pode estar sozinha brincando com sua própria imaginação que estará potencializando futuro adulto capaz de exercitar um momento de paz interior pelo silêncio, em um momento de oração; de um adulto capaz de pegar uma caneta e escrever poemas; de um adulto capaz de ler um belo romance e ocupar horas absorto na leitura e tramas do romance.

A Paz que procuramos está no silêncio que não fazemos. E é de criança, na solidão criativa do ato de brincar, que potencializamos dentro de nós a capacidade de cultivarmos nosso silêncio interior.

Se na sua casa, há crianças brincando em algum canto, criando o mundo e o fundo, é sinal que este ambiente é um ambiente de paz, que possibilita uma criança brincar tranquilamente…parabéns!

SER PROFESSOR - NA CORÉIA DO SUL

terça-feira, outubro 14th, 2008

* Gerson Abarca 

Neste dia 15 de outubro comemora-se o dia do Professor. Vejo a movimentação em torno deste dia, e o que mais os alunos gostam é do feriado. Mas os professores sempre estão comemorando. É um churrasco aqui, outro acolá. Alguns escolhem as manifestações sindicais, outros preferem ficar descansando em casa. Há prefeituras que enviam mensagens sentimentais, outras promovem almoços dançantes; enfim, para os professores o dia 15 de outubro é dia de comemoração.

Mas lá na Coréia do Sul, um país com crescimento econômico fabuloso, um dos milagres dos tigres asiáticos, professor têm muito o que comemorar. Por lá, os salários iniciais equivalem aqui no Brasil a 4 mil reais, com direito a três meses de férias no ano. Ser professor por lá, é um orgulho, profissão muito bem valorizada tanto salarialmente como em investimentos de formação. Poxa, por que não ser professor por lá?

Mas para ser professor na Coréia do Sul, é necessário passar por um processo muito exigente de formação, olha só: Os 5% dos alunos com melhores desempenhos educacionais no ensino médio, poderão concorrer a uma vaga na universidade para o curso de graduação, o que aqui seria pedagogia ou normal superior; é avaliado o histórico escolar e devem tirar notas altíssimas em uma prova de seleção de conhecimento em línguas, matemática e habilidades de comunicação básica para quem ensina; 4 anos de estudo de graduação em regime integral com estágio em escolas que funcionam na universidade, sendo acompanhados por tutores; após a graduação é obrigatório o mestrado para licenciar; na graduação  o aluno é avaliado semanalmente em reuniões… Que ralo hem!

Mas ao ser contratado como professor, a vida entra na sua estabilidade, e ser professor na Coréia do Sul é coisa chique… Mas só há 13 instituições autorizadas na formação de professores, e há vagas conforme a demanda.

E tem mais, por lá também, as salas de aula são equipadas com telões de plasma, televisores e computadores conectados na internet.

No Brasil, pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas fez uma análise de 71 currículos de ensino público e privado das faculdades de Pedagogia e detectou-se que existe um descompasso entre o que se aprende na graduação em pedagogia e o que se vivencia na prática das escolas. Há uma evasão de 24% de alunos que começam a cursar a pedagogia no Brasil, contra uma taxa de 0% de evasão na Coréia do Sul. Isto revela que as “fábricas” de fazer professores no Brasil estão formatando peças desajustadas à realidade. Além do mais, enquanto temos um número absurdo de cursos espalhados no território nacional, que cresceu ainda mais com os cursos à distância, associado à baixa estima em ser professor, tipo – “… todo mundo pode ser…”, caímos em um dos principais efeitos de fracasso do sistema educacional brasileiro, a desqualificação profissional. É provado que os alunos com professores qualificados e com amplas condições de ministrarem suas aulas, aprendem mais, há uma queda considerável do fracasso escolar.

            Nos últimos anos, houve um aumento considerável  de investimento em formação de professores no Brasil, mas poucos são os investimentos continuados, realizados na própria escola com supervisão direta ao professor. Mas muitos municípios querem os recursos para aplicarem em grandes seminários, cursos relâmpagos. Temos visto órgãos públicos gastarem altas cifras em contratações de “gurus” da educação para proferirem palestras shows. Parece que este tipo de evento favorece no sistema de fazer caixa dois em prefeituras, segundo nos informa  a ONG Transparência Brasil. Recentemente perguntei para uma professora o porquê em palestras o coletivo da categoria tende a não prestar atenção em nada e ficam “tricotando”, enquanto o conferencista fala. Ela me disse que era uma reação natural dos professores às propostas de formação para “inglês ver”. “Parece que até rola propina para empresas especializadas em oferecer treinamentos, ai é um  tal de encher bexigas e  estoura-las. Aí todo mundo faz de conta que gostou”. Respondi para a professora que este tipo de pacto da mediocridade à longo prazo estaria levando-nos a um desgaste em relação à profissão e o resultado da instituição escola cairia em descrédito na população”. Mas ela rebateu-me dizendo que estava prestes a se aposentar. Pelo visto, esta professora se esqueceu que seus filhos, netos e muitas crianças precisarão de uma educação de qualidade.

Lá na Coréia do Sul, um dia também a educação já esteve como a nossa. Mas acreditaram que educação era necessário na sustentação do crescimento econômico. Por aqui, mesmo dizendo que estamos em franco crescimento econômico, nosso sistema educacional ainda está adormecido. O nosso perigo é de vermos a onda de crescimento passar e não conseguirmos pegar a onda por falta de educação.

Acredito que os professores no Brasil ainda têm muito pouco o que comemorar. A não ser que se satisfaçam por pouco… o muito pouco que estão recebendo para o muito esforço que estes guerreiros estão oferecendo.

* Psicólogo, Diretor do Instituto Pensamento, especialista em Psicologia Escolar pelo Conselho Federal de Psicologia.

SEMANA NACIONAL DA VIDA - OITAVO TEMA - APRENDENDO A ENVELHECER

sexta-feira, outubro 10th, 2008

Ontem foi o oitavo dia da Semana Nacional da Vida. Como o tema é “Aprendendo a Envelhecer”, deixei para refleti-lo hoje, por ser o dia do idoso.

Hoje já consigo projetar-me idoso. Contemplo-me no futuro com meus noventa anos atendendo o dia todo em meu consultório. Projeto-me ouvindo as dezenas de histórias e ajudando pessoas a trilhar seus inconscientes. E olha que quando vou a congressos de psicanálise, vejo muitos analistas beirando os noventa com o maior pique de trabalho. Em minha última supervisão, meu supervisor já estava com 86 anos e parecia ter cinquentão.

Mas sabemos que o envelhecer não é tão simples assim. Nossa estrutura urbana não está preparada para acolher os envelhecidos. O sistema de saúde não dá conta de atender se quer os recém nascidos. Dias atrás, um senhor idoso fez uma sábia reflexão. Comparou a situação de uma emergência de vida e morte entre um idoso e um jovem, em situações de se ter no hospital apenas um médico para socorrer: “Quem você acha que será escolhido para ser salvo?”. Fiquei com receio de responder o que havia pensado. Mas como este senhor era muito sábio, ele logo falou: “não se preocupe Gerson, sei que você é uma pessoa educada, mas sei que como eu, você pensou que o médico escolheria o jovem para tentar socorrer”.

Como estamos pouco estruturados para acolhermos os que envelhecem, tendemos a fugir da velhice. Somos absorvidos pela cultura do culto à juventude e se não tomarmos cuidado negamos nossa cronologia para assumirmos um perfil jovial. Quando isto acontece fica ridículo. O jovem forçado.

A melhor forma de envelhecer é encontrar-se com a idade que se têm e traçar um projeto pessoal para aproveitar todos os anos vividos na construção de algo que valha a pena. Chegar na velhice para ficar vendo o tempo passar e esperando a morte chegar, não é nada atrativo. Da angústia.

Mas precisamos construir condições em nossas comunidades para que os velhos tenham seus espaços valorizados. Em culturas milenares, o velho é ancião, que carrega a história de seu povo. Na nossa cultura ocidental, o velho é visto como um estorvo.

Os clubes da terceira idade que conheço, acabam banalizando a velhice, pois propõem apenas forró, comes e bebes. Tratam os idosos como se não tivessem memória, como se só soubessem dançar ou só precisassem arrumar parceiros. Os espaços para os idosos não devem se transformar em guetos de inválidos, mas em espaço de produtividade. Gosto de ver as iniciativas das universidades da terceira idade, onde os velhos são potencializados para o conhecimento e reconhecimento da própria história.           

Uma sociedade que cultua os envelhecidos na condição de portadores da história e protagonistas de sonhos e esperanças para a juventude, é um estímulo motivacional para qualquer cidadão não temer a velhice.

Não é a toa que desejo a velhice, pois sempre convivi com idosos altamente produtivos na profissão. Sou um privilegiando, pois a Psicologia é uma profissão que valoriza o tempo, a experiência. Ficamos melhores quanto mais velhos. A Psicologia é a ciência que ajuda a envelhecer com alegria, pois seus maiores mestres são pessoas envelhecidas.

Falando em envelhecimento, visite um asilo de velhos. Há muitos velhos abandonados esperando por você. 

SEMANA NACIONAL DA VIDA - SÉTIMO TEMA - PERDAS FAMILIARES E LUTO -

terça-feira, outubro 7th, 2008

Neste sétimo dia da semana nacional da Vida, a CNBB propõe o tema das perdas familiares e luto.

Cada dia que passa nos tornamos pessoas com mais dificuldade de lidar com as perdas, principalmente por motivo de morte. É o resultado de uma sociedade que cultua apenas a banda boa  da vida, como se bom fosse só o que nos dá satisfação plena. Pensar a morte não é nada atraente para quem vive acreditando quase na imortalidade, ou narcisisticamente. O Narciso, que  acha feio o que não é espelho, nem imagina que um dia morrerá. Imagina! Quando um ente querido seu vem a falecer, entra
em desespero. Isto é, será que narcisos possuem entes queridos? Ou a morte dos seus próximos o provoca a pensar que um dia morrerá? Chora pela perda do outro ou chora pela possibilidade de um dia ele também morrer?

Mas o que tem a ver narcisismo com o tema luto? É que somos formados na cultura do cultuar a própria imagem. Até a forma com que se anda incorporando a mensagem de Jesus Cristo é algo extremamente voltado para os benefícios pessoais, veja o crescente número de seitas que prometem prosperidade – lembram daquele casal que em nome de Deus estavam desviando muita grana brasileira para os Estados Unidos?

Já nas religiões com embasamento nos Evangelhos, como é a Igreja Católica, a morte é passagem. A Cruz é caminho. Para nascermos precisamos morrer. Esta é a base do Cristianismo,  para se viver na fé é necessário morrer nas vontades pessoais e renascer na partilha – Os Cristãos tinham tudo em comum, dividiam seus bens com alegria ( Atos do Apóstolos).

Para quem vive na dissensão Cristã, a morte não é o fim. Assim, quando um ente querido morre, não nos apegamos em si na morte, mas na pessoa que ela foi e na lembrança de vida a partir de sua história. Se foi uma história de construção de coisas boas, com certeza veremos nesta morte um elemento encorajador, de alguém que passa a interceder por nós. Se o ente querido falecido, não teve uma vida tão condizente conforme os mandamentos do Evangelho, passaremos a orar pela intercessão de Deus sobre aquela alma. Mas como sempre dizia Dom Tomaz Vaqueiro, Bispo de São João da Boa Vista na época de 1980, nós teremos surpresas quando morrer são três: a primeira de levarmos um susto por termos chegado no céu, e um certo alívio; a segunda é a grande surpresa de vermos pessoas lá que nunca imaginávamos que pudessem estar lá; a terceira, de não encontrarmos pessoas que tínhamos a certeza que as encontraríamos no céu. Isto ele falava para dizer que sobre o pós morte, só a Deus pertence, e que os julgamentos de Deus não são parecidos com os nossos julgamentos.

Por isto que a morte assusta, pelo desconhecido. Ninguém nunca voltou para contar.

O luto tem trazido consequência desastrosas na vida de muita gente com modelos familiares de muito apego. A depressão é o primeiro sintoma após o processo de negação.  Em casos assim propomos processo de psicoterapia de suporte pós-morte de um ente querido.

Estes desconfortos são naturais em sistemas educacionais que priorizam relações por dependências. Sistema estes que torna muito difícil de uma pessoa até fazer escolhas religiosas e  vocacionais. A dependência afetiva familiar cria em nós mecanismos de domínio sobre que amamos, e não aceitamos a morte destes.

Há culturas, que ao contrário, cultuam a morte no cotidiano da vida. Biologicamente nosso corpo morre minuto a minuto. Perdemos aproximadamente cem mil células por minuto. Mas a dinâmica de nosso corpo revitaliza-nos, pois ao perdermos cem mil células, ganhamos outras cem mil.

Costumo dizer que aqueles que temem a morte, estão despreparados para a vida. Não conseguem viver. 

SEMANA NACIONAL DA VIDA - SEXTO TEMA - ADOÇÃO

segunda-feira, outubro 6th, 2008

Neste sexto dia da Semana Nacional da Vida, a CNBB nos chama a pensarmos a ADOÇÃO como defesa da vida.

O compositor Eduardo Dusek imortalizou uma de suas canções que sempre parafraseamos quando pensamos em adoção: “… Troque seu cachorro por uma criança pobre…”. Mas sabemos que comparar um cachorro com uma criança, é meio estranho, mesmo que tenhamos a certeza de que há muitos cachorros sendo melhor tratados que crianças. É que cachorro dá bem menos trabalho.

Mas adotar crianças pelo fato de estarem passando fome, é um gesto nobre, mas não basta. É preciso estar desejando adotar um filho, para que realmente filho ele seja, pois as adoções tocadas apenas por sentimentos de compaixão geralmente causam adoções complexas, pois no final das contas a criança adotada passa a ser um fardo.

Já atendi muitos casos de crianças que eram adotadas e necessitavam um processo psicoterapêutico, mas como eram adotadas, os pais abandonavam rapidamente com o argumento mais que comum – não vai dar resultado mesmo, já nasceu problemático -. Mas se o filho for biológico, o ter nascido problemático, delata a própria estirpe dos conjugues, assim, investir em tratamento vale a pena. Lógico que para pais adotantes que assim fizeram como ato de amor e desejosos de terem filhos, o papo é outro, realmente não há diferença de postura.

Dúvidas em relação a adoção têm dificultado o crescimento de casais em busca de adotar. Questionamento sobre o bem estar psicológico da criança, tipo: “Será que carregam traumas da vida intra-uterina?” Ou com o emergente das doenças sexualmente transmissíveis, o medo da criança ter AIDS: “Já pensou se lá no meio do caminho descobre-se uma AIDS?”.

Outro fator que tem dificultado o crescimento de pais adotantes é o trâmite judicial sobre a adoção. Há muitos casos na fila de espera para reconhecimento de pátrio-poder aos pais adotantes. Isto gera muita insegurança nos casais. Imagine o casal ter de conviver com o processo por anos, e depois os pais biológicos solicitarem a reintegração de posse da criança, pois a justiça ainda não decidiu sobre a adoção permanente… é cruel.

A adoção é um grande desafio na defesa da vida. Poderia ser a solução de milhares de casais inférteis que gastam muito dinheiro em fecundação artificial. Vemos que se a Adoção fosse melhor propagada e elaborada pelas famílias, teríamos a solução para muitos casais e muitas crianças. Veríamos o emergir de soluções para situações reais de abandono. Veríamos sim muitas crianças serem trocadas por cachorros. Pois o destino quase que único de casais sem filho são gatos e cachorros, e olha que eles custam muito caro. Eduardo Dusek não estava tão errado assim. 

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