SEMANA NACIONAL DA VIDA - SÉTIMO TEMA - PERDAS FAMILIARES E LUTO -

Neste sétimo dia da semana nacional da Vida, a CNBB propõe o tema das perdas familiares e luto.

Cada dia que passa nos tornamos pessoas com mais dificuldade de lidar com as perdas, principalmente por motivo de morte. É o resultado de uma sociedade que cultua apenas a banda boa  da vida, como se bom fosse só o que nos dá satisfação plena. Pensar a morte não é nada atraente para quem vive acreditando quase na imortalidade, ou narcisisticamente. O Narciso, que  acha feio o que não é espelho, nem imagina que um dia morrerá. Imagina! Quando um ente querido seu vem a falecer, entra
em desespero. Isto é, será que narcisos possuem entes queridos? Ou a morte dos seus próximos o provoca a pensar que um dia morrerá? Chora pela perda do outro ou chora pela possibilidade de um dia ele também morrer?

Mas o que tem a ver narcisismo com o tema luto? É que somos formados na cultura do cultuar a própria imagem. Até a forma com que se anda incorporando a mensagem de Jesus Cristo é algo extremamente voltado para os benefícios pessoais, veja o crescente número de seitas que prometem prosperidade – lembram daquele casal que em nome de Deus estavam desviando muita grana brasileira para os Estados Unidos?

Já nas religiões com embasamento nos Evangelhos, como é a Igreja Católica, a morte é passagem. A Cruz é caminho. Para nascermos precisamos morrer. Esta é a base do Cristianismo,  para se viver na fé é necessário morrer nas vontades pessoais e renascer na partilha – Os Cristãos tinham tudo em comum, dividiam seus bens com alegria ( Atos do Apóstolos).

Para quem vive na dissensão Cristã, a morte não é o fim. Assim, quando um ente querido morre, não nos apegamos em si na morte, mas na pessoa que ela foi e na lembrança de vida a partir de sua história. Se foi uma história de construção de coisas boas, com certeza veremos nesta morte um elemento encorajador, de alguém que passa a interceder por nós. Se o ente querido falecido, não teve uma vida tão condizente conforme os mandamentos do Evangelho, passaremos a orar pela intercessão de Deus sobre aquela alma. Mas como sempre dizia Dom Tomaz Vaqueiro, Bispo de São João da Boa Vista na época de 1980, nós teremos surpresas quando morrer são três: a primeira de levarmos um susto por termos chegado no céu, e um certo alívio; a segunda é a grande surpresa de vermos pessoas lá que nunca imaginávamos que pudessem estar lá; a terceira, de não encontrarmos pessoas que tínhamos a certeza que as encontraríamos no céu. Isto ele falava para dizer que sobre o pós morte, só a Deus pertence, e que os julgamentos de Deus não são parecidos com os nossos julgamentos.

Por isto que a morte assusta, pelo desconhecido. Ninguém nunca voltou para contar.

O luto tem trazido consequência desastrosas na vida de muita gente com modelos familiares de muito apego. A depressão é o primeiro sintoma após o processo de negação.  Em casos assim propomos processo de psicoterapia de suporte pós-morte de um ente querido.

Estes desconfortos são naturais em sistemas educacionais que priorizam relações por dependências. Sistema estes que torna muito difícil de uma pessoa até fazer escolhas religiosas e  vocacionais. A dependência afetiva familiar cria em nós mecanismos de domínio sobre que amamos, e não aceitamos a morte destes.

Há culturas, que ao contrário, cultuam a morte no cotidiano da vida. Biologicamente nosso corpo morre minuto a minuto. Perdemos aproximadamente cem mil células por minuto. Mas a dinâmica de nosso corpo revitaliza-nos, pois ao perdermos cem mil células, ganhamos outras cem mil.

Costumo dizer que aqueles que temem a morte, estão despreparados para a vida. Não conseguem viver. 

One Response to “SEMANA NACIONAL DA VIDA - SÉTIMO TEMA - PERDAS FAMILIARES E LUTO -”

  1. Maria Inês disse:

    GERSON,

    Nossa!…. a cada dia que assunto!!!!! isto que é VIDA!

    pois aqui…justamente esta falando, de quando naquele dia em que a ninguém escapa…. o fim da vida terrena, ganharemos “A VIDA”!!!

    Também conheci o Bispo D. Tomaz Vaqueiro, mas como professor e palestrista de encontros…
    Inclusive lembro que ao terminar um encontro na Mariápolis, fomos para Itanhaém, estavamos comprando uma casimha…e ia ser passada a escritura foi em 1991, dia em que nos Focolares, Chiara Lubich estava aqui no Brasil, quando nasceu a EdC Economia de Comunhão…e o encontramos celebrando a Missa daquela segunda feira… ele era visita de D.Davi Picão bispo de Santos,estava tão feliz que contou ao povo da Igreja o que tinhamos visto naquele final de semana… Nós o saudamos após o término da Missa…que alegria!!! E nós ( eu e meu esposo) estavamos completando 15 anos de casados, agora já são 32 anos!

    Mais voltando ao texto…gostaria de contar quanta dificuldade tenho com as pessoas, quando partilho minha história: Escolha de Deus na minha vida, Ter usado sempre os métodos naturais (MO), Ter 8 filhos…e que Deus levou,( um acidente de carro) o mais velho, Rafael com 22 anos, (há quase 7 anos)e que sinto como o nosso intercessor…quantas experiências neste sentido na família!

    Obrigada pela oprtunidade de partilhar mais um pouco da minha história…
    Maria Inês

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